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Nossa senhora desaparecida


Lusofonia: Bispos lamentam suspensão do uso da língua portuguesa nos processos de canonização

Responsáveis dos países lusófonos lembram que está em causa a quinta língua mais falada no mundo

ecclesia_logoAgência Ecclesia 27 de Setembro de 2016, às 14:24

Aparecida, Brasil, 27 Set 2016 (Ecclesia) – Os bispos católicos dos países lusófonos manifestaram-se hoje contra a suspensão do uso da língua portuguesa nos processos de postulação das Causas dos Santos na Santa Sé.

“Desejamos que a língua portuguesa, a quinta língua mais falada do mundo, por 260 milhões de pessoas, continue a ser utilizada nos processos de canonização”, assinala o comunicado final do 12.º Encontro de Bispos de Países Lusófonos, que decorreu desde sexta-feira na cidade brasileira de Aparecida.

A Congregação para as Causas dos Santos, organismo responsável pelo acompanhamento dos processos de beatificação e canonização na Santa Sé, invocou “dificuldades logísticas” para justificar a intenção de eliminar o português do conjunto de línguas de trabalho.

Os participantes no encontro de bispos lusófonos apresentam agora o seu “lamento e preocupação por esta decisão” que, segundo os representantes dos episcopados católicos, “vai dificultar e encarecer o bom andamento dos processos de canonização com origem nos países de expressão portuguesa”.

O texto, enviado à Agência ECCLESIA, é subscrito por responsáveis católicos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

O uso da língua portuguesa foi determinado por uma instrução da Santa Sé, a ‘Sanctorum Mater’ de 17 de Maio de 2007, no n.º 127: ‘As línguas admitidas junto da Congregação para o estudo das causas são: latim, francês, inglês, italiano, português e espanhol’”.

Ainda na reunião de Aparecida, os participantes mostraram o seu “apoio unânime” ao acordo das conferências episcopais do Brasil e Portugal sobre a tradução do Missal Romano, junto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (Santa Sé), para que “se mantenham as fórmulas sacramentais e a resposta «Ele está no meio de nós» à saudação «o Senhor esteja convosco»”.

OC

[Os destaques são meus. Corrigi a porcaria do acordês, queiram Vossas Eminências não desculpar. Obrigadinho.]

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Língua Portuguesa perde (ainda mais) influência no Vaticano

Papa Francisco já sofreu num dos seus documentos uma tradução errada, reflectindo uma das consequências da perda de influência do português no Vaticano | EPA/GIUSEPPE LAMI

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Mais um português na Santa Sé, mas país perde influência

António Marujo

22 DE SETEMBRO DE 2016 00:39

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Nomeação de Pedro Barbas Homem para um lugar de consultoria poderia indiciar o aumento da importância de Portugal na Cúria Romana. Nada mais errado.

Dezasseis homens e uma mulher integram a curta lista de portugueses que desempenham funções em organismos pontifícios, depois de ontem Pedro Barbas Homem ter sido nomeado consultor da Congregação para a Educação Católica. O que quer dizer que nem o número é o que muitos responsáveis desejariam nem o país tem a importância que já teve em outros tempos, quando Portugal era um império com importância na missionação católica.

O que se passa em alguns sectores importantes da Cúria Romana revela precisamente a perda da importância de Portugal e da língua portuguesa. Em Março, por exemplo, a Congregação para a Causa dos Santos anunciou que deixaria de ter o português como língua oficial. Apesar dos perto de 90 processos de canonização de portugueses (32) e brasileiros (55) que ali correm, e apesar dos protestos dos bispos brasileiros e portugueses, para já a decisão não voltou atrás.

Outro exemplo é que na secção portuguesa da Rádio Vaticana se passou de dois portugueses – um dos quais responsável do programa nesta língua – para nenhum quadro efectivo. Também o jornal L’Osservatore Romano deixou de ter há muito um director de língua portuguesa para a edição semanal na mesma língua.

