Google Wave: boa onda

Google Wave

GW
O que é o Google Wave?
É um serviço anunciado pela Google em 27 de Maio e lançado, em versão experimental e apenas para utilizadores convidados (100.000 no arranque), no dia 30 de Setembro de 2009.

Conjuga numa só plataforma diversas ferramentas e sistemas, como e-mail, mensagens instantâneas, páginas “wiki” e diversos conteúdos externos (mapas, jogos, vídeos, etc.), funcionando como uma rede social de potencialidades alargadas em que os participantes colaboram e cooperam entre si, consoante as suas áreas de conhecimentos, na construção, consolidação e desenvolvimento dos mais diversos tipos de “ondas”.

O GWave tem também algo de IRC, mas não só, já que engloba uma filosofia de trabalho cooperativo e multidisciplinar, baseado na edição tipo “wiki”, ou seja, na qual os utilizadores podem não apenas inserir conteúdos como editá-los (os próprios ou os alheios) e alterá-los, completá-los ou mesmo corrigi-los.

O que é uma “onda”?
Pode ser quase tudo, desde uma simples caixa de diálogo em que se discute um único tema, como se fosse um dos já ultrapassados “newsgroups“, até à mais complexa e detalhada planificação, demonstração ou exposição de um evento, produto, projecto ou historial, por exemplo. As possibilidades são inúmeras e não é fácil imaginar qualquer espécie de restrição ou excepção àquilo que pode ser executado nesta plataforma.

Qual é a inovação do GWave?
De facto, não se trata de algo espectacularmente inovador, se atendermos a que todos os componentes que integram a plataforma já existiam, se bem que de forma singular e desgarrada; porém, a integração de todas essas partes num todo único e coerente representa, só por si, uma verdadeira e surpreendente inovação; não se trata apenas da soma das partes, mas antes o que dessa soma resulta é exponencialmente potenciado.

Por onde se começa?
A primeira coisa, evidentemente, é entrar no sistema. Para isso, nesta primeira fase, das duas uma: ou se inscreve no GWave e fica à espera de que a própria Google envie a “admissão” ou recebe um convite de quem já lá está; talvez seja boa ideia pedir convites (por exemplo através das redes sociais, Twitter ou Facebook), porque ninguém pode adivinhar quem está mesmo interessado. Mais tarde, num futuro não muito distante, quando o GWave estiver suficientemente testado e desenvolvido, muito provavelmente o acesso será generalizado, bastando para isso ter uma inscrição genérica na Google (GMail, Blogger, AdSense, etc.).

Depois da “admissão”, convirá ver alguma coisa sobre o assunto (existem diversos vídeos de demonstração) e criar uma primeira “wave” experimental; por exemplo, enviando uma simples mensagem para a pessoa que convidou (click no avatar dessa pessoa e na opção “ping”); ou pode ver uma ou outra das “waves” de início (click nela para abrir na caixa à direita). Para adicionar contactos e ver depois em que trabalhos cada pessoa está envolvida, procure por NOME@googlewave.com (substituir NOME por aquilo que procura…).

Se quiser experimentar criar uma wave nova, click no botão “new wave”; irá abrir uma caixa em branco à direita. É só escrever e, se quiser, formatar como em qualquer processador de texto básico, com o menu de topo.

Se seleccionar uma wave já existente pode, como qualquer participante, responder (ou mesmo editar e alterar, se for o caso) a um ou vários blips: click na barra inferior do blip e responda na caixa que vai abrir imediatamente abaixo. Depois é só esperar que alguém responda ao seu blip (entrada), ao que pode assistir até em directo, vendo as respostas a aparecer à medida em que são escritas, quase em tempo real. E assim, com entradas de uns e de outros, se vai compondo a onda!

Três exemplos de wave, para começar
1. Twitter em “gadget”: muito simples, basta adicionar a “gadget” (aplicação) respectiva. Permite, com excelentes ferramentas de manuseamento próprias, trabalhar com o Twitter dentro do GWave. Já existem waves preparadas para o efeito, bastando seleccionar uma delas e introduzir as credenciais Twitter (username/password).

2. Discussão: alguém lança um tema e “convida” todos ou alguns dos seus contactos; no cabeçalho da wave criada, click no botão “+” (adicionar utilizador ou grupo de utilizadores). Essa wave será automaticamente adicionada ao painel principal desses utilizadores, que poderão colaborar com novos blips. Claro que, mesmo numa simples discussão, é possível ir introduzindo conteúdos para ilustração: imagens, vídeos, links, seja o que for.

