Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: Facebook

‘Atingiu o seu limite de artigos gratuitos’

«As asneiras (…) citadas não foram detectadas em meros, modestos, blogs ou páginas de Facebook de jovens ortograficamente inexperientes, iliteratos e ignorantes. Estavam e estão em sítios oficiais de importantes instituições e empresas, públicas e privadas, incluindo estabelecimentos de ensino superior e órgãos de comunicação social.

Para saber quem “escreveu” o quê deve-se ir ao sítio da ILCAO e consultar o inacreditável “inventário” em constante actualização. Que constitui uma prova irrefutável e definitiva deste “apocalise abruto”, deste “cAOs” ortográfico – e, consequentemente, também comunicacional, cultural e educativo – que está a alastrar em Portugal. Será definitivo? Ou, pelo contrário, será contido e até revertido? De Belém e de S. Bento espera-se uma resposta. Urgentemente.»

Octávio dos Santos, “Público”, 13 de Março de 2015

Voltemos ao início: “a questão ortográfica precisa de ser controlada por determinação política”. Ora vejam algumas pérolas que tal “determinação” incentivou: “pato de estabilidade”, “fato“, “fatual“, “fatualmente“, “frição“, “fricional”, “fricionar“, “inteleto“, “inteletual“, “latose“, “otogenária”, “setuagenários“, “espetável“, “espetadores“, “contatos“, “conceção [do visto]”, “conceção [da autorização]”, etc. Há mais. Muito mais. A colheita, abundante e diária, é dos T…

Nuno Pacheco, “Público”, 09.03.17

 



Nessun dorma! Nessun dorma! Tu pure, o Principessa,
nella tua fredda stanza
guardi le stelle
che tremano d’amore e di speranza…
Ma il mio mistero è chiuso in me,
il nome mio nessun saprà!
No, no, sulla tua bocca lo dirò,
quando la luce splenderà!
Ed il mio bacio scioglierà il silenzio
che ti fa mia.

Il nome suo nessun saprà…
E noi dovrem, ahimè, morir, morir!

Dilegua, o notte! Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle! All’alba vincerò!

Written by Giacomo Puccini, Giuseppe Adami, Renato Simoni • Copyright © Universal Music Publishing Group
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4 (dos) jornais regionais e mais 1 artigo

 Diário de Leiria Fundado em 13 de Outubro de 1987

 

 

Diário de Viseu Fundado em 2 de Junho de 1997

 

 

Diário de Aveiro. Fundado em 19 de Junho de 1985

 

Diário de Coimbra Fundado em 24 de Maio de 1930

 

Acordo Ortográfico

Maria João Gaspar de Oliveira

“Diário de Coimbra”, 04.03.17.

 

Sabe-se que os índices de leitura, em Portugal, ainda são muito baixos, pelo que se verifica uma grande falta de vocabulário, sobretudo nos adolescentes que, para comunicar, utilizam pouco mais de 300 palavras (há 20 anos, tinham cerca de mil…). Esta situação é preocupante, sobretudo porque há uma relação estreita entre o vocabulário e o pensamento. A linguagem organiza, ordena, produz o próprio pensamento. Nós pensamos com palavras, obviamente. E, não ter palavras para dizer a realidade, é como não ter conhecimento dela. Não podemos sequer dizer que conhecemos, seja o que for, se não tivermos palavras para traduzir tal conhecimento. Sem elas, o intelecto vai-se tornando cada vez mais pobre, e a liberdade do pensamento fica, seriamente, comprometida. Sem capacidade de argumentação, sem acesso à autonomia do pensar, tornamo-nos presas fáceis de qualquer ditadura fonética, política, etc….

Para cúmulo, o “acordo” ortográfico, fiel servidor de interesses políticos e económicos, impõe uma ortografia fonética das palavras em detrimento da ortografia etimológica, pelo que, não pode, de modo algum, contribuir para a evolução da Língua Portuguesa, uma língua que tem, no mundo, mais de 240 milhões de falantes.

Este “acordo” provoca também uma enorme confusão entre palavras distintas (retractar, por exemplo, significa, agora, tirar o retrato…), regras que se contradizem e outras que provocam dúvidas, eliminação de acentos gráficos fundamentais, alterações na maiúscula inicial, reformulação do uso do hífen que nem ao diabo lembra, caos linguístico instalado nas escolas e por todo o país, onde já coexistem três grafias, pelo menos (a do Português correCto, a do AO90 e as multigrafias pessoais…), normas ortográficas provisórias que os alunos têm de aprender, novas regras gramaticais, inviabilização do vocabulário formado por via erudita, devido ao afastamento da etimologia, etc., etc.

Como diz Fernando Paulo Baptista, não será fácil para um inglês ou francês, relacionar “actuality”, ou “actualité” com “atualidade”… “Multiplique-se o exemplo e será possível descobrir que, afinal, o futuro está no passado, ou seja, na etimologia, naquilo que nos une, portanto”, acrescentou.

Além disso, este “acordo” incoerente, sem fundamento científico, e que é fruto da prepotência do poder político, não é um Acordo, visto que a grande maioria dos especialistas em Língua Portuguesa se opõe, assim como a maioria dos falantes do português de Portugal. A ortografia “unificada” (uma “unificação” que admite múltiplas grafias…), não vai ser usada por todos os países lusófonos, incluindo Angola, que é o segundo país com maior número de falantes da nossa língua.

