Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Mês: Fevereiro 2016

Cruzadas

Publico_cruzadas1

O que nós queremos?

O Simplificando a Ortografia quer que, em vez das atuais 400 horas/aula de ortografia ministradas desde o início do fundamental até o fim do ensino médio, sejam utilizadas apenas (ou em torno de) 150. Quer que os professores, alunos e profissionais de todos os ramos possam escrever com mais segurança e desenvoltura, gastando muito menos tempo. Quer que nas escolas o ensino de Português foque assuntos mais importantes como leitura, análise, compreensão, interpretação e criação de textos e, desenvolva no cidadão a competência comunicativa, tão necessária para o engrandecimento de Angola, Brasil, Goa, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, e de seus filhos, onde quer que se encontrem.

[Citação do “site” Simplificando a Ortografia]
[“post” ILC-AO 15.08.14]

«Contrariamente ao muito que se diz por aí, as alterações que vão ser introduzidas são muito poucas e julgo que basta uma meia hora para os professores aprenderem as novas regras. E depois é aplicá-las.»
Paulo Feytor Pinto, presidente da Associação de Professores de Português (APP), 2 de Setembro de 2009, “Diário Digital”. [“post” ILC-AO  29.11.14.]


«A finalidade é criar uma padronização da nomenclatura da gramática normativa, bem como simplificar a ortografia da Língua Portuguesa. Para 2014 já está marcada uma reunião internacional para discutir se essa padronização das normas do Brasil deverá ser aplicada nos demais países que falam o idioma português [Jus Brasil, 8.11.13] [“post” ILC-AO, 18.11.13]


Então, por causa dos tais dois mil para quem o conhecimento desta língua é útil, noventa e oito mil foram torturados e em vão sacrificaram um tempo precioso.
Neste caso, trata-se de uma língua da qual nem se pode dizer que sirva para educar ou aguçar o pensamento lógico, como acontece, por exemplo, com o latim. Daí que seria essencialmente mais útil se ao jovem estudante fossem transmitidos apenas os contornos gerais da língua, ou melhor, a sua estrutura interna, portanto se lhe fosse dado conhecimento das características mais marcantes desta língua, ou talvez apresentar-lhe os rudimentos da gramática, pronúncia, sintaxe, etc., através de exemplos modelares. Isto seria suficiente para satisfazer as necessidades gerais, por ser mais fácil ficar com uma visão geral e de fixar. Seria mais útil do que encher a cabeça com todos os conhecimentos acerca de uma língua que nunca se irá dominar realmente e que mais tarde se vai esquecer. Evitar-se-ia também o perigo de, de toda a sobrecarga de matéria, apenas ficarem uns fragmentos na memória, uma vez que o jovem só teria de aprender o essencial, sendo assim feita antecipadamente a selecção do que é útil e inútil.
O princípio geral aqui enunciado deveria ser suficiente para o resto da vida dos alunos, ao passo que àquele que efectivamente necessita desta língua mais tarde oferece a possibilidade de prosseguir a partir desta base e dedicar-se mais a fundo, de livre vontade, ao seu estudo.
Ganhar-se-ia assim no currículo o tempo necessário para a educação física, bem como para as crescentes exigências nas áreas já atrás referidas.

“Mein Kampf”, Adolf Hitler

(mais…)

Share

Turismo linguístico: “lusofonia” de casino

Faltará, quiçá, apenas apurar o que tem tudo isto a ver com o “acordo ortográfico”, directa ou indirectamente. Na minha opinião, olhando para os dois primeiros nomes da “Comissão Científica Permanente da AICL“, não há nisto tudo absolutamente nada de indirecto.

