Mês: Novembro 2015

“Sem problemas de maior”?

Há resistências de algumas pessoas, e não são muitas, que têm uma relação emocional, clássica, física e sensorial com a Língua. Mas ninguém será abatido, preso ou punido se não aderir às novas normas. O Acordo é uma simplificação da Língua.
José António Pinto Ribeiro, ex-Ministro da Cultura, semanário “Expresso“, 19.08.08.

«A verdade, porém, é que, apesar de o final do período de transição ainda se encontrar distante, ao nível do ensino, das instituições oficiais, nacionais e internacionais, e das restantes entidades públicas, o AOLP90 já foi quase plenamente aplicado, como o Estado determinou, sem problemas de maior
ILTEC. Parecer sobre a aplicação do Acordo Ortográfico. 21 de Março de 2013

 

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Dúvidas e receios de quem não tem alternativa

13 de NOVEMBRO de 2015

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Fizemos um desafio aos alunos. Como se escrevem as palavras “boia” e “paraquedas”?

João Duarte foi o primeiro a responder: “b-o, com acento no o – i -a”.

Falhou. Com o novo acordo esta palavra perdeu o acento.

Francisco Teixeira soletrou a palavra “paraquedas”.

“P-a-r-a… perdeu o hifen… q-u-e-d-a-s”.

João e o Francisco dizem sentir-se adaptados ao novo acordo ortográfico mas reconhecem que o processo não é simples.

“Não me sinto totalmente esclarecido, porque implica muitas mudanças e as mudanças não são gerais. É preciso saber quando usar essas alterações“, diz João.

“Já estou completamente inteirado sobre o acordo, já escrevo sem problemas nenhuns, mas foi uma mudança radical“, explica Francisco.

A ideia é partilhada por Tiago Pereira e por Bruna Almeida.

“Pessoalmente não tenho qualquer dificuldade com o novo acordo, mas percebo que alguns alunos possam ter. Quer queiramos quer não, não se muda assim um acordo e de repente as pessoas todas, num ambiente familiar, na comunicação social, deixam de usar o acordo antigo. É muito complicado”, diz ele.

“Acho que é uma questão de as professoras ajudarem, mas a nível pessoal não tenho grandes problemas”, garante ela.

De acordo com o Instituto de Avaliação Educativa, a penalização nos exames de Português do 12º ano pode chegar aos 4 valores. Os estudantes temem ser prejudicados, mesmo sabendo a matéria.

“No exame estamos tão preocupados e nervosos, estamos mais focados em perceber se sabemos a matéria, a gramática, não estamos tão preocupados com o acordo e é possível acontecer algum erro”, explica Bruna.

“Tenho receio, em vez de uma penalização devia haver mais ensinamento e a longo prazo”, afirma Tiago.

“Por muito habituado que esteja a escrever com o novo acordo ortográfico eu fui habituado a escrever de outra forma. Pode haver um erro”, diz o Francisco.

Já João tem receio de ser penalizado, mas defende que “os alunos que vão a exame se sabem que podem ser penalizados têm que encarar isso como mais uma matéria”.

Fizemos novo teste, desta vez a Tiago e a Bruna.

Autoavaliação: “Suponho que tenha perdido o hifen… a-u-t-o-a-v-a-l-i-ç-ã-o”.

Heroico: “Heroico tem acento”, disse a Bruna. “h-e-r-o (com acento)-i-c… tem acento?? Oh… Ainda há algumas dúvidas”.

[Notícia TSF, 13.11.15]

 

Uma história (muito) mal contada [XXIV]

“Quantas assinaturas temos?” – 3

 

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E que tal se acabássemos com isto de uma vez por todas, hem? Afinal, raios, esta parvoíce de  “quantas assinaturas temos já tresanda! O que é demais é erro, caramba!

