Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: LUSA

Quatro. Vejo quatro dedos.

«O “acordo ortográfico” é… …terrorismo linguístico baseado em contra-informação propagada por supostos (e alguns inocentes) anti-acordistas. Em 1986 foi esgalhada uma primeira versão do AO em que se fingia prever a abolição dos acentos nas palavras esdrúxulas. Depois os acordistas fingiram ter deixado cair essa ameaça na versão final (AO90), conseguindo assim fazer passar absurdos de igual calibre mas aos quais as pessoas não deram grande importância, de tão assustadas que ficaram com a primeira ameaça. Trata-se, em suma, de ameaçar com um absurdo para fazer passar outro absurdo como se este fosse um “mal menor”.»

Acordo ortográfico para totós – 2 (09.10.16)

 

Em essência, a táctica agora é a mesma.

As diversas seitas acordistas e gangs associados fingem ameaçar com uma suposta “revisão” do AO90, o “governo” deita mão da sua agência oficial de contra-informação (a “Lusa”) para difundir que o senhor ministro manda dizer que não, nada disso, num Tratado internacional não se mexe, blábláblá.

As seitas fingem insistir (há que esgotar a paciência das pessoas, levá-las à exaustão extrema) e o “governo” finge continuar a resistir, porque blábláblá e tal e tal e coiso.

Por fim ambas as partes — que são a mesma parte mas faz de conta que não entendemos isso — fingem ceder um pouco nas suas posições “antagónicas” e pronto, assunto resolvido, faça-se lá então a revisãozinha, ou seja, “adote-se” definitivamente a ortografiazinha brasileira com umas excepçõezinhas, para já e até ver, mais tarde se exterminarão quaisquer vestígios de identidade nacional que sobejarem, haja calma.

Chama-se a isto, em jargão político, “criar as condições para”. O que equivale a dizer que “criar as condições” pára.

Pára a oposição séria, vencendo-a pelo cansaço. Pára a contestação real, esvaziando-a (aparentemente) de sentido. Pára, em suma, o raciocínio das pessoas pela enxurrada “noticiosa”, pára o seu discernimento paralisando-o pelo terror da “falta de alternativa”.

Por alguma razão andam a entreter o pagode com o acento em “pára”. Sabem-na toda, os políticos mai-los seus paus-mandados.

«Rever, corrigir, melhorar o AO90. A ideia tem barbas e já se percebeu que a isso mesmo se resumem as intenções de assumidos acordistas e de supostos anti-acordistas em igual número. Ambas as seitas passaram todos estes anos a entreter o pagode, uns fingindo que o aleijão era para ficar assim mesmo, outros a fingir que pretendiam acabar com a maleita, mas por fim, conforme infalíveis sinais emitidos por uns e por outros desde pelo menos 2013,  aí os temos chegando a uma forma explícita de entendimento tácito — desde há muito delineado, se não mesmo combinado ao pormenor — em que os interesses de todos eles (os assumidos e os supostos) ficarão salvaguardados.

Toca a música, ora aí está, começou a dança das cadeiras. Os membros efectivos dos dois grupos aparentemente antagonistas pretendem, hoje como antes, literalmente e apenas, salvar a própria pele e ainda vir a ganhar alguma coisinha (que se veja) nessa operação de epidérmico salvamento. Daí as mais recentes (e ainda mais descaradas do que era costume) “notícias”, todas elas muito profissionalmente cozinhadas, dando conta de inúmeras movimentações (…).»

Como diz a outra (15.03.16)
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Rever, corrigir, melhorar o AO90. A ideia tem barbas e já se percebeu que a isso mesmo se resumem as intenções de assumidos acordistas e de supostos anti-acordistas em igual número. Ambas as seitas passaram todos estes anos a entreter o pagode, uns fingindo que o aleijão era para ficar assim mesmo, outros a fingir que pretendiam acabar com a maleita, mas por fim, conforme infalíveis sinais emitidos por uns e por outros desde pelo menos 2013,  aí os temos chegando a uma forma explícita de entendimento tácito — desde há muito delineado, se não mesmo combinado ao pormenor — em que os interesses de todos eles (os assumidos e os supostos) ficarão salvaguardados.

