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Um blog contra o AO90 e outros detritos

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Mel com cicuta

Academia propõe um registo ortográfico “adequado à variante portuguesa”

As alterações propostas ao acordo ortográfico são um documento aberto. A Academia das Ciências quer agora discuti-las.

Nuno Pacheco

27 de Janeiro de 2017, 19:50

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Depois da aprovado na Academia das Ciências de Lisboa, na quinta-feira, por 18 votos contra cinco, o documento Sugestões para o aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi hoje divulgado à imprensa. Tem três pontos essenciais e estes dizem respeito à acentuação gráfica, às sequências consonânticas e ao emprego do hífen. A ACL diz, no documento, que se trata “de um primeiro trabalho”, no sentido de que se “avance com a sistematização de critérios e orientações” visando “uma maior regulação” e “na defesa de um registo adequado à variante portuguesa.”

O Presidente da ACL, Artur Anselmo, gostaria que este documento servisse de base a uma discussão mais alargada. “A Academia”, diz ele ao PÚBLICO, “propôs uma reunião de todas as organizações que trabalham com profissionais da escrita: PEN Clube, a Associação Portuguesa de Escritores, a Sociedade Portuguesa de Autores e seria bom que também participassem organismos representativos dos jornalistas.” Esta reunião, ainda sem data marcada, articula-se, diz, “com a audição a que eu serei sujeito, e com muito gosto, na Assembleia da República. Estou à espera que me digam quando.”

As alterações ao texto do acordo ortográfico de 1990 (AO90) propostas coincidem com as que já tinham sido parcialmente antecipadas na comunicação social: a diferenciação de pára e para; pélo (de pelar), pelo e pêlo; pôr e por; recupera-se a terminação -ámos no pretérito perfeito para distinguir do presente do indicativo, -amos (ex: falámos, falamos); aceita-se a dupla acentuação em palavras como oxigénio/oxigênio ou tónico/tônico, mas com delimitação geográfica clara (uns em Portugal, outros no Brasil); retoma-se o acento circunflexo na 3.ª pessoa do plural do presente do indicativo, crêem, lêem, vêem, em lugar do creem, leem, veem imposto pelo AO90; nas sequências consonânticas recuperam-se as palavras que eram iguais em Portugal e no Brasil e que mudaram só em Portugal (concepção, recepção, etc), sugere-se a manutenção da consoante dita muda em certas palavras “para evitar arbitrariedades” (característica, por exemplo, em lugar de caraterística) e nos casos onde ela tenha “valor significativo, etimológico e diacrítico” (conectar, decepcionado, interceptar), mas sugere-se que continuem eliminadas em casos como acionar, atual, batizar, coleção, exato, projeto.

Por fim, no uso do hífen propõe-se a sua manutenção nas “expressões com valor nominal”, ou palavras compostas, como maria-vai-com-as-outras, em formas como luso-brasileiro, em vocábulos onomatopaicos (au-au, lenga-lenga), e propõe-se que se escreva pára-choques, pára-brisas ou pára-raios, mantendo-se escritas aglutinadamente palavras como mandachuva, paraquedas ou paraquedista. Há mais propostas, mas estes tópicos dão já uma ideia do que a ACL pretende sujeitar à discussão pública.

Artur Anselmo não tenciona deixar morrer o tema. “Isto é como uma campanha: se se silencia, cai no esquecimento. Precisamos de avivar a questão fazendo reuniões, trocando impressões, criando uma onda que vai crescer e perante a qual o poder político terá de tomar uma posição.” Mas conscientemente, acrescenta: “Tudo o que fizermos tem de ser feito com muito juízo: firme, mas apoiado na ciência e na cultura.”

[“Público” (edição em papel), 28.01.17. Destaques e “links” meus. Imagem de topo: “Bartoon”, de Luís Afonso.]

 

Concluída a versão “revista”, os portugueses passarão a ser o único povo do mundo cuja ortografia será determinada pela forma como se fala num país estrangeiro.
15 de Março de 2016

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Quarenta dinheiros

Jornalista e director do Jornal de Letras é vencedor do prémio de 40 mil euros.