Pois sim. Pois será. Mas, na verdade, isto ele foram muitos anos a amochar em nome dos superiores interesses da Causa, perdoareis (ou não, paciência), sucede que fartei-me de levar e calar. Basta! Como dizem os brasileiros, “cansei de” ser o bombo da festa, logo, acabou a festa. Se porventura o assunto já for aborrecendo, pois tanto pior, ao fim e ao cabo ninguém é obrigado a ler coisa alguma e muito menos o que não agrada.

Aliás, ou conto a história para que ela deixe de estar assim tão mal contada ou então ninguém mais a contará — e portanto jamais alguém poderá entender as causas da coisa ou as coisas da Causa.

Ora, perdões à parte, aquela “pergunta” sobre as assinaturas não apenas foi o único pretexto para a sórdida campanha lançada contra a Iniciativa como explica, por si mesma, o ambiente tóxico a que, desde finais de 2011, tivemos de resistir.

Na minha opinião, quem manobra aqueles grupos anti-ILCAO, essa espécie de sexta-coluna que se infiltrou no  movimento anti-AO, é de facto gente que não brinca em serviço. A partir do momento em que o número exacto de subscrições foi por nós revelado, eles já apagaram, alteraram, eliminaram definitivamente conteúdos ou substituíram os mais ofensivos e comprometedores por outros completamente inócuos. Mas mesmo assim, além do que nesta história se vai expondo, de entre aquilo que fui guardando ao longo de todos estes anos, e o que alguns activistas da ILC-AO certamente conservarão em seu poder, um imenso manancial de documentação ainda restará com certeza, por aí, algures, para comprovar (ou provar) o que de facto se passou nesta “frente”, a do “fogo amigo”. É que, como se costuma dizer, quem tem amigos daqueles não precisa de inimigos.

Ou foram mesmo apagados conteúdos ou então sou só eu que já não os encontro; por exemplo, desapareceram todos os rastos das “causas” em que alguns dos aCtivistas anti-ILCAO militaram antes de se dedicarem a atacar a nossa iniciativa cívica; são consumidores de causas, portanto, coisa que lhes não convém se saiba. Desapareceram (ou não as vejo), no Fakebook, as páginas dos primeiros eventos a que chamaram “patuscadas” e que se destinavam, em teoria, a “recolher assinaturas para a ILC”, as quais (em que medida, é impossível saber-se) foram por eles “retidas”. O próprio grupo de “voluntários da ILC”, também no Fakebook, passou a ter o mesmo post repetido sucessivamente, removendo assim os posts reais das primeiras páginas. Desapareceram, se calhar, (quase) todos os conteúdos em que as suas “acções de recolha de assinaturas para a ILC” apareciam misturadas com actividades lucrativas ou com recolhas de fundos.

Mas nem apagando ou aldrabando registos conseguirão alterar os factos. O que pretendiam fazer, como plano A, parece-me mais do que óbvio: tomar de assalto a ILC-AO usando as “suas”  subscrições para nos chantagear. Se porventura isto não resultasse, então avançaria o plano B, igualmente simples: sabotar a ILC-AO usando o número exacto de assinaturas como pretexto para levantar suspeições sobre a Iniciativa e os seus promotores.

Posso até deduzir aquele plano A, passo a passo.

(mais…)

«Academia e bom senso» [Nuno Pacheco, “Público”]

Nuno Pacheco refere neste artigo, a respeito “de uma constante mistura de grafias, sem tino nem nexo“, um “exaustivo levantamento” que não é de minha autoria. Os “links” que inseri neste texto para ilustrar os exemplos apresentados por Nuno Pacheco são todos, como aliás todos são os de quaisquer outros textos de quaisquer outros autores aqui reproduzidos, retirados do levantamento exaustivo que é efectivamente de minha autoria.

logo_shareNo dia em que o Governo caía, discutia ali bem perto a Academia o bom senso da ortografia. Pode parecer o início de um péssimo verso, mas é a mais pura das verdades. A Academia das Ciências de Lisboa teve a louvável ideia de abrir as suas portas (dias 9 e 10) à discussão de um problema sério, o da ortografia nacional, que alguém resolveu “simplificar” em transnacional.

