Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

“A Língua Portuguesa nas suas múltiplas vertentes” [jornal “Ponto Final” (Macau)]

Lusitanistas reunidos pela primeira vez a Oriente para afirmar o papel da língua portuguesa

São mais de 140, os académicos de algumas das mais prestigiadas universidades do mundo que por estes dias se encontram em Macau para o XII Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas. Pela primeira vez, o encontro decorre a Oriente, após de já ter passado por países como França, Portugal, os Estados Unidos da América, o Brasil, a Alemanha e Cabo Verde.

Arrancou ontem o XII Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas (AIL), iniciativa que até sexta-feira, vai reunir, no Instituto Politécnico de Macau (IPM), mais de 140 conferencistas de 80 instituições de ensino superior oriundas um pouco de todo o mundo. Elemento de destaque naquela que é a primeira edição do evento trienal a Oriente é a presença, pela primeira vez, de académicos chineses que se vão apresentar como palestrantes. Para Roberto Vecchi, presidente da AIL, este afigura-se como “o elemento mais interessante deste congresso que surgiu espontaneamente sem nenhum tipo de organização”. Em declarações ao PONTO FINAL, o também director do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas Modernas da Universidade de Bolonha, salientou a importância do evento decorrer em Macau “porque, de certo modo, inaugura um espaço novo, um espaço dinâmico, um espaço que está a investir muito na língua portuguesa”. Vecchi revelou ainda que “provavelmente” o congresso irá regressar à Europa “nos próximos três anos”.

Presente na cerimónia de inauguração que ontem decorreu no Instituto Politécnico de Macau, entidade organizadora do congresso, esteve o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Alexis Tam considerou que o idioma de Camões está a crescer de forma visível no território: “De uma forma simples, pode dizer-se que, hoje, há mais e melhor língua portuguesa em Macau”, defendeu.

Para o dirigente, tal constatação deve-se a “passos muito significativos” como o reforço “substancial” do investimento no ensino da língua, o recrutamento de novos recursos humanos, o aumento do número de alunos, a criação de novos programas e o incremento do intercâmbio e cooperação: “Considero, contudo, que podemos fazer mais. Do ensino básico ao ensino superior, das instituições públicas às instituições privadas, na pedagogia e na investigação, nos projectos e nos resultados”, assegura Alexis Tam. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura garantiu ainda, da parte do Governo, “o estímulo, a dinamização e os meios necessários”.

Por sua vez, Carlos Ascenso André, coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau, recordou a viagem que fez até Cabo Verde há três anos, aquando do último encontro da Associação Internacional de Lusitanistas, para apresentar a candidatura da instituição de ensino superior à realização do congresso que se seguiria. Três anos depois, a associação reúne-se em Macau para uma “celebração da língua portuguesa e das culturas dos países de língua portuguesa”, como assim o entende Lei Heong Iok, presidente do IPM.

 

A LÍNGUA E A CULTURA DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA NAS SUAS MÚLTIPLAS VERTENTES

O congresso prossegue hoje, pelas 14h30, com a conferência “Divulgar a Língua Portuguesa e as suas Culturas” e com a apresentação da nova série da revista “Veredas”, editada pela AIL. Hoje será ainda apresentada a “Plataforma 9”, um portal cultural do mundo de língua portuguesa desenvolvido pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Associação Internacional de Lusitanistas. Amanhã, pelas 11h, tem lugar o seminário “O Português no Mundo” conduzido por Ana Paula Laborinho, presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, Benvida da Rosa Lemos Oliveira, da Universidade Nacional de Timor Lorosa’e, e Carlos André, do IPM. Já na quinta-feira vai decorrer a “Mesa dos Escritores” que vai juntar Carlos Morais José, em representação de Macau, Ana Miranda do Brasil e João Paulo Borges Coelho de Moçambique. Por último, a conferência “As Humanidades como ‘inuntensílios’: aceleração – intervalo – interpretação”, conduzida pela ex-ministra da Cultura portuguesa, Isabel Pires de Lima, irá encerrar o congresso na sexta-feira.

