Dia: 23 de Julho, 2015

«Carta Aberta ao Ministério da Educação e Ciência» [M.I.L.]

blogmilhafre

No PÚBLICO e n’O DIABO: Carta Aberta ao Ministério da Educação e Ciência do Governo de Portugal

 

De forma pública e descomplexada, saudamos, juntamente com a Associação de Professores de Latim e Grego, a pretensão do Ministério da Educação e Ciência do Governo de Portugal de, no próximo ano lectivo, desenvolver um projecto de Introdução à Cultura e Línguas Clássicas no ensino básico (cf. PÚBLICO, 04.06.2015).

Enquanto país europeu que sempre foi, Portugal deve preservar essa sua matriz cultural e civilizacional, contrariando uma certa inércia para o esquecimento histórico, bem patente, por exemplo, na diluição da raiz etimológica de grande parte do nosso vocabulário que o novo acordo ortográfico propõe.

Sendo o país europeu com as mais antigas fronteiras definidas, Portugal, de resto, deveria renegar de vez essa atitude provinciana de “bom aluno europeu”, que este e os anteriores Governos têm, nas últimas décadas, assumido. Não precisamos de fazer prova da nossa condição europeia, nem devemos olhar de baixo os restantes povos europeus. Não temos, em suma, de sentir um complexo de inferioridade em relação a qualquer outro povo deste nosso comum continente.

Dito isto, para nós Portugal não é apenas um país europeu. É, de igual modo, senão ainda em maior medida, cultural e civilizacionalmente, um país lusófono. Por isso, exortamos o Ministério da Educação e Ciência do Governo de Portugal a introduzir, complementarmente à disciplina de “Cultura e Línguas Clássicas”, uma disciplina de “Cultura Lusófona”, também no ensino básico.

Nesta disciplina, deveriam ter lugar as diversas culturas de todos os países e regiões de língua portuguesa, numa visão de convergência, acentuando aquilo que nos une sobre aquilo que nos separa, mas sem qualquer pretensão uniformizadora. A cultura lusófona será tanto mais rica quanto mais assumir a sua dimensão plural e polifónica, ou, para usar um termo que tem tudo a ver com a nossa história comum, “mestiça”. Desde já nos manifestamos disponíveis para colaborar com o Ministério da Educação e Ciência do Governo de Portugal na definição dos conteúdos programáticos dessa nova disciplina.

Essa necessidade de dar a conhecer as diversas culturas de todos os países e regiões de língua portuguesa deveria, de resto, atravessar os diferentes graus de ensino – necessidade tanto mais imperiosa porquanto os nossos “mass media” continuam, por regra, a ignorar ostensivamente o restante mundo lusófono, ou apenas a lembrá-lo pelas piores razões. Se só se pode amar verdadeiramente o que se conhece, é pois tempo de dar realmente a conhecer as diversas culturas de todos os países e regiões de língua portuguesa. Para, enfim, podermos amar a valorizar devidamente a nossa comum cultura lusófona.

MIL: Movimento Internacional LusófonoMIL_Portugal
ww.movimentolusofono.org

Transcrição (e imagem) de: MILHAFRE: O BLOGUE DO MIL, O FÓRUM DA LUSOFONIA: No PÚBLICO e n’O DIABO: Carta Aberta ao Ministério da Educação e Ciência do Governo de Portugal, 23.07.15

Os destaques e sublinhados são meus.

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«O eterno desacordo» [Maria do Rosário Pedreira]

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O eterno desacordo

Maria do Rosário Pedreira

Pois é, a discussão sobre o Novo Acordo Ortográfico (NAO) está para durar – e isto mesmo se infere da declaração do vice-presidente do Supremo Tribunal de Justiça, o juiz Sebastião Póvoas, sobre a matéria, ao dizer que a resolução do Conselho de Ministros que obrigou as escolas e todos os organismos do Estado, incluindo os Tribunais, a aplicarem o NAO é inconstitucional «a título orgânico», violou «os princípios da separação de poderes» e, entre outras coisas, não respeitou a «equiordenação entre os órgãos de soberania». Diz, aliás, que o NAO nem sequer se encontra verdadeiramente em vigor, porque não foi ratificado por todos os Estados que o subscreveram (Angola e Moçambique, por exemplo), não estando, por isso, em vigor «na ordem jurídica internacional». E acrescenta que (transcrevo do jornal Público) «coloca em causa princípios e direitos consagrados na Constituição da República, como o “princípio da identidade nacional e cultural”, o “direito à Língua Portuguesa” e o “princípio da independência nacional devido às remissões para usos e costumes de outros países”». E, se um juiz do Supremo o diz, quem sou eu para o contradizer?

Transcrição de: O eterno desacordo – Horas Extraordinárias, 22.07.15

Acrescentei “links” e destaques.

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«O dia em que terão o direito de me esbofetear» [A.J. Ribeiro, PINN]

Acordo Ortográfico | PINN

By A.J.Ribeiro

Supostamente passa a ser obrigatório, a partir de hoje*, escrever de acordo com as regras do Acordo Ortográfico.

O Acordo Ortográfico foi mais uma das muitas sacanices que se fizeram a Portugal nos últimos 20 anos. Serviu apenas para meia dúzia de gentalha ganhar dinheiro à custa da língua e da cultura do seu País, sacrificando-a em prol de interesses comezinhos e rascas.

A aprovação do Acordo só se deu porque a maioria dos políticos na Assembleia da República é gente sem conhecimentos nem princípios, gente menor, criaturas brutas e ignorantes que, provavelmente, passaram a escrever bem com as regras do Acordo porque muito provavelmente também escreviam com erros antes da aprovação do Acordo.

De resto, o Acordo Ortográfico é apenas um símbolo: o símbolo do baixo a que desceu a nossa política e quem nos governa. O baixo que é ter-se um reformado na Presidência da República que fala em “cidadões“. O baixo que é ter-se uma Presidente da Assembleia da República que fala em “inconseguir“. O baixo que é ter um País pejado de jotinhas, putos ignorantes que nunca estudaram nem trabalharam na vida e que ganham ordenados bem recheados, acusando depois a Função Pública de ser incompetente e ganhar demais. O baixo que é ter-se um líder da oposição sem ideias nem projectos e um Primeiro-Ministro que acha que é um crime acabar com os sacrifícios.

Este País entrou no campo do mete-nojo. Toda a estrutura do Estado está controlada por uma comandita de corruptos e incompetentes, servos acéfalos de interesses económicos, que têm vendido o País a tostões, destruindo uma estrutura produtiva a troco de elogios hipócritas que vêm de fora, daqueles que, depois, apontam o dedo ao País com acusações de que não trabalhamos nem produzimos.

O Acordo Ortográfico é apenas mais um símbolo da decadência a que este País desceu.

E contra isso há que lutar. Há que lutar por quase 900 anos de História. Há que lutar pelo orgulho de se ser português, de se pertencer a um povo que em tempos foi grande, a um povo que levou a própria civilização europeia mais longe.

É nossa obrigação não respeitar as regras do Acordo Ortográfico. É nossa obrigação, diariamente, escrever em Português.

A publicação do meu romance “Flavea” foi feito, por exigência minha, de acordo com as regras de língua portuguesa anteriores ao acordo ortográfico. A publicação do meu próximo romance será feita de acordo com as mesmas regras. E dos que vierem a seguir.

O dia em que escrever segundo as regras do Acordo Ortográfico será o dia em que terão o direito de me esbofetear.

Transcrição (e imagem) de: Acordo Ortográfico | PINN, 23.07.15

*Este artigo foi publicado originalmente no “blog” do autor em 13.05.15.

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