José Carlos de Vasconcelos ganha Prémio Vasco Graça Moura – PÚBLICO

Lusa – 3 de Janeiro de 2017, 9:05 actualizado a 3 de Janeiro às 9:11

José Carlos Vasconcelos, de 76 anos, distinguido nesta terça-feira com o Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural, foi apontado pelo júri do galardão como “um raro exemplo de persistência na imprensa portuguesa de âmbito cultural”.

Vasconcelos, natural de Freamunde, no concelho de Paços de Ferreira, iniciou cedo a actividade jornalística e cultural na Póvoa de Varzim e, em 1960, publicou o primeiro livro de poemas.

Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra, onde se destacou como dirigente associativo. Enquanto universitário foi presidente da assembleia magna da Associação Académica, chefe de redacção da Via Latina, fundador e presidente do Círculo de Estudos Literários, actor no Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra, membro da direcção do cineclube local e chefe de redacção da revista Vértice.

Terminada a licenciatura em Direito, Vasconcelos ingressou na redacção do Diário de Lisboa, foi dirigente sindical e presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa.

“Como advogado, defendeu presos políticos e jornalistas”, adiantou fonte da Estoril Sol, que promove o galardão, em parceria com o grupo editorial Babel. Após o 25 de Abril de 1974, José Carlos Vasconcelos fez parte da direcção do Diário de Notícias e da direcção de informação da RTP, onde fez o programa literário Escrever É Lutar.

Foi um dos fundadores do semanário O Jornal e seu director, assim como da revista Visão, da qual fez parte da direcção editorial, presidiu à assembleia geral do Sindicato e do Clube dos Jornalistas, assim como à direcção deste último.

“De salientar que participou em iniciativas cívicas contra a ditadura [anterior ao 25 de Abril de 1974] e, após a revolução de Abril, fez parte da Comissão do Livro Negro sobre o Regime Fascista. Foi deputado à Assembleia da República e presidiu à Comissão Parlamentar Luso-Brasileira“, disse a mesma fonte.

Entre os vários organismos aos quais pertenceu, refira-se a Comissão de Honra dos 500 Anos do Descobrimento do Brasil, o conselho geral da Fundação Calouste Gulbenkian e o Conselho das Ordens Honoríficas Nacionais, foi comissário do Encontro Internacional Língua Portuguesa, promovido pela União Latina.

Actualmente faz parte do conselho geral da Universidade de Coimbra, dos conselhos consultivos para a Língua Portuguesa da Fundação Gulbenkian e do Instituto Camões, e é sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa.

Source: José Carlos de Vasconcelos ganha Prémio Vasco Graça Moura – PÚBLICO

 

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Evento: 9 de Janeiro de 2017, debate sobre o AO90 no Goethe-Institut Lisboa

«Debate: O mal-estar com o Acordo Ortográfico – cinco anos depois – Goethe-Institut Portugal»

«Um debate entre defensores e opositores ao acordo»

«No dia 9 de Janeiro terá lugar, na biblioteca do Goethe-Institut em Lisboa, um debate sobre o Acordo Ortográfico, organizado pelo PEN Clube Português. O debate conta com a participação de António Carlos Cortez, Firmino Mendes e Nuno Pacheco. O PEN Clube Português pretende contribuir, no âmbito do espírito da Carta do PEN Internacional e da defesa da liberdade de expressão, para uma discussão aberta de uma problemática que está longe de ser encerrada. O debate será moderado por Teresa Salema, presidente do PEN Clube Português.»

«Cinco anos depois da mesa-redonda realizada na Biblioteca do Goethe-Institut, que contou com a participação de Maria Alzira Seixo, Vasco Graça Moura (opositores ao Acordo Ortográfico – AO) e Rui Zink (a favor do AO) e moderação de Teresa Salema, a situação da Língua Portuguesa evidencia problemas que, no dizer dos críticos, se prendem com o carácter prejudicial e inútil de uma alegada reforma que não respeita as diversidades linguísticas, inerentes a evoluções culturais distintas dos países lusófonos. Na opinião dos defensores do AO, os problemas resultariam de uma falta de adesão por parte de uma percentagem da população portuguesa, bem como dos países africanos.»

