Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: ILCAO

Revista “Granta em Português” também no Brasil

Nova ‘Granta’ terá edição simultânea em Portugal e no Brasil

Jornal O Globo
por Bolívar Torres
01/07/2017 4:30

Publicada no Brasil pela editora Alfaguara, entre 2012 a 2015, e em Portugal, desde 2013, a revista “Granta” passará a ser distribuída de forma simultânea, em uma versão unificada e sem nenhuma alteração, nos dois países. O primeiro número da “Granta” em português deverá sair em maio de 2018, editado pela Tinta-da-China, uma casa lusa que também publica livros no Brasil. O anúncio oficial deverá ocorrer na próxima Flip.

Uma das mais importantes revistas literárias do mundo, publicada em sete países, a “Granta” é conhecida por apresentar jovens autores no mercado internacional. Em 2012, entrou no mercado brasileiro com um número dedicado aos melhores escritores nacionais nascidos depois de 1972. A última edição no Brasil, porém, havia sido a “Granta 13”, em maio de 2015. A ortografia dos autores lusófonos não será unificada. Nenhum escritor será obrigado a respeitar o acordo ortográfico ou terá sua ortografia corrigida.

A “Granta Portugal” passa agora a ser “Granta em Português”, mas cada autor terá a sua autografia respeitada, pois acredito ser a única forma de desmontar a barreira entre a literatura dos países de língua portuguesa — diz Barbara Bulhosa, editora da Tinta-da-China.

Tradicionalmente, a “Granta” encomenda textos a diversos autores dedicados a um tema específico. Com a edição simultânea no Brasil e em Portugal, a revista poderá convidar, a cada número, escritores do mundo lusófono. Segundo Carlos Vaz Marques, jornalista e tradutor português que será responsável pela “Granta em Português”, o novo formato enriquecerá a diversidade e o interesse da revista. Ele garante que se trata de um projeto literário de língua portuguesa, e não “um projeto português”.

— Queremos contribuir deste modo para uma aproximação entre todos aqueles que se interessam pela literatura no nosso idioma, independentemente do espaço geográfico de que provêm. Estamos, aliás, interessados em autores de todo o mundo onde se fala e escreve em língua portuguesa. A vantagem evidente, e a mais imediata, é a de dar a conhecer autores brasileiros em Portugal e autores portugueses no Brasil.

Os autores brasileiros terão assim uma nova vitrine em Portugal, onde a revista tem cerca de mil assinantes e chegou a vender 8 mil exemplares no primeiro número.

— O fato de termos cerca de mil assinantes em Portugal também nos dá a certeza da viabilidade do projeto. Haverá uma campanha de assinaturas no Brasil, oferecendo vantagens consideráveis a quem assinar a revista — diz Vaz Marques.

Ele nota que o interesse literário mútuo entre Brasil e Portugal cresceu nos últimos anos, especialmente após a criação do Prêmio Portugal Telecom (agora Oceanos).

— Qualquer autor português terá o desejo secreto ou confessado de vir a ser publicado e reconhecido no Brasil, e suponho que o mesmo acontecerá com o interesse dos autores brasileiros em serem editados em Portugal.

Cada edição também terá sempre um portfolio fotográfico, traduzindo visualmente o tema de cada edição pela lente de um fotógrafo convidado.

— A curadoria de imagem estará a cargo do fotógrafo Daniel Blaufuks, que já viveu no Brasil e acaba de ser distinguido em Portugal com o mais importante prémio para as artes visuais que é atribuído em Portugal, o prémio AICA. Estas duas particularidades visuais, a ilustração dos textos e o portfolio fotográfico, dão à Granta um carácter único, tornando-a um objeto bonito e requintado, para colecionar — avalia Vaz Marques.

[Transcrição de Nova ‘Granta’ terá edição simultânea em Portugal e no Brasil – Jornal O Globo (Brasil). Evidentemente, a transcrição respeita a ortografia brasileira do original. Destaque e “link” meus.]

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Grupo de Trabalho parlamentar para a avaliação do “Impato”

A ILC-AO no Parlamento – notícia

 

O mais curioso neste grupo de trabalho parlamentar é a sua designação: “Avaliação do Impacto da Aplicação do Acordo Ortográfico de 1990“. GTAIAAO, portanto, uma sigla  ligeiramente comprida mas isso é o menos, que se dane a sigla.

Aquilo que verdadeiramente importa é que a designação deste segue a mesma linha da do “grupo de trabalho” anterior sobre o “acordo ortográfico”: Acompanhamento da Aplicação do Acordo Ortográfico (GTAAAO).

A escolha das palavras não é arbitrária, casual ou circunstancial, como bem sabemos; não foi de todo por mero acaso que a designação do GT de 2013 continha a formulação “acompanhamento da aplicação” e é agora ainda mais flagrante a intenção do (altamente capcioso) acrescento “avaliação do impacto”… da aplicação.