15/03/2016

 

Revista “Sábado”, 28 Janeiro 2017 • Lusa

Academia sugere regresso de acentos, hífen e não só ao Acordo Ortográfico

O documento Sugestões para o aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 foi aprovado em plenário, na quinta-feira, por 18 votos, com cinco votos contra

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O documento de aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), aprovado na quinta-feira pela Academia de Ciências de Lisboa (ACL), propõe o regresso de consoantes mudas, do acento gráfico, em alguns vocábulos, do circunflexo, noutros, assim como do hífen.

O estudo propõe o regresso das consoantes mudas em palavras como “recepção” e “espectador”, ou seja, nos casos em que geram uma concordância absoluta de sons (homofonia) que podem causar “ambiguidade”.

O documento “Sugestões para o aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa” de 1990 foi aprovado em plenário, na quinta-feira, por 18 votos, com cinco votos contra.

Segundo a proposta apresentada, deve regressar o acento agudo em palavras com pronúncia e grafia iguais, as palavras homógrafas, referindo, entre outras, “pára”, forma do verbo parar, que se confunde com a preposição para, também “péla”, nome e forma do verbo pelar, que se confunde com a preposição “pela”.

Também é recomendado o regresso do acento circunflexo em diferentes vocábulos que são homógrafos a outros, por exemplo, o verbo “pôr”, para evitar confundir com a preposição “por”.

Defende o estudo o emprego do acento circunflexo “nas flexões em que a vogal tónica fechada é homógrafa de outra flexão da mesma palavra”, como os casos de “pôde”, forma do pretérito perfeito do indicativo do verbo “poder”, para se distinguir de “pode”, forma do presente do indicativo do mesmo verbo.

Também a forma “dêmos”, presente do conjuntivo do verbo “dar”, para se distinguir de “demos”, pretérito perfeito do indicativo, do mesmo verbo.

O acento circunflexo é igualmente recomendado para as terceiras pessoas do plural do presente do indicativo, casos de “crêem”,” lêem”, “vêem”, ou do conjuntivo, como “dêem”, dos verbos “crer”, “ler”, “ver”, “dar”, e seus derivados “relêem”, e “desdêem”, por exemplo.

O estudo defende a acentuação gráfica na terminação verbal “ámos”, relativa ao pretérito perfeito do indicativo dos verbos da 1.ª conjugação, todos os que terminam em “ar”. Esta acentuação da terminação verbal “amos” visa “distinguir da terminação ‘amos’ do presente do indicativo dos mesmos verbos”, como “terminámos” e “terminamos” ou “afirmámos” e “afirmamos”.

Quanto às consoantes mudas, nos casos em que geram uma concordância absoluta de sons (homofonia), sugere a Academia os termos “aceção”, que se pode confundir com “acessão” (consentimento), “corrector”, que se pode confundir com “corretor” (intermediário), “óptica”, relacionado com a visão, que se confundirá com ótica (audição), além de “receção” (recebimento) que se confunde com recessão (retrocesso), e “espectador”, diferente de “espetador” (o que espeta).

Conserva-se também quando a consoante muda “tem valor significativo, etimológico e diacrítico”, como por exemplo “conectar”, “decepcionado” e “interceptar”.

Segundo a argumentação da ACL “eliminam-se [as consoantes mudas] nos casos em que são invariavelmente mudas em todos os países de língua oficial portuguesa”

Deste modo “a grafia passa a ser única” nas palavras “acionar”, “atual”, “batizar”, “coleção”, “exato”, “inspetor” ou “projeto”.

Todavia, quando “se verifica oscilação de pronúncia na variedade portuguesa da língua”, recomenda a Academia, “preferencialmente, nestes casos, a manutenção da grafia com a consoante, para evitar arbitrariedades”.

Um dos exemplos dados é “fato”, na grafia brasileira, e “facto”, na grafia portuguesa.

Quanto ao hífen, é recomendação geral, por “clareza gráfica”, o emprego quando os elementos dos compostos, com a sua acentuação própria, não conservam, considerados isoladamente, a sua significação, ou seja, quando “o sentido da unidade não se deduz a partir dos elementos que a formam”.

Argumenta o estudo que se exige o emprego do hífen, em vocábulos como “água-de-colónia”, “braço-de-ferro”, “entra-e-sai” e “pé-de-meia”, e mantém-se nos termos que já o tinham como por exemplo “trouxe-mouxe”.

O hífen deve ser restaurado em expressões em que a soma dos elementos forma um sentido único, como por exemplo “faz-de-conta” e “maria-vai-com-as-outras”.

