Carta de D. Renato I

Principado da Pontinha

Exmo. Senhor

Presidente da República Portuguesa

Assunto: Pedido de reunião e fecho de fronteiras do Principado do Ilhéu da Pontinha

Comunicado 124/2007

Excelência,

Na qualidade de representante do Principado do Ilhéu da Pontinha, que me foi transmitido por El Rei D. Carlos I na qualidade de Chefe Supremo do Reino de Portugal conforme documento que o desanexou definitivamente do território português no ano de 1903, venho informar Vossa Excelência que no dia 31 de Dezembro do corrente ano, a partir da 24 horas, as fronteiras terrestres, marítimas e aéreas serão fechadas ao trânsito de pessoas e mercadorias.

Desta forma, esperamos que o Estado Português cumpra as regras de boa vizinhança entre nações, não caíndo na agressão ou invasão territorial de outro Estado. Esta carta, será dirigida ao Exmo. Sr. Secretário Geral das Nações Unidas, Sr. Presidente da União Europeia, Sr. Presidente do Parlamento Europeu, assim como a todos os países e organismos internacionais que apoiam esta nova Nação que tem por base a vivência em plena democracia e fraternidade entre os seus cidadãos, com igualdade de oportunidades para todos.

Para o caso de haver resistência por parte do governo português, será solicitado apoio a todos os países e organismos políticos que receberam este carta que será traduzida em três idiomas, apoiando-nos no Direito Internacional Público.

De igual modo, será informada a comunicação social internacional, do processo pacífico da génese deste país, Principado do Ilhéu da Pontinha, – nome que os detentores deste território alienado por Portugal decidiram por bem baptizar, – legitimado por Carta Régia reconhecida por Portugal no ano de 2006.

Para precisarmos com exactidão a linha que divide os nossos territórios, informamos que o nosso Governo está disponível 24 horas por dia, bastando para o efeito, contactar o departamento de relações públicas do Principado do Ilhéu da Pontinha. Reiteramos o nosso desejo de evitarmos qualquer conflito diplomático que disturbe o normal funcionamento dos nossos países e que o diálogo seja fraterno entre povos vizinhos.

Terminamos com uma frase do então Primeiro Ministro Português, Exmo. Sr. Dr. Durão Barroso, proferida na Torre do Tombo em Novembro de 1994, “ uma decisão política que não respeite o passado, não terá visão de futuro”.

São José, 30 de Novembro de 2007

Atenciosamente,

Que Deus vos guarde.

Renato Barros

Recebido por e-mail
Heráldica da coisa: Wikinfo

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O cacifo das saídas

Atrasos na marcação de julgamentos e nas sentenças são as queixas mais recorrentes entre as que dão entrada no gabinete da Provedoria de Justiça. Das quase 300 queixas recebidas este ano por Nascimento Rodrigues relativas à actuação dos tribunais, 70% – ou seja, 181 – são relativas à morosidade do sistema.

Diário de Notícias de hoje

E então, porque sucederá semelhante coisa? Hum? Algum palpite? Olha que realmente! Mas porque será? O que fazer, hem?

Bom, encurtemos as perplexidades e boicotemos as exclamações de incredulidade. Não existe nisto, como na maior parte dos fenómenos relacionados com o reumático nacional, absolutamente mistério algum. Aliás, isto é daquelas coisas que não têm nada que saber: o problema é o funcionário. Sim, aqueles aos quais dantes – quando ainda não era arriscado abrir a boca para dizer alguma coisa – se chamavam coisas hoje em dia tão estranhas como “escriturário”, ou “arquivista”, ou “dactilógrafa”, ou “contínuo”. É isso aí. Os processos não andam na Justiça, como nada anda na administração pública em geral, porque todos esses funcionários ditos “menores” carregam consigo uma longa e sobrepujante tradição de não fazer nenhum, se quisermos utilizar uma expressão perceptível. Ora, há que ser compreensivo (e compassivo), se é certo que ninguém pode fazer seja o que for depressa e bem, também devemos compreender que as coisas se tornam ainda mais difíceis quando as pessoas carregam aos ombros o peso enorme da tradição. Assim não dá.