Ou seja, sempre a “aplicação” do AO90 — espectacular denotação política do chamado “facto consumado” — e sempre associada, essa “aplicação”, a uma qualquer acção vaga e difusa (“acompanhamento”, “avaliação”) que permita apenas o reforço da intenção única subjacente: fazer passar a ideia da irreversibilidade do AO90, logo, das suas pretensas (e falsas) utilidade, viabilidade e exequibilidade.

O que se pretende é, em suma, chamando os bois pelos nomes, obter um efeito de reflexo condicionado através da táctica da imersão (mergulho) num caldo palavroso que não admita sequer reflexão. Lavagem ao cérebro pura e dura, para designar com ainda maior exactidão esta manada ideológica de bois, eis a tal política do “facto consumado” levada ao extremo. Um extremo de violência mental, por conseguinte, visto haver aqui uma mais do que óbvia tentativa de fazer passar todos os portugueses por tolos, alguns deles por perfeitos imbecis e uns quantos por débeis mentais.

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Amnésia colectiva, ignorância geral, estupidez militante

Foi, pelo menos parcialmente, sob este cenário neo-imperialista que o chamado “centrão”, os partidos políticos do “arco da governação”, PS e PSD, fizeram passar a tremenda aldrabice no Parlamento. Foi por isto e foi também por motivos bem mais objectivos e comezinhos: por uma questão de “disciplina partidária“, por não saberem sequer, ao certo, aquilo em que estavam a votar, mas também — nos casos dos deputados mais “militantemente” acordistas — porque se tinham deixado deslumbrar por um sentimento neo-imperialista que parecia prometer um novo mundo de oportunidades; com sorte, quem sabe, se calhar até algumas oportunidades pessoais.  Influiu neste processo, igualmente, e provavelmente até mesmo de forma decisiva, o chamado “jogo político” (vocês deixam passar agora o nosso projecto-de-lei, depois nós deixamos passar o vosso); quantas reuniões “informais”, quantas negociações avulsas, quantas conversas “de pé-de-orelha” se terão cochichado naqueles palacianos passos perdidos para garantir a aprovação da maldita Resolução parlamentar?

Não será pelo menos “um bocadinho” estranho que tão patente quanto absurda vigarice tenha sido aprovada por esmagadora maioria, com apenas quatro votos contra, com apenas dezassete abstenções e com algumas ausências extremamente convenientes no exacto momento da votação?
Uma história (muito) mal contada [VII] – Os passos perdidos

«Como foi possível?»
«Algumas pessoas nos perguntam e muitas outras se interrogam: como foi possível que a entrada em vigor do “acordo ortográfico” de 1990 tenha sido aprovada pelo Parlamento? Se a esmagadora maioria do povo português demonstra a sua aversão “àquilo”, como espectacularmente demonstram todos os inquéritos e sondagens de opinião, como puderam 230 deputados aprovar a RAR 35/2008 com 17 abstenções e apenas quatro votos contra?»
O que foi afinal a aprovação da RAR 35/2008?

 

Parlamento votou por unanimidade candidatura de Lisboa a agência europeia, mas a maioria esqueceu-se

Foi há pouco mais de um mês que os deputados, todos, por unanimidade, saudaram e apoiaram a candidatura de Lisboa para sede da Agência Europeia de Medicamentos. Agora, alguns questionam a escolha e sugerem alternativas.

A acta das votações está online, para quem não acreditar. No dia 11 de Maio último, “a Assembleia da República, reunida em plenário, saúda e apoia a candidatura de Portugal à fixação da sede da Agência Europeia de Medicamentos em Lisboa, como de interesse nacional”. Esta era a conclusão do “voto de saudação”, que refere Lisboa por três vezes, aprovado por unanimidade pelos deputados. Para os mais cépticos, é o “voto n.º 306/XIII/2.ª” e também pode ser consultado no site do Parlamento o resultado da votação: “Aprovado por unanimidade.”

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Disclaimer: não papo grupos.

Ainda a propósito das chamadas “redes sociais” e da lumparia que por lá circula, à mistura com e fazendo-se passar por pessoas normais, o que temos aqui é uma pequena amostra do imenso arsenal de aldrabices ao dispor de qualquer pulha que delas queira servir-se.

Não apenas é possível inventar (de raiz) “identidades” em série como é facílimo — com essas “identidades” falsas e arrebanhando uns quantos incautos — artilhar “grupos” muito catitas e com imeeeensos “membros”. Entre outras maroteiras, pois claro, que isto hoje em dia, nos meios virtuais, virtualmente já vale tudo.

