Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: ensino

Viva o Português de Angola!

Governo vai elaborar estudos sobre a variante do português em Angola

 

Angola vai elaborar estudos sobre a variante da Língua Portuguesa, desenvolver políticas para promover o ensino e uso das línguas nacionais, apostar na criação de casas de cultura e rede de bibliotecas, anunciaram hoje as autoridades.

O anúncio foi feito pela ministra da Cultura de Angola, Carolina Cerqueira, durante a abertura do quinto Conselho Consultivo Alargado, que arrancou hoje, em Luanda, para a análise de políticas, programas e projectos do sector.

De acordo com a governante, a promoção do ensino e uso das línguas nacionais e a elaboração de estudos sobre a variante da Língua Portuguesa em Angola constam das acções prioritárias do sector a par de criação de infraestruturas, com vista ao desenvolvimento de uma indústria cultural forte e eficiente.

“Capaz de participar na diversificação da economia e na geração de riqueza e bem-estar, apta para contribuir para endogeneizar social e culturalmente os valores tradicionais e locais e contribuir eficazmente para a valorização e divulgação do nosso património nacional”, disse.

Carolina Cerqueira defendeu que hoje a cultura deve estar ao serviço da unidade nacional, da paz e do desenvolvimento e contribuir para o reforço da cidadania, tendo exortado os fazedores de cultura e religiosos a participarem na mobilização dos cidadãos às eleições de 23 de Agosto.

“Apelamos às igrejas que contribuam através da palavra, para a educação eleitoral e para uma cidadania consciente dos fiéis, pelo respeito, pela harmonia, e aos fazedores da cultura, através da música, valores positivos para um comportamento exemplar”, referiu.

Num balanço das acções realizadas pelo sector durante os últimos anos, a titular da pasta da Cultura de Angola assinalou que, “não obstante a crise”, foi possível atender e materializar um conjunto de acções estruturantes, entre elas a construção do Complexo das Escolas de Arte, destacando igualmente avanços no capítulo de diplomas legais para o sector.

O evento, que termina terça-feira, decorre subordinado ao lema “Dinamizar as Indústrias Culturais em Prol do Desenvolvimento e de uma Cultura de Paz”.

[Transcrição (com correcção automática) de notícia dos acordistas “Diário de Notícias” e “BrasiLusa” de 26.06.17.]

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‘Nivelar por baixo’

«É indiscutível que a supressão deste tipo de consoantes vem facilitar a aprendizagem da grafia das palavras em que elas ocorriam.

De facto como é que uma criança de 6-7 anos pode compreender que em palavras como concepção, excepção, recepção, a consoante não articulada é um p, ao passo que em vocábulos como correcção, direcção, objecção, tal consoante é um c?

Só à custa de um enorme esforço de memorização que poderá ser vantajosamente canalizado para outras áreas da aprendizagem da língua.» (Acordo Ortográfico – Nota Explicativa)

“O AO90 facilita a aprendizagem”, dizem eles

“O AO90 facilita a aprendizagem”, dizem eles (2)

 

A educação rosa

Santana Castilho

Wednesday, June 14, 2017

O PS é um partido político que foi perdendo a sua matriz ideológica. Sob a liderança de António Costa, a aliança à esquerda é meramente circunstancial e ditada por ser a única forma de ganhar o Governo, depois de perder as eleições. Para os que legitimamente discordem deste ponto de vista, recomendo a análise fina das votações da legislatura e a interpretação grossa dos sinais dos últimos dias (bloco central na TAP, flop na chefia das secretas, imprudente acolhimento de familiares de amigos e de interesses de amigos, prudente respeito pelos contratos firmados com os chineses da EDP mas oportuno desprezo pelos contratos firmados com os professores portugueses).

Para os que concluem o ensino secundário, é hora de exames, onde se joga a entrada nas universidades e politécnicos. Para alguns dos outros é hora de brincar às provas de aferição, onde se queima credibilidade, tempo e dinheiro, porque se trata de provas que foram largamente usadas e abandonadas por inúteis e porque, ao persistir na asneira, ao menos que fossem aplicadas no fim dos ciclos de estudo ou feitas por amostragem.

Na equação política do PS a Educação não conta. O ministro é um bibelot que acompanha os senhores nas festas e que se mistura com a malta nos recreios, quando há fotógrafo por perto.