Em dois dias, profícuos, lá tivemos, em pacífica mas tensa convivência, acordistas (o corrector acaba de me emendar para açorditas, o que me obrigou a pô-lo na ordem) e não-acordistas, com muitos argumentos repetidos, uns frágeis e outros sólidos, e algumas novidades deste nosso mundo.

Do presidente da Academia, Artur Anselmo, ouvimos esta declaração: “A Academia não foi consultada no momento em que um ministro da Cultura decidiu pôr em vigor o que ainda estava em discussão” (o acordo ortográfico de 1990, AO90). Ninguém o contestou, mas os dois principais rostos do dito, Malaca Casteleiro e Evanildo Bechara (que, diga-se, aguentaram estoicamente os dois dias que durou o colóquio) garantiram que tudo “está bem”. Malaca, que confessou “estar saturado” do tema (o que diremos nós, caro senhor!), remeteu as críticas para a “nota explicativa” (que ele acha que ninguém leu, quando muitos acham que foi ele que não a releu), garantiu que em Portugal o AO “está plenamente em vigor” e que “camadas jovens aprendem facilmente a nova ortografia”; e anunciou mais um simpósio para Timor-Leste (!) em 2016. Como se vê, o turismo da língua não cessa. Só a língua, pobre dela, não viaja nem se livra do monstro que lhe ataram às pernas. Ah, e o Vocabulário Ortográfico Comum, essa coisa essencial ao acordo que devia estar pronta logo, logo? Ouça-se Malaca: “Está em bom andamento.” Como se vê, nenhum problema. Bechara, por seu turno, além de se perder na história (recuou até 1911!), disse que o acordo visa “favorecer um ensino fácil da leitura e da escrita” e quase lamentou aquilo de que o Brasil abriu mão: “O Brasil fez as cedências necessárias”… Houve, ainda, alguns números de feira, como o da “infernização do hífen”, com diapositivos onde se lia “aspecto” — o autor era brasileiro, atenção — em lugar do “aspeto” que por aí se instalou; e uma “regra única” para “acentuação objetiva”  apresentada como mezinha (a mania das regras únicas é, pelos vistos, contagiosa), regra essa que afinal se verificou… serem várias. Um delicioso delírio.

Argumentações contra este acordo houve muitas: desde a importância da “expressão grafémica da ortografia” até à “formatação mutiladora do português europeu”, passando pela ridícula imposição à ciência (as propriedades “ópticas” dos minerais passam a “óticas”, o que nos levará a encostá-los aos ouvidos para confirmar), à idiotia de fazer regredir palavras já consagradas (“reescrever” passa a “reescrever”, segundo o AO, por ter duas vogais iguais seguidas), ao desastre da confusão entre “fonémica” e “fonética” ou ao “atentado contra a significação corrente das palavras”. Muito se afirmou e demonstrou. Disse Alzira Seixo que Evanildo Bechara (hoje paladino do AO) terá afirmado, num encontro nos Açores, que o texto actual do acordo não teria condições para servir de proposta normativa por ter “imprecisões, erros e ambiguidades”. O próprio, presente, podia ter tentado desmenti-la, mas não o fez. Já Malaca dissera que o acordo “tem com certeza algumas incongruências, não há acordos perfeitos”. Certamente. Ninguém pediu um acordo perfeito. Aliás, ninguém pediu acordo algum mas, a haver um, ao menos que fosse decente…

Com este, e abrindo agora as (agora generosas) portas da Academia para o mundo que lá fora o reproduz, vamos lendo horrores como “impato” por impacto, “fatos ilícitos” por factos ilícitos, “corrução” por corrupção, “seção” (à brasileira) por secção, “começamos” por começámos (confundindo tempos verbais, numa submissão à norma regular brasileira), “pato” por pacto, tudo isto em documentos oficiais (PR, Governo, autarquias, etc.), escolares, textos empresariais, imprensa, etc. Além, claro, de uma constante mistura de grafias, sem tino nem nexo. Há um exaustivo levantamento online feito por João Roque Dias, especialista em tradução técnica, e é assustador! Está tudo bem? Claro que está! Em 2016, haverá excursão gongórica a Timor! As escolas e o país… que se arranjem com o resto.

