Uma história (muito) mal contada [XXIV]

“Quantas assinaturas temos?” – 3

 

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E que tal se acabássemos com isto de uma vez por todas, hem? Afinal, raios, esta parvoíce de  “quantas assinaturas temos já tresanda! O que é demais é erro, caramba!

Pois sim. Pois será. Mas, na verdade, isto ele foram muitos anos a amochar em nome dos superiores interesses da Causa, perdoareis (ou não, paciência), sucede que fartei-me de levar e calar. Basta! Como dizem os brasileiros, “cansei de” ser o bombo da festa, logo, acabou a festa. Se porventura o assunto já for aborrecendo, pois tanto pior, ao fim e ao cabo ninguém é obrigado a ler coisa alguma e muito menos o que não agrada.

Aliás, ou conto a história para que ela deixe de estar assim tão mal contada ou então ninguém mais a contará — e portanto jamais alguém poderá entender as causas da coisa ou as coisas da Causa.

Ora, perdões à parte, aquela “pergunta” sobre as assinaturas não apenas foi o único pretexto para a sórdida campanha lançada contra a Iniciativa como explica, por si mesma, o ambiente tóxico a que, desde finais de 2011, tivemos de resistir.

Na minha opinião, quem manobra aqueles grupos anti-ILCAO, essa espécie de sexta-coluna que se infiltrou no  movimento anti-AO, é de facto gente que não brinca em serviço. A partir do momento em que o número exacto de subscrições foi por nós revelado, eles já apagaram, alteraram, eliminaram definitivamente conteúdos ou substituíram os mais ofensivos e comprometedores por outros completamente inócuos. Mas mesmo assim, além do que nesta história se vai expondo, de entre aquilo que fui guardando ao longo de todos estes anos, e o que alguns activistas da ILC-AO certamente conservarão em seu poder, um imenso manancial de documentação ainda restará com certeza, por aí, algures, para comprovar (ou provar) o que de facto se passou nesta “frente”, a do “fogo amigo”. É que, como se costuma dizer, quem tem amigos daqueles não precisa de inimigos.

Ou foram mesmo apagados conteúdos ou então sou só eu que já não os encontro; por exemplo, desapareceram todos os rastos das “causas” em que alguns dos aCtivistas anti-ILCAO militaram antes de se dedicarem a atacar a nossa iniciativa cívica; são consumidores de causas, portanto, coisa que lhes não convém se saiba. Desapareceram (ou não as vejo), no Fakebook, as páginas dos primeiros eventos a que chamaram “patuscadas” e que se destinavam, em teoria, a “recolher assinaturas para a ILC”, as quais (em que medida, é impossível saber-se) foram por eles “retidas”. O próprio grupo de “voluntários da ILC”, também no Fakebook, passou a ter o mesmo post repetido sucessivamente, removendo assim os posts reais das primeiras páginas. Desapareceram, se calhar, (quase) todos os conteúdos em que as suas “acções de recolha de assinaturas para a ILC” apareciam misturadas com actividades lucrativas ou com recolhas de fundos.

Mas nem apagando ou aldrabando registos conseguirão alterar os factos. O que pretendiam fazer, como plano A, parece-me mais do que óbvio: tomar de assalto a ILC-AO usando as “suas”  subscrições para nos chantagear. Se porventura isto não resultasse, então avançaria o plano B, igualmente simples: sabotar a ILC-AO usando o número exacto de assinaturas como pretexto para levantar suspeições sobre a Iniciativa e os seus promotores.

Posso até deduzir aquele plano A, passo a passo.

Primeiramente, insinuam-se na ILC, sob a capa de simples voluntários, fingindo pretender  apenas recolher assinaturas e “ajudar” no que fosse preciso.

A seguir, tentam impor a sua própria estratégia e os seus próprios métodos. Em 9 de Novembro de 2011, pouco tempo depois de se ter “oferecido” como “voluntária”, recebi um email da (então única) cabecilha, em que ela declara que faria o que quisesse e como muito bem entendesse quanto às recolhas de assinaturas “para a ILC”, a qual ILC, portanto, segundo diz, não tinha nada a ver com as ditas assinaturas:
«Poderá, depois disso, reproduzir essa transcrição, se entender fazê-lo. Para já, mantém-se como comunicação privada e não tencionamos dar publicidade aos locais e horários dos pontos-de-encontro das acções em grupo.»

