Celebrar a diversidade


Não sei, mas duvido muito, se porventura semelhante fenómeno aconteceu anteriormente com outra canção vencedora do “Festival Eurovisão”: o YouTube está literalmente inundado de “Amar Pelos Dois”.

Seleccionei “apenas” 30 (e tal) versões das 50 ou 60 (e tal) que fui ouvindo, e isto só para dar uma pequena ideia dos cerca de 325.000 “covers” desta excelente balada de Luísa e Salvador Sobral.

Trezentas e vinte e cinco mil “covers”, caramba, é obra! Somente no YouTube há neste momento mais de 95.000 vídeos nesta nova “categoria”.

Há lá de tudo, realmente, e mesmo em tão “pequena” amostra a variedade é imensa: versões cantadas e instrumentais, a solo, em dueto ou em coro, por gente de todas as idades, alguns deles profissionais mas também muitos amadores, das mais diversas partes do mundo (Ucrânia, Sérvia, Espanha, França, Brasil, Suécia, Dinamarca, Alemanha, etc.), uns com todos os recursos, técnicos ou outros, e outros sem recursos nenhuns…

Tentei seleccionar 30 (e tal) exemplos de qualidade segundo um critério único: acrescentam algo ao original. 

Afinal o mote do festival ucraniano fazia algum sentido…

 

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80% pela Pátria

No final de 2015 a justiça fiscal de primeira instância registava mais de 53 mil processos pendentes, parte significativa dos quais tinham dado entrada nos tribunais há mais de 13 anos. O avassalador cenário descrito neste trabalho, feito a pedido do Ministério da Justiça pelas investigadoras Conceição Gomes e Paula Fernando, surpreendeu até mesmo as suas autoras, que não contavam deparar-se com tamanhas pendências. Sucede que a esmagadora maioria dos processos que dão entrada nos tribunais tributários são desencadeados pelos contribuintes, numa tentativa de reagir àquilo que consideram ser os abusos do fisco. E em cerca de metade dos casos é-lhes dada razão.

“É opinião maioritária dos entrevistados que parte dos litigios que chegam a tribunal resultam de interpretação da lei às luz de um “direito circulatório” da própria administração tributária, com frequência contra jurisprudência consolidada dos tribunais”, escrevem as autoras do estudo, que ouviram dezenas de juízes, procuradores e funcionários judiciais. “A Autoridade Tributária podia ter evitado estes processos. Há litígios que não se justificam”, declarou um desses entrevistados, que antes de entrar no mundo das leis tinha trabalhado para as Finanças. Os depoimentos no mesmo sentido sucedem-se. “Por regra, não dão razão às reclamações do contribuinte e depois acaba por vir tudo para o tribunal”, refere outro depoimento. Um terceiro operador judiciário fala da pujança de uma máquina fiscal que “não respeita nada, nem a lei.

Estes são apenas os dois primeiros parágrafos do artigo do “Público” de hoje. Chegam e sobram para ilustrar este desarmante mistério: por vezes alguém atreve-se a falar do Fisco e das suas arbitrariedades mas nunca por nunca sequer se aflora o motivo ou as motivações subjacentes. Ou seja, afinal porquê, porque será que o Fisco actua desta forma, com tal selvajaria e sempre em total impunidade?

Bom, já lá vão quase dez anos desde que me atirei à empreitada, salvo seja, mas parece-me que os resultados da investigação que então aqui apresentei mantêm-se ainda hoje perfeitamente actuais. E por maioria de razões, aliás, porque na última década a sanha, a violência, a ganância dos agentes aumentou brutalmente.

Espírito de (co)missão

(…)

Não é bem à causa que se dedicam, os funcionários comissionistas, é mais à coisa, à massa, ao rico dinheirinho que percentualmente paga a sua dedicação; e, é claro, quanto mais voluntariosos e zelosos forem, mais cresce o pecúlio. O Estado agradece, porque também ele tem direito à sua fatia do bolo, por sinal a maior, e ainda restam uns pedacitos para as “outras entidades envolvidas”.

