Verde Eufémia, colheita 2007

O assunto, se bem que agora um pouco recesso e esquecido, foi por diversas vezes referido aqui, no Apdeites. Toda a gente deve lembrar-se ainda desta “acção de desobediência civil” e o curioso facto de um “alto quadro” do Bloco de Esquerda afirmar que sabe quem é, mas que não conhece o dirigente do Movimento Verde Eufémia; e também, não esqueçamos, há a célebre entrevista de Mário Crespo ao dito dirigente e activista.

Em suma, se a nível doméstico – e como de costume – acabou por ficar tudo em águas de bacalhau, já a União Europeia não parece ter achado lá muita piada à brincadeira e, por consequência, incluiu aquela “acção cívica” na lista dos actos terroristas.

Algo que, surpreendentemente, deverá fazer jurisprudência no nosso país, doravante.

O que não sei ao certo é se isto não será uma intolerável ingerência na nossa atávica, apagada e vil tristeza, digo, na nossa política interna. É que, ainda por cima, como a UE adivinha umas coisas mas não é propriamente bruxa, foram as próprias autoridades portuguesas (as mesmas que não fizeram nada, a respeito) que denunciaram a situação às instâncias europeias.

Tipo “somos a denunciar que, tal, tal e tal, terrorismo, e tal, de Vossas Senhorias veneradores, atentos e obrigados, às ordens, criados de Vossas Excelências”.

Panhonhas para consumo interno e bufos para a estranja, portanto.

Ökoterroristen” wollten Aufklärung
Erstmals stufte Europol eine “Feldbefreiung” von Gentechnikgegnern als “terroristische Tat” ein

[telepolis] Eine Aktion von Gentechnikgegnern in Portugal, die sich gegen die Pflanzung von Genmais richtete, wurde nun von der europäischen Sicherheitspolizei Europol als “terroristisch” eingestuft. Das ist zu lesen in dem aktuellen Report 2008 EU-Terrorism- Situation and Trend.

Bei der Aktion am 17. August 2007 wurden ein Hektar Maispflanzen umgeknickt und ausgerissen. An der Aktion unter dem Namen Movimento Verde Eufemia hatten rund 150 Personen teilgenommen, die öffentliches Bewusstsein für die Gefahren von Gensaaten schaffen wollten. Es war die erste Handlung zivilen Ungehorsams dieser Art in Portugal. Europaweit gab es die so genannten “Feldbefreiungen”, Zerstörungsaktionen von GMO (genetisch modifizierten Organismen), schon seit 2005. Seitdem führten die “Faucheurs Volontaires” in Frankreich die ersten Feldbefreiungen durch, und in Deutschland folgten zahlreiche solcher Aktionen von der Initiative Gendreck-weg.
Europol: Gentechnikgegner = Terroristen (06.05.08)

[tradução]
“Ecoterroristas” necessitam de “esclarecimento”
A Europol, pela primeira vez, refere-se ao activismo por um “campo livre” de engenharia genética como “acto terrorista”.

[Telepolis] Uma campanha de adversários da engenharia genética em Portugal, que se opõem ao plantio de milho GM, foi classificada como “terrorista” pela polícia europeia de segurança, a Europol. Isso mesmo pode ser lido no recente Relatório 2008 UE-Situação e Tendências do Terrorismo na Europa.

Quando a açcão teve lugar, em 17 Agosto de 2007, num hectare de milho todas as plantas foram destruídas. Nesta acção, designada como Movimento Verde Eufémia, estiveram cerca de 150 pessoas que assim pretendiam contribuir para a consciencialização do público sobre os perigos da manipulação genética. Foi o primeiro acto de desobediência civil deste tipo, em Portugal. Na Europa, têm ocorrido iniciativas nas chamadas “zonas livres”, acções de destruição de OMG (organismos geneticamente modificados), desde 2005. Desde então, surgiram as “Faucheur Volontaires” na França, a primeira organização de zonas livres, bem como na Alemanha, onde se sucederam numerosas acções desse tipo, por iniciativa da “Fora a OGMerda”.
[/tradução]

One single issue terrorist attack was reported for 2007. The attack took place in Portugal and was committed against a transgenic corn field. Over 100 people took part in the attack; more than one hectare of the field was destroyed.
TE-SAT 2008
EU TERRORISM SITUATION AND TREND REPORT
(pg. 40)

[tradução]
Foi reportada uma única situação de ataque terrorista em 2007. O ataque teve lugar em Portugal e teve por alvo um campo de milho transgénico. Mais de 100 pessoas tomaram parte no ataque; mais de um hectare do campo foi destruído.
SAT2008
RELATÓRIO SOBRE SITUAÇÃO E TENDÊNCIAS DO TERRORISMO NA EUROPA
[/tradução]

Nota sobre a tradução (livre) do Alemão: com os meus fraquíssimos conhecimentos da Língua Alemã, limitei-me a fazer o melhor que que soube e pude. Espero que faça sentido e que não se tenha perdido grande coisa na tradução. Se for o caso, qualquer reparo dos visitantes do Apdeites será bem vindo.