A partir da Feira do Livro de Lisboa (Abril de 2012), tendo já sequestrado um número indeterminado de subscrições, começam a usá-las para nos chantagear: só entregamos estas assinaturas se

Como recusámos chantagens e imposições, socorrem-se das páginas da ILC (“galeria” no site e “murais” no Facebook) para aliciar os nossos apoiantes, voluntários e militantes.

Por fim,  lançam sucessivamente outras “iniciativas” paralelas, incluindo uma petição (obviamente, condenada ao fracasso), sempre dando a entender que “isto é tudo a mesma coisa”. Ora, não é. Nunca foi. De todo.

 

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De facto, em relativamente pouco tempo e com nenhum esforço (a intriga não dá trabalho, presumo) o plano resulta, em grande medida, visto que muitas pessoas passam-se,   literalmente e em dois sentidos: passam-se para o lado “deles”, dos intriguistas, e passam-se (da cabeça) connosco, assim que interiorizam o assédio como “activismo” e a mentira como “verdade”.

Em especial a partir de finais de 2012, as deserções (e as desistências) sucederam-se nas nossas “hostes”; houve até activistas veteranos da Iniciativa que aderiram àquela espécie de “movimento” anti-ILCAO e outros houve que, por cansaço, por estarem já mais do que fartos de tanta animosidade, pura e simplesmente afastaram-se da Causa, desligaram. Os que mudaram de “lado” fizeram-no, na sua maioria, de forma inocente, quero crer, mas o facto é que, à conta do veneno espalhado por venenosos, foi-se assim esvaziando, esgotando, drenando a ILC-AO propriamente dita.

O pessoal pela-se por uma boa intriga, adora mexericos, não passa de boa saúde sem permanentemente inventar inimigos. Para a mais do que evidente má-língua há sempre quem tenha todo o tempo do mundo. Foram realmente muitas as pessoas que se deixaram contaminar pela maledicência e algumas dessas passaram a também reproduzir mentiras a respeito da ILC-AO, insinuações torpes, as suspeições mais estapafúrdias e infames, enxovalhos gravíssimos que nem a acordistas lembrariam.

Em Portugal, como sabe por experiência própria qualquer cidadão decente, saem quase sempre incólumes os canalhas que fazem dos crimes de injúria, calúnia e difamação o seu modo de vida. No caso dos juristas que amiúde se entretêm a denegrir o carácter das pessoas, por maioria de razões, presumo não seja necessário recomendar-lhes que leiam de novo o Capítulo VI (“Dos crimes contra a honra”) do Código Penal. Não que tencione eu mesmo deitar mão a expedientes legais, bem entendido, pois  para lavar a honra não preciso de armas reservadas a cobardes.

Mas a impunidade de que gozam patifes explica muita coisa, de facto. A estratégia de sabotagem acabaria por fatalmente resultar em mais alguma coisinha do que apenas termos nós de aguentar não uma mas duas frentes de combate. Ainda que se resista com imensa determinação a um cerco, chega sempre o momento em que pelo menos uma brecha se abre nas linhas defensivas.

Foi o que sucedeu no dia 20 de Março de 2013, num evento organizado pela FCSH*: respondi pessoalmente a uma provocação. Coisa de que não me orgulho, evidentemente, mas da qual também não me penalizo. Um homem é um homem e um rato é um rato.

Eu já sabia que naquele evento estariam vários elementos anti-ILC e adivinhava que essa gente iria aproveitar a  oportunidade para, pela primeira vez num local público, provocar-nos com a sua perguntinha favorita: “quantas assinaturas temos?”

Iríamos cair numa cilada, quanto a isso não tínhamos a menor dúvida. Antes de nos dirigirmos ao anfiteatro da FCSH*, nas duas horas anteriores, HC*, RV* e eu tínhamos estado a enumerar, literalmente, antecipando com poucas ou nenhumas variantes ou variáveis o que se iria passar, em especial  no período de perguntas e respostas que se seguiria às intervenções dos oradores convidados. Estava mesmo tudo previsto.

Tudo, é claro, menos o que não ocorreu sequer a algum de nós pudesse suceder nas instalações de uma instituição universitária de prestígio, durante um simples evento sobre o AO90: havia um rufia na sala, com respaldo de mais uns quantos da sua comandita.

Esse rufia ia mandatado para armar zaragata e tinha a incumbência singela de provocar os elementos da Comissão Representativa da ILC-AO. Em especial um destes, pois: o inimigo único de vários indivíduos, o ódiozinho de estimação que a todos esses une na causa que verdadeiramente os move. Ou seja, yours truly.