Todas as actividades são abertas ao público em geral, incluindo as 44 sessões de trabalho que decorrem em simultâneo ao longo da semana. Serão debatidos temas como os diálogos transculturais entre Brasil, China e Macau, literatura feminina brasileira contemporânea, o acordo ortográfico, a personificação do poder na literatura angolana contemporânea, o papel da tradução na consolidação da identidade macaense, entre muitos outros. No último dia será ainda anunciada a localização e entidade organizadora do XIII congresso que irá acontecer em 2020.

CVN

[Transcrição integral de: Lusitanistas reunidos pela primeira vez a Oriente para afirmar o papel da língua portuguesa. Jornal “Ponto Final”, de Macau, 25.06.17. Imagem de topo de: Instituto Politécnico de Macau.]

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O “conetor” para conectar (Diário da República)


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4 jul. 2016 Conetor circular de 12 pinos para conectar o cabo de controlo (opção). Conetor de porta série através de RS 232 (opção). Ligações entre os …
dre.pt
14 abr. 2017 Designação do lote: Conetor luer-lock macho/macho. Descrição sucinta do objeto do lote: Conetor luer-lock macho/macho. Preço base do lote: …
dre.pt
1 maio 2017 Designação do lote: Conetor/ adaptador de seringa à sonda. Preço base do lote: 1666.00 EUR. Classificação CPV (Vocabulário Comum para …
dre.pt
19 jan. 2017 Designação do lote: Conetor Luer-Lock Macho/Macho. Preço base do lote: 1482.30 EUR. Classificação CPV (Vocabulário Comum para os …
dre.pt
19 ago. 2015 [E] 722.55.101.1 Os pontos de conexão de VE devem ser dotados com, pelo menos, uma tomada ou um conetor que satisfaça a uma norma …
dre.pt
14 out. 2015 Lote n.º 8. Designação do lote: ELECTRODO PARA DIAGNOSTICO EM ECG PARA CONETOR PINÇA DE CROCODILO,SUPORTE EM VINYL …
dre.pt
co·nec·tor |èct| ou |ètô|
(conectar + -or)

adjectivo

1. Que serve para ligar ou conectar. = CONECTIVO
substantivo masculino
2. Componente que tem como função ligar partes de um dispositivo eléctrico ou electrónico.
3. [Linguística]  Palavra ou partícula que serve para fazer a ligação entre frases ou partes de frases. = CONECTIVO
• Dupla grafia pelo Acordo Ortográfico de 1990: conetor.

“conector”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/conector [consultado em 24-07-2017].
co·nec·tar |èct| ou |èt| Conjugar
(inglês to connect)

verbo transitivo e pronominal

1. Unir ou unir-se através de uma conexão (ex.: conectar os fios; conectar o vídeo à/com a televisão; várias peças conectam-se no mesmo espaço).
2. [Informática, Telecomunicações]  Fazer uma ligação a um computador ou dispositivo ou a uma rede de computadores ou dispositivos (ex.: conectou os dois computadores usando um cabo USB; pode conectar o computador à/com a impressora; os participantes conectaram-se à Internet).
Sinónimo Geral: LIGAR
• Dupla grafia pelo Acordo Ortográfico de 1990: conetar.

“conectar”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/conectar [consultado em 24-07-2017].
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Nuvens de Verão…

[…]

É verdade, leram bem: o “cartão de eleitor” foi extinto e o recenseamento eleitoral passou a ser automático mas os dados do cartão extinto voltam a ser necessários para subscrever uma ILC.

Mas… como é isto possível? E porquê?

Diz-nos o Dr. Jorge Lacão que, aparentemente, é possível um cidadão ter mais de 18 anos e não estar recenseado… sendo que, como se sabe, a faculdade de subscrição de uma ILC está reservada a cidadãos nacionais devidamente recenseados. Deste modo, para excluir a remota possibilidade de uma ILC ter um subscritor maior de idade mas não recenseado, eis que regressa o nº de Eleitor.

[…]

A Lei 17/2003, na sua primeira forma, exigia os dados de eleitor; a Lei Orgânica 1/2016 aboliu esse requisito (ver Art.º 6.º, alínea c) ; agora o Projecto de Lei n.º 527/XIII (ver o mesmo Art.º 6.º, alínea c) repõe a exigência do número de eleitor.