Periodicamente também se verificam problemas a nível das traduções dos textos oficiais. Um dos exemplos mais recentes e mais graves deu-se há quase três anos: na Alegria do Evangelho, a sua primeira exortação apostólica, o Papa Francisco falava da “violação” da mulher a propósito do aborto; em português (e, neste caso, também em italiano, francês e alemão) tal referência deu lugar à “violência sobre a mulher”, alterando e desvirtuando substancialmente a frase do Papa.

“Não é fácil para os bispos terem quem possa enviar para Roma”, disse ao DN um padre português que trabalhou já em Roma. “O português ainda mantém alguma importância por causa do Brasil”, acrescenta outro. Mas a falta de clero e o desejo de manter os melhores padres a trabalhar nas suas dioceses leva os bispos a ver com reticências a possibilidade de trabalho em Roma.

Um outro eclesiástico conta que enquanto o cardeal Saraiva Martins esteve na Congregação para a Causa dos Santos insistia muito com os bispos de Portugal para que houvesse portugueses em Roma. Os poucos resultados dessa insistência permitiram que o número de portugueses em instituições da Santa Sé passasse de menos de uma dezena para os actuais 17 – ainda poucos, observam os vários comentadores ouvidos pelo DN.

Portugueses em lugares de destaque são o chefe do protocolo do Papa, José Bettencourt, padre luso-canadiano; o actual reitor da Universidade Pontifícia Gregoriana (gerida pelos jesuítas, mas na qual o Vaticano tem sempre uma palavra a dizer), padre Nuno Gonçalves; e o número dois do cardeal Ravasi no Conselho Pontifício para Cultura, o bispo Carlos Azevedo, que, enquanto historiador, tem continuado a publicar trabalhos de historiografia portuguesa (o último dos quais é Estudos de Iconografia Cristã). No mesmo organismo da Cultura, como conselheiro, está o padre Tolentino Mendonça, poeta e vice-reitor da Universidade Católica. Com as mesmas funções, mas nas Comunicações Sociais, está o bispo auxiliar de Lisboa, Nuno Brás. O conselheiro eclesiástico da embaixada portuguesa junto da Santa Sé é o padre Fernando Matos, de Vila Real.

O “tradutor” das catequeses do Papa às quartas-feiras é Ferreira da Costa, que trabalha na Secretaria de Estado. Saturino Gomes, membro da Comissão de Liberdade Religiosa, é auditor do Tribunal da Rota Romana, enquanto o também poeta Mário Rui Oliveira está no Tribunal da Assinatura Apostólica, onde aprecia pedidos de nulidade matrimonial. O padre António Manuel Saldanha, dos Açores, está na Congregação para a Causa dos Santos; José Caldas, reitor do Colégio Pontifício Português, trabalha na Congregação para a Educação Católica; José Manuel Ribeiro, de Bragança, está na Congregação para o Culto Divino; e Agostinho Borges, da diocese de Vila Real, é o reitor da Igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, que integra a rede de instituições do Ministério dos Negócios Estrangeiros. A única mulher, Lurdes Correia Fernandes, faz parte do Comité de Ciências Histórias do Vaticano.

A lista completa-se com os cardeais eméritos: Manuel Monteiro de Castro teve uma passagem fugaz pelo cardinalato; Saraiva Martins, além de ter acelerado alguns processos de canonização pendentes – nomeadamente o dos videntes de Fátima e de Nuno Álvares Pereira – ficou conhecido sobretudo pelas suas capacidades de gestão na Universidade Urbaniana, da qual foi reitor.

António Marujo

Jornalista do religionline.blogspot.pt

Source: Religião – Mais um português na Santa Sé, mas país perde influência [adicionei “links”]

Nota 1: o autor deste artigo escreve em Português, como se pode ver no seu “blog“; o hiper-acordista “DN” estropiou-lhe o texto, coisa que evidentemente reverti nesta reprodução.

Nota 2: existe uma versão identificada com a bandeira portuguesa no “site” do “L’Osservatore Romano” mas a ortografia ali utilizada é a brasileira.