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«O acordo ortográfico» [por Manuel Vaz Pires, “Jornal Nordeste”]

O acordo ortográfico

por Manuel Vaz Pires

“Jornal Nordeste”, 06.06.17

Bem suplicou Baptista Bastos “não me tirem o p ao Baptista” mas em vão. As consoantes mudas caíram. Se bem que a mais muda de todas, o h, não. Continua a escrever-se com h no início das palavras excepto talvez em húmido que os brasileiros escrevem sem h (nós também já temos erva apesar de herbário). Talvez que o p de Baptista só fizesse falta ao Baptista Bastos mas o p de óptico ou o c de espectador fazem falta a toda a gente. Óptico sem p pode referir-se aos olhos ou aos ouvidos e espectador e espetador não são a mesma coisa. Neste último caso fica à vontade do freguês escrever com ou sem c, o que só mostra que não houve acordo. No caso de ótico cria-se mais uma homografia que neste caso até se trata de homónimas. Nada que a gente não conheça já, a começar pelo canto dos Lusíadas, o canto de cantar e o canto da sala. Para quê criar mais uma? Só dá para a confusão. Mas com o argumento de aproximar a grafia da fonética também o de Egipto caiu. Agora escreve-se Egito mas os seus habitantes são egípcios porque o p aqui é pronunciado. Como é que ninguém se preocupou com aquilo que os linguistas chamam congruência gráfica, isto é, palavras da mesma família terem a mesma matriz? Mas isso é coisa pouca e além do mais também já tinha caído o p ao prompto. (Bem pior estão os espanhóis que já escrevem sicológico e neumático). E também já tinha “andado” o s à sciência, o g ao Ignácio e à Magdalena (e vem aí a amígdala), o m ao alumno, o c ao Victor. E o c de Victor cai mal porque Vítor é uma palavra grave terminada em r logo tem de ser acentuada. Trocou-se o c pelo acento. Lá se foi o ganho.

As consoantes mudas tinham função. Eram mudas mas faziam falar. Faziam aquilo que em gíria futebolística se diz “jogar sem bola”. Nada na grafia do Português de Lei era supletivo. As consoantes mudas e os sinais gráficos ou tinham função ou tinham história. Assim não nos surpreendamos por ver os políticos dizer acordos com o o aberto ou os masters chefs dizerem molhos com o o também aberto. É um erro mas nada na actual grafia indica se o o é aberto ou fechado. Também nada me diz como devo pronunciar a palavra quando mas toda a gente, ainda, sabe que o “qu” de quando não tem nada a ver com o “qu” de quisto. E até na mais portuguesa das palavras portuguesas, saudade, não há nenhum sinal gráfico que ensine a pronunciá-la bem. Mas dantes havia. O que vale é que ainda nos lembramos que o “au” de saudade nem parecido é com o “au” de pau, de vau e muito menos de lafrau. Mas qualquer dia a tradição oral dá volta a isto.

No uso do hífen gerou-se alguma confusão. É mandachuva mas também é guarda-chuva. É paraquedas mas também é para-brisas. É abre-latas mas também é pé de cabra e é cor-de-rosa mas também é cor de laranja. Uns com hífen outros sem ele. A justificação para a grafia de cor-de-rosa é o facto de ser uma cor que nada tem a ver com a rosa uma vez que esta pode ter várias cores. Já cor de laranja é a cor da laranja. Sendo assim penso que cor-de-burro-a-fugir estará assim bem grafado pois não se sabe quem é o burro.

Também a ligação por hífen, das formas verbais monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver à preposição de, é suprimida. Por ex: antes escrevia-se hei-de e agora é hei de. Estranho particularmente esta alteração na ortografia porque o Acordo de 45 era categórico quanto à obrigatoriedade do uso do hífen neste caso. Este caso não é de omissão ou negligência. É mesmo um caso de opiniões contraditórias com exibição dos suportes teóricos. (Os linguistas de hoje sustentam que o de em causa é proclítico, isto é, que ode está associado à acentuação da palavra seguinte não precisando pois do traço de união com a palavra precedente. Por outro lado, a ligação do de ao verbo haver é tão forte que até inconscientemente conjugamos o verbo com o de às costas. Ou não é verdade que dizemos, eu hei-de, tu hás-de… etc? Quando devia ser eu hei, tu hás, etc. Associamos o de embora não pertença à conjugação). O que é que os linguístas de 45 viram que estes não viram ou vice-versa? Ou então, que é que de substantivo mudou de então para cá que justifique a alteração? Nas alterações à grafia estão presentes, na quase totalidade dos casos, dois contributos: a etimologia e a fonética. Etimologicamente, as palavras portuguesas vêm do Latim ou do Grego, línguas mortas portanto há muito imutáveis. Logo, qualquer alteração na grafia das palavras deriva de uma aproximação maior à fonética das mesmas. Ora, o suprimir o hífen em hei-de sugere-me uma pergunta, por brincadeira: quando é que deixámos de pronunciar o hífen?

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“O AO90 facilita a aprendizagem”, dizem eles (2)

«Porque chumbam os alunos logo no 2.º ano de escolaridade? A principal razão apontada é esta: “por não lerem bem e não terem atingido os objectivos estabelecidos no programa no que respeita à leitura e escrita”. » [“Público”, 22 de Maio de 2017]
Na mesma linha de uma notícia da Rádio Renascença sobre o assunto, surge agora esta peça da jornalista Clara Viana, do “Público”.