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95 petições

93 000 pessoas contra Acordo Ortográfico
00h30m

Até agora assinado por mais de 93 000 pessoas – números de meados deste mês -, o Manifesto em defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico “volta” esta quinta-feira à Assembleia da República.

É mais uma etapa do processo a cumprir-se: a petição, com o número 495, vai ser “apreciada e discutida” pela Comissão de Ética, Sociedadade e Cultura, participando na sessão, pelos signatários do documento, o eurodeputado Vasco Graça Moura, Maria Alzira Seixo, Jorge Morais Barbosa e António Emiliano.

João Silva, do secretariado da Comissão, lembrou, à Lusa, que petições com mais de 1000 assinaturas têm direito a apreciação e discussão na Comissão e as que ultrapassem as 4500 vão a plenário, a menos que haja “decisão em contrário”. O mesmo responsável referiu que o número de signatários de que a comissão dispõe é de 33 054.

O processo, finda a reunião de hoje, seguirá os seus trâmites e oportunamente será agendada a discussão da petição em plenário.

O mesmo poderá suceder com uma segunda petição, a número 511, também a discutir hoje pela Comissão. Tem 5344 assinaturas averbadas e o primeiro titular é Nuno Mendonça Raimundo.

O Acordo Ortográfico já foi promulgado pelo presidente da República.

JN de hoje

Notas

1. Neste momento, a última assinatura na petição EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA tem o número 95.551.
2. Se “petições com mais de 1000 assinaturas têm direito a apreciação e discussão na Comissão e as que ultrapassem as 4500 vão a plenário”, então o montante total de assinaturas deste manifesto seria suficiente para obrigar a tal Comissão a apreciar e discutir NOVENTA E CINCO VEZES o assunto em causa e que o mesmo fosse VINTE E UMA VEZES a plenário parlamentar.
3. Actualmente, segundo a legislação portuguesa, são necessárias 35.000 assinaturas para que simples cidadãos apresentem iniciativas legislativas. Ou seja, o Manifesto contra ESTE Acordo Ortográfico poderia fazer valer TRÊS INICIATIVAS LEGISLATIVAS. Ou 18, se estivesse em vigor a proposta recentemente apresentada por um Partido político.
4. “O Acordo Ortográfico já foi promulgado pelo presidente da República”, em 21 de Julho deste ano, mesmo tendo Sua Excelência, pelos vistos para uma simples e amena cavaqueira, onomasticamente a condizer, recebido no dia 2 de Junho uma delegação de signatários do Manifesto contra o dito Acordo.


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Falta de Class, mate

A trapalhada dos computadores para crianças:

1. Começaram hoje a ser distribuídos, nas escolas do 1.º Ciclo, os primeiros de um lote total de 500.000 computadores portáteis baptizados como “Magalhães”.
2. Estes aparelhos foram apresentados pelo Governo como “o primeiro computador português”, o que foi sistematicamente reproduzido e enaltecido em diversas publicações nacionais.
3. Segundo foi oficialmente divulgado, o “Magalhães” seria “baseado” no modelo Classmate do fabricante americano Intel, com o qual o Governo português assinou um acordo de parceria.
4. A produção integral do lote em Portugal foi concedida, em exclusivo, a duas empresas portuguesas, uma para o “hardware”, a outra para o “software”.
5. Existe já uma encomenda do Governo venezuelano para o fornecimento de 1.000.000 destes aparelhos, a curto prazo, sendo que o próprio Presidente Hugo Chávez elogiou publicamente o tal “computador português”.