[…]

ILC-AO, 12.07.17

Portanto: visto que o cartão de eleitor foi extinto, o Parlamento deixou de o exigir a partir de Agosto de 2016 mas o “Grupo de Trabalho para o Parlamento Digital” volta a exigir em Julho de 2017 os dados daquele mesmo cartão extinto na subscrição de qualquer ILC.

E há mais, como se isto não bastasse.

Além de repor a exigência obsoleta, o “Parlamento Digital” exige ainda a data de nascimento do subscritor de uma ILC. O que significará, porventura, segundo esta estranha lógica, que poderão existir em Portugal eleitores recenseados mas que são ainda menores de idade. E que, além destes, também há portugueses maiores de idade que não estão inibidos de votar mas que não estão recenseados. Bem, pode ser, deve haver aí uns 4 ou 5 casos desses em 14 ou 15 milhões.

Seja como for, deduzo de tão peculiar colecção de requisitos, redundantes e contraditórios em simultâneo, que tocará exclusivamente à Comissão Representativa de uma ILC a incumbência de exigir, nas subscrições por via electrónica, além do nome completo do subscritor, o seu número de identificação civil, data de nascimento e número de eleitor, bem como um endereço de email válido. E à mesma CR caberá também, é claro, e muito justamente, o estabelecimento de mecanismos técnicos de segurança, conferência e validação (ou invalidação) das subscrições.

Do que resulta que, então, não terá talvez, digo eu, qualquer interesse que se mantenha a formulação do número 3 do Artigo 6.º da Lei 17/2003: «A Assembleia da República pode solicitar aos serviços competentes da Administração Pública, nos termos do Regimento, a verificação administrativa, por amostragem, da autenticidade das assinaturas e da identificação dos subscritores da iniciativa legislativa.»

“Pode solicitar”? Podia solicitar. Assim sendo, já não faz sentido que a Assembleia da República solicite coisa alguma “aos serviços competentes“, muito menos “a verificação administrativa, por amostragem”, já que todas as subscrições terão de ser duplamente, triplamente, infinitamente validadas a montante, a priori, antes da entrega de toda a documentação no Parlamento. Será quiçá o fim do pesadelo — e o início do sonho — dos infelizes funcionários parlamentares a quem dantes era entregue tão mortalmente aborrecida empreitada de conferência. Ninguém merece, de facto.

Mistérios insondáveis terão presidido ao certamente suado labor dos ilustres tribunos do Grupo de Trabalho que tão complicados, confusos, bizarros resultados despacharam. Amarga ironia que tão burocráticos despachos tenham saído precisamente de um grupo parlamentar que se intitula como sendo “para o Parlamento Digital”. Convenhamos que o trabalho não lhes saiu lá muito bem e que de digital o dito pouco ou nada teve.

Não agoiremos, porém, nem exorbitemos nas especulações: como está em curso uma única, não seria muito difícil deduzir qual é, ao certo, a ILC afectada pela reposição da exigência anteriormente tornada obsoleta, mas por certo a explicação não há-de ser uma coisa assim tão simples. Isto é só a minha modesta opinião, bem entendido.

 

 

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Caro “telespetador” tuga…

«PROVEDOR DO TELESPETADOR»

RTP – Rádio e Televisão de portugal

 


«Para outras questões, dúvidas ou sugestões contacte o Atendimento ao Telespetador da SIC, que com a maior brevidade possível dará resposta às solicitações ou encaminhará para os respectivos responsáveis.»

Grupo Impresa (SIC)

 


«TVI oferece prémio de 25 mil euros por engano a telespetador»
Grupo Impala


 

Ver índice cAOs

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«Admirável Língua Nova (Parte III)» [Manuel Matos Monteiro, “Público”]

Admirável Língua Nova (Parte III)

Não há duas pessoas que sigam o Acordo Ortográfico e que concordem quanto àquilo que é o Acordo. A “norma” (com setenta aspas de cada lado) é lábil, difusa, imprecisa – só não vê quem não quer ver.

Manuel Matos Monteiro

6 de Julho de 2017, 15:22

(Este artigo dá continuidade aos anteriores Admirável Língua Nova (Partes I e II), aqui publicados, respectivamente, em 20 de Dezembro de 2016 e em 17 de Fevereiro de 2017)

[Textos esses que foram também aqui reproduzidos, no Apartado 53: o 1.º, o 2.º e ainda um outro, anterior.]

