Em directo de Torres Vedras

Um jornalista da TVI diz (e repete, e repete, e repete) que “a revolta é o adjectivo que melhor qualifica o sentimento generalizado entre os professores”. Os professores, coitados, confirmam, dizem que sim, senhor, a revolta é o melhor adjectivo para qualificar o seu sentimento (ou lá que é) em relação a algo assim esquisito, sinistro e com laca.

Chiça. Escapou-se-me o gatilho e não gravei o documento. Que adjectivo, digo, revolta!

A propósito: alguém perdeu um corta-unhas?

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Mapa do Dador de Sangue



Poderá talvez não ser muito útil mas, por estranho que pareça, este mapa ainda não tinha sido feito. Qualquer pessoa que pretendesse dar sangue teria de correr seca e meca à procura de um sítio para fazer coisa tão simples e em simultâneo tão altruísta. Aliás, as respostas, mesmo na Internet, para obter uma resposta igualmente simples (“onde posso dar sangue?“), são poucas (apenas 5!) e confusas.

Escapa-me, sinceramente, o motivo pelo qual não é possível dar sangue em qualquer hospital ou centro de saúde do país, a qualquer hora do dia ou da noite, desde que haja serviço de urgência. Não entendo, na minha esmagadora ignorância, porque existem apenas 36 locais de recolha, em todo o país, incluindo Açores e Madeira (sem contar com os postos móveis, que são escassíssimos e de escala complicada). É pouco, é ridiculamente pouco. As milhares de pessoas que todos os dias visitam doentes internados nos hospitais e em outras unidades de saúde, por esse país fora, os próprios utentes dessas unidades, que ali perdem horas e horas a fio, em consultas externas, bem que poderiam aproveitar algum desse tempo fazendo algo de útil como, por exemplo, doando o seu sangue. Não seria possível destacar três pessoas em cada local, um médico e dois enfermeiros, para constituir uma equipa permanente, dedicada à recolha de sangue? Seria assim tão difícil, que diabo?! E, mesmo assim, caso não houvesse voluntários, isto é, doadores, circunstancialmente, os elementos dessa equipa não poderiam fazer outra coisa?

Enfim, seja como for, o mapa está aí. Ainda é necessário rever dados e acrescentar alguns pormenores mas, no essencial, mesmo modestamente, esperemos que possa ajudar nalguma coisa. Qualquer ajuda é bem vinda, em termos de rectificações ou acrescentos. Logo que possível, este mapa passará para a nossa página de… mapas, pois claro, e está em preparação uma versão para telemóvel.

Palavras e expressões-chave (keywords): sangue, doação, doar, dar, doadores, hospital, hospitais, Portugal, grupo sanguíneo, rh a b 0 o +-, positivo, negativo, imunohemoterapia.

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Bloganiversário: funciona!

aniversário de blogs

O Bloganiversário é um serviço eficaz, que resultou de uma ideia extreamente simples e, ao que sei, original. Ou seja, como todas as coisas simples, aquilo é bom.

Indica “apenas” a data em que este e aquele blog “fazem anos”. Por exemplo, o Apdeites completou ontem 4 anitos e, se não fosse a excelente rapaziada do Bloganiversário, aqui o pimpolho ficava a ver navios, muito entretido a escarafunchar o nariz e a estalar os suspensórios. Assim, não. Ai é, pensei eu, ai faço quatro aninhos? Então, vá lá, já tenho idade que chegue para uma boa charutada. Assim a modos que uma comemoraçãozinha privada.

Obrigadinho, ó rapaziada! Valeu.

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Portugal e o Futuro

Movimento dos Professores Revoltados
Movimento dos Professores Revoltados Arrependidos


https://www.youtube.com/watch?v=panGj5ABzOo


Viram o Prós & Contras de ontem? Viram? Então também viram lá um jovem a falar, ainda por cima sem ser aos gritos, de coisas hoje em dia tão estranhas como “mérito, trabalho, esforço, competência e valores”. Este professor de Matemática, efectivo e tudo, é dirigente de um obscuro, porém activo movimento de docentes que se dizem – e, se o dizem, devem ter razões de sobra para isso – revoltados com o triste estado a que chegou a sua profissão.

Haja esperança, por conseguinte. Se ainda existem jovens dirigentes assim, em Portugal, jovens sólidos com valores sólidos, se ainda há quem acredite em valores fundamentais, então podemos confiar num futuro menos mau para este pobre país, com a certeza de que afinal nem tudo está perdido.

Que nenhuma coisinha má aconteça ao jovem, isso é que se deseja e saúda. Longe vá o agoiro, lagarto, lagarto, lagarto, t’arrenego, satanás, etc.