Se alguém se atrevesse a espiolhar aquilo que se passa nas repartições públicas do Portugal profundo (e do sem ser profundo também, é claro), facilmente compreenderia a mecânica obsoleta e a lógica maquiavélica do verdadeiro funcionalismo – e não apenas daquele que vulgarmente se designa como “público”. O “português no escritório”, essa variante maioritária do nosso povo, mereceria por certo algum estudo e acompanhamento, mas isso ultrapassa largamente as capacidades e disponibilidades actuais do autor destas linhas; autor esse que teve, aliás, durante quase duas décadas, de gramar com toda a sorte de truques e tropelias da dita variante, e que teve, por conseguinte, muito tempo, demasiado tempo, para aprender como é e como (não) funciona qualquer tipo de actividade burocrática em Portugal.

Os processos na Justiça não avançam – como praticamente nada avança neste país, pelo menos desde que Miguel de Vasconcelos avançou pela janela fora, excelente progresso que faz 367 anos no próximo dia 1 – porque nenhum funcionário pode substituir outro, dê lá por onde der. E muito menos pode um serviço providenciar o expediente de outro que esteja temporariamente impedido. Ou seja, por exemplo, se alguém estiver de baixa, em qualquer dos pontos de tramitação de um processo (serviço, departamento, secção, repartição), a papelada fica ali mesmo, sem ninguém poder sequer tocar-lhe ou mudá-la de lugar, enquanto o “baixista” não regressar. Nenhum processo pode sequer ser transportado por outrem que não a ou as pessoas a quem essa tarefa é atribuída em exclusivo, geralmente aqueles que dantes se chamavam “contínuos” e agora se devem chamar “técnicos auxiliares de mobilidade administrativa”, ou patacoada que o valha; se, por qualquer razão, o “titular” dessa tarefa não estiver presente, a papelada fica onde está até que ele regresse ao “seu” posto. Se for necessário um simples carimbo, ainda por exemplo, e se isso for atribuição de alguém que não se encontra, ou porque está de férias ou porque lhe deu uma qualquer travadinha, a coisa pára ali sem apelo nem agravo; e quem diz um carimbo diz uma capa, um impresso, um formulário específico; se for necessário registar um processo (e é sempre necessário registar os processos, folha a folha, calhamaço a calhamaço, montes de vezes) e se ao “fulano dos registos” tiver morrido a avó, ou se lhe tiver nascido um filho, ou se mais prosaicamente lhe tiver dado de repente um qualquer desarranjo intestinal, há que esperar, até que a vaca tussa se preciso for, ou que se extinga o justíssimo período de nojo, ou que rebentem os dentinhos a seu rebento, ou que a coisa se componha por fim com umas doses de laxante, ou assim.

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0,45% de traição à Pátria

Não chóro por nada que a vida traga ou leve. Há porém paginas de prosa me teem feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noute em que, ainda creança, li pela primeira vez numa selecta, o passo celebre de Vieira sobre o Rei Salomão, “Fabricou Salomão um palacio…” E fui lendo, até ao fim, tremulo, confuso; depois rompi em lagrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquelle movimento hieratico da nossa clara lingua majestosa, aquelle exprimir das idéas nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons são cores ideaes – tudo isso me toldou de instincto como uma grande emoção politica. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda chóro. Não é – não – a saudade da infancia, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção d’aquelle momento, a magua de não poder já ler pela primeira vez aquella grande certeza symphonica.

Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente, Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m’a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

«Texto publicado originariamente em “Descobrimento”, revista de Cultura n.º 3, 1931, pp. 409-410, transcrito do “Livro do Desassossego”, por Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa), numa recolha de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha; ed. de Jacinto do Prado Coelho, Lisboa, Ática, 1982 vol. I, p. 16-17. Respeitou-se a ortografia da época de Fernando Pessoa.»

Conteúdo integralmente transcrito de Wikipedia

Conservador? Sim. Reaccionário? Sim, com certeza. Purista? Pois sim, obrigado. A minha pátria não é a língua brasileira, não será nunca. Aquilo de que se trata e aquilo que se pretende, com mais este acordo ortográfico, dito de uma forma clara e transparente, é promover o Brasil como potência global e liquidar do mesmo passo a matriz portuguesa da lusofonia. O resto é pura treta (ou “trote”, como se diz no Brasil).

A conversa fiada sobre os 0,45% de palavras não passa disso mesmo, converseta, blá-blá-blá, paleio de chacha, tergiversação de desistentes, desertores, cobardes, vendidos, renegados, traidores.

Português? Sim, 100%. Nunca à percentagem ou à comissão.

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Declaração Universal dos Direitos Linguísticos dos Brasileiros

ARTIGO 1:
Todos os brasileiros nascem iguais perante a Língua, e têm todo o direito a dar cabo dela, desde que seja na sua terra, com as suas próprias literatura e Cultura em geral.
ARTIGO 2:
a) Cada brasileiro tem direito ao respeito pela sua própria Língua, por mais esquisita que ela possa parecer aos outros falantes da lusofonia.
b) O brasileiro, enquanto espécie falante, não pode atribuir a si próprio o direito de exterminar os outros falares lusófonos, ou explorá-los, violando esse direito. Ele tem o dever de colocar a sua consciência ao serviço daquilo que lhe der na real gana, mas sem chatear os portugueses e os outros povos lusófonos.
c) Cada brasileiro tem direito à consideração, ao cuidado e à protecção das suas próprias instituições culturais nacionais.
ARTIGO 3:
a) Nenhum brasileiro será submetido a maus tratos e a actos cruéis, desde que não se atreva a mexer no léxico e na ortografia do Português europeu.
b) Se a reforma de um brasileiro linguista é necessária, ela deve ser instantânea, sem dor ou angústia.
ARTIGO 4:
a) Cada brasileiro que pertence a uma espécie diferente da norma tem o direito de viver livre no seu ambiente natural terrestre, aéreo ou aquático, e tem o direito de reproduzir-se, falando e escrevendo rigorosamente como lhe der na bolha.
b) A privação da liberdade, ainda que para fins educativos, é contrária a este direito.
ARTIGO 5:
a) Cada brasileiro pertencente a uma espécie que vive habitualmente no ambiente lusófono mas que se encontra fora do Brasil, tem o direito de viver e crescer segundo o ritmo e as condições de vida e de liberdade que são próprias da sua espécie, na condição de não interferir com a Cultura do país que o acolhe.
b) Qualquer modificação que o brasileiro tente impor, na Língua ou na Cultura do país de acolhimento, para fins mercantis ou quaisquer outros, é contrária a esse direito.
ARTIGO 6:
a) Cada brasileiro que os cidadãos de outros países aceitarem como imigrante tem o direito a uma duração de vida conforme a sua longevidade natural.
b) O abandono de um brasileiro, por simples embirração com o seu modo de falar, é um acto cruel e degradante.
ARTIGO 7:
Cada brasileiro que trabalha tem o direito a uma razoável limitação de tempo e intensidade de trabalho, e a uma alimentação adequada e ao repouso.
ARTIGO 8:
a) A experimentação linguística, que implica sofrimento físico e intelectual, é incompatível com os direitos de todos os povos lusófonos, à excepção do povo brasileiro, quer aquela seja uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer outra.
b) Técnicas substitutivas ou reformadoras da Língua portuguesa devem ser utilizadas e desenvolvidas, mas apenas dentro das fronteiras brasileiras.
ARTIGO 9:
Nenhum brasileiro deve ser criado para servir de cobaia linguística, porque não é preciso chegar a tanto, e deve ser nutrido, alojado, transportado e se calhar despedido, sem que para ele exista ansiedade ou dor.
ARTIGO 10:
Nenhum brasileiro deve ser usado para divertimento, lá por falar aquela coisa que fala. A exibição do linguajar brasileiro e os espectáculos cómicos que utilizem brasileiros são incompatíveis com a dignidade do referido falar brasileiro.
ARTIGO 11:
O acto que leva à conversão linguística de um brasileiro sem necessidade é um lexicocídio, ou seja, um crime contra a Gramática.
ARTIGO 12:
a) Cada acto que force ao cânone linguístico um grande número de brasileiros é um genocídio, ou seja, um delito contra a espécie.
b) O aniquilamento e a destruição do meio linguístico natural levam ao genocídio.
ARTIGO 13:
a) O brasileiro em geral deve ser tratado com respeito.
b) As cenas de violência de que os brasileiros são vítimas devem ser proibidas no cinema e na televisão, a menos que tenham como fim mostrar um atentado aos direitos dos linguistas e dos falantes do Português padrão.
ARTIGO 14:
a) As associações de protecção e de salvaguarda dos brasileiros devem ser representadas a nível de governo (brasileiro).
b) Os direitos dos brasileiros devem ser defendidos por leis, como os direitos dos outros povos lusófonos. Cada qual com as suas, portanto.

