Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: Espanhol

Êróiss du márr nóbri povu náçaum valêntchi i imorrtáu

TED-Ed_logo“A crença dos políticos de que podemos, de algum modo, tornar uma Língua mais simples e mais fácil de ensinar se mexermos no sistema de escrita é uma crença tonta.”
“Uma ortografia evolui para representar sentidos e significados para as pessoas que conhecem e falam a Língua, não para ser mais fácil para miúdos de sete anos. A expectativa ou a crença de que um sistema de escrita pode ser dominado se escrevermos as palavras tal como elas soam denuncia um falso entendimento tanto de ortografia como de educação. Dou aulas a crianças de todas as idades sobre a profundidade da ortografia em Inglês — e elas ficam realmente interessadas pelo tema. Ensino-lhes que cada letra “muda” numa palavra é uma história à espera de ser contada e dou-lhes os meios para descobrirem essas histórias. Elas acabam por ficar profundamente envolvidas no estudo das palavras e dos seus significados, muito mais do que em decorar matéria para responder a testes.”

Gina Cooke, linguista, U.S.A.

Cerá ke istu tambãe ce iskreve acim?

Nuno Pacheco

“Público”, 09.02.17

Ignorando a muito instrutiva etimologia, lá somos forçados agora “a escrever como se fala.” Será?

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No título desta crónica não há uma única palavra correctamente escrita. No entanto, se ultrapassarmos a estranheza da grafia, ele soará correcto. A que propósito vem isto? De uma guerra que, sendo antiga, tem minado as actuais discussões ortográficas. Chamem-lhes “sónicos” ou “foneticistas”, há muito que alguns insistem na utilidade de “escrever como se fala” ou em submeter a escrita à fonética. Já em meados do século XVIII, no seu Verdadeiro Método de Estudar, Luís António Verney defendia: “Para que guardemos certeza, ou verdade, em nossa escritura, assim devemos escrever como pronunciamos & pronunciar como escrevemos.” Esta sugestão tinha um pressuposto: “A simplificação da ortografia contribui para a democratização cultural, na medida em que desvincula a escrita portuguesa das línguas clássicas.” Não vingou.

Mas a “teoria” tem voltado mil vezes à carga. Defensável? Alguns exemplos, curiosos. Gonçalves Viana, o mentor da feroz reforma ortográfica portuguesa de 1911, reparou um dia que o simples nome “Hipólito” poderia, “sem alteração de pronúncia”, escrever-se de 192 maneiras consoante as grafias usadas no século XIX: Hypólito, Ypólito, Ipólito, Epólito, Hipolihto, Yppóllitho, etc. Já José Pedro Machado escreveu, no seu opúsculo A Propósito da Ortografia Portuguesa (1986) que casa pode escrever-se de várias maneiras (também sem qualquer alteração de pronúncia), casa, cása, caza, kasa, káza, kása, etc, “embora para a grafia oficial só uma pode ser considerada correcta.” Portanto, com várias grafias, mantemos o som. Mas a ortografia impõe um só modo de escrita num determinado espaço geográfico. Os “sónicos” ou “foneticistas” viram esta lógica do avesso: se duas palavras diferentes soam da mesma maneira, escrevam-se da mesma maneira. Assim se justifica ótico/ótico por óptico/ótico ou ato/ato por acto/ato. Ignorando a muito instrutiva etimologia, lá somos forçados “a escrever como se fala.” Será?

Vamos por partes. No inglês, por exemplo, knight (cavaleiro) e night (noite) soam da mesma exacta maneira. Se na escrita tais palavras fossem igualizadas perdia-se o sentido de cada uma, como se perde no português igualizando ato e acto, ótico e óptico. Em francês, citando um texto de Raul Machado (1958), um mesmo som, semelhante ao é aberto português, escreve-se de mais de vinte maneiras: er, es, ès, et, êt, ets, est, aî, aie, aient, ais, ait, ay, etc. Se uma reforma ortográfica tentasse um dia igualizá-las na escrita, jamais os franceses se entenderiam.

