Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: tradução

«Falta apenas bom senso» [João Roque Dias, tradutor]

Atrás da declaração «Portugal tem sempre cumprido com as suas obrigações internacionais», o MNE é, finalmente, obrigado a vir a jogo e falar das hipóteses de o aborto ortográfico vir a ser objecto de um “coup de grâce”.

É um passo de gigante, depois do triste comportamento de avestruz durante todo este processo, por este e por todos os governos anteriores.

É também bom que o governo português entenda, de uma vez por todas, que o fim do aborto ortográfico não é o fim da Pátria nem da honra do Estado. Face ao miserável estado da ortografia em Portugal depois da tentativa falhada da sua aplicação em Portugal (basta o MNE dar uma vista de olhos pelo Diário da República), é antes uma atitude inteligente e patriótica. O cumprimento dos tratados não deve servir para “mostrar serviço”, quando tal lesa os interesses de Portugal. Dizer apenas, como diz o MNE, que o AO90 «está em plena aplicação» (o “plena” não passa de “palha” nesta frase), sem olhar para os resultados da sua falhada e doentia aplicação é uma declaração desonesta que deveria envergonhar o seu autor e o governo a que pertence.

O Brasil já nos ensinou duas vezes como se protegem os interesses próprios: com a Reforma portuguesa de 1911, adoptada pela ABL em 1915 e revogada pela mesma ABL em 1919 e com a Convenção de 1945, adoptada pelo Brasil (Decreto-lei 8.286, de 05.12.1945) e posteriormente revogada pelo Decreto-lei 2.623, de 21.10.1955.

“Jurisprudência”, existe. Falta apenas bom senso.

João Roque Dias

[imagem de: ILC-AO]

Share

O WordPress em PT-PT está cada vez melhor

Os resultados da votação

Colocámos duas perguntas a votação:

A tradução deve observar o novo Acordo Ortográfico?
(…)
Depois de devidamente filtrados os artistas que lançaram scripts automáticos de votação (uma pista para os script kiddies: mais de 300 votações em menos de 2 minutos, a partir do mesmo IP é suspeito. Para a próxima tentem outra coisa), os resultados são estes:

Votos: 305
Acordo Ortográfico, sim ou não? NÃO: 206, SIM: 99
(…)

A primeira conclusão

A tradução do WordPress para Português de Portugal continuará, como até agora, a ignorar o Acordo Ortográfico.

30.05.13

 

Esta tabela reproduz as versões mais recentes das traduções do WordPress para português (pt_PT). O objectivo é que seja um guia rápido para procura de termos quando se pretender consolidar o seu uso, no próprio WordPress e restantes projectos, como temas e plugins. Ao pesquisar um termo em inglês ou em português, é possível perceber quais foram os critérios usados para a tradução em diferentes contextos. Tradução importada de Development, Administration e Network Admin, em 2016-08-17 (um trabalho do Pedro Mendonça).

Fonte: Tradução do WordPress 4.6 pt_PT – WordPress Portugal

Português / Portuguese (Portugal)

 

Download WordPress in Portuguese (Portugal)

Download language pack (4.7.1)

Imagem de topo: europe.wordcamp.org

Share

“O Primo Basílio”, de Eça de Queirós, em brasileiro (“revisado” conforme o AO90)

E depois podia atenuar, dizer que fora só uma correspondência platônica… A partida de Basílio, além disso, fazia daquele erro um fato passado, quase antigo… E Sebastião era tão amigo dela!

Source: O Primo Basílio – Eça de Queiroz – Google Books

 

O excerto original em Português:

E depois podia atenuar, dizer que fora só uma correspondência platónica… A partida de Basílio, além disso, fazia daquele erro um facto passado, quase antigo… E Sebastião era tão amigo dela!

Share

‘Os Maias’, de Eça de Queirós, em brasileiro (“revisado” conforme o AO90)

Teve de se calar. Justamente ao fundo do corredor assomava o Taveira, abafado até aos olhos na gola de uma ulster donde saíam as pontas de um cachenê de seda clara. O escudeiro desembaraçou-o dos agasalhos; e ele, de casaca e colete branco, limpando o bonito bigode úmido da geada, veio apertar a mão ao caro Vilaça, ao amigo Eusébio, arrepiado, mas achando o frio elegante, desejando a neve e o seu chique…

—Nada, nada — dizia Vilaça todo amável — cá o nosso solzinho português sempre é melhor…
E foram entrando no fumoir, onde se ouviam as vozes do marquês, de Carlos, numa das suas sábias e prolixas cavaqueiras sobre cavalos e esporte.