Nuno Pacheco

[Artigo de Nuno Pacheco, jornal “Público” de 15.11.15.]

O órgão vital: o bolso [por Olga Rodrigues]

AP53_communityA existência de um povo inclui o risco do assédio com vista à subversão da respectiva língua. O propósito do assédio é o de emudecer o povo, torná-lo alálico e afónico, incapaz de expressar um sinal auditivo de vida. (…) Assim, na língua, o espírito oculta-se, é abafado, e só por milagre acaba por se revelar como admirável criação espiritual.
GOMES, J. Pinharanda – Apologia da Gramática Elementar – Nova Águia, nº 9 – 1º semestre, 2012, pp. 208 – 214. (cf. p. 208, op. cit.)

Corre pelas redes sociais uma petição pública pela “Simplificação das Iniciativas Legislativas de Cidadãos e das Iniciativas de Referendo”. Parece-me extemporânea tal iniciativa, por redundante,  e é reveladora de uma ingenuidade atroz. Pedir um referendo ou uma consulta popular é uma coisa, pedir para simplificar as ILC e os referendos é outra; e vinda de quem anda a lutar por um referendo, seja lá por que causa for, parece, mais do que um acto de desespero, uma capitulação implícita. Assim a modos que um aluno pedir ao professor um teste mais fácil porque aquele que tem à frente é muito difícil e assim ele não passa de ano. A melhor forma de luta, penso eu, passa pela recusa activa de utilização do AO90 e sobretudo pela não aquisição de livros escritos segundo as suas regras, atacando portanto o órgão vital dos seus promotores:  o bolso.

E, entretanto, os acordistas vão cantando e rindo enquanto desbaratam a língua. É que isto não é um plano imediato. É uma acção concertada para dissociar paulatinamente a leitura da escrita, para “emburrecer” as pessoas, lenta mas inexoravelmente. Não é por acaso que até bem tarde, sensivelmente até meados do século XX, quando se falava de alguém com capacidades se dizia que “sabe ler, escrever e contar”. E vão conseguir, contando com a velhacaria de alguns e a cumplicidade de muitos.

E depois, lêem-se coisas que parecem inofensivas mas quando devidamente relacionadas, esclarecem quanto ao que realmente está em causa.

Assim, por exemplo, quando se lê que as escolas públicas inglesas estão a ensinar programação informática a crianças…

Ensinar esta linguagem numa idade tão precoce empobrece de forma quase irremediável a capacidade de expressão e de interpretação destas crianças. E aqui, em Portugal, os centros de emprego propõem o ensino de programação aos desempregados para os ajudar a encontrar trabalho; pensamos nós…

Mas se tivermos atenção, a explicação poderá ter mais que se lhe diga. Em alguns países, há escolas que estão a deixar de ensinar a escrita à mão porque agora toda a gente usa o computador, o que deixa as crianças completamente à mercê das máquinas.

Chego à conclusão de que o “processo de emburrecimento em curso” ocorre em todo o lado. A contribuição original de alguns vendilhões do nosso cantinho para este processo é a implementação forçada deste AO imbecil.

Olga Rodrigues

O númerozinho [por Rui Valente]

A ideia era escrever uma pequena frase, para acompanhar a partilha [no Facebook] do episódio XXII da “História (muito) mal contada”. Acabei por me esticar um bocadinho.