Então por que motivo se tenta em Portugal, impor tais mudanças? Para ficarmos iguais ao Brasil, claro. Parece a velha anedota: então porque não ficamos? Simples: porque se trata de uma mirabolante utopia sem possibilidade de concretização prática. Ah, dizem alguns, mas a Língua Portuguesa é a única com duas ortografias! Sim? Pois saibam que o Espanhol tem 21, o Inglês tem 18, o Árabe tem 16, o Francês tem 15, o Sami tem 9, o Sérvio tem 8, o Alemão e o Chinês têm 5 cada e até o Mongol e Quechua andino têm cada qual 3 variantes. Ortográficas, sim.

E para quem acha que o inglês se escreve da mesma forma em todo o sítio, aqui vai uma pequena lista das largas centenas de diferenças ortográficas entre o inglês americano (o dos EUA) e o inglês padrão europeu (o de Inglaterra, já que na Irlanda ou na Escócia há ainda outras variantes). A lista foi coligida também pelo saudoso filólogo José Pedro Machado (1914-2005), na obra citada, e a primeira palavra de cada conjunto é, aqui, a americana: color, colour; center, centre; offense, offence; bark, barque; check, cheque; connection, connexion; cipher, cypher; draft, draught; fuse, fuze; gray, grey; curb, kerb; hostler, ostler; jail, gaol; kilogram, kilogramme; lackey, lacquey; mold, mould; pigmy, pygmy; plow, plough; program, programme; quartet, quartette; reflection, reflexion; story, storey. E muitos, mas mesmo muitos, eteceteras.

O mesmo sucedeu, sucede e sucederá entre o português europeu (o de Portugal) e o americano (o do Brasil). Aliás, veja-se bem o ridículo da “unificação” proposta pelo acordo ortográfico de 1990: de acordo com números “oficiais”, a grafia portuguesa e brasileira era igual em 96% das palavras e com o acordo será igual em… 98%! Ou seja: o actual caos ortográfico, as guerras e animosidades inúteis que por aí vão, valem uns míseros dois por cento. Haverá nome para isto? Há, e não é bonito. Mas vale a pena pensar no caso, seriamente. E agir em conformidade.

[“Público”, 09.02.17. “Links” e destaques meus.]

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«A nova ortografia vai nua? Vistam-na, depressa!» [Editorial do “Público”]

A nova ortografia vai nua? Vistam-na, depressa!

Nuno Pacheco

Editorial do jornal “Público” de 8 de Fevereiro de 2017

Depois de a Academia vir a terreiro dizer “o rei vai nu” já não é possível fingir que nada se passa.

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Provavelmente nenhum outro país, como Portugal, é tão cioso de querelas ortográficas. As línguas com maior difusão no planeta lidam com o tema de forma simples: aceitam as suas diversidades e seguem adiante. Isso sucede com o Inglês, o Francês ou o Espanhol, sendo que, no caso dos dois últimos, as respectivas academias não se coíbem de propor alterações, mas meramente indicativas.

Os acordos ortográficos são, também, uma originalidade nossa. Depois da revolucionária reforma de 1911, feita a pretexto de “simplificar” a escrita e o ensino, veio o AO de 1945 e, por fim, o AO de 1990 (ressuscitado em 2006 para ser depois imposto em 2011). Pelo meio, houve várias alterações e mexidas de pormenor e tentativas abortadas de fazer outros acordos, alguns até bastante radicais (o de 1986, por exemplo, abolia quase todos os acentos e criava palavras absolutamente ininteligíveis).

Chegámos a 2017 com um quadro muito pouco animador: um comprovado caos na escrita (há cada vez mais exemplos, estão online, e todos os dias são coligidos mais) e as mesmas críticas de sempre, dia a dia ampliadas pela absoluta inércia dos poderes decisórios. A diferença é que, além de vários grupos de cidadãos não terem desmobilizado, a Academia das Ciências de Lisboa veio enfim apontar uma série de erros evidentes e propor a sua correcção. Porquê? Porque a Academia está a refazer o seu Dicionário (até finais de 2018) e quer usar nele uma ortografia digna desse nome. Por isso veio propor um conjunto de “aperfeiçoamentos” que põem em causa muitas opções consagradas no AO.