———————

Caro leitor, pedia-lhe que prestasse atenção às seguintes frases.

“Os telespetadores estavam expetantes.”

“O país vive sob o espetro da corrução.”

“Chuva para Lisboa.”

Para o carro!”, disse perentoriamente.

“Desliga o interrutor.”

“O conetor serve, como o nome indica, para conectar.”

Não são frases escritas por semianalfabetos. São frases redigidas tendo por base o Acordo Ortográfico.

Consultando o (excelente) Novo Prontuário Ortográfico, de José M. de Castro Pinto, a grafia “telespetadores” é a única possível. “Expetantes” é uma palavra que, por exemplo, o Portal da Língua Portuguesa e a Infopédia (Porto Editora) abonam. O Dicionário do Português Atual Houaiss (edição de Agosto de 2011) acolhe apenas “espetral”, “espetro”, “espetrofobia” (entre dezasseis palavras em torno de “espetro”), todas sem o c. “Corrução” e “corrupção” são acolhidas pelo Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto de Editora, de 2010. A frase “Chuva para Lisboa”, que foi o título principal da primeira página de um conhecido jornal, tanto pode ser, à luz do Acordo, uma previsão meteorológica, como uma situação de paralisação causada pela chuva (o que era o caso da notícia). Em “Para o carro”, podemos ter a ordem de ir para o carro ou de parar o carro. Quanto a “perentoriamente” (ou a “perentoriedade”), como afiança o Portal da Língua Portuguesa, temos (Portugueses) de escrever assim e ponto final, enquanto o Brasil escreve “peremptoriamente”. Azar o nosso… É um de muitos casos em que o igual passou a ser diferente. Mas o Acordo era para uniformizar, pois claro. Lembremos Maria Regina Rocha: “[H]avia 2691 palavras que se escreviam de forma diferente e que se mantêm diferentes (por exemplo, facto – fato), havia 569 palavras diferentes que se tornam iguais (por exemplo, abstracto e abstrato resultam em abstrato), e havia 1235 palavras iguais que se tornam diferentes. Está a ler bem: com o Acordo Ortográfico, aumenta o número de palavras que se escrevem de forma diferente!!!” No mesmo portal, temos “conetor” e “conector”, mas apenas “conectar”.

“Interrutor”, uma palavra inadjectivável, merece um parágrafo. Verifique o leitor com os seus olhos tal grafia na Infopédia ou numa edição do Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora, com o Acordo, ou no próprio Portal da Língua Portuguesa. Enquanto adjectivo relativo àqueles ou àquelas que interrompem, tem os “interrutores”, as “interrutoras”. E se um aluno escrever, fazendo uso da dupla grafia decretada pela Porto Editora e pelo ILTEC, na mesma construção frásica, “o interruptor, a interrutora, os interrutores, as interruptoras”, o professor deverá assinalar algum erro? Se dicionários aceitam que “sector” e “subsector” têm dupla grafia, o aluno poderá portanto escolher e escrever “o subsetor do sector”? Copiamos da Infopédia:

interrutor
nome masculino
1. aquele ou aquilo que interrompe
2. aparelho ou pequeno manípulo que permite abrir ou fechar um circuitoelétrico
adjetivo
que interrompe

Escrevemos acima: “São frases redigidas tendo por base o Acordo Ortográfico.” Mais bem dito, tendo por base a forma como dicionários ou prontuários que adoptam o Acordo registam determinados vocábulos, porquanto o Acordo, ao não estabelecer uma norma cristalina, se traduziu na divergência da interpretação daquilo que ele é, bastando ao leitor consultar dois prontuários ou dois dicionários a seu bel-prazer para comprovar esta obviedade.

Consultando dicionários com o Acordo, prontuários, livros explicativos do mesmo para verificar se a consoante é muda ou não, encontramos: a) que a consoante se mantém; b) que a consoante desaparece; c) que poderá manter a consoante ou não (dupla grafia), porque dentro de Portugal há oscilação quanto à pronúncia; d) que em Portugal e no Brasil há divergências de pronúncia e que, portanto, apesar de haver dupla grafia, num desses dois países deve escrever-se a consoante, mas no outro não (os demais países de língua portuguesa são olimpicamente ignorados nesta história do Acordo).

(mais…)

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