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Direito de petição

estabelecimento de medidas sociais, administrativas, legais e judiciais, que realizem o dever de protecção do Estado em relação às crianças confiadas à guarda de instituições, assim como as que assegurem o respeito pelas necessidades especiais da criança vítima de crimes sexuais, testemunha em processo penal.

(…)
a) Proibição de repetição dos exames, dos interrogatórios e das perícias psicológicas;
b) O direito da criança à audição por videoconferência, sem «cara a cara» com o arguido;
c) O direito da criança se fazer acompanhar por pessoa da sua confiança sempre que tiver que prestar declarações;
(…)

Petição (link)

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Os dias da raça


arroz de cabidela
Tabaco
galheteiros
paliteiros
pauliteiros
jaquinzinhos
Bolos na praia
brinquedos com arestas

brinquedos sem arestas fabricados na China
restaurantes chineses
chinesas
chapeuzinhos chineses para bebidas
chapeuzinhos de Taiwan para bebidas
bebidas para pôr debaixo dos chapeuzinhos
colher-de-pau (os talheres de plástico, pode)
assadores em barro
bolas de Berlim
pão caseiro
queijo caseiro
comida caseira
seja o que for caseiro
caseiros
sem-abrigo não licenciados
sem-abrigo licenciados
Ginjinha do Rossio
ginjinha sem ser do Rossio
aguardente de medronho
vinho “americano”
jeropiga
zurrapas em geral
etecetera

Companheiros, amigos e camaradas.

Se ansiamos por uma raça pura e saudável. Se queremos uma sociedade higiénica e bem cuidada, para sempre livre de mistelas e de misturas. Se desejamos o apuro e o aprumo do português verdadeiro, antiquíssimo, vetusto, porém moderno e avançado, superior mesmo. Se é isto que pretendemos, acima de tudo, então estamos no bom caminho. (aplausos)

Não se trata exactamente de seleccionar os elementos mais preparados e geneticamente mais aptos. O que se pretende é apenas e tão só normalizar características para uniformizar carácteres e para formar, num futuro não muito distante, o novo homem lusitano: já não atarracado, analfabeto e de bigode, mas alto, de porte atlético, entre um metro e setenta e cinco e dois metros e dez, cento e vinte quilos no máximo, oitenta no mínimo, desportista militante, praticante de “jogging” e adepto de comida vegetariana, evidentemente não fumador, alérgico a tudo quanto cheire a álcool e a “junk-food”. Eis pois o novo Português, esse que hoje é muitos e que amanhã será milhões, transpirando confiança, o capacete e as botas rebrilhando, sempre impecável no seu uniforme, orgulhoso e de porte militar, mai-la sua inconfundível conduta marcial. (aplausos)