3. Evento: vamos supor que alguém se lembra de criar um evento, por exemplo para comemorar um aniversário num sítio especial; escreve um texto com uma sinopse (a ideia de base) e coloca alguns dos seus contactos nessa nova wave; depois, outra pessoa coloca blips com imagens do local, outra adiciona um mapa com pesquisa de trajectos e uma terceira organiza a lista de convidados. Juntamente com mensagens de parabéns daqueles que vão tomando conhecimento e que aderem à onda, em breve esta se tornará numa espécie de vaga, quem sabe se gigantesca, envolvendo já muitas dezenas de velhos e outros tantos novos amigos do ou da aniversariante.

Conclusões
Cada qual que tire as suas, como é evidente. Mas de uma coisa, pelo menos, podemos estar certos: o GWave não é apenas mais uma ferramenta, será talvez a maior e mais completa caixa de ferramentas alguma vez disponibilizada na Internet. De certa forma, e em especial quando estiverem afinados os “pormenores” técnicos ainda com pontas soltas (lentidão excessiva, ondas que “rebentam”, etc.), digamos que o cibernauta comum poderá passar a dispor de um verdadeiro canivete suíço virtual – algo cujas potencialidades apenas podemos para já imaginar e entrever.

O futuro o dirá, como em tudo, mas também como sabemos nestas coisas virtuais o futuro é já ali.

Glossário
blip: cada entrada numa wave
gadget: aplicação para integrar na wave
gwave: designação abreviada de Google Wave
gwaver: utilizador GWave
IRC: Internet Relay Chat
new wave: nova onda
newsgroups: grupos de discussão online
wiki: criação, edição e alteração de conteúdos pelos utilizadores

De entre a já muito extensa documentação sobre o assunto, convirá talvez consultar um texto em forma de introdução publicado no blog 100nada.

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Conteúdos à prova de parasitas

Alguns dos nossos visitantes e amigos mais antigos instalaram uma pequena aplicação que permite a tradução automática dos seus blogs, em 29 Línguas (de momento). Essa aplicação funciona também, como é evidente, aqui no Apdeites: é a caixa com bandeirinhas minúsculas que está na barra da direita, em cima.

Nada de especial, já que se trata de código com endereços directos para o serviço Google Translate. No entanto, a execução desta rotina e a sua disponibilização a apenas alguns blogs tem por objectivo demonstrar que se pode produzir qualquer conteúdo, código de programação, simples texto ou seja o que for, sem correr o risco de que o nosso trabalho seja copiado ou utilizado abusivamente.

Também isto é extremamente simples, enquanto inovação e enquanto técnica de protecção de conteúdos, mas não deixa de ser também – se calhar por causa dessa mesma simplicidade – algo inédito: até mais ver, é praticamente impossível seja quem for utilizar a rotina sem autorização.

Assim, depois de um longo período de teste e antes de que o método se torne rotineiro por mero palpite de algum “geek” mais afoito, será talvez esta a oportunidade ideal para divulgar (partilhar, é o termo, isto é que é “partilhar”), passo a passo, como se consegue proteger qualquer conteúdo do mais espertinho dos abusadores.

Em suma, é o seguinte.

1. Guardar o conteúdo a proteger num ficheiro com (por exemplo) extensão “php3” (ou outra que não esteja em uso).
2. Criar um ficheiro javascript, para distribuir pelos endereços autorizados, que executará remotamente os ficheiros “php3”.
3. No painel de controlo do nosso domínio (em “Apache Handlers”, ou equivalente), indicar que os ficheiros “php3” devem ser interpretados como PHP.
4. No painel de controlo do nosso domínio (em “Hotlink Protection”, ou equivalente), inscrever os endereços autorizados (“URLs to allow access”) e acrescentar (em “Block direct access for these extensions”) as extensões “js” e “php3”.

E pronto. Qualquer pessoa pode editar, copiar e colar o código javascript no seu blog ou site, mas isso não adiantará nada, porque…

a) O endereço não está autorizado a executar remotamente rotinas javascript instaladas no nosso domínio; mas, se tiver sido copiado e colado localmente também não porque…
b) O ficheiro php3 respectivo não abre directamente no “browser” (dá erro “403 (Not Authorized)”), não podendo por isso ser copiado.