Reagi por instinto à forma rude e extremamente agressiva como aquele tipo abordou HC*, que nos representava na “mesa” do evento. Nestas ocasiões, não há cá paninhos quentes: quando alguém está a agredir uma amiga nossa, ainda que apenas com palavras, não reagir não é sequer opção. Levantei-me de imediato, na última fila do anfiteatro, e declarei alto e bom som ser integralmente minha a responsabilidade pela não divulgação de “quantas assinaturas temos” e deixei claro que ninguém iria obrigar-me a dizer fosse o que fosse sobre um assunto que nada tinha a ver com aquele evento.

O que se seguiu foi aquilo que a assistência viu (ou julgou ver), mas a verdade é que ninguém percebeu; quem viu (ou julgou ver) a cena não sabe o que se passou ao certo. Eu sei, bem entendido: não toquei sequer no fulano, segredei-lhe apenas ao pé da orelha umas palavrinhas que na altura achei melhor não dizer em voz alta, ou seja, algo como “eu já sabia que vinha aqui um animal só para provocar, para arranjar confusão, agora vai lá dizer isto a quem te mandou cá.”

Foi assim e só assim. O que por aí depois se babujou sobre o caso é pura mentira. “Por aí”, entenda-se, pelas redes anti-sociais e também por email. Aquela piquena altercação pessoal, se bem que num local público, é a excepção que confirma a regra: a cobardia acoita-se principal e preferencialmente em meios virtuais, a coberto do anonimato ou pela calada.

E pior ainda do que a sacanice do anonimato é a sacanice com assinatura. Do que é  espectacular exemplo mais este pedaço de esterco:
«No dia do “Forum”, 20 de Março de 2013, no final, após o JPG dizer “Não digo! Não justifico!”, por duas vezes, após aquela cena acabar, J*** R**** D***, que estava na parte de baixo, do lado esquerdo do Anfiteatro foi imediatamente ter com o JPG e esteve à conversa com ele e outros sujeitos durante, pelo menos, 20 minutos. Tirem as vossas conclusões…»

Determinada pessoa atreveu-se a ir “imediatamente ter com o JPG” (o JPG sou, eu, ok?, nada de confusões). O que terá essa pessoa, outro meliante, pois com certeza, só pode ser, ido conspirar com o perigosíssimo “JPG”, hem?

“E outros sujeitos”! Todos ali a planear coisas esquisitas com “o JPG”! Bandidos, pá!

Deixo uma adivinha: quem terá enviado por email aquele detrito? Hem?

Tirem as vossas conclusões

 

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FCSH – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
HC – Hermínia Castro
RV – Rui Valente

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4 Comments

  1. Isabel Coutinho Monteiro

    Excelente resenha histórica! Obrigada, JPG, pela iniciativa da Iniciativa contra o AO90, por todo o trabalho que isso envolveu, pelas horas que não dormiu para que os activistas da ILCAO dormissem mais descansados, pela paciência e resistência sob o fogo cerrado de perguntas pelo número de assinaturas, enfim, por ter “aparado” quase sozinho todos estes golpes e golpistas. Pela minha parte, cá estou, pronta a continuar a luta contra o AO90, “mas não a qualquer preço”. Bem haja!

    1. Eu é que tenho a agradecer à Isabel por todo o apoio ao longo do tempo todo. Fórmula que não posso infelizmente aplicar a muito mais gente, visto que a maioria apenas apoiou ou pouco ou só durante algum tempo.

      Ainda sobre a “sacramental” pergunta: não era esta o problema, já que se lhe respondia quase sempre, o problema era quando a perguntava deixava de o ser e passava a implicar uma afirmação, e pior ainda quando esta afirmação estava apenas implícita e, portanto, tornava-se num chorrilho de insinuações.

  2. Lembro-me da provocação que lhe fizeram na universidade da Av. de Berna. Fui um dos sujeitos que estive em conversa consigo após. Considerando o terror em Paris ultimamente, quem quiser tire conclusões. Ahahahaha!

    1. Já não me recordo ao certo. Foi na FCSH que planeámos os ataques ao Bataclan?

      Mas agradeço a lembrança. Só agora me apercebi de que o mamífero até cronometrou a “conspiração” entre os “meliantes” e tudo. Acho que nunca tinha reparado naqueles “20 minutos”. Estes maluquinhos são extraordinários, de facto.

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