Como já vimos, estes “lusofónicos” e pevidelaureantes eventos são altamente patrocinados por beneméritos do calibre de um Bechara e de um Malaca, logo à cabeça.

figura de Graça Maciel CostaAinda assim, à cautela, desconfiei de tal fartura de dois, tão rotundos e proeminentes patronos, e portanto pus-me a verificar se porventura não teriam eles apenas emprestado suas graças para abrilhantar os eventos, isto é, se os próprios se meteriam pessoalmente em tais assados. Pois não há que enganar, os homens estão lá mesmo, parece-me até que vão a todas (as jantaradas e patuscadas), quer dizer, estão nas mesas dos jantares dando ao dente e estão também na mesa de cada um  dos colóquios. Se bem que nestas últimas mesas dêem pouco à língua , acho até que d’habitude não abrem a boca, estão ali apenas para, com o peso institucional de suas não muito etéreas pessoas, conferir prestígio — e algum lastro de aparente seriedade — aos ofícios coloquiais.

Como se pode constatar no vídeo fotográfico que se segue, ambos os beneméritos aparecem, por junto ou por atacado, em várias das comezainas e em diversas das coloquiações.

Ficámos já cientes de que estes “colóquios” não passam de uma forma de promover o AO90. Nada subtil, a forma, pelo contrário, sendo esta relação de causa e efeito apresentada até com inusitado descaramento: com o engodo de umas férias “bem” passadas, os “colóquios da lusofonia” são mera propaganda acordista. Ponto.

Mas, se dúvidas subsistirem, oiça-se o que diz Bechara numa entrevista à TDM, no âmbito do 15.º Colóquio (2011): fala profusamente do “bloco linguístico a que chamamos lusofonia”, atira com a balela da “unificação” e assim por diante, lá vai ele desfiando ao longo de meia hora o chorrilho de patranhas do costume.

Se quisermos ter uma ideia, quanto mais não seja por estimativa (ou até por palpite), do interesse que estes eventos “internacionais” suscitam nos oito países “lusófonos”, podemos, por exemplo, espreitar o número de visualizações da dita entrevista: 2! (Duas!)
AICL_TDM_BecharaDonde se conclui que houve, neste mundo, ao longo de dois anos, duas pessoas que visualizaram a peça: o autor da dita e… eu! Há coisas fantásticas, não há? E isto passa-se numa “playlist” monotemática, só sobre os “colóquios” (e eventos com eles relacionados), que reúne um número impressionante de gravações: 193!

(mais…)

Share

Turismo linguístico: “lusofonia” e… “Física Quântica”

A parte mais difícil deste trabalho não foi coligir e sequenciar materiais de “estudo”, porque há por aí muita coisa, foi seleccionar apenas o que de fundamental — para não cansar as pessoas — poderia servir para ilustrar o assunto: falamos de “turismo linguístico”, está bem, e de “lusofonia”, certo, mas… “Física Quântica”? Perdão? O que diabo vem a ser isso? E o que tem semelhante coisa a ver com o AO90?

Pois sim, bem sei, os três conceitos não são muito fáceis de entender e se os amalgamarmos no mesmo título então a confusão ainda é maior. Vejamo-los, portanto, um de cada vez.

Toda a gente sabe (enfim, pouco mais ou menos) o que vem a ser o termo “lusofonia” entre aspas, sempre entre aspas, significando estas que se trata de um conceito cujo significado original e verídico foi paulatinamente transformado em pura e simples, tremenda aldrabice.

Já a expressão “turismo linguístico” pode soar algo familiarmente, que ele há disso, por exemplo, em Espanhol, em Francês e em Inglês. Bem entendido, na acepção de que aqui e agora se trata, não têm o “tourism linguistique” ou o “linguistic tourism” rigorosamente nada a ver com a sua tradução literal para Português: uma coisa é um cidadão ir passar uns tempos num país qualquer para ali “mergulhar” na Língua local, outra coisa completamente diferente — mais uma originalidade absoluta integralmente inventada por portugueses — é um grupo excursionista organizar uns “colóquios” para “debater” a Língua dos excursionistas em destinos mais ou menos exóticos.

http://pgl.gal/xxii-coloquio-da-lusofonia-decorrera-em-setembro-em-seia/
Quanto ao terceiro dos conceitos amalgamados é que, enfim, lamento, eu cá tinha uma vaga ideia de que “Física Quântica” não era exactamente isto:

Transformar a consciência do Português. O processo deve começar na comunidade onde vive e convive o cidadão. A comunidade, quando está politicamente organizada em Associação de Moradores, Clube de Mães, Clube de Idosos, etc., torna-se um micro Estado. As transformações desejadas serão efetuadas nesses microestados, que são os átomos do organismo nacional – confirma a Física Quântica.

