Dia: 25 de Junho, 2015

Esta ILC já ganhou [por Rui Valente]

 RV_ILC_ILC
http://ilc-democraciaparticipativa.org/ 

Esta ILC já ganhou. Das duas, uma:

i) ou chega às 35.000 assinaturas daqui a 13 anos! — se a média actual se mantiver, claro — e demonstra-se logo aí que o número de assinaturas exigido para uma ILC é absurdo

ii) ou (cenário mais provável) a média diária continuará a baixar, nunca se chegará às 35.000 assinaturas, e fica provado que o número de assinaturas exigido para uma ILC é um disparate.

Até aqui, tenho colaborado com esta ILC apostando no cenário ii), ou seja, não fazendo absolutamente nada. Nesta segunda-feira, porém, pareceu-me que seria relativamente seguro investir na estratégia i).
Obriguei-me a imprimir o folheto, forcei-me a preenchê-lo, arrastei-me pelo pescoço até ao correio mais próximo e lá enviei o papel para a morada indicada.

E fiquei à espera do salto correspondente no dígito respectivo. Até agora, nada. Mas não há pressa. Se recolher 35.000 assinaturas fosse um processo fácil, uma ILC para reduzir o número de assinaturas para uma ILC não faria sentido.

 

Source: Rui Valente, Facebook

«O AO90 e a idosa que apostrofou o astrólogo» [Duarte Afonso, Jornal da Madeira]

O Acordo Ortográfico e a idosa que apostrofou o astrólogo

Artigo | | Por Duarte Afonso

 

Em 2005 um Parecer solicitado pelo Instituto Camões à Associação Portuguesa de Linguística relacionado com o acordo ortográfico recomendava “a suspensão imediata do processo em curso, e a manter-se o texto actual do Acordo, Portugal não ratifique o Segundo Protocolo Modificativo”. Qual foi o resultado dessa recomendação? Nenhum!

No dia 8 de Abril de 2009, na Comissão de Ética Sociedade e Cultura da Assembleia da República foi votada uma petição subscrita por 32.000 cidadãos em defesa da nossa língua, chamando a atenção para os malefícios do acordo. O veredicto deu razão aos peticionários.

Qual foi o efeito prático dessa petição? Zero!

De todo o País têm-se levantado imensas vozes alertar para a inutilidade do acordo e para a destruição que está a causar à nossa língua, mas esses alertas têm ido direitos para as gavetas do silêncio dos nossos governantes, anteriores e actuais, e para a do Presidente da República.

O próprio acordo contradiz-se na sua designação, porque nem é acordo e só passará a sê-lo quando for ratificado por todos os países de língua oficial portuguesa. Angola não o ratificou nem vai ratificar como está. Isto significa que o chamado acordo ortográfico é uma mentira.

O acordo impõe um vocabulário ortográfico comum a todos os países signatários. Esse vocabulário é o único válido para esses países mas ainda não foi elaborado. Mesmo sem essa exigência cumprida o acordo já está em vigor no nosso país. Porquê? E para quê tanta pressa?

A finalidade do acordo era unificar a ortografia. Os seus autores até escreveram na nota explicativa o seguinte: “optou-se por fixar a dupla acentuação gráfica como a solução menos onerosa para a unificação ortográfica da língua portuguesa.” (5.2.4).
Esta “não lembrava ao diabo”. Com esta pérola literária os autores do acordo dão uma excelente lição como se escreve bom português, e demonstram claramente o que é a iliteracia. Escreveram o contrário do que defendem. Escreveram uma coisa e interpretaram outra. A dupla grafia não une, afasta, que é bem diferente. A consagração da grafia dupla reflecte a impossibilidade efectiva e incontornável de unificação.

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