O númerozinho

Sim, mas… quantas assinaturas temos?

Durante anos, o João suportou sozinho o fardo de saber “quantas assinaturas temos”. Ou seja, suportou sozinho o conhecimento de uma realidade que eu e outros militantes da ILC apenas intuíamos: o pessoal não quer saber, o pessoal não assina, o pessoal já assinou na Internet. Cinco mil assinaturas… teria eu feito o pouco que fiz se tivesse tido conhecimento deste número? Quero acreditar que sim.

De qualquer modo, eu não precisava de saber o número exacto para saber que era baixo. Revelá-lo seria desmotivador para militantes e motivo de alegria para acordistas.

De facto, a ILC foi um caminho que se abriu para todos quantos estavam e estão contra o Acordo Ortográfico — e não podíamos deixar de o percorrer. Mas era preciso salvaguardar uma questão essencial: a ILC teria de ser, apenas e só, uma mais-valia contra o AO e não podia transformar-se nunca em “munição” para os próprios acordistas. Era uma simples questão de bom senso. Haveria razão mais importante do que esta para não se revelar o número de assinaturas?

Neste contexto, não havia outra solução que não fosse continuar a trabalhar. Desde logo, para encontrarmos uma via para, rapidamente, obtermos TODAS as assinaturas em falta — e, como o João já relatou, estivemos várias vezes perto de o conseguir.

Mas também, e em alternativa, para que o número de assinaturas continuasse, no mínimo, a crescer, aproximando-se tanto quanto possível do objectivo das 35.000 subscrições, de modo a que a sua revelação fosse motivo de encorajamento e não o contrário.

Infelizmente, aquilo que para mim era evidente, era “estranho” para outras pessoas. E toda a dinâmica da ILC passou a ser contaminada pela pergunta: quantas assinaturas temos?

Como resolver esta contradição? Como explicar às pessoas que o número era baixo sem, de caminho, revelar esse dado aos acordistas? Como apelar à solidariedade e à militância dos subscritores deixando de lado essa informação que, aos olhos de todos, se tornou crucial? De pouco me serviu dizer que eu próprio não sabia o número. De pouco serviu dizer, off the record, a algumas pessoas: “se revelarmos esse dado a ILC acaba”.

Ninguém queria saber — o que interessava era o númerozinho.

E aqui entrou em acção a “máquina de indignação” que vulgarmente se designa por “redes sociais”: uma espécie de universo paralelo onde as leis da urbanidade e do civismo parecem não se aplicar. No Facebook toda a gente se “indigna”, toda a gente “exige”, toda a gente “faria melhor”. As pessoas começavam por “indignar-se” e, de seguida, munidos dessa carta de alforria passada a si próprios, passavam da indignação à desconfiança e da desconfiança ao insulto. O exemplo que o João apresenta não é o único: temos uma boa colecção de declarações em que, aparentemente sem se aperceberem da enormidade das próprias palavras, várias pessoas confessam publicamente ter assinaturas na sua posse que, “por desconfiança”, não iriam enviar para “o apartado de Carcavelos”. Será possível que estes “indignados” não tenham consciência de estar a trair quem neles confiou para subscrever a ILC?

De pouco me serviu tentar responder pessoalmente, em privado, a quem nos “exigia” esse número. As minhas respostas apareciam mais tarde escarrapachadas na mesma praça pública que eu tinha tentado evitar e eram apenas mais achas para a fogueira. Lamento não ter sido mais eficaz, mas lamento ainda mais que as energias de tanta gente, com capacidades que teriam sido preciosas para a ILC, tenham sido desbaratadas desta forma… a lutar contra a Iniciativa que tinham começado por subscrever e na qual tinham militado convictamente.

Mais tarde, o João acabaria por nos revelar o número de assinaturas. Fê-lo quando era um número ainda baixo, mas já bastante mais “suportável”: cerca de quinze mil subscrições. Em papel. É, apesar de tudo, um número de que me orgulho. Modéstia à parte, senti que fiz o que tinha de ser feito: não precisei de um número (nem de “fazer números”) para continuar a lutar.