Uma vantagem acessória desta técnica é a actualização automática; por exemplo, neste caso, se acrescentarmos um novo par Língua/bandeira, tanto a imagem como a rotina de tradução vão “correr” automaticamente, sem necessidade de qualquer modificação no ficheiro javascript, nos endereços autorizados; estes, por sua vez, podem ser acrescentados um a um ou… removidos selectivamente, se quisermos.

É fácil, é barato (aliás, é totalmente grátis) e pode não dar milhões a ganhar aos parasitas do costume.

Divirtam-se.

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Facebook em Portugal: alguns dados

Utilizadores (total): 193.800

Homens: 89.940
Mulheres: 95.520

>13 anos: 180.760
13 a 18 anos: 14.360
>18 anos: 173.360
18 a 25 anos: 62.020
25 a 35 anos: 81.600
35 a 45 anos: 31.340
45 a 55 anos: 11.120
>55 anos: 4.920

Formação universitária: 1.100
Frequência universitária: 2.140
Ensino Secundário: 1.480

Casados: 19.760
Não casados: 23.220

Estes dados apenas transmitem uma pálida ideia daquilo que é a penetração do Facebook no nosso país; foram obtidos por estimativa automática, a partir da aplicação de criação de anúncios para páginas FB.

Qualquer dos números foi obtido com base nos perfis dos utilizadores, logo, nos dados que esses mesmos utilizadores introduziram; ora, como sabemos, muita gente tem “ficha aberta” no Facebook mas raramente (ou nunca) ali vai; além disso, por exemplo no que diz respeito à idade, é claro que uma boa parte a omite ou indica uma data de nascimento aleatória, inventada; outro tanto vale para as habilitações literárias e mesmo, como no caso dos que pretendem manter alguma espécie de heteronimia, até quanto ao seu género.

Como se pode verificar através de simples adição, os totais por sexo não conferem com o total geral, porque existe também quem não se dê ao trabalho de indicar quaisquer dados, reais ou fictícios. Por exemplo, a rede “Portugal”, à qual teoricamente todos os portugueses deveriam pertencer (se nela se inscrevessem), tem pouco mais de metade do total presumível. E não esqueçamos também que é possível uma organização inscrever-se no Facebook enquanto indivíduo (Partido político, clube desportivo, etc.), contando como mais um membro de determinada nacionalidade, mas não tendo – como não tem de ter – quaisquer dados pessoais.

Em suma, talvez possamos reformular a frase inicial deste texto: os dados “estatísticos” apresentados são de tal forma pálidos que mais vale não lhes dar importância alguma.

Talvez um dia, num futuro não muito remoto, seja possível ter uma vaga ideia deste tipo de coisas. Até esse dia, as “estatísticas” que por aí se vêem valem o que valem: nada.

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Em defesa do Twitter, contra o autismo

Twitter tirou autismo da AR
Ontem

A decisão dos deputados à Assembleia da República de deixarem de chamar autistas aos seus pares foi a primeira decisão tomada no Parlamento português suscitada pelo Twitter, uma espécie de mini-blogue cuja utilização tem crescido avassaladoramente no mundo nos últimos meses.

A questão foi colocada pela mãe de um autista numa conversa através daquela chamada “ferramenta” social com o deputado Jorge Seguro a 25 de Março. Ana Martins, 45 anos, autora de livros e textos vários sobre autismo, pediu ao parlamentar socialista se “os senhores deputados quando se estão a mimosear entre pares seria possível não se denominarem AUTISTAS”.
(…)

Jornal de Notícias

O título desta notícia está errado; evidentemente, não foi o Twitter que “tirou autismo da AR”. Foi, quando muito, uma qualquer senhora que usou o Twitter para enviar uma mensagem a um deputado qualquer. Portanto, o Twitter, pobre Twitter, não é culpado de coisa nenhuma – quanto a isso podemos ficar descansados.

Outro tanto já não se poderá dizer quanto à tal “autora de livros” e quanto ao tal “parlamentar socialista”. São ambos irmãmente culpados – quanto mais não seja – pela calúnia que irresponsavelmente lançaram sobre aquela tão modesta quanto inocente ferramenta de comunicação.