Claro que, a isto, o ministro Augusto Santos Silva já veio dizer “não”, embora acrescente que “nada está isento nem de crítica nem de possibilidade de melhoria”. Ou seja: está mal, mal continuará. Que as crianças aprendam erros, problema delas. Que pais e professores sejam obrigados a ensiná-los, pouco importa. Isto é uma posição insustentável e mostra como o PS, que revê e reverte tudo e mais alguma coisa, só não revoga aquilo que manifestamente não entende: e isso chama-se ortografia.

O problema é que, depois de a Academia vir a terreiro dizer “o rei vai nu” já não é possível fingir que nada se passa. Políticos e partidos não podem furtar-se à responsabilidade. É preciso agir, de forma consciente (e, como diz a Academia, com bases científicas), abandonando de vez a inércia. A nova ortografia vai nua? Vistam-na, depressa! Ou dispam-na de vez. Mas façam algo digno, por favor.

“Links” e destaques meus.

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«Dizer que o Brasil cedeu alguma coisa é de uma hipocrisia total» [Artur Anselmo, “Público”]

Entrevista
Nuno Pacheco
12 de Dezembro de 2016, 7:31

“Dizer que o Brasil cedeu alguma coisa é de uma hipocrisia total”

Artur Anselmo defende que o respeito pelas normas de cada país é essencial para um bom entendimento em matéria ortográfica: um mesmo sistema, o da Língua Portuguesa, e várias normas, consoante os países a que digam respeito. E isto dispensaria um acordo.

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Nos anos 60, achava-se que uma deriva brasileira faria com que o Português no Brasil passasse a chamar-se Brasileiro. Foi esse medo que levou ao acordo de 90?

Isso é também o que diz o Dr. Santana Lopes. Mas as coisas estão clarificadas desde 1963, quando Celso Cunha publicou o famoso livrinho intitulado Língua Portuguesa e Realidade Brasileira, onde pela primeira vez aparece a sistematização muito completa entre sistema, norma e fala. E ele é o primeiro que diz: no Brasil fala-se o Português da norma brasileira! Por isso é que o nosso próximo colóquio se vai chamar Língua, Norma e Fala. Que é para nós nos entendermos.

Mas ao encararmos isso dessa maneira, um acordo torna-se inútil…

Completamente. Não podemos pensar que estamos a descobrir a pólvora. Os ingleses já a descobriram e os espanhóis também. Porque é que nem os ingleses nem os espanhóis (e os franceses muito menos, nesses então há um orgulho nacional que suplanta tudo) têm um acordo ortográfico? Há um sistema que é o mesmo. Depois há as normas, e as normas vão tanto mais longe quanto maior for a fundamentação e a autonomia cultural de cada povo. O caso brasileiro começa em 1922, com a Semana de Arte Moderna, em que pela primeira vez, na peugada do que Ronald de Carvalho tinha feito no tempo do Orpheu, a elite brasileira diz: nós somos nós e não nos venham falar em Portugal.

O vocabulário brasileiro corrente é, aliás, muito diferente do português.

Mas isso é enriquecedor. Nunca percebi, por exemplo, porque é que Portugal silenciou o acto de independência cultural de Cabo Verde quando disse que iam ensinar o crioulo. Os portugueses deviam ter ficado satisfeitíssimos, por darem origem a uma nova língua. Mas não. Um povo que chama “o Camões” ao Instituto Camões é um povo que perdeu a dignidade. E essa gente d’“o Camões” está a passar uma mensagem perfeitamente utópica, irrealista, que não vai conduzir a nada senão à maior confusão. Que respeito tem merecido a Portugal a atitude angolana? Ora eles todos os dias inventam uma nova palavra, está-se a passar com Angola o que se passou com o Brasil. E nós continuamos a falar destas coisas como se o mundo tivesse parado.

No Brasil, um dos paladinos do acordo, Evanildo Bechara, escreveu que ele iria reduzir o custo da produção dos livros, facilitar a difusão bibliográfica e de novas tecnologias e aproximar as nações. Este acordo permite isso?