Perante tal insulto à Língua Portuguesa, a revogação deste “acordo” é, absolutamente, necessária e urgente.

Maria João Gaspar de Oliveira

[Transcrição do texto enviada por Rui Valente.]

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A grande farra

Primeiras entradas da anunciada “revisão” do AO90.

Mas em que consistirá ao certo a dita “revisão”, hem?, perguntareis. Bom, responderei então de novo, haja pachorra, que seja pelas alminhas de quem já lá mora, salvo seja: a “revisão” do AO90 consiste, ao certo, em proibir que se chame “revisão” à coisa (é obrigatório dizer “aperfeiçoamento”, não “revisão”) e em fazer umas “concessões” aos portuguesitos, coitadinhos, enquanto se “adota” definitivamente — na íntegra e agora à descarada, já sem qualquer disfarce — a ortografia brasileira.

Quanto às “concessões” aos portuguesitos, coitadinhos, a “revisão” (ai, não, o “aperfeiçoamento“) resume-se ao que aparece no artigalho hoje publicado (e blindado contra cópia ou sequer citação) pelo pasquim electrónico “ptjornal”: a “Academia das Ciências de Lisboa” (uma coisa parecida com a Academia do Sporting, em Alcochete, com a diferença de que nesta treina-se o pontapé na bola e naquela aperfeiçoa-se o chuto na cabeça) vai determinar que “para” volta a ter acento para que para se distinga de para o que significa, portanto, que a ACL para para “refletir” de vez em quando sobre a melhor forma de por por cima o que não pode por por baixo da mesa.

Confuso? Nada disso. É lá agora confuso! Basta saber onde colocar os acentos que o AO90 “mandou” tirar e agora a ACL “manda” tornar a por por cima das letrinhas de quem para para pensar como “há de” escrever em acordês.

Pelos vistos devemos todos desde já agradecer penhoradamente pelas (duas!) “concessões”. Por mim, cá vai disto, fica já a minha parte dos obrigadinhos despachada: um ganda “brigádjinhu, viu” aos brasileiros, esses altruístas, e um não menos ganda “obrigadão” aos senhores da ACL, esses mãos-largas, essas grandes cacholas que vão “melhorando” (ou “despiorando”, como há quem diga, aliás com imensa lata) o AO90, a mais extraordinária aldrabice de aquém e de além-mar.

Depois destas (duas!) “concessões”, portanto, que são assim uma espécie de entradas ou aperitivos, os comensais da ACL vão atirar-se imediatamente ao conduto (ervilhas) e ao presigo (língua), tudo ao molho, toca a enfardar que isto nas academias não há fome, o que há é muito apetite: corta daqui, retalha dali, mistura d’acolá, reponha-se o P em “receção”, ó parceiro, chegue-me daí o sal, olha o facto, pois, vá lá, aquele C pode voltar, sim, os tugas vão adorar isso, e como fica “confecção”, hem?, os brasileiros pronunciam éqção ou éção?, não há mais língua, hem?, pst, ó menina, trazia mais uma travessazinha de língua com ervilhas, hem?

Enfim, tenhamos um módico de pudor, ao menos desviemos o olhar de tão deprimente espectáculo, os ilustres comensais a refocilar nas travessas, a empanturrar-se alarvemente com seus assados, refogados e estufados de língua cortada em fatias muito fininhas.

Em todos estes cozinhados os tachos pegaram mesmo, curioso paradoxo. O alarve repasto descambou numa farra ignóbil. Compete-nos a nós, que não fomos tidos nem achados e não tivemos absolutamente nada a ver com semelhante patuscada, pôr fim ao regabofe, ir lá dar-lhes sopa.

imagem de IMDB

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“Facetoons” – retratação

“Facetoons”, de Antero, Facebook, 04.12.16.

Mais uma para a colecção.

priberam_logoretractação | s. f.
retratação | s. f.

 

re·trac·ta·ção |àt|
(retractar + -ção)
substantivo feminino

1. Acto ou efeito de retractar-se, de desdizer-se.
2. Confissão de erro.
3. Desmentido.

Confrontar: retratação.

Grafia alterada pelo Acordo Ortográfico de 1990: retratação.
Grafia no Brasil: retratação.
Palavras relacionadas: retratação, retractado, retractável, retracto, retratável, retratar, retratamento.

re·tra·ta·ção |trâ|
(retratar + -ção)
substantivo feminino

1. Acto de tratar de novo, de tornar a tratar.
2. Acto ou efeito de retratar, tirar retrato.

Confrontar: retractação.
Palavras relacionadas: retractação, retratável, retratar, retratamento, retracto, retractado, retractável.

(mais…)

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«Combater a alarvidade» [Luis de Matos, “Facebook”]

FB_logo

«Muito obrigado à equipa da ILC contra o Acordo Ortográfico pelas palavras generosas. Penso mesmo que não fazemos mais do que a nossa obrigação ao insurgir-nos contra tamanha aberração. Ainda estamos a tempo de combater esta alarvidade. Por favor, considerem a possibilidade de subscrever esta iniciativa em http://ilcao.com/?page_id=19213. Este é daqueles casos em que podemos mesmo fazer a diferença. Se não formos nós a proteger a nossa língua, quem o fará?»

Luis de Matos

ilcao_subscrever

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