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“O Triunfo dos Porcos”

orwell_porcos

 

 

«Publicado pela primeira vez em 1945, O Triunfo dos Porcos transformou-se na clássica fábula política deste século. Acrescentando-lhe a sua marca pessoal de mordacidade e perspicácia, George Orwell relata a história de uma revolução entre os animais de uma quinta e o modo como o idealismo foi traído pelo poder, pela corrupção e pela mentira.»
Wook

 


 

«Os membros do conselho de administração da Imprensa Nacional Casa da Moeda, e os que participam na organização deste «galardão», parecem não ter as mais básicas noções de decência, honra e vergonha: é um insulto quase indescritível à memória de Vasco Graça Moura, uma afronta particularmente atroz ao seu legado, dar o nome dele a um prémio cujo(a) vencedor(a) terá, se quiser ser editado, de se submeter ao AO90 — algo que ele sempre combateu tenazmente até morrer.»
Octávio dos Santos

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Artigo 10.º

1. O autor premiado aceita que a INCM execute uma revisão literária dos originais, na qual sejam eliminadas todas as incorreções ortográficas ou gramaticais, e resolvidas as inconsistências com as normas de estilo adotadas para a publicação do Prémio INCM/Vasco Graça Moura.

Evidentemente, não há neste miserável episódio nada de pessoal. Não se trata aqui de morte de homem e nem mesmo, parece-me, ou, ao menos, quero crer, de apossamento de cadáver para fins inconfessáveis. Bem, pelo menos se atendermos ao facto de os fins serem perfeitamente confessáveis, isto é, entendíveis, clarinhos como água (mineral).

O que se passa aqui é política. Pura política. “A grande porca”, na lapidar expressão de nosso Raphael.

Estes tipos, alguns dos quais se entretiveram em tempos idos a alardear sua militância anti-acordista, na qual supostamente emparelhavam com o agora homenageado ao contrário, pretendem apenas fazer passar uma mensagem de carácter político: este prémio literário leva como chancela o nome de Vasco Graça Moura para que assim se enterre de uma vez por todas a oposição ao “acordo ortográfico”.

A relação de causa e efeito (bom, digamos, pelo menos nas mirradas cabecinhas de quem pariu a ideia) é de tal forma evidente que me parece seria até maçador explicar porquê. É assim porque assim é, tais cabecinhas não dão para mais, por um lado, e, por outro lado, as ditas mentes diminutas presumem serem todos os demais da sua deles laia, isto é, além de brutalmente ofensivos, simplesmente burros.

Não há aqui morte de homem, não, o que há aqui é uma nojenta manobra política de intoxicação da opinião pública (passe a redundância). Não há aqui apossamento de cadáver, não, o que há aqui é a apropriação ideológica de um nome que simboliza a ideia diametralmente oposta.

Não há aqui, em suma, de forma alguma, qualquer espécie de “prémio”, não, o que há aqui é a institucionalização de um castigo. Não se trata de premiar a escrita de autor, a obra literária, a ficção, a poesia ou a tradução, trata-se de castigar a escrita nas suas mais nobres formas de expressão, trata-se de punir todos os autores, poetas e tradutores que (ainda) tenham o “atrevimento” de escrever em Português genuíno.

Pois então, se assim é, para responder com um módico de dignidade a esta inacreditável violência política há que escolher uma de entre as duas únicas atitudes possíveis: ou não concorrer ou não apresentar qualquer obra a concurso.

Sim, o idealismo foi traído pelo poder, pela corrupção e pela mentira. De novo. Mais uma vez. Os traidores alimentam-se destes ilusórios triunfos, destas pequenas vitórias imorais.

Porém, na pocilga política, o triunfo dos porcos que nela chafurdam não passa de uma infeliz metáfora.