Não. Acho que isso é conversa fiada. São balelas. É balofo, vazio. Aliás, a esmagadora maioria da intelectualidade brasileira não aderiu. O Brasil, digo-o da minha experiência, não é um país que possa ser analisado com visões de tipo europeísta. O Brasil não vai cumprir seja o que for que não lhe interesse. Dizer que o Brasil cedeu alguma coisa é de uma hipocrisia total. Continua a pôr o acento em “assembléia”, em “idéia”…

Mas era importante que cedesse?

Não. Quando eu dei aulas no Brasil, escrevia à minha mulher em português europeu e fazia os testes em português do Brasil. Por isso é que essa tal utopia é uma falta de respeito pelas diferenças naturais que existem nos vários países de língua portuguesa. Nós falamos aqui em renovação do léxico, mas também podemos falar em problemas de ortofonia. A maneira de dizer as coisas tem muito a ver com a ortografia. Veja o que se passou com a palavra “prégão”, do latim praedicare, agora só se diz “pregão”, como se fosse um prego grande… No outro dia, uma ex-ministra da Cultura disse “sêrvo” em lugar de “sérvo”, portanto o cervo, de veado, invadiu o terreno dos servos de gleba!

Isso reconduz-nos à relevância da etimologia, não?

Claro, a etimologia faz falta. Porque é que nós, hoje, já dizemos “alcoolemia” em vez de “alcoolémia”? Porque os helenistas bateram-se pelo respeito pela etimologia! Também devíamos dizer “septicemia”, em vez de dizermos “septicémia”…

Source: “Dizer que o Brasil cedeu alguma coisa é de uma hipocrisia total” – PÚBLICO. Acrescentei “links” e destaques.

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«Circo absurdo das línguas em competição» [Nuno Pacheco, “Público”]

francofonia

logo_shareAs invasões ao contrário – ou o Francês atirado ao lixo

Lê-se o Novo Atlas da Língua Portuguesa e o Francês, onde está? No mesmo sítio onde está o Wally. Só que este é mais visível, mesmo que dê trabalho a procurar.

Nuno Pacheco

“Público”, 24 Novembro 2016

A Terra é redonda, certo? Mas há quem persista em achatá-la, moldando a história conforme as respectivas conveniências. Voltando ao Novo Atlas da Língua Portuguesa, de que aqui se falou na semana passada, há um ponto que não passa despercebido: o quase apagamento da língua francesa. É verdade que houve Napoleão, a soberba imperial das invasões, e que entre Hollande e Le Pen ainda há muito descontentamento a gerir. Mas isso não é razão para atirar a língua francesa para o caixote dos dialectos minoritários. Nas contas feitas para o Atlas, e exibidas em vistosos gráficos, a lista das dez línguas maternas mais faladas no mundo, inclui o Mandarim (à cabeça, com 848 milhões de falantes), seguido do Espanhol (414), do Inglês (335), do Português (261), do Hindi (260), do Bengali (Bangladesh, 193), do Russo (167), do Japonês (122), do Javanês (84) e do Alemão (78). A fonte, escreve-se, é o Observatório da Língua Portuguesa, consultado em 26.7.2016. Já o site Ethnologue – Languages of the World (consultado na mesma data, e também para o Atlas) dá os seguintes resultados: em primeiro lugar o Chinês (1302 milhões), seguido do Espanhol (427), do Inglês (339), do Árabe (267), do Hindi (260), do Português (202), do Bengali (Bangladesh, 189), do Russo (171), do Japonês (128) e do Lahanda (Paquistão (117). Aqui, até o Alemão foi corrido do último lugar. Como vêem, os números não coincidem, o que diz muito da fiabilidade destas “observações”. Mas o Francês, onde está? No mesmo sítio onde está o Wally. Só que este é mais visível, mesmo que dê trabalho a procurar.

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Viva

vivalinguabrasileira_sergior«Hoje, são mais de 200 línguas no Brasil.»
Se calhar dava jeito um acordo ortográfico entre os Estados brasileiros para unificar todas essas línguas brasileiras.