Ao analisarmos a conduta das pessoas nos países ricos e desenvolvidos, constatamos que a grande maioria segue o paradigma quântico, isto é, a prevalência do espírito sobre a matéria, ao adotarem os seguintes princípios de vida: (…)

Esta mui interessante “definição” de Física Quântica é o devaneio que está escarrapachado sob o  sub-título “Solução-síntese” num todo ele curioso documento intitulado como Historial dos Colóquios da Lusofonia Representantes da Sociedade civil Atuante“.

Do qual podemos destacar, apenas para ilustração do respeitável público ou, pelo menos, daquele que não é totalmente quadrado na matéria, algumas verdadeiras pérolas (favor não confundir com pérolas verdadeiras, que são umas coisas redondas):

(mais…)

Share

Era fratal como o destino

fratais1
«Fratais para estudo dos expoentes»
Academia Picramote – Centro de Explicações (Ericeira, Portugal)


fratais2«estudo dos fratais – Geometria fratal – o que são frataisFratais são objetos» (etc.)
(de um “blog” pessoal)*


fratais3«Serão abordados temas como iteração de funções, análise gráfica, geração de fratais, conjuntos de Julia e Mandelbrot, e outros aspectos interessantes da teoria do caos.»
Universidade do Minho – Dep. Matemática e Aplicações

Ver cAOs – índice geral

*Esta citação de um blog pessoal é uma excepção absoluta, no âmbito do índice cAOs.

Share

Escritor António Fonseca desaconselha adesão ao AO90 [jornal “O País” (Angola)]

 

Oais_Angola_logo

Escritor António Fonseca desaconselha adesão ao acordo ortográfico

Fevereiro 22, 2016

Alberto Bambi

Admite que uma eventual adesão poderia causar algum impacto negativo na cultura, história, administração e ensino.

————————

Em entrevista exclusiva aO PAÍS, o escritor justificou-se com o facto de os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) não terem sido contactados no momento desta projecção linguística, que resultou na alteração de alguns vocábulos, como é o caso da supressão da letra c nas palavras de sequência consonântica. Segundo a fonte, “por aquilo que eu saiba, de um modo particular, o acordo foi feito inicialmente sem a presença e anuência dos países africanos, para depois ser imposta a nós, o que demonstra uma falta de respeito”, desabafou António Fonseca.

O também jornalista acrescentou que, depois de Angola ter acesso ao referido acordo, elaborou a seguir um estudo que revelava os inúmeros erros e as deficiências contidas no projecto. Prudente nas suas afirmações, António Fonseca esclareceu que não foi por razões políticas que o país não aderiu ao referido acordo ortográfico, mas por conter erros técnicos e culturais “bastante visíveis”. Referiu que a alteração da escrita de algumas palavras feria o sentido de identidade cultural, enquanto a sua estrutura remetia a um conflito de sentido semântico. Exemplificou o caso das palavras “facto” e “fato”.

Sobre o ferimento do sentido da identidade cultural, realçou ainda que algumas palavras acarretavam elementos matriciais que configuravam nas realidades, sendo fruto da história do povo angolano, quer da ocupação, quer dos poderes autóctones, que convergiam na angolanidade, com um peso carregado de matrizes e variantes.

[Source: Escritor António Fonseca desaconselha adesão ao acordo ortográfico | O País]

Capa-opais-edicao434

Share
Apartado 53 © 2017 Frontier Theme