Source: Os Maias [Biografia, Ilustrado, Índice Ativo, Análises, Resumo e Estudos … – Eça de Queirós – Google Books

 

O excerto original em Português:

Teve de se calar. Justamente ao fundo do corredor assomava o Taveira, abafado até aos olhos na gola de uma ulster donde saíam as pontas de um cache-nez de seda clara. O escudeiro desembaraçou-o dos agasalhos; e ele, de casaca e colete branco, limpando o bonito bigode húmido da geada, veio apertar a mão ao caro Vilaça, ao amigo Eusébio, arrepiado, mas achando o frio elegante, desejando a neve e o seu chique…
—Nada, nada — dizia Vilaça todo amável — cá o nosso solzinho português sempre é melhor…
E foram entrando no fumoir, onde se ouviam as vozes do marquês, de Carlos, numa das suas sábias e prolixas cavaqueiras sobre cavalos e sport.
Share

Lampadinhas

A “maravilhosa língua unificada” e a não menos “maravilhosa revisão do AO90″…

Oops, peço desculpa, não é “revisão” que se diz, agora parece ser obrigatório chamar “aperfeiçoamento” à fantochada.

Os acordistas portugueses conseguiram fazer esta coisa espantosa com o Português: transformá-lo numa espécie de “brasileiro” (como se vê, por exemplo, na bandeirinha que abrilhanta o site da Babbel) e assim, entrouxando essa tremenda vigarice em delírios para deslumbrar pategos, fazer passar a golpada por uma coisa a que chamam “língua unificada”.

Tentemos ignorar o ridículo da “ideia” e vamos fingir, por uma vez sem exemplo, que não alcançamos ao certo a dimensão da fraude. Talvez seja útil desaprender amiúde tudo aquilo que julgamos saber sobre o “acordo” e voltar por sistema à estaca zero. Reciclar o espanto, digamos, depurar a indignação.

É evidente, a julgar pelas últimas investidas, que o processo de brasileirização em curso (PBC) ficaria incompleto caso não existisse um continuum gradativo. Como se costuma dizer, isto vai de mal a pior: visto que o “acordo ortográfico” propriamente dito não unifica coisíssima nenhuma e até, pelo contrário, veio criar novas duplas grafias onde elas não existiam, então vá de “melhorar” a besta (ou “despiorar”, como há já quem designe essa trafulhice), consagrando exclusivamente não apenas a ortografia brasileira como também a própria fala dos brasileiros (“norma culta”, dizem eles). A premissa é muito simples: caso no Brasil  se pronuncie determinada consoante que é “muda” em Portugal (e PALOP), então essa consoante, que o AO90 eliminara em 7 países mas não no Brasil, volta a ser “válida”; portanto, as ditas consoantes “mudas” passam a “valer” de novo em todos os 8 países da CPLP, mas essa “validade” é só para aquelas que… os brasileiros articulam e que, portanto, utilizam na (sua) escrita.

Dito de outro modo, porque isto parece ser de muito difícil compreensão para quem não quer entender ou se recusa a aceitar aquilo que é por demais evidente:  a anunciada “revisão” do AO90, artisticamente baptizada pela ACL como  “aperfeiçoamento”, não é mais do que a segunda etapa do PBC e consiste basicamente em impor a norma ortográfica brasileira no espaço da chamada “lusofonia”. Sintetizando, meia dúzia de fulanos que nasceram em Portugal (assessorados por alguns estupefactos brasileiros) pretendem impingir ao país de origem da Língua e a seis ex-colónias portuguesas uma coisa a que chamam “língua portuguesa unificada” mas que na verdade e de facto é a “norma” da sétima ex-colónia.

O PBC, na prática, caso se verifique não haver em Portugal senão umas quantas manadas de ruminantes, significará esta coisa arrepiante, nojenta, escabrosa: para escrever uma palavra “corretamente” (em “brasileiro”) qualquer português terá de saber — de memória ou perguntando para os lados —  como se redige, ou seja, como se pronuncia essa palavra no Brasil.