«O nosso país é o resultado da mistura (algumas vezes pacífica, muitas vezes não) de espanhóis, franceses, alemães, holandeses, italianos, árabes, japoneses… Não podemos nos esquecer dos índios, habitantes originais desta terra.»
Portugueses é que não há no Brasil, nem naturais nem descendentes, pelos vistos não há lá nada disso.

«A língua de um povo é o que caracteriza de forma mais profunda a sua identidade. Por meio da língua, é possível conhecer sua história, sua forma de falar e de sentir o mundo. A língua também permite a transmissão de conhecimento, arte e cultura.»
Pois sim, nós por cá, em Portugal, também gostaríamos imenso — caso não desse muita maçada ao Brasil, está claro — que fizessem a fineza de deixar a nossa Língua nacional em paz.

«Quando as diferenças impedem ou dificultam consideravelmente a compreensão, então estamos falando de línguas diferentes. »
Caso do Português e do brasileiro, não? Ou para lá caminhamos a passos largos, pelo menos. Qualquer filme português já é legendado no Brasil e os livros de autores portugueses são  “adaptados” para que os indígenas entendam alguma coisinha.

«Quando os portugueses chegaram, eles eram cinco milhões. Hoje são apenas 734 mil indígenas.»
Ah, claro, a “narrativa” do costume: a culpa (de tudo) é toda nossa, fomos nós, portugueses, que liquidámos sumariamente mais de 4 milhões de indígenas brasileiros. Aquilo foi um forrobodó de massacres.

«Os missionários da igreja, na época da colonização, responsáveis por catequizar os índios, esforçaram-se para criar uma única língua indígena para todos os povos. A ideia dos missionários era facilitar a comunicação. Foi assim que surgiu o Nheengatu. Hoje, cerca de duas mil pessoas falam essa língua no Brasil.»
Bem, isso da “língua única” é não apenas uma ideia fixa como uma idiossincrasia tipicamente brasileira. E, ao que parece, essa ideia resultou tanto com os índios como o AO90 com os portugueses: duas mil pessoas, ena, mas que farturinha.

«Vários governos brasileiros não deram importância à diversidade de línguas do Brasil e tentaram implantar aqui uma só língua, o português, ignorando milhares de falantes e reprimindo a manifestação de várias pessoas. O primeiro que agiu assim foi Marquês de Pombal, que governou o Brasil de 1750 a 1777. Pombal queria que o Brasil tivesse apenas uma língua e proibiu que outras fossem faladas.»
O Marquês de Pombal fez parte de um governo brasileiro? Fantástico, Melga! Mas, Melga, tens a certeza de que o velho Sebastião alguma vez pôs os pés no Brasil? Ainda mais fantástico, Melga!

«Quer ver como o Português é uma língua rica, resultado da contribuição e mistura de vários povos? Lá vai o desafio: de onde vêm as palavras “cutucar”, “bagunça” e “cochilar”?»
“Português”? Isso é “Português”? Com caixa alta e tudo? Bem, nenhuma dessas palavras existe em Português (de Portugal).

agenciabrasilBrasil, um país de muitas línguas

Criado em 16/11/16 10h22 e atualizado em 16/11/16 10h38
Por Plenarinho

 

Você conhece a história da Torre de Babel? Segundo essa passagem bíblica, no começo da história da humanidade, todos os homens da Terra falavam a mesma língua. Até o dia em que resolveram construir uma enorme torre – tão, tão grande, que chegasse ao céu. Durante a construção da torre, os homens começaram a falar línguas diferentes e pararam de se entender. O resultado foi que a torre ficou inacabada por causa da dificuldade de comunicação entre eles. E o que essa história tem a ver com o Brasil?

Aqui na nossa terrinha, também se falam várias línguas. Tantas que talvez você nem imagine! Hoje, são mais de 200 línguas no Brasil. Parece a história da Torre de Babel, com uma diferença: aqui as pessoas se entendem. E, com todas as variedades, permanecemos unidos pelo fato de sermos todos brasileiros. Cada um com sua história.