Não cabe aqui sugerir que poderá ter havido qualquer espécie de combinação prévia entre os caluniadores, ou mesmo que foi a pretexto e a coberto daquela ferramenta que ambos “resolveram” (mais) um problema que nunca existiu. Ficaremos por conseguinte na dúvida, de certa forma inquietante, é certo, mas ainda assim um bocadinho estúpida: para que diabo (ou porque raio) fizeram eles questão de enxovalhar o Twitter?

Bem, as teorias não são como as palavras, ou seja, é bem melhor cada qual com a sua. E eu, cá na minha, parece-me ter havido nisto uma conjugação de esforços, por assim dizer: a autora-de-livros e o parlamentar-socialista acharam que a “mensagem” teria maior projecção e que o impacto da “ideia” seria exponencialmente aumentado se cavalgassem uma onda tecnologicamente avançada. Por isso, e assim, pegaram numa perfeita idiotice e transformaram-na em algo de tecnicamente aceitável (ou exequível).

E fica por conseguinte explicada a bovina passividade com que a Assembleia da República portuguesa votou favoravelmente a abolição administrativa de um étimo e suas formas decorrentes. Funcionaram aqui, de forma extremamente oleada, o deslumbramento pacóvio dos deputados e, depois desse, o terror que inspiram na população em geral as chamadas “novas tecnologias de informação e comunicação”.

A “abolição” (ou chame-se-lhe proibição, o que é ainda pior) dos termos “autismo” e “autista” na Assembleia nacional constitui a mais espectacular demonstração de cabotinismo da nossa História parlamentar – e a aprovação maciça dos deputados ilustra bem a forma como a imbecilidade se tornou algo elegível no nosso país.

Redundante será, presumo, ou quiçá inútil, explicar as inúmeras diferenças que existem e as diferentes formas que tomam as palavras em função do contexto em que são proferidas. Não valerá portanto sequer a pena enumerar todos os casos paradigmáticos de como a linguagem politicamente correcta já tomou inexoravelmente conta do nosso quotidiano; bastam alguns.

Todos conhecemos esse tipo de léxico “expurgado” e penitente, desde o “deficiente” que se transformou por força em “cidadão portador de deficiência” ao “ladrão” que passou a categorizadamente designar-se por “alegado autor de furto ou roubo”, passando por “deficiente visual” para “cego”, “subtracção não autorizada de valores” por “desfalque”, “itens contrafeitos” por “material marado”, e assim por diante. Aguarda-se a oportunidade (e a disponibilidade) para o lançamento de um novíssimo Dicionário do Politicamente Correcto, utilíssimo manual para todos aqueles que pretenderem singrar na carreira política em geral e na modorra dos Passos Perdidos em particular. Já existe, aliás, semelhante calhamaço, mas em Castelhano. Por exemplo, e esta ainda não atravessou felizmente a fronteira, em Espanha é proibido dizer “anão” (enano); a designação correctíssima é “pessoa com altura inferior à média”.

Quando se chama “palhaço” ou “saloio” a alguém, por exemplo, e isto para nos ficarmos apenas pelos insultos correntes mais neutros e educados, por assim dizer, isso não significa, absolutamente, que aquela profissão circense ou que a região a Noroeste de Lisboa sejam algo de negativo ou ofensivo. E não será, isso de certeza, através de iniciativa política ou por decreto que as palavras deixarão de ser usadas para aquilo que servem, a eficácia da comunicação. Igualmente, não será por deixar de se dizer ou escrever as palavras “autista” e “autismo” que desaparecerá da face da Terra a tragédia que elas representam, na sua acepção básica de terminologia médica. É absurdo arguir que esses termos, quando utilizados em contexto de polémica partidária, são depreciativos ou humilhantes (ou que fazem uma qualquer espécie de propaganda negativa) para os seres-humanos que sofrem directamente as consequências de determinada patologia ou condição. Toda esta argumentação, além de descabida, não resolve ou sequer melhora absolutamente nada, a não ser talvez que se considere o ego como uma entidade concreta e passível de melhoria pelo inchaço.

Ou seja. Assim como, não por mera coincidência, muitas das referências deste “post” provieram de diálogos via Twitter e como alguns adjectivos e substantivos nele utilizados se enraízam em patologias (imbecilidade, idiotia, cretinismo, etc.), também a curiosa invenção da autora-de-livros e do parlamentar-socialista se serviu da evolução tecnológica para medrar e, por fim, vingar: já que é um bocadinho difícil eliminar a patologia, o autismo em si, remove-se este cirurgicamente da linguagem – e pronto, assunto resolvido.