O futuro apresenta-se radioso. Livres por fim e para todo o sempre do fumo, da comida de plástico, da ginja com elas e sem elas, dos automóveis sem dois catalizadores, dos enchidos não embalados a vácuo e de porcarias que tais, seremos os mais venturosos habitantes cá do torrão pátrio. (aplausos; gritos de “viva Portugal”)

Liquidemos sem piedade essas outras ignomínias que ainda por aí empestam os ares, os vendedores de castanhas com os seus nojentos triciclos, aquelas mulherzinhas gordurosas, obesas, horrorosas, aquelas que vendem gelados e pacotes de batata frita nas praias. Trucidemos, por nossa fé e eivados da mais elevada crença, todos esses malvados alfarrabistas e antiquários, essa gentalha das coisas antigas, e velhas, e em segunda mão, queimemos-lhes a livralhada cheia de bicho e os tarecos infestados de caruncho. Encerremos sem dó nem piedade esses antros de micróbios e de salmonelas sortidas, as petisqueiras, com as suas moelinhas e as pratadas viscosas de caracóis e caracoletas, as casas-de-pasto e as tascas onde o pessoal se emborracha com tintol de péssima qualidade, e com imperiais servidas em copos nojentos, (aplausos) e com bagaços feitos sabe-se lá de quê, e tudo aquilo cheio de baratas e de cascas de pevides, o chão todo escarrado, uma estrumeira, que aquelas coisas só à base de lança-chamas, ou à bomba. Também disso havemos de dar conta, nós outros, não tarda nada. (aplausos; palavra de ordem: “somos o futuro”)

Vale a pena a luta, camaradas. O futuro é já ali ao virar da esquina. Os sub-humanos já nem sabem onde se hão-de enfiar, agora que os fizemos saltar das suas tocas imundas. Havemos de encerrá-los a todos em guetos, onde poderão ainda – enquanto os deixarmos – fumar os seus malditos cigarros e assar as suas chouriças. (aplausos) E depois, camaradas, o próprio tempo se encarregará de os exterminar. Quanto àqueles que restarem, digamos, num prazo razoável, uns anos, poucos, teremos então a oportunidade histórica de os varrer para sempre da face da Terra. Não tenhamos medo das palavras, camaradas: há que levar a cabo a solução final, a verdadeira, a única, e com urgência. (aplausos)

Não toleraremos mais nem por mais tempo os velhadas inúteis, os aleijados, os estropiados, os inválidos em geral, toda essa escumalha que nada faz e tudo quer, esses malditos judeus dos tempos modernos, essa cambada de parasitas e agiotas, esses cabeludos malcheirosos que nunca vestiram um só fato-de-treino em toda a sua vil e desprezível existência. Aquilo é como as ratazanas, camaradas, não merecem mais do que o destino que lhes está traçado nos genes, a fogueira, o forno; pó e nada, eis o seu destino e a sua razão de ser. (aplausos)

Para que a nossa gloriosa raça sobreviva, é absolutamente necessário que desapareça a corja de inúteis e parasitas que vegetam à nossa sombra e que devoram as nossas sobras. Se eles não sabem a desgraça que são, se desconhecem a sua inutilidade e se recusam a sua evidente inviabilidade, se necessitam de quem lhes diga as coisas, se é preciso que alguém lhes explique, se precisam de quem lhes mostre uma solução, então nós dizemos-lhes, nós explicamos-lhes, nós mostramos-lhes: o vosso futuro está todo ali, naquela chaminé!

Até à vitória!

(ovação; palavra-de-ordem: “chaminé, chaminé”)

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