O nosso país é o resultado da mistura (algumas vezes pacífica, muitas vezes não) de espanhóis, franceses, alemães, holandeses, italianos, árabes, japoneses… Não podemos nos esquecer dos índios, habitantes originais desta terra. E eles não são apenas um povo. São guaranis, ianomamis, xucurus, baniwas, tikuna… Ah, e existem também os africanos bantos, nagôs, gêges (ou ewes)… Seria muito difícil que todos esses povos que se misturaram para formar o povo brasileiro falassem apenas o português, certo?

Línguas, dialetos, sotaques

Para se comunicar, o ser humano precisa de uma linguagem. A língua, meio usado para a comunicação, é um sistema de símbolos usados por pessoas de uma mesma comunidade. Você certamente conhece ou já ouviu falar de algumas línguas como o Inglês, o Espanhol, o Alemão, o Italiano, o Francês…

A língua de um povo é o que caracteriza de forma mais profunda a sua identidade. Por meio da língua, é possível conhecer sua história, sua forma de falar e de sentir o mundo. A língua também permite a transmissão de conhecimento, arte e cultura.

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O brasileiro será a 7.ª língua oficial da ONU?

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Parece que já foi há décadas mas na verdade passaram-se apenas alguns meses desde que o Presidente português fingiu que pretendia reabrir o “dossier acordo ortográfico”. Nada de mais ilusório, evidentemente. A coisa não passou de mero arrufo entre Marcelo e Malaca. Os políticos são assim, a política não passa disto mesmo: treta, treta e mais treta. Cada qual finge o mais que pode, o bom povo que lavas no rio engole tudo e mais alguma coisa.

O AO90, essa carroça de loucos furiosos puxada por uma parelha de bois com doutoramento, pode afinal contar com uns empurrões do professor, comentador, recordista mundial de leitura,  gajo simpaticíssimo, beijoqueiro de “populares” e tirador profissional de “selfies”.

A suprema patranha geralmente atrelada ao “acordo”, isto é, que a coisa serviria — entre outras não menores artistices — para elevar a “língua portuguesa” à “dignidade” de “língua oficial da Organização das Nações Unidas”, conta agora com o alto patrocínio do não menos alto magistrado cá da “terrinha”, como ternurentamente chamam os brasileiros a Portugal.

A “variante portuguesa” da língua brasileira foi já totalmente eliminada dos sistemas informáticos em geral e foi em particular exterminada nos motores de busca (Google), em todos os bancos de dados, agregadores de informação ou enciclopédias virtuais (Wikipedia).

Por conseguinte, apenas um perfeito imbecil poderá ter a mais ínfima dúvida sobre qual seria a 7.ª língua oficial da ONU, no improvável caso de americanos, ingleses, russos, espanhóis, franceses, chineses e árabes estarem pelos ajustes: caso vingue o “cambalacho”, será a língua brasileira, pois qual é a dúvida, essa “língua” que Marcelo e outros que tal andam por aí a promover com o rótulo de “portuguesa”.

A rádio ONU “em português” já é 100% brasileira há pelo menos dois anos, “viu, sô”? Só falta tornar a própria ONU também “radioativa”.

Presidente de Portugal diz que promoção da língua é tarefa de todos | Rádio das Nações Unidas

Em entrevista à Rádio ONU, no mês passado, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que os oito Estados irmãos que falam o português devem assumir a tarefa de difundir o idioma no mundo; segundo ele, a língua portuguesa é um ativo político e de cooperação.

Monica Grayley, da Rádio ONU.

 A promoção da língua portuguesa no mundo como língua de herança ou língua estrangeira deve ser uma tarefa de todos os países que têm o português como idioma oficial.

A declaração foi dada pelo presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, numa entrevista à Rádio ONU durante sua participação nos debates da Assembleia Geral, em setembro.

Cooperação

Neste trecho da entrevista, até então inédito, Rebelo de Sousa afirma que a língua é um ativo político e que ao promovê-la em várias partes do mundo, os países lusófonos só têm a ganhar.

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