Adenda, em 01.03.08, às 13:30 h
Acabo de ouvir, no Telejornal da RTP 1, que o dito dirigente do dito movimento de professores se retractou em comunicado público, pedindo desculpas pelas declarações por si proferidas no programa Prós & Contras e atribuindo a putativa violência das mesmas ao “calor momentâneo da discussão”, ou coisa que o valha. Pois bem, acabo de riscar em conformidade aquilo que me deu na bolha escrever a respeito, na altura, e que deixa agora, por conseguinte, de fazer qualquer sentido. Correriam até, aquelas agora tristes e desoladas palavras, se não fossem riscadas a tempo, o risco de se tornar ridículas, tétricas, patéticas. Exactamente aquilo que, de resto, assim sendo significam.

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Treta invertida

Circula por aí um e-mail bombástico sobre “técnicas” de defesa em caso de roubo:

«Se você for alguma vez, forçado por um ladrão a retirar dinheiro da caixa de Multibanco, você pode avisar a polícia imediatamente, digitando a senha ao contrário

Este e-mail, do qual existem algumas versões com os mesmos erros de Português, está (por exemplo) assinado por um tipo teoricamente identificadíssimo, funcionário do Gabinete de Política Legislativa e Planeamento do Ministério da Justiça, Divisão de Informática. Vem com nome, endereço, números de telefone, tudo.

Logo no parágrafo inicial da esplêndida mensagem, note-se o “você” repetido. Já daria para desconfiar, de mais a mais sendo o benemérito um informático e, por conseguinte, sofrendo de dislexia, uma característica do meio, mas vá lá, quem sabe, é melhor ler mais um pouco:

«Por exemplo, se a sua senha for 1234, então você digita 4321. A máquina reconhece que a sua senha está invertida, de acordo com o cartão que você acabou de inserir. A máquina, de qualquer maneira, dar-lhe-à o dinheiro mas, para desconhecimento do ladrão, a polícia será imediatamente accionada/enviada para lhe ajudar

Ó diabo. Outra vez “você”? Outra vez duas vezes “você”? E aquele acento ao contrário, o que faz ali? E o que significará a misteriosa expressão “a polícia será imediatamente accionada/enviada para lhe ajudar”? “Lhe” ajudar, santinho? Lhe? Cê é brasilêro mezmu, né, cara?

E tem mais, como se diz lá pelos brasis:

«Esta informação esteve recentemente no ar na TV, e declara que isso é raramente usado, porque as pessoas não sabem da existência desse mecanismo de defesa.
Por favor, passem isso a todos os vossos contactos.
É uma informação extremamente útil e necessária

Ah. Cá está. A informação que “esteve no ar” e que “declara”, e tal. A ver se a polícia é “accionada-barra-enviada”, seja lá isso o que for. Que giro.

O Portugal Diário (de 14 de Março do ano passado!) esclarece os mais ingénuos: a coisa é (obviamente), pura treta. Uma simples pesquisa na net daria para ver que o Gabinete onde o moço diz que trabalha já nem existe, por exemplo. E aquilo vem “assinado” apenas com dois nomes próprios, caramba!

Mas enfim, deixemos lá as interjeições e as perplexidades, por mais que nos espante a credulidade do nosso semelhante; fiquemo-nos pelo essencial.

Quando uma coisa (qualquer) nos é enviada, por mais espantosa, maravilhosa, caprichosa, facciosa ou mesmo cabeluda que seja, a primeira coisa a indagar – para com segurança aferir da sua credibilidade – é a seguinte: o camaradinha (ou a camaradinha) sabe escrever?

Não sabe? Então, pronto. É tanga. Arquive-se.

A lógica (inatacável, refira-se, sem falsas modéstias) inerente a esta técnica de despistagem é a seguinte: nenhum ignorante pode tomar conhecimento, apenas por obra e graça do Espírito Santo, de factos que não são do conhecimento das pessoas normais; se, porventura e por anomalia, tal suceder, ignorante algum será capaz de reconhecer o ineditismo, a novidade desses factos e, portanto, não irá deles dar conhecimento a ninguém, de mais a mais porque não dispõe dos requisitos mentais e das ferramentas linguísticas e comunicacionais indispensáveis para o efeito.

Isto sim, é dica válida, é palpite sério, axioma existencial quiçá cientificamente sustentável. E à borla e tudo, ainda por cima.

Pato Donald

Consta que, em Portugal, largos milhares de pessoas engoliram mais esta patranha. Há por aí quem ache, por exemplo, que um gatuno vai ficar pacientemente à espera da bófia, junto à ATM onde costuma assaltar pessoas. Eu cá não sei, de fonte segura, mas ouvi dizer que o Goofy se reformou.

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