Também no interior de certos compostos vocabulares deve manter-se o hífen e o apóstrofo, como em “borda-d’água”, “cão-d’água”, “copo-d’água”, “mãe-d’água”, “marca-d’água”, “pau-d’água” e “pau-d’arco”, entre outros.

Já os vocábulos, dos quais se perdeu a noção de composição, como “mandachuva”, “paraquedas” e “paraquedista”, devem escrever-se aglutinadamente, o que não se deve cumprir relativamente aos “compostos com a forma verbal ‘manda-‘ e ‘pára-‘” que devem continuar “separados por hífen conforme a tradição lexicográfica”, casos de “manda-lua”, “pára-choques”, “pára-brisas”, e “pára-raios”.

O documento com as “Sugestões para o aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa” de 1990, aprovado pela Academia das Ciências, está disponível aqui.

Fonte: Academia sugere regresso de acentos, hífen e não só ao Acordo Ortográfico – Vida – Sábado

 

 

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Negócios, Lusa e “cidadãos”

«Um grupo de cidadãos deve tornar público, na próxima segunda-feira, um manifesto contra o AO90, que conta, entre outras com as assinaturas de Eduardo Lourenço e António Lobo Antunes, disse à Lusa fonte do Grupo de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico de 1990, que promove a iniciativa.»

Perdão? Um grupo de cidadãos que promove uma iniciativa? Quem são esses “cidadãos”, que os não conheço de lado nenhum? Qual é a “iniciativa” que promovem esses “cidadãos”, que de tal nunca ouvi falar? E essa “fonte” desse tal “Grupo de Cidadãos” (parabéns pelas maiúsculas, têm imensa pinta) é quem, ao certo? Um anónimo que soprou umas cenas? Alguém ligado aos “Negócios”? Um quadro da Lusa, isto é, algum inside job? E se é um inside job e se o caso foi soprado estaremos, por conseguinte, a assistir a um blow job?

Eu cá dispensava perfeitamente a obscenidade.

Impacto do Acordo Ortográfico avaliado no Parlamento

“Jornal de Negócios”/Lusa 20 de Janeiro de 2017 às 15:09

O requerimento para a constituição do Grupo de Trabalho foi apresentado pelo PSD e aprovado hoje de manhã com a abstenção do PS.

A comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto aprovou hoje a criação de um Grupo de Trabalho para a avaliação do impacto da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990, disse à Lusa fonte parlamentar.

O requerimento para a constituição do Grupo de Trabalho foi apresentado pelo PSD e aprovado hoje de manhã com a abstenção do PS.

Os deputados aprovaram ainda, desta feita por unanimidade, a proposta do Bloco de Esquerda para uma audição do presidente da Academia de Ciências de Lisboa (ACL), Artur Anselmo, naquela comissão.

Em declarações à agência Lusa, o deputado social-democrata José Carlos Barros afirmou que a proposta de criação deste grupo de trabalho surgiu pelos recentes alertas da ACL, que referiram “a necessidade de aperfeiçoar as bases do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), que gerou instabilidade ortográfica, que não estabelece uma ortografia única e inequívoca, que deixa várias possibilidades de interpretação, em muitos casos”.

“O Acordo Ortográfico tinha dois objectivos, um de ordem política que era no âmbito da Língua Portuguesa e que sempre foi relativamente consensual, que tem a ver com o papel de reforçar o papel da Língua Portuguesa como uma língua de comunicação internacional. O outro objectivo é de ordem técnica, que é a definição de uma base ortográfica comum”, explicou José Carlos Barros.

José Carlos Barros afirmou que o PSD continua a ser a favor do objectivo de ordem política, que “é o de reforço da Língua Portuguesa e que nunca esteve em causa”.

“O que a ACL vem dizer é que este objectivo de ordem técnica não está a ser cumprido, o que nós entendemos é que devemos perceber porque é que não está a ser cumprido este objectivo técnico”, disse o deputado social-democrata, realçando que “a política não se deve meter na ortografia”.

A constituição do Grupo de Trabalho deve ser abordada numa reunião da comissão parlamentar, que acontecerá na próxima semana, e a audição do presidente da ACL não está ainda agendada.

