Mês: Julho 2015

CPLP, Comunidade de Países de Linguagem Pulhítica

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«Corruption, poverty, and repression continue to plague Equatorial Guinea under President Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, who has been in power since 1979. Vast oil revenues fund lavish lifestyles for the small elite surrounding the president, while a large proportion of the population continues to live in poverty. Mismanagement of public funds and credible allegations of high-level corruption persist, as do other serious abuses, including torture, arbitrary detention, and unfair trials. Obiang’s eldest son and possible successor, Teodorin, was indicted in France on money-laundering charges. The United States agreed to settle with Teodorin in a separate case, stating the seized assets would be used to benefit Equatorial Guinea’s people.»
Human Rights Watch

“Antes de aislarme, me pusieron en un barracón con delincuentes comunes. Había unas 50 personas en unos 70 metros cuadrados. Durante el arresto, estaba preocupado sobre todo porque dejaran pasar a mis familiares a darme la comida. Que no fueran los agentes quienes la cogieran y me la trajeran. Temía que me envenenaran. No sería la primera vez que ocurre.”
Celestino Nvo-Okenve, “El País”, 05.02.15

A necessidade de reformar a CPLP

Ana Lúcia Sá

20/07/2015 – 09:21

Um ano depois de a Guiné Equatorial ter sido aceite como membro de pleno direito da CPLP, verifica-se que as condições para a adesão, tidas como fundamentais no Estado de Direito, não se concretizaram.

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Movimento pela reutilização dos livros escolares

«A cada ano inventam novas variantes, sejam as metas curriculares, sejam os acordos ortográficos, sejam revisões curriculares, e este ano, por exemplo, a maioria dos livros do nono ano, a maioria dos livros do décimo ano vão ser novos e os pais saem dos nossos “bancos” de mãos a abanar…»
Notícia RTP, “Jornal da Tarde” de 18.07.15

 

Reutilizar_logoO Projecto

O Movimento pela reutilização dos livros escolares é um movimento de cidadãos que promove a criação e divulgação de bancos de recolha e partilha gratuita de livros escolares em todo o País.

O objectivo único deste movimento é tornar a reutilização de livros escolares uma prática Universal em Portugal.

http://www.reutilizar.org/REUTILIZAR.ORG/Projecto.html

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Lembramos que este ano mais uns milhões de LIVROS vão para o LIXO por decreto ministerial!

Movimento pela reutilização dos livros escolares (Facebook)

«Borrachas e erros por apagar» [Nuno Pacheco, “Público”]

Borrachas e erros por apagar

Nuno Pacheco

“Público”, 12.07.15

 

Aprender em Londres é quase sempre uma coisa catita. Vejam naquilo que toda a gente reparou em Euclides Tsakalotos, o sucessor de Varoufakis na pasta das Finanças gregas: estudou em Oxford. Mas só estudar em Londres não chega. Veja-se o que sucedeu a outro senhor que por lá estudou, por sinal um reputado cientista cognitivo, Guy Claxton. Deu-lhe para atacar as borrachas! Segundo ele, essas pequenas companheiras de todas as infâncias devem ser banidas. Apagadas para sempre. E porquê? Porque, diz ele do alto da sua sabedoria cimentada no King’s College, elas promovem “uma cultura da vergonha e do erro”. E também da mentira. Pois quem apaga e reescreve estará a mentir aos outros e a si próprio, como se dissesse: acertei à primeira, não emendei nada, sou genial! Ora este raciocínio é, no mínimo, idiota. Uma borracha, como o botão “delete” de computadores e similares, não serve só para apagar erros. Serve também para apurar a escrita ou o traço. Se no King’s College ensinam a “acertar à primeira”, pobre King’s College… É que o leque dos que “não acertam à primeira” enche toda a história das artes e do pensamento. A criação é, naturalmente, um processo de evolução onde o autor procura sempre o melhor traço, a melhor frase, o melhor som. O que fica para trás, preterido nessa escolha, é “vítima” da borracha, do pincel, do escopro, do ouvido. Não tem nada que ver com “culpabilização” nem com “coisas do diabo”, como sugere Claxton, mas sim com a mais normal das actividades humanas: o aperfeiçoamento. Se isso se aprende desde logo nas escolas, tanto melhor. Louvada seja, pois, a borracha. Apaguemos, antes, a sugestão de Claxton.

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Vice-presidente do STJ: “AO90 é inconstitucional”

Vice do Supremo diz que o acordo ortográfico é inconstitucional e não pode ser usado nos tribunais

Pedro Sales Dias

10/07/2015 – 07:13

Num voto de vencido, no âmbito do caso em que foi confirmada a pena disciplinar do juiz Rui Teixeira, o vice-presidente da mais alta instância judicial denuncia que o Governo usurpou poderes e colocou em causa o princípio da identidade nacional e cultural e o direito à Língua Portuguesa.

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O vice-presidente do Supremo Tribunal de Justiça Sebastião Póvoas considera que a aplicação da resolução do Conselho de Ministros que obrigou as escolas e todos os organismos do Estado a aplicar o novo acordo ortográfico é inconstitucional e não pode ser aplicada também nos tribunais.