Ora, acontece que:

a) O “Magalhães” é tão português como qualquer automóvel ou televisor montados em Portugal.
b) O “Magalhães” difere do Classmate pelo facto de ter um “A ao til” no nome, porque não contém a chapinha com o nome original e visto que a etiqueta do local de montagem varia consoante o país. Presume-se que a embalagem seja, isso muito provavelmente, concebida e fabricada em Portugal, bem como alguns dos componentes comuns a muitos outros computadores e aparelhos electrónicos.
c) O “Magalhães”, digo, o Classmate, é um golpe comercial do patrão da Intel, com a finalidade única de liquidar a iniciativa OLPC (One Laptop per Child), já que não correram bem as negociações para dominar a nível mundial aquele nicho de mercado.
d) Se bem que possam surgir algumas dúvidas, nos espíritos menos avisados, sobre a diferença entre um “acordo de parceria” e um simples fornecimento de bens ou serviços, o caso é que não existiu – como manda a lei portuguesa – qualquer espécie de concurso público***, nem para a adjudicação à Intel do fornecimento de projecto e tecnologia, nem para a adjudicação às duas empresas nacionais da montagem e das adaptações necessárias.
d) O Presidente da Venezuela não faz a mais pequena ideia da alhada em que se meteu, ainda que seja menino para não fazer outra coisa na vida senão asneiras.

*** Existe uma referência ao “acordo de parceria” entre o Estado e a Intel, publicada no Diário da República de 30.12.04.

Nota: já toda a gente está careca de saber tudo isto, mas eu cá gosto de sintetizar as coisas, quando não estou entretido a escrever lençóis gigantescos.

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Sem comentários

«De acordo com dados do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva, a esmagadora maioria das mulheres que fazem IVG no âmbito da nova lei escolhem unidades de saúde do sector público – 69,8 por cento, enquanto que a opção perlo sector privado fica-se pelos 30,2 por cento. No uiverso das 14219 mulheres que fizeram IVG entre 15 de Julho de 2007 e 10 de Julho deste ano, perto de 20 por cento já tinha feito um aborto anteriormente. Questionadas sobre se tinham feito uma IVG já em 2007, 412 mulheres (2,9 por cento do total) admitiram estar a repetir a IVG. Quase 70 por cento das mulheres que fizeram IVG reconheceram não ter ido a uma consulta para utilização ou controlo de contraceptivos no último ano.»
Causas.net

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Maiss indukaçaum?


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Muito se tem falado sobre “racismo” dos Portugueses em relação aos Brasileiros.

Este vídeo, de uma série (com a chancela de uma universidade brasileira) intitulada “+ Educação”, é uma pequena amostra de como realmente o Brasil contribui como pode e sabe para irritar o mais plácido “Manuel” lusitano.

Aprendamos alguma coisa sobre o nosso próprio país e sobre a nossa Língua, através destes esplêndidos “conhecimentos” académicos dos nossos irmãos brasileiros. Este episódio da série versa o tema “Português do Brasil, português de Portugal” e, em apenas um minuto, informa dezenas de milhões de brasileiros de coisas absolutamente fantásticas. Por exemplo, talvez não seja pretensioso suspeitar de que nem um só português sabe realmente como se diz a palavra “constipação” em Portugal; ou como se designa um “rapaz jovem” em ambos os lados do Atlântico. Ou ainda, aposto que em estreia mundial, ficamos todos por fim a saber qual é o termo em Português equivalente à palavra “frio” no Brasil.

Não é racismo, é espanto.

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CNO cego

Conheço alguém que conhece alguém que conhece alguém que viu o seu diploma CNO ser recusado por determinado departamento do Estado português, num simples concurso de candidatura para um emprego.

A ser verdade, e há que ter muitíssimo cuidado com o diz-que-disse, isto significa que já está a ser posto em prática o “grandioso” plano que teoricamente representariam os Centros Novas Oportunidades: quem sai daquelas verdadeiras fábricas de estatísticas de habilitações com um canudo nas mãos bem pode limpar as mãos à parede; os “diplomas” CNO não valem o papel em que estão impressos, como se vê e comprova pelo facto de o próprio Estado – a entidade emissora e o verdadeiro patrão da indústria “formativa” – não lhes conferir validade alguma, valor algum ou sequer a mais ínfima credibilidade.

Isto, a ser verdade o tal diz-que-disse.

Caso porventura não seja, se tiver neste caso havido alguma espécie de mal-entendido ou exagero, então vale a liberdade de opinião que assiste a qualquer cidadão: é uma questão de tempo até os “diplomados” pelos CNO constatarem por si mesmos que nenhuma porta se lhes abrirá – muito pelo contrário – quando exibirem uma daquelas cartolinas cheias de letrinhas elegantes e de selos muito giros.

Nem novos empregos, nem promoções, nem raspas de coisa nenhuma.

E outro tanto sucederá, muito em breve, aos “felizes contemplados” com passagens administrativas (e compulsivas) no regime de “ensino” a que se convencionou chamar “oficial”: não valerá de todo a pena exibir, numa entrevista, um diploma do Secundário com data de conclusão posterior a 2007.