Pouco depois, esse número foi tornado público. Como “incentivo”, gostaríamos que tivesse sido um número maior. Mas era o que era. E a mim, parecia-me um bom ponto de partida — bastava que cada subscritor angariasse mais duas assinaturas para que estivéssemos “quase lá”. Cheguei a fazer um texto propondo isso mesmo.

Como reagiu “a militância”? Vencido o tabu, iríamos agora assistir ao regresso dos colaboradores? Iríamos agora receber as assinaturas “retidas”? Iríamos finalmente ter paz e sossego e, acima de tudo, mais gente disposta a continuar a luta? Vamos lá pessoal!, quinze mil não é assim tão mau. Nós conseguimos! Alô…? Está aí alguém…?

Rui Valente


A foto de topo foi tirada pelo próprio RV numa das suas acções de distribuição de impressos em caixas de correio. Inseri os “links” no texto. JPG

Descubra as diferenças

FBD_MRS_CPLPAlgumas “coincidências”.

A correspondência é feita pela cor dos destaques (a azul ou a verde).

As citações marcadas com o número 1 são do Programa de Governo para a XIII Legislatura (PS+PCP+BE), cap. VIII (“Promover a Língua Portuguesa e a cidadania lusófona”).

As citações marcadas com o número 2 são de Marcelo Rebelo de Sousa (PSD), candidato à Presidência da República, e/ou de Feliciano Barreiras Duarte (PSD), autor do relatório sobre a Petição Manifesto de Vasco Graça Moura.


 

1. «A criação de um programa de intercâmbio universitário vocacionado especificamente para a circulação de estudantes de língua portuguesa, instituindo um Erasmus na CPLP, dirigido a estudantes e professores.»

2. «Feliciano Barreiras Duarte defende ainda a concretização do Erasmus lusófono.» (http://www.tintafresca.net/News/newsdetail.aspx…)

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1. «A criação de um sistema de registo de marcas lusófonas, permitindo-se que através de um registo único se possa obter e fazer uso de uma marca válida e protegida em todos os países da CPLP.»

«A criação de um espaço económico da Língua Portuguesa com eliminação de barreiras ao exercício de transações comerciais e ao investimento, regras jurídicas comuns, reconhecimento automático de documentação pública e um ambiente fiscal e aduaneiro favorável.»

2. a)  «O aprofundadamente do espaço económico da organização, permitindo o aumento dos níveis de investimento, de riqueza e criação de emprego, a criação da marca da CPLP à escala mundial e promover a discussão da lusofonia foram outras das ideias apresentadas.»  (Feliciano Barreiras Duarte – “Tinta Fresca”)

2. b) «Neste capítulo, o docente destacou a ligação entre os vários países da CPLP ao nível da formação jurídica, sublinhando que “esta rede que era informal passou a ser cada vez mais formal com a realização de protocolos entre as várias universidades públicas e privadas”. (…)
Defendendo que o “direito tem que ser um fator de avanço no quadro da CPLP”, o jurisconsulto considera que “ninguém imagina o quão importantes estas obras vão ser, porque qualquer jurista lusófono, onde quer que se encontre, vai utilizar estas coletâneas.» (Marcelo Rebelo de Sousa – “Tinta Fresca”)

2. c) «O docente considera, por outro lado, que o seus livros devem ser “entendidos como um instrumento para uma melhor compreensão daquilo a que podemos começar a designar o direito da CPLP, uma nova realidade jurídica que nos últimos 20 anos se tem vindo a solidificar, não só politicamente mas também juridicamente, no vasto leque de matérias tuteladas pela ciência jurídica”.» (Feliciano Barreiras Duarte – “Tinta Fresca”)


Foto de topo: “Tinta Fresca”