“Independentemente de abordar a constitucionalidade e a legalidade desta resolução, é inquestionável que a mesma não se aplica aos tribunais mas, apenas, e eventualmente à Administração Pública”. Sebastião Póvoas denuncia que o Conselho de Ministros, com esta resolução que é “inconstitucional a título orgânico”, violou “os princípios da separação de poderes”, não respeitou a “equiordenação entre os órgãos de soberania” e a “independência dos tribunais“. Acusa também o Conselho de Ministros de “usurpação de poderes”.

A denúncia foi deixada pelo magistrado da mais alta instância judicial em Portugal numa declaração de voto de vencido a propósito da decisão do Supremo que recentemente confirmou a pena disciplinar ao juiz Rui Teixeira por este ter rejeitado receber documentos com o novo acordo ortográfico. “Nos tribunais, os factos não são fatos, as actas não são uma forma do verbo atar, os cágados continuam a ser animais e não algo malcheiroso e a Língua Portuguesa permanece inalterada até ordem em contrário”, escreveu então Rui Teixeira num despacho.

Sebastião Póvoas concorda e elogia aquele juiz, destacando que foi “rigoroso” por ter, afinal, tentado evitar “a aplicação de um tratado não vigente”.

E porquê é que o tratado não está afinal em vigor? “Se o Acordo/Tratado não foi ratificado por todos os Estados que o subscreveram (e não o foi, seguramente, por Angola e Moçambique) não está em vigor na ordem jurídica internacional”, esclarece Sebastião Póvoas.

O juiz avisa que o novo acordo ortográfico coloca em causa princípios e direitos consagrados na Constituição da República, como o “princípio da identidade nacional e cultural”, o “direito à Língua Portuguesa” e o “princípio da independência nacional devido às remissões para usos e costumes de outros países, para se apurar quais as normas resultantes de algumas disposições do acordo ortográfico, que remetem para o critério da pronúncia”.

Neste ponto, o Sebastião Póvoas sublinha que a Constituição “não pode ser alterada através de uma lei de revisão constitucional, mediante a consagração de vocábulos estranhos ao Português europeu, seguindo o acordo ortográfico, por atentar contra limites materiais de revisão”.

A resolução do Conselho de Ministros de 2011 determinou que, “a partir de 1 de Janeiro de 2012, o Governo e todos os serviços, organismos e entidades sujeitos aos poderes de direcção, superintendência e tutela do Governo aplicam” a nova grafia “em todos os actos, decisões, normas, orientações, documentos, edições, publicações, bens culturais ou quaisquer textos e comunicações”. Para o vice-presidente do Supremo, porém, esta resolução “consubstancia uma ordem” e um poder que o Governo “não tem em relação à administração indirecta e à administração autónoma”, onde se incluem os tribunais.

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“Ninguém é dono da língua portuguesa”? Mas parece…

Insuportável paleio neo-colonialista, ridículo paternalismo de um fulano qualquer que se julga, pelos vistos, uma espécie de “bwana” linguístico rodeado de indígenas analfabetos. Não resisti, desta vez tive mesmo de adicionar, além dos “links”, destaques e  sublinhados do costume, também algumas anotações e ainda umas quantas gargalhadas. Infelizmente o riso, e em especial o sarcástico, não pode ser transposto para a escrita. 


Ninguém é dono da língua portuguesa

Arnaldo Niskier, Especial para Opinião Pública
08/07/2015

Está em discussão, na Academia de Ciências de Lisboa, o projeto de reedição do seu Dicionário, cuja primeira edição data de 2001.  Foi organizado pelo competente filólogo [?] Malaca Casteleiro, um grande amigo do nosso saudoso imortal Antônio Houaiss, a quem se deve o esforço maior pela sonhada unificação ortográfica da língua portuguesa [dream on, mate, dream on].

Segundo o presidente da ACL, escritor Artur Anselmo, que nos  recebeu com muita fidalguia, o dicionário deverá estar pronto, com 100 mil verbetes, na primavera de 2016.  Entre suas inovações, como informou a professora Ana Salgado, figuram  as palavras selfie e sustentabilidade [?], além de cerca de 800 termos do lexical [?] galego [???]. A sua plataforma digital pertence à Universidade do Minho, que se tornou parceira da ACL, nesse importante projeto.

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“O português brasileiro” [Simião Mendes, “Diário da Manhã” (Brasil)]

É realmente necessária uma reforma ortográfica?

Simião Mendes, Especial para DM Revista

 

O português brasileiro, é uma língua pluricêntrica, de centros diferentes, cuja a origem vem do indo-europeu, passando pelo itálico, latim e português, que se dividiu entre português europeu e africano. O PB vem do português europeu e hoje é a variante mais falada e escrita do mundo. Antes da chegada dos portugueses na nossa terra, eram faladas cerca de 1.500 línguas diferentes. Durante a história do PB é possível ver quantas mudanças e influências ele passou para ser o que “conhecemos” hoje em dia.

Essa historicidade é importante para que possamos entender porque nossa língua é uma das que mais carregam variedades fonológicas e diferenças regionais. Essas distinções que são heranças das já citadas mudanças e influencias que a língua teve em sua história, resultam em dificuldades no seu ensino e aprendizado.

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