Fica assim duplamente demonstrada a flagrante contradição entre a triste realidade e as mentiras descaradas dos acordistas: o AO90 não facilita a aprendizagem coisíssima nenhuma. Muito pelo contrário, como é evidente e como todos os estudos (do próprio Estado) comprovam: desde que o aleijão ortográfico foi imposto nas escolas (2011), as reprovações aumentaram em todos os escalões de Ensino… e em especial no Básico.

Deve ser possível chumbar alunos aos seis anos, dizem professores de escolas com mais insucesso

Legislação impede que se retenha um aluno no 1.º ano de escolaridade, mas nas escolas com mais insucesso muitos docentes discordam desta proibição por considerarem que a retenção tem “vantagens”.

CLARA VIANA, “Público”
22 de Maio de 2017

A maioria dos professores das escolas do 1.º ciclo que têm taxas de insucesso escolar acima da média nacional considera que os chumbos são elevados no 2.º ano de escolaridade porque é proibido chumbar logo no 1.º. “A maioria afirmou discordar desta proibição”, revelam os autores de um estudo sobre a retenção no 1.º ciclo, divulgado nesta segunda-feira, promovido pela associação EPIS – Empresários pela Inclusão Social e coordenado pela ex-ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. A nível nacional a taxa de retenção no 2.º ciclo é de 10%.

Com base nos dados estatísticos do Ministério da Educação foram analisadas 3866 escolas, das quais 541 apresentaram níveis de retenção superiores à média nacional. A partir deste universo foi constituída uma amostra de 127 escolas, tendo sido entrevistados 127 directores ou coordenadores de escola e 245 professores.

Para 87% destes docentes, a retenção tem vantagens, mesmo em idades tão precoces como os sete anos. Esta opinião prevalece apesar de muitos dos inquiridos reconhecerem que a retenção implica riscos como a desmotivação e o desinteresse dos alunos. Feitas as contas acabam por considerar que a repetência é “única alternativa”, porque “dando mais tempo as crianças acabam por aprender e recuperar”, afirmam os autores do estudo da EPIS, intitulado Aprender a Ler e a Escrever em Portugal, entre os quais figura a também ex-ministra da Educação e actual conselheira do Presidente da República, Isabel Alçada.

Segundo os autores do estudo, o problema do insucesso e das dificuldades de aprendizagem está assim “naturalizado” nestas escolas – “nada há a fazer a não ser aceitar isso mesmo e conformar as práticas pedagógicas a essa realidade”.

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“O AO90 facilita a aprendizagem”, dizem eles

«É indiscutível que a supressão deste tipo de consoantes vem facilitar a aprendizagem da grafia das palavras em que elas ocorriam.

De facto como é que uma criança de 6-7 anos pode compreender que em palavras como concepção, excepção, recepção, a consoante não articulada é um p, ao passo que em vocábulos como correcção, direcção, objecção, tal consoante é um c?

Só à custa de um enorme esforço de memorização que poderá ser vantajosamente canalizado para outras áreas da aprendizagem da língua.» (Acordo Ortográfico – Nota Explicativa)

 

Neste momento, não há nenhum aluno do 1.º ano ao 12.º que aprenda e escreva de acordo com a antiga grafia. Todos os manuais escolares estão feitos com as regras do AO. Todos os documentos oficiais foram adaptados. Foram gastos milhares de euros a montar este sistema.

Edviges Ferreira, presidente da Associação de Professores de Português, 2 de Maio 2016

Estudo. Há 541 “escolas do insucesso” em Portugal

Rádio Renascença, 22.05.17

Estudo da EPIS revela que défice de competências de leitura é a primeira causa de repetência no 2.º ano.

Um total de 541 escolas públicas do 1.º ciclo, de um total de 3.886, têm níveis de repetência superiores à média nacional, em todos os anos de escolaridade. É o que conclui o estudo “Aprender a ler e escrever em Portugal”, da associação Empresário pela Inclusão Social (EPIS).

O insucesso escolar no 1.º ciclo do ensino básico atinge cerca de dois terços (61,5%) dos concelhos portugueses e 14% das 3.886 escolas públicas deste nível, revela a investigação desenvolvida por Maria de Lurdes Rodrigues (coordenação), Isabel Alçada, João Mata e Teresa Calçada.

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O que diz Pacheco

Do programa “Quadratura do Círculo”, emitido em 18.05.17 pela SIC Notícias, parece-me aproveitável a parte em que José Pacheco Pereira dá pancada (que não lhe doam as mãos!) no chamado “acordo ortográfico”.

Foi aliás esse mesmo o primeiro tema da tertúlia, se bem que os demais convivas, moderador incluído, se tenham limitado a ou debitar as larachas do costume (Jorge Coelho, pois claro) ou perorar vigorosamente que nim, ah, e tal, eu até acho que coiso mas patati patatá (Lobo Xavier).

Por conseguinte, não se aproveitando mais nada dos 20 minutos iniciais da gravação, transcrevo em baixo — quase na íntegra — apenas o que diz Pacheco.

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