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Aqui foi

Portugal

Não mais, Musa, não mais, que a lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida,
O favor com quem mais se acenda o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
no gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza.

Camões, Os Lusíadas, Canto X, est. 145

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Mamadonna

Metro, comboios, autocarros, todos os transportes públicos reforçados, trânsito condicionado, corredores prioritários, meios de socorro a postos, directos em todos os canais, mobilização geral, acampamentos selvagens, multidões à espera de um bilhete milagroso.

Será o Papa? Bush? Putin? Vem aí o Armagedão?

Nada disso. É apenas uma nação de pategos em histeria por causa de uma corista feiosa, coiro q.b., com vozinha de cana rachada mas com milhões de discos vendidos.

É Portugal em todo o seu esplendor pimba.

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Mentira(zita) e contradição(zita)

9. Por fim, quinta e última questão, a questão do espanhol e do inglês ou as comparações absurdas.
Ouço dizer: o Inglês  não tem acordo ortográfico e passa muito bem sem ele. Omite-se aqui que as oscilações ortográficas em Inglês (que, aliás, estão dicionarizadas) são muito reduzidas e também que, nele, a relação entre grafia e pronúncia é muito mais convencionada do que em Português; e falta  aprofundar  um pouco a questão, para chegarmos a uma resposta  óbvia: o Inglês não tem acordo ortográfico, porque simplesmente não precisa dele. E não precisa porque o seu esmagador poder linguístico é sobretudo um efeito de outros poderes que arrastam e praticamente impõem aquele poder linguístico: o poder político, o poder económico, o poder tecnológico, o poder cultural, etc. Numa palavra: o poder.

No caso do  Espanhol  importa ir um pouco mais longe e  lembrar que  a emancipação política da América Latina de colonização espanhola conduziu à fragmentação em cerca de uma vintena de países. Isso permitiu a sobrevivência de Espanha como uma espécie de “metrópole” europeia  com um certo ascendente  no plano linguístico; um ascendente que se reforça pelo labor de uma vigorosa política de difusão da língua, com a qual Portugal muito tem a aprender. Nessa política de língua intervém  a Real Academia Española, sendo inequívoco que esta última tem, no universo da Língua Espanhola, um prestígio normativo considerável: tenha-se em vista a capacidade de determinação e também de incorporação lexical que o Diccionario de la Lengua Española  possui, no vasto universo que cobre; uma capacidade de determinação que, evidentemente, vale por um amplo, tácito e respeitado acordo linguístico. Acresce a isto que, nos nossos dias, a Espanha é também uma potência económica, o que ajuda a fazer do Espanhol (e já não apenas naquele vasto espaço post-colonial, note-se) uma espécie de “inglês latino”.

Carlos Reis, in Ciberdúvidas

1. Incongruência(zita)

“as oscilações ortográficas em Inglês (que, aliás, estão dicionarizadas) são muito reduzidas”

Mas então o principal argumento não era a dos “apenas” 1,45%? Quer dizer: no Inglês, como são poucas as diferenças, não há necessidade de uniformização; já no Português, é necessário uniformizar porque as diferenças são poucas!

2. Lacuna(zita)

“a questão do espanhol e do inglês”

Então e o Francês? No MS-Word, existem 15 correctores ortográficos para Língua francesa: Suíça, Senegal, Reunião, RDC, Mónaco, Marrocos, Mali, Luxemburgo, Índias Ocidentais, Haiti, França, Costa do Marfim, Canadá, Camarões, Bélgica.

3. Ignorância(zita)

“o Inglês não tem acordo ortográfico, porque simplesmente não precisa dele”

Para Inglês, são 18 correctores ortográficos! E para Espanhol, são “só” 20!

4. Conclusão(zita)

Quanto ao Português… são 2!!! Apenas existem dois correctores, respectivamente para Português europeu (padrão) e para Português do Brasil.

Todos os diferentes glossários do MS-Word (como de qualquer outro processador de texto) incluem as variações ortográficas em conformidade com o país seleccionado. No caso de o utilizador importar ferramentas linguísticas (FLIP, por exemplo, no caso do Português europeu), também as variações sintácticas podem ser diferencialmente detectadas.

Assim como para o Inglês, o Francês e o Espanhol existe apenas um código de página (conjunto de caracteres), também para o Português existe apenas um (comando DOS: CHCP), 0 860.

Para ver as possibilidades de selecção de correctores, no MS-Word: Ferramentas/Tools, Idioma/Language, Definir Idioma/Select Language.

 

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