Ou seja, sendo o sector público o maior aparelho improdutivo do país, o mais gigantesco silo de organismos geneticamente acomodados, temos que a maioria dos portugueses estará com certeza muito satisfeita com este Estado… de coisas.

É uma fatalidade. À minoria pagante resta sempre aquilo que ainda não vence imposto nem está, até ver, sujeita a coima: a esperança. Haja, pois, esperança. Quanto mais não seja a de, quem sabe, um dia arranjar um lugarzinho de comissionista – 80% pela Pátria – numa repartição de finanças jeitosa ou, vá lá, numa das faixas laterais da avenida da Liberdade.
Apdeites, 06/09/2007

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Pérolas politicamente correctas

Claro. Não ia ninguém ao volante. Aliás, os “infiéis” que iriam morrer daí a instantes não tinham nada que estar naquele exacto momento naquele preciso local. A culpa é toda deles, portanto, agora não se queixem.

Pérola pescada por Bic Laranja

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Rede Cedilha

E pronto. A rede está completa, corrigida e tal e tal. É possível que ainda haja uma ou outra ponta solta, algures, numa qualquer página mais antiga, mas confesso que já estou um bocadinho farto de pentelhar a coisa, salvo seja.

Ficam aí uns botõezinhos. Click e vai lá dar.

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Os canibais (com T “mudo”)

Aqui o Cedilha acaba por naturalmente assumir o papel que ao longo de 7 anos pertenceu ao Apdeites. Nomeadamente no que diz respeito, entre outros assuntos “especializados”, por assim dizer, à denúncia — no sentido de exposição, não de bufaria — de aldrabices em geral e, dentro desse vasto campo em que se entretêm tugas, em especial no que concerne ao plágio.

Portanto, reproduzo seguidamente o “post” que acabo de publicar no Apartado. De facto pouco ou nada tem a ver com o AO90, é só mesmo sobre canibalização de trabalho alheio.


‘Atingiu o seu limite de artigos gratuitos’

«As asneiras (…) citadas não foram detectadas em meros, modestos, blogs ou páginas de Facebook de jovens ortograficamente inexperientes, iliteratos e ignorantes. Estavam e estão em sítios oficiais de importantes instituições e empresas, públicas e privadas, incluindo estabelecimentos de ensino superior e órgãos de comunicação social.

Para saber quem “escreveu” o quê deve-se ir ao sítio da ILCAO e consultar o inacreditável “inventário” em constante actualização. Que constitui uma prova irrefutável e definitiva deste “apocalise abruto”, deste “cAOs” ortográfico – e, consequentemente, também comunicacional, cultural e educativo – que está a alastrar em Portugal. Será definitivo? Ou, pelo contrário, será contido e até revertido? De Belém e de S. Bento espera-se uma resposta. Urgentemente.»

Octávio dos Santos, “Público”, 13 de Março de 2015

Voltemos ao início: “a questão ortográfica precisa de ser controlada por determinação política”. Ora vejam algumas pérolas que tal “determinação” incentivou: “pato de estabilidade”, “fato“, “fatual“, “fatualmente“, “frição“, “fricional”, “fricionar“, “inteleto“, “inteletual“, “latose“, “otogenária”, “setuagenários“, “espetável“, “espetadores“, “contatos“, “conceção [do visto]”, “conceção [da autorização]”, etc. Há mais. Muito mais. A colheita, abundante e diária, é dos T…

Nuno Pacheco, “Público”, 09.03.17




Nessun dorma! Nessun dorma! Tu pure, o Principessa,
nella tua fredda stanza
guardi le stelle
che tremano d’amore e di speranza…
Ma il mio mistero è chiuso in me,
il nome mio nessun saprà!
No, no, sulla tua bocca lo dirò,
quando la luce splenderà!
Ed il mio bacio scioglierà il silenzio
che ti fa mia.

Il nome suo nessun saprà…
E noi dovrem, ahimè, morir, morir!

Dilegua, o notte! Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle! All’alba vincerò!

Written by Giacomo Puccini, Giuseppe Adami, Renato Simoni • Copyright © Universal Music Publishing Group
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