«Em colaboração com:»

logotipopenclubport

09.01.2017, 18h30

Goethe-Institut Lisboa

Campo dos Mártires da Pátria, 37
1169-016 Lisboa

Idioma: Português
Preço: Entrada livre
218 824 510

Local: Auditório

Source: Debate: O mal-estar com o Acordo Ortográfico – cinco anos depois – Goethe-Institut Portugal. Imagem copiada da origem contendo a etiqueta “Goethe-Institut Montreal; Institutsgebäude nach Renovierung 20112”. Acrescentei “links”.

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Oi?

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Estadão_logoBilinguismo luso-brasileiro

Ruth Manus

“Estadão”, 21.08.16

Há quem diga que é a mesma língua. Há quem chegue a Portugal esperando “ora pois” e um pouquinho daquele sotaque fofo. Pobrezinhos. Mal sabem o que os espera. Depois de um ano e meio “a viver cá”, sinto-me orgulhosamente bilíngue.

Na semana em que cheguei, ouvi que era muita’gira a minha mala encarnada. Não sabia se era para agradecer, para me ofender ou para xingar de volta. Depois, fui descobrir que a mala era a bolsa, encarnada era vermelha e gira era bonita. Já não dava tempo de agradecer à moça.

Pouco tempo depois, procurava um supermercado e pedi ajuda a uma senhora que me mandou ir para os curraios. Não entendi, mas achei que mandar alguém para os curraios não era algo admissível, por uma simples razão de divisão de sílabas. Saí chocada, segui andando e encontrei o mercado, ao lado dos correios. Correios. Curraios. Saquei.

Depois, foi a vez de um professor narrar um caso de um país que proibiu a venda de maltadagas. Eu, quieta, pensei “Maltadaga. Deve ser uma adaga, arma branca, da ilha de Malta”. Ele falou outra vez e eu entendi “maltad’água”. Pensei “água da ilha de Malta?”. Na terceira ouvi “mota d’água”. Ok. “Mota deve ser moto. Moto de água. Jet ski!! É jet ski!!” E pronto, o professor já tinha mudado de assunto e eu até hoje não sei nem onde nem por que o jet ski foi proibido.

Fui achando que já entendia melhor. Tinha aprendido a não pedir sorvete de creme, mas gelado de nata. E pedi, no restaurante, torta com uma bola de gelado de nata. O garçom disse “bolinha?”. Eu sorri e disse, “sim, uma bola de gelado de nata”. Ele disse “uma bola de bolinha?”. E eu já pensei “ai Deus, começou”. Ele insistiu “não temus gelado d’nata. Temos chuculát, murang e bónilha. Pod’ser uma bola de bónilha?”. Enfim. Bola de bolinha, bola de bónilha, vamos levando.

Descobri que jogar na privada é deitar na sanita. Que pisar no freio é carregar nos travões. Que banheiro é casa de banho e salva-vidas é banheiro. Que dar a descarga é puxar o autoclismo. Que eu uso cuecas, por mais que eu use calcinhas. E que os homens também usam cuecas por mais que eles não usem calcinhas.

Não satisfeita, inventei de namorar um lisboeta. Fomos dormir outro dia e ele disse “q’rida, podes colocar o despertador para o Tim Maia?”. Pausa. Oi? “O despertador. Colocas para Oi Tim Maia?” Tim Maia? “Sim, para Oi Tim Maia.” E, então, eu percebi que já era bilíngue. Coloquei o despertador para 8h30 e apaguei a luz.

 

Source: Bilinguismo luso-brasileiro – Cultura – Estadão. 21.08.16

(A imagem de topo foi copiada do “site” brasileiro Observatório da Língua Bras… Portuguesa e mostra um aspecto do incêndio que destruiu por completo o Museu da Língua Bras… Portuguesa de S. Paulo, Brasil.)

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AO90: «absurdas e disparatadas imposições» [Maria do Carmo Vieira, discurso na ACL]

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Published on May 31, 2016

Comunicação de Maria do Carmo Vieira sob o tema “O ensino da língua e da literatura”, que aconteceu na Academia das Ciências de Lisboa a 24 de Maio de 2016.

—-Colóquio “A língua portuguesa nos dias de hoje”—-
O colóquio “A língua portuguesa nos dias de hoje” decorreu nos dias 23, 24 e 25 de Maio, na Academia das Ciências de Lisboa, promovido pelo Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa.

