Dia: 8 de Setembro, 2015

Referendar o absurdo?

gandhiSpeak your mind even if you are a minority of one. The truth is still the truth.” ~ Mohandas Gandhi

 

“Many people, especially ignorant people, want to punish you for speaking the truth, for being correct, for being you. Never apologize for being correct, or for being years ahead of your time. If you’re right and you know it, speak your mind. Speak your mind. Even if you are a minority of one, the truth is still the truth.”

 

A ideia do referendo “ao” AO90 é, evidentemente, antiga. Faz parte da história da ILC-AO.

Não surgiu, essa ideia, nem agora nem há pouco tempo, caída dos céus por inspiração divina, à boleia de um raio carregado de luz, sobre alguma iluminada cabeça que descobriu a pólvora, desceu-lhe de repente a “Pomba Gira”, deu-lhe uma epifania nas meninges.

Já nos primórdios, quando tudo “isto” começou, a hipótese de referendar o AO90 foi uma das primeiras possibilidades aventadas… e posta de lado. Mas de vez em quando lá se colocava de novo a questão.


“O que acha da ideia de Vasco Graça Moura de se referendar ao Acordo Ortográfico?”

Acho o pior possível, porque é praticamente impossível realizá-lo, logo, é inútil: nunca antes um referendo em Portugal teve resultados vinculativos. Além disso, a pergunta de VGM está mal formulada porque restringe a escolha ao Ensino quando o AO90 afecta toda a sociedade portuguesa (e não só).

Para mais, VGM parte também de um pressuposto errado, ou seja, de que o AO90 é já um facto consumado, o que não é de todo verdade. Qualquer erro se pode (e deve) corrigir. Nada é irreversível nesta vida, salvo a morte, passe o lugar-comum.

Do mesmo modo não colhe «o argumento económico de que se torna incomportável voltar atrás». Continuar na senda do desastre, não atalhá-lo já, enquanto ainda é possível fazê-lo praticamente sem custos, isso sim, seria uma tragédia com custos incalculáveis… e não apenas económicos mas também patrimoniais, educacionais, culturais e históricos. Custos portanto que nem mesmo podem ser equacionados, já que o património nacional, a Educação, a Cultura e a História não têm preço.

Existe um mecanismo eficaz para resolver o problema: a ILC pela revogação da entrada em vigor do AO90. Não é preciso mais nada além disto para que milhões de pessoas reparem (e parem) o erro colossal cometido por pouco mais de 200 dos seus concidadãos.

“A pergunta d’O Diabo”, 13 de Março de 2012

 

[Recorte do semanário “O Diabo” de 13.03.12, última página.]
[A pergunta refere-se a este texto de VGM.]

Nota: a pergunta foi-me colocada de forma pessoal (“o que acha”) e a minha resposta foi também, evidentemente, pessoal (“acho”); é uma simples opinião, neste caso a do primeiro subscritor da ILC; nada mais do que isso.

[transcrição de “post” publicado no “site” da ILC-AO em 15.03.12]

Questão esta que perdurou, em especial, durante os anos de 2009 a 2012; depois, praticamente desapareceu e por fim emergiu de novo das trevas já neste ano, em Junho de 2015, quando foi lançada uma “iniciativa de referendo ao acordo ortográfico”.

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