Os “arquitetos” do PBC não brincam em serviço. Além das habituais campanhas de intoxicação da opinião pública, vão já experimentando até uma velhíssima técnica de “marketing”: inventar de raiz uma necessidade para resolver problemas gerados por outra necessidade que eles mesmos tinham também previamente inventado  prevendo a segunda campanha e destinando-se essa a resolver problemas que jamais existiram.

Mal comparado, seria o mesmo que um “expert” (“esperto”, no crioulo de Malaca) lembrar-se de lançar uma marca de sabonetes “para emagrecer” e viesse uns tempos depois colocar no mercado um antídoto para as pessoas que desataram a comer sabonetes…

A peça seguinte ilustra na perfeição estes conceitos de vendedores de banha-da-cobra com designação genérica em Inglês: o AO90 jamais serviu para coisa alguma, foi uma invenção não apenas totalmente inútil como estupidamente perniciosa, mas agora há estas “diferençazinhas” (que antes do mesmo AO90 não existiam), portanto vá de “melhorar” o AO90, eliminem-se as tais “diferençazinhas” (que antes não existiam mas isso agora não interessa nada, faz de conta que sempre foi assim).

Génios da corda. Lampadinhas.

 

babbel_ptbr-ptpt
Certains mots s’épellent différemment en portugais européen et portugais brésilien. Le mot «réception», par exemple, s’écrit au Portugal receção, tandis que la version brésilienne rajoute un -p : recepção. Cette différence s’étend à d’autres mots auxquels la prononciation brésilienne rajoute un -p là où il est absent dans la prononciation européenne.

Imagem de topo: By Source (WP:NFCC#4), Fair use, Link

Share

A maravilhosa “projecção internacional da língua portuguesa”

Eurodeputado falha cimeira por falta de tradução para Português

 

Comunista João Ferreira recusa-se a aceitar a “exclusão da língua portuguesa” da Assembleia Parlamentar Paritária ACP-EU, que vai decorrer em países onde a língua oficial é o português.

O eurodeputado João Ferreira cancelou a sua participação na sessão parlamentar que se vai realizar no Quénia este sábado, como forma de protesto pela não disponibilização, por parte do Parlamento Europeu, de serviços de tradução para português.

A revelação foi feita pela delegação do PCP que, em comunicado, explica que este é um protesto formal e faz questão de lembrar que “de acordo com as regras vigentes, o português é uma das cinco línguas oficiais da Assembleia Parlamentar Paritária ACP-UE”.

Para além de ser uma das línguas oficiais da União Europeia, o português é também a língua oficial de seis dos países que integram esta Assembleia (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste), explicam os comunistas no comunicado, acrescentando que é “inaceitável” esta “exclusão da língua portuguesa”.

João Ferreira deveria participar na Assembleia Parlamentar Paritária ACP-UE, que terá lugar em Nairobi, no Quénia, entre os dias 17 a 21 de dezembro e que reúne deputados do Parlamento Europeu e parlamentares de 78 países de África, Caraíbas e Pacífico. Nesta Assembleia, o eurodeputado comunista ocuparia a vice-presidência.

Source: Eurodeputado falha cimeira por falta de tradução para Português

 

Nota do Gabinete de Imprensa dos Deputados do PCP ao PE

Deputado do PCP no Parlamento Europeu cancela participação na Sessão da Assembleia Parlamentar Paritária ACP-UE em protesto pela ausência de interpretação de/para Português

15 Dezembro 2016, Estrasburgo

O deputado do PCP no Parlamento Europeu, João Ferreira, Vice-Presidente da Assembleia Parlamentar Paritária ACP-UE – que reúne deputados do Parlamento Europeu e parlamentares de 78 países de África, Caraíbas e Pacífico – decidiu cancelar a sua participação na próxima sessão desta Assembleia, que terá lugar em Nairobi, no Quénia, de 17 a 21 de Dezembro, em protesto pela não disponibilização pelo Parlamento Europeu de serviços de interpretação activa de Português.

(mais…)

Share
João Pedro Graça © 2015 - 2017 Frontier Theme