Com esta iniciativa, pretendeu-se envolver todos os interessados e, sobretudo, investigadores, professores, formadores, estudantes, profissionais, que se dedicam a problemas relacionados com a língua portuguesa, numa reflexão conjunta sobre a língua portuguesa como idioma do futuro.

Contra.o.Acordo Ortográfico

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«Grande desordem ortográfica» [Manuel Alegre]

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (E), momentos antes de entregar o Prémio de Consagração de Carreira ao poeta e ficcionista Manuel Alegre (D), durante a cerimónia no âmbito do Dia Mundial do Autor português organizada pela Sociedade Portuguesa de Autores em Lisboa, 20 de maio de 2016. MÁRIO CRUZ/LUSA

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (E), momentos antes de entregar o Prémio de Consagração de Carreira ao poeta e ficcionista Manuel Alegre (D), durante a cerimónia no âmbito do Dia Mundial do Autor português organizada pela Sociedade Portuguesa de Autores em Lisboa, 20 de maio de 2016. MÁRIO CRUZ/LUSA

Temos como PR um homem de cultura, consciente de que um país não é só números — Alegre

O histórico dirigente socialista Manuel Alegre afirmou que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, é “um homem de cultura, consciente de que um país não é só números nem só finanças”.

Lisboa, 20 Maio (Lusa) — O histórico dirigente socialista Manuel Alegre afirmou hoje que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, é “um homem de cultura, consciente de que um país não é só números nem só finanças”.

Na cerimónia da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), que celebrou hoje o Dia do Autor, e na qual recebeu das mãos de Marcelo Rebelo de Sousa o prémio de consagração de carreira, Manuel Alegre considerou que a presença do Presidente da República “significa o reconhecimento do papel desempenhado pela SPA na defesa de direitos cada vez mais ameaçados num mundo cada vez mais complexo”.

“A presença do Presidente confirma que temos à frente da República um homem de cultura, consciente de que um país não é só números nem só finanças e que sem desenvolvimento cultural não haverá nunca um desenvolvimento económico que faça de Portugal um país mais justo e mais competitivo”, enfatizou.

Começando por dizer que os “prémios não se agradecem”, Manuel Alegre disse-se “grato”, também ao Presidente da República, cuja presença “é um incentivo para todos os autores” e “um conforto e um estímulo” para si próprio.

A globalização não tem apenas uma lógica de economia única, tem também uma lógica de cultura e língua única, ou pelo menos dominante. Nessa perspectiva, a defesa e divulgação da nossa língua é uma prioridade nacional, mas não se conseguirá com a imposição de uma ortografia única, susceptível de dar origem a uma grande desordem ortográfica como salientou, entre outros, o professor Vitor Aguiar e Silva”, disse, numa referência ao acordo ortográfico.

O ex-candidato presidencial citou ainda Almeida Garrett — “temos de voltar à raiz, temos de ser nós mesmos” — palavras que diz serem “terrivelmente actuais neste momento em que poderes não legitimados que condicionam as decisões democráticas nacionais e restringem, como dizia Camões, a lusitana antiga liberdade”.

Na última vez que tinham estado na mesma cerimónia, no 25 de Abril, quando Manuel Alegre recebeu o prémio Vida Literária, o histórico socialista elogiou o discurso que o Presidente da República tinha proferido nas comemorações da Revolução dos Cravos, classificando-o de ‘abrilista’, porque retomou o espírito do 25 de Abril.

“Sempre tivemos boas relações pessoais e de amizade, não votei nele, como é natural. Da próxima vez já não sei, se isto continuar assim, se calhar voto. Os portugueses precisavam de afecto, de confiança e de esperança. Além dos cortes das pensões, e de tudo o resto, as pessoas tinham perdido a esperança, e ele está a restituir isso às pessoas. E isso é muito importante”, frisou nesse dia Manuel Alegre aos jornalistas.

JF (JGS) // JPS

Lusa/fim

Transcrição de: Impala // Ticker // Lusa // Temos como PR um homem de cultura, consciente de que um país não é só números — Alegre
Imagem de http://www.impala.pt/detail.aspx?id=229452&idCat=2170

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