RafaelBP_porca

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Um jesuíta irradiante

Curiosa entrevista de um padre timorense à “Rádio Vaticano”. Aliás, não apenas é curiosa esta entrevista em particular como é em geral curiosíssimo o interesse que alguns prelados de certas organizações religiosas parece de repente terem descoberto na “promoção” e na “difusão” da “língua portuguesa”. Curiosíssimo e estranhíssimo o interesse (e daí, talvez não) desses alguns, visto que não apenas a “promoção” e a “difusão” constituem mistérios ainda mais insondáveis do que os da Santíssima Trindade, como, ainda por cima e para cúmulo do azar, o próprio Vaticano demonstrou recentemente não apreciar lá muito a Língua Portuguesa.

Note-se, na gravação, a forma como a jornalista pronuncia a palavra “exceção” (coitada, deram-lhe um texto em acordês para ler). Mas isto ainda é o menos, salvo seja.

O pior vem depois, com as declarações do jesuíta João da Piedade (nem de propósito):

  • (…) desenvolver o português no âmbito tecnológico, no âmbito científico, também no âmbito do multi-linguismo (…)
  • (…) que perspectiva se abre para este futuro da língua portuguesa como uma língua internacional, eu creio que será a quinta ou a sexta mais falada no mundo, e, ao mesmo tempo, a colaboração entre diversos países, sejam países de língua portuguesa e outros países que não falam necessariamente o português mas que também utilizam o português como língua de trabalho, nas actividades científicas, nas investigações em alta tecnologia e também nos organismos internacionais onde o português também, agora, constitui uma das línguas de trabalho. Por exemplo, nas Nações Unidas, etc.
  • Desse colóquio emergiram assim conclusões mais unânimes no que diz respeito por exemplo à ortografia… [jornalista: a questão do acordo ortográfico?] … a questão do acordo ortográfico não foi assim muito discutido, abordado, mas houve questões assim mais de cooperação internacional… cooperação entre países de língua portuguesa… e sobretudo o papel que cada país de língua portuguesa também assume em promover o ensino e o conhecimento do português na zona onde se encontra. Por exemplo, Timor-Leste é um ponto estratégico muito importante para o futuro do Sudeste asiático de poder, por exemplo, promover o português (…)
  • (…) ser possível fazer funcionar este papel de quem ao mesmo tempo irradia a lusofonia (…)    

radiovaticana_logoTimor Leste – intensificar a difusão da língua portuguesa

A Língua portuguesa foi a língua de resistência de Timor Leste durante os 25 anos de ocupação do país pela Indonésia (1975-1999). Assim, é com prazer que os timorenses voltam ao convívio da lusofonia e ao reforço da língua portuguesa no país, para que as novas gerações a possam falar correctamente – explica o P. João Piedade, jesuíta timorense. Ele participou recentemente, em Díli, na III Conferência Internacional sobre o “Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial”.

Em entrevista à nossa Emissora fala desse encontro e da situação linguística hoje em Timor onde, depois da independência em Maio de 2002, se tem feito muito do ponto de vista da estabilidade política e económica, mas falta, entre outras coisas, segundo o P. João,  intensificar a promoção da língua portuguesa. Oiça aqui na rubrica “África Global” a primeira parte da conversa:

Na entrevista com o P. João Piedade, abordamos também a questão da promoção das línguas locais (nos países de expressão oficial portuguesa) paralelamente ao português. Algo a acompanhar proximamente nas nossas antes e aqui no site.

(DA)

Source: Timor Leste – intensificar a difusão da língua portuguesa – Radio Vaticano

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Ezequiel, 25:17

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Em Março de 2011, já vão mais de cinco anos, uma voluntária da ILC enviou a todos os Bispos (dioceses) de Portugal uma carta que terminava assim:
«Acreditando que esta luta contra a imposição do poder económico poderá redefinir-nos como povo digno desse nome e poderá ser, eventualmente, a pedra-de-toque que desencadeará uma nova consciência do nosso lugar do mundo e das nossas responsabilidades – porque um povo pode mais do que julgam vendilhões do que não lhes pertence -, deposito nas mãos, na consciência e nas palavras de Vossa Eminência Reverendíssima este resquício de Nação que se leva da palavra primeira até à hora da partida nas derradeiras palavras ditas: por amor da Palavra escrita, em nome de todos os que falaram em púlpitos, fale agora a Igreja e antes que seja tarde, em nome do Padre António Vieira, homem íntegro, que nunca desistiu, salve a nossa alma, a nossa única matriz, a nossa ‘Lingua mater’!»