Paranóico, não é? Como pode semelhante coisa ter pernas para andar se resulta de um raciocínio absolutamente coxo? O que irão ainda inventar, de mais vesgo e pitosga, estes especímenes retorcidos? Mas será que não se enxergam? Não vêem que a Língua é um organismo vivo e que a vida não se regula por decreto? Serão mesmo ceguinhos de todo? Ou só autistas mesmo?

Autismo s.m. polarização privilegiada do mundo dos pensamentos, das representações e sentimentos pessoais, com perda, em maior ou menor grau, da relação com os dados e exigências do mundo circundante.

Dic. Houaïss, ed. Temas&Debates, Lisboa, 2005 (pg. 999).

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Wikileaks: fonte segura

O serviço WikiLeaks aloja todo o tipo de documentos que possam, de alguma forma, “revelar comportamento anti-ético nos (…) governos e companhias“.

Estes documentos, censurados, apagados, alterados, sonegados ou simplesmente ocultados da opinião pública – principalmente em regimes ditatoriais, mas também em algumas democracias ocidentais – gozam assim de uma espécie de imunidade virtual que os torna acessíveis a qualquer um, na imensa torre de Babel que é a comunidade cibernética.

No que diz respeito a Portugal, podemos neste momento ali encontrar, entre outros, documentos “classificados” (e alguns secretos) sobre a missão militar portuguesa no Iraque, o traçado previsto para o TGV (publicado e disponível no DR) ou o relatório final da PJ sobre o caso “Maddie” McCann.

(…)
Abordando agora, e especificamente, a questão relativa à diligência processualmente denominada por “reconstituição do facto” (Artigo 150.° do Código de Processo Penal), a qual não foi realizada por recusa de alguns dos elementos integrantes do grupo de férias em se deslocarem ao nosso país (conforme documentado no inquérito), a mesma visava esclarecer, devidamente e no próprio local dos factos, os seguintes importantíssimos detalhes, entre outros:

  • A proximidade física, real e efectiva entre JANE TANNER, GERALD McCANN e JEREMY WILKINS, no momento em que a primeira passou por eles, e que coincidiu com o avistamento do suposto suspeito, transportando uma criança. Resulta, a nosso ver, inusitado que tanto GERALD McCANN como, JEREMY WILKINS, não a terem visto, nem ao alegado raptor, apesar da exiguidade do espaço;
  • A situação relativa à janela do quarto onde MADELEINE dormia, juntamente com os gémeos, a qual estava aberta, segundo KATE. Afigurava-se então necessário esclarecer se existia alguma corrente de ar, já que se menciona movimento das cortinas e pressão sob a porta de entrada do quarto, o que seria, eventualmente, descortinável através da reconstituição;
  • O estabelecimento de uma linha de tempo e de controlo efectivo dos menores deixados sozinhos nos apartamentos, uma vez que, a crer-se que tal controlo seria tão apertado como as testemunhas e os arguidos o descrevem, seria, pelo menos, muito difícil que se encontrassem reunidas condições para a introdução de um raptor na residência e posterior saída do mesmo, com a criança, mormente por uma janela com escasso espaço. Acresce que o suposto raptor só poderia passar, nessa janela, com a menor numa posição diferente (na vertical) à que a testemunha JANE TANNER o visualizou (na horizontal);
  • O que aconteceu no hiato temporal que mediou entre as 17h30 (hora a que a MADELEINE foi vista pela última vez por pessoa diferente dos seus pais ou irmãos) e a hora a que é reportado o desaparecimento por KATE HEALY (cerca das 22h00).

(…)

[Extraído de Relatório Final da Polícia Judiciária sobre o caso Madeleine McCan
Referência: NUIPC – 201/07.0 GALG
Relator: João Carlos, Inspector
Local e Data: Portimão, 20 de Junho de 2008
Cópia do original arquivada em WikiLeaks: http://wikileaks.org/leak/maddie-mccain-pj-report-2008.pdf]

Sobre este documento, alojado na íntegra pela WikiLeaks, podemos ler a seguinte

«Nota
De acordo com o jornal The Sun (Reino Unido), [o documento] surgiu primeiramente no site do jornal português Expresso, mas parece ter sido posteriormente removido.»

«Note
According to The Sun (UK) first appeared on the Portuguese newspaper website Expresso, but then apparently subsequently removed.
»

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