Questionado pela Lusa sobre o Grupo de Trabalho para acompanhamento da aplicação do Acordo, que funcionou entre 2014 e 2015, o deputado social-democrata afirmou que foi entregue um relatório sem conclusões, “por falta de consenso entre os diferentes partidos políticos”

Entretanto, um grupo de cidadãos deve tornar público, na próxima segunda-feira, um manifesto contra o AO90, que conta, entre outras com as assinaturas de Eduardo Lourenço e António Lobo Antunes, disse à Lusa fonte do Grupo de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico de 1990, que promove a iniciativa.

Também na próxima semana, na quinta-feira, a ACL vai deliberar sobre uma proposta de revisão do AO90, segundo o calendário de sessões.

[Fonte: Impacto do Acordo Ortográfico avaliado no Parlamento – Cultura – Jornal de Negócios] (“links” meus)

 

 

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Quarenta dinheiros

Jornalista e director do Jornal de Letras é vencedor do prémio de 40 mil euros.

José Carlos de Vasconcelos ganha Prémio Vasco Graça Moura – PÚBLICO

Lusa – 3 de Janeiro de 2017, 9:05 actualizado a 3 de Janeiro às 9:11

José Carlos Vasconcelos, de 76 anos, distinguido nesta terça-feira com o Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural, foi apontado pelo júri do galardão como “um raro exemplo de persistência na imprensa portuguesa de âmbito cultural”.

Vasconcelos, natural de Freamunde, no concelho de Paços de Ferreira, iniciou cedo a actividade jornalística e cultural na Póvoa de Varzim e, em 1960, publicou o primeiro livro de poemas.

Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra, onde se destacou como dirigente associativo. Enquanto universitário foi presidente da assembleia magna da Associação Académica, chefe de redacção da Via Latina, fundador e presidente do Círculo de Estudos Literários, actor no Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra, membro da direcção do cineclube local e chefe de redacção da revista Vértice.

Terminada a licenciatura em Direito, Vasconcelos ingressou na redacção do Diário de Lisboa, foi dirigente sindical e presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa.

“Como advogado, defendeu presos políticos e jornalistas”, adiantou fonte da Estoril Sol, que promove o galardão, em parceria com o grupo editorial Babel. Após o 25 de Abril de 1974, José Carlos Vasconcelos fez parte da direcção do Diário de Notícias e da direcção de informação da RTP, onde fez o programa literário Escrever É Lutar.

Foi um dos fundadores do semanário O Jornal e seu director, assim como da revista Visão, da qual fez parte da direcção editorial, presidiu à assembleia geral do Sindicato e do Clube dos Jornalistas, assim como à direcção deste último.

“De salientar que participou em iniciativas cívicas contra a ditadura [anterior ao 25 de Abril de 1974] e, após a revolução de Abril, fez parte da Comissão do Livro Negro sobre o Regime Fascista. Foi deputado à Assembleia da República e presidiu à Comissão Parlamentar Luso-Brasileira“, disse a mesma fonte.

Entre os vários organismos aos quais pertenceu, refira-se a Comissão de Honra dos 500 Anos do Descobrimento do Brasil, o conselho geral da Fundação Calouste Gulbenkian e o Conselho das Ordens Honoríficas Nacionais, foi comissário do Encontro Internacional Língua Portuguesa, promovido pela União Latina.

Actualmente faz parte do conselho geral da Universidade de Coimbra, dos conselhos consultivos para a Língua Portuguesa da Fundação Gulbenkian e do Instituto Camões, e é sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa.

Source: José Carlos de Vasconcelos ganha Prémio Vasco Graça Moura – PÚBLICO

 

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Si bô ‘screvê’ me ‘m ta ‘screvê be

“SODADE”

Quem mostra’ bo
Ess caminho longe?
Quem mostra’ bo
Ess caminho longe?
Ess caminho
Pa Sao Tomé

Sodade sodade
Sodade
Dess nha terra Sao Nicolau

Si bo ‘screve’ me
‘M ta ‘screve be
Si bo ‘squece me
‘M ta ‘squece be
Até dia
Qui bo voltà

Sodade sodade
Sodade
Dess nha terra Sao Nicolau

O Português na hora di bai?

Em Cabo Verde, o Português vai ser ensinado como língua estrangeira. Vamos muito bem unificados, como se vê.