O que está ali em cima não é o tiroliroliro e aqui em baixo não está o tiroliroló. Não são brincadeira nenhuma, qualquer deles.

Na imagem de cima está uma pequeníssima amostra dos 927.000 resultados devolvidos por uma pesquisa no YouTube segundo um critério aparentemente insuspeito: “facebook group add members“. Nas páginas do mesmo Fakebook também é possível fazer umas artistices do género mas de facto o que mais agrada a vigaristas é a “cena” dos “grupos”. Um nojo.

Mas há ainda pior, se tal é possível.

Aqui em baixo está uma imagem que, ao contrário de qualquer outra, não vale por mil palavras; vale por todas as palavras que existem: seja quem for pode pôr as palavras que entender “na boca” de quem quiser. E depois publicar ou até usar a “composição” de outras formas, que não vou para já explicar mas que facilmente se imaginam, para “provar” que determinada pessoa (ou pessoas)  disse (ou disseram) as maiores enormidades, imbecilidades, inanidades.

Tudo mais falso do que uma nota de 30 €, é claro, mas isso agora não interessa nada, como dizia a outra, os meios existem e servem na perfeição para os fins que interessam a patifes: achincalhar, caluniar, difamar pessoas de bem. Sempre sob a capa de anonimato (identidade falsa), bem entendido, que só nessa condição aqueles cobardes profissionais se dão ao trabalho de tentar demolir o carácter, destruir a reputação, infernizar a vida dos seus inimigos de estimação — ou daqueles cujo assassinato moral tenha sido encomendado a um qualquer escroque por outro.

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JPP na aldeia dos vampiros

Crescemos 20 centímetros com a vitória na Eurovisão, mas encolhemos metro e meio nos últimos anos

José Pacheco Pereira

“Público”, 20.05.17

Os 20 centímetros que o Salvador Sobral trouxe são em grande parte mérito dele, e o metro e meio que perdemos é demérito nosso.

Isto de ser desmancha-prazeres não é propriamente muito agradável, mas lá terá de ser. A Pátria está mais uma vez a atravessar um espasmo nacionalista por causa da vitória dos irmãos Sobral na Eurovisão. Isto é por surtos, agora vai haver 15 dias de celebrações, cheias de grandes frases, cheias de peito feito, por parte de quase toda a gente que nem sabia que Salvador Sobral existia. Como agora se diz, “as redes sociais fervem”, e, quando elas “fervem”, a comunicação social, que devia ser menos excitável, perde o equilíbrio. Subitamente tudo parece possível, o interesse pelo português sobe em flecha, o lirismo passa a receita universal, Portugal é o maior, e duas pessoas, os irmãos Sobral, passam do anonimato para heróis nacionais. É bom, é cómodo para toda a gente, mas, com a excepção dos irmãos e de quem os ajudou e apoiou, este sucesso tem a característica habitual do modo como nos “auto-estimamos” com o trabalho e a dedicação dos outros, ou seja, sem trabalho próprio, sem esforço — cai-nos no céu. É por isso que é politicamente útil e utilitário, porque civicamente barato e psicologicamente agradável.

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«Falta apenas bom senso» [João Roque Dias, tradutor]

Atrás da declaração «Portugal tem sempre cumprido com as suas obrigações internacionais», o MNE é, finalmente, obrigado a vir a jogo e falar das hipóteses de o aborto ortográfico vir a ser objecto de um “coup de grâce”.

É um passo de gigante, depois do triste comportamento de avestruz durante todo este processo, por este e por todos os governos anteriores.

É também bom que o governo português entenda, de uma vez por todas, que o fim do aborto ortográfico não é o fim da Pátria nem da honra do Estado. Face ao miserável estado da ortografia em Portugal depois da tentativa falhada da sua aplicação em Portugal (basta o MNE dar uma vista de olhos pelo Diário da República), é antes uma atitude inteligente e patriótica. O cumprimento dos tratados não deve servir para “mostrar serviço”, quando tal lesa os interesses de Portugal. Dizer apenas, como diz o MNE, que o AO90 «está em plena aplicação» (o “plena” não passa de “palha” nesta frase), sem olhar para os resultados da sua falhada e doentia aplicação é uma declaração desonesta que deveria envergonhar o seu autor e o governo a que pertence.

O Brasil já nos ensinou duas vezes como se protegem os interesses próprios: com a Reforma portuguesa de 1911, adoptada pela ABL em 1915 e revogada pela mesma ABL em 1919 e com a Convenção de 1945, adoptada pelo Brasil (Decreto-lei 8.286, de 05.12.1945) e posteriormente revogada pelo Decreto-lei 2.623, de 21.10.1955.

“Jurisprudência”, existe. Falta apenas bom senso.

João Roque Dias

[imagem de: ILC-AO]

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