Dos 19 destinatários deste apelo responderam quatro, através dos respectivos secretariados, limitando-se a agradecer a carta, sem mais; sobre a questão ortográfica… nada, nem chus nem mus.

Em Setembro de 2015 a Igreja Católica anuncia a “tradução” (!!!) da Bíblia de Português para acordês: «O bispo de Bragança-Miranda recordou que “está em curso” também a tradução da Bíblia oficial em português da Conferencia Episcopal Portuguesa e do Missal Romano, tendo em conta o novo acordo ortográfico.»

Parece tratar-se mesmo da “tradução” (!!!) da Bíblia, já que não apenas uma autoridade eclesiástica o diz como também o repete por diversas vezes o senhor de cabeção e batina neste vídeo.

E agora, ontem mesmo, 3 de Junho de 2016, a agência Ecclesia (não está ali um C “mudo”, senhores padres, não seria de cortar aquilo, hem?) noticia já não uma “tradução” de Português para acordês (parabéns, senhores padres, deram conta da argolada em apenas 9 meses) mas a “atualização” (sic) da “linguagem do documento” (really sic), referindo-se ao “Catecismo”.

Publicações: Catecismo da Igreja Católica tem nova edição em português

Livro foi publicado pela Fundação Secretariado Nacional da Educação Cristã

 

Lisboa, 03 jun 2016 (Ecclesia) – A Fundação Secretariado Nacional da Educação Cristã publicou uma nova edição em português do ‘Catecismo da Igreja Católica’.

Promulgado pelo Papa João Paulo II em 1992, o Catecismo da Igreja Católica começou a ser elaborado em 1985 por ocasião do vigésimo aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II e por sugestão da Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos desse ano.

O catecismo da Igreja Católica aborda todas as “matérias de fé” e “de moral” e tem o objetivo de servir de “referência para os catecismos ou compêndios que venham a ser preparados nas diversas regiões”, refere o relatório da Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos de 1985.

A nova edição em português do Catecismo da Igreja Católica atualiza a linguagem do documento segundo o Acordo Ortográfico em vigor atualmente.

Dividido em quatro partes, o documento começa por se ocupar de artigos da fé, como estão inseridos no Credo; a segunda parte refere-se aos sacramentos, a terceira aos dez mandamentos e a quarta parte à oração.

A capa da nova edição em português do Catecismo da Igreja Católica tem representado ‘Cristo, Bom Pastor’, um vitral da autoria de Almada Negreiros, patente na Igreja de Santo Condestável, em Campo de Ourique, Lisboa.

SN/PR

http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/nacional/publicacoes-catecismo-da-igreja-catolica-tem-nova-edicao/

Trata-se, por conseguinte, caso ainda subsistissem quaisquer dúvidas, de uma reafirmação: a hierarquia de topo da Igreja Católica portuguesa rendeu-se incondicionalmente ao “gigante brasileiro”.

Não se trata, porém, de uma rendição de toda a hierarquia de topo. Aliás, há nessa hierarquia quem não se tenha rendido de todo, como, por exemplo, o Reitor do Pontifício Colégio Português de Roma, Dom José Fernando Caldas Esteves.

Não estando todos os prelados em saldo, como vemos e sabemos, são porém bastantes e detêm desgraçadamente um poder desmesurado, o suficiente para impor a sua traição a todos os rebanhos que pastoreiam com — assim sendo — soberba e arrogância, para já não falar na sua mais do que óbvia ganância.