15 de Dezembro de 2016, 7:00

Nuno Pacheco

———————

Perdida no turbilhão do noticiário geral, passou despercebida uma notícia relevantíssima para o futuro do Português: a de que este vai passar a ser ensinado como língua estrangeira em Cabo Verde, já no próximo ano lectivo.

Antes que comecem já a atirar pedras aos cabo-verdianos, convém atender às razões de tal opção. Já em 2010, o conhecido escritor Germano Almeida defendia, em entrevista à Lusa, o ensino do português como língua estrangeira. Argumentos: “Não podemos pensar que o cabo-verdiano fala o português desde criança, porque não fala. Vemos alunos que terminam o décimo segundo ano e falam mal o português. Há professores que também não sabem falar português, portanto, só podemos concluir que o ensino está a falhar”. Mais: “Portugal, Brasil, Angola não precisam de contactar connosco, nós é que precisamos de contactar com eles, então o português para os cabo-verdianos é essencial. Os cabo-verdianos não são bilingues e por isso precisamos começar a ensinar o português como língua estrangeira”.

Seis anos depois, é a Ministra da Educação de Cabo Verde, Maritza Rosabal, que vem anunciar a iniciativa: “A língua portuguesa é abordada como língua primeira de Cabo Verde, quando não é. Temos uma eficácia do sistema muito baixa, onde apenas 44% das crianças que começam o primeiro ano finalizam o 12.º em tempo. Temos muitas perdas”. Mais: “O Brasil exige provas de língua portuguesa aos nossos estudantes, o Instituto Camões exige provas de língua portuguesa o que quer dizer que apesar de estarmos no espaço lusófono, começamos a não ser reconhecidos como um espaço com proficiência linguística em português”. Ou: “Toda esta duplicidade linguística afecta o processo. Reconhecemos que a nossa língua materna é o crioulo, mas como língua instrumental de trabalho e de comunicação temos de fortalecer a língua portuguesa”.

(mais…)

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Cabo Verde: «Português passa a ser ensinado como língua estrangeira»

Português passa a ser ensinado como língua estrangeira

8/12/2016 08:32

A Ministra da Educação, Maritza Rosabal, anunciou que o português passa a ser ensinado como língua estrangeira, o que vem ao encontro do desejo de muitos pais e encarregados de educação que há muito pedem que o português não seja ensinado como língua materna. Isto pelo simples facto das crianças “não entendem o português” ou, como disse uma aluna da 1ª classe ao seu pai no fim do seu primeiro dia de aula, “papa um ca intende nada que quel senhora tava ta dze”. A Ministra explica o porquê da alteração. “A língua portuguesa é abordada como língua primeira de Cabo Verde, quando não é. Temos uma eficácia do sistema muito baixa, onde apenas 44% das crianças que começam o primeiro ano finalizam o 12º em tempo. Temos muitas perdas”.

Maritza Rosabal adiantou que entre os alunos cabo-verdianos a capacidade de leitura e interpretação e a proficiência linguística são questões que se colocam “com muita acuidade”.

“Toda esta duplicidade linguística afecta o processo. Reconhecemos que a nossa língua materna é o crioulo, mas como língua instrumental de trabalho e de comunicação temos de fortalecer a língua portuguesa”, sustentou a Ministra.

A responsável assinalou também “algumas dificuldades” de Cabo Verde na inserção no espaço lusófono.

“O Brasil exige provas de língua portuguesa aos nossos estudantes, o Instituto Camões exige provas de língua portuguesa o que quer dizer que apesar de estarmos no espaço lusófono, começamos a não ser reconhecidos como um espaço com proficiência linguística em português”.

Por isso, já no próximo ano lectivo, o ensino do português como língua segunda ou língua não materna começará a ser introduzido no Ensino Pré-escolar (4/5 anos) e no primeiro ano no Ensino Básico, estendendo-se depois progressivamente aos restantes anos do Primeiro Ciclo.

Neste momento, está em curso, segundo a Ministra, a elaboração dos materiais com o apoio do Instituto Camões que irá ainda dar assistência técnica na elaboração de metodologias, programas e desenvolvimento e alteração de currículos.

O protocolo envolve os Ministérios da Educação de Cabo Verde, de Portugal e o Instituto Camões.

Fonte: Lusa

Source: Português passa a ser ensinado como língua estrangeira – Notícias do Norte (Cabo Verde)

Imagem de topo: recorte de notícia Inforpress (Cabo Verde)

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