Deus me livre de cair em tentações, literalmente, e desatar aqui a perorar sobre este  chorudo negócio de mitra; não irei sequer, até porque não tenho conhecimentos a respeito de negociatas bentinhas, laborar sobre quaisquer terríveis (porque sobejamente evidentes) teorias da conspiração.

Atendendo a que foram há muito tempo extintos os tribunais do Santo Ofício e portanto já não arrisco fogueira ou tratos de polé (e que arriscasse), permito-me apenas emitir uma opinião sobre esta ditatorial manobra das sotainas luxuosas: cometestes  um horroroso pecado, senhores Bispos.

Que Deus vos perdoe, primeiro, e que depois vos salve e guarde de haver, no meio dos rebanhos que presumis vossos, muitas reses que não apreciam fazer parte da manada.

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“Chapas Sínicas” no Registo da Memória do Mundo | Hoje Macau

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UNESCO | “Chapas Sínicas” no Registo da Memória do Mundo

Os mais de 3600 documentos que compõem as Chapas Sínicas e que falam das relações entre Portugal e Macau são agora parte do património documental da humanidade. A decisão foi ontem aprovada pela UNESCO, meses depois da candidatura

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As Chapas Sínicas são, agora, património. A decisão saiu da última reunião geral do Programa Memória do Mundo da UNESCO para Ásia e Pacífico, depois de uma candidatura conjunta de Portugal e Macau, em Outubro do ano passado.

Ao que o HM apurou, as Chapas Sínicas passaram agora a estar classificados pela UNESCO a “nível regional como integrantes no Registo da Memória do Mundo”. As Chapas Sínicas são compostas por mais de 3600 documentos individuais e em forma de registo, provenientes da antiga Procuratura do Leal Senado de Macau e fazem parte do acervo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. A candidatura dos documentos tinha sido feita pelo Arquivo de Macau juntamente com esta instituição. Os documentos ilustram as relações luso-chinesas desenvolvidas entre o procurador do Leal Senado e as diversas autoridades chinesas, abrangendo um período entre 1693 e 1886, sendo que os assuntos e temas referem-se a diversos aspectos das relações entre as duas autoridades.

“Os mais recorrentes são as questões de justiça e de jurisdição, os assuntos económicos e de comércio (a proibição do ópio, contrabando, mercadores), os problemas religiosos (a missão clandestina na China, a repressão contra os católicos chineses), as relações diplomáticas (entre Macau e os países asiáticos e europeus, nomeadamente a Inglaterra e a sua presença em Macau, circulação de estrangeiros, o envio de embaixadas), a navegação dos mares e utilização de portos (combate à pirataria, embarcações, naufrágios e náufragos, tributos à navegação). São igualmente frequentes as situações referentes a obras em edificações, quer civis quer militares, e a construção clandestina”, explica o documento.

Satisfação ao máximo

A candidatura ao programa da UNESCO iniciado em 1992 e cujo objectivo é preservar a herança documental da Humanidade, tinha sido feito em Outubro do ano passado. Nessa altura, o Instituto Cultural selou um memorando de entendimento no Arquivo da Torre do Tombo para a candidatura.

O encontro, que decorre desde dia 18 até amanhã no Vietname, contou com a presença da directora do Arquivo Histórico, Lau Fong, que se mostra satisfeita com a aprovação da UNESCO.

“Estes valiosos documentos apelidados de ‘Chapas Sínicas’ agora distinguidos pela UNESCO como ‘Registo da Memória do Mundo da Ásia – Pacífico’ constituem um testemunho autêntico do rico e importantíssimo legado histórico de Macau, enquanto plataforma fundamental para a globalização e encontro entre o Ocidente e o Oriente. O resultado desta candidatura muito prestigia e dignifica Macau”, frisou, citada num comunicado a que o HM teve acesso.

No final deste mês vai ainda ser entregue uma segunda candidatura à UNESCO, do mesmo acervo documental, mas para uma aplicação a nível mundial.

Source: UNESCO | “Chapas Sínicas” no Registo da Memória do Mundo | Hoje Macau

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