Dia: 16 de Fevereiro, 2016

Académie française: “opposition à toute réforme de l’orthographe”

French_Academy_logo«Dans sa séance du 16 novembre 1989, confrontée à un projet de simplification de l’orthographe, elle a adopté à l’unanimité une déclaration qui rappelait fermement son opposition à toute modification autoritaire de l’orthographe. L’Académie a réaffirmé qu’il n’appartient ni au pouvoir politique ni à l’administration de légiférer ou de réglementer en matière de langage, l’usage, législateur suprême, rendant seul compte des évolutions naturelles de la langue, qui attestent sa vitalité propre.»
Déclaration de l’Académie française sur la « réforme de l’orthographe » adoptée dans la séance du jeudi 11 février 2016

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Orthographe: Najat Vallaud-Belkacem répond à l’Académie française

Par Françoise Dargent
Publié le 16/02/2016 à 11:25

La ministre de l’Education nationale s’étonne des paroles d’Hélène Carrère d’Encausse qui a pris ses distances avec la réforme de l’orthographe dans une interview au Figaro.

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La ministre de l’Éducation nationale, Najat Vallaud-Belkacem a fait part de son étonnement à Hélène Carrère d’Encausse, secrétaire perpétuel de l’Académie française qui a pris fermement ses distances avec la réforme de l’orthographe, dans un entretien accordé au Figaro samedi 13 février.

Dans une lettre adressée à l’académicienne, la ministre écrit: «C’est avec intérêt mais également avec un certain étonnement que j’ai pris connaissance de votre réaction publique aux nouveaux programmes de la scolarité obligatoire, publiés le 26 novembre 2015 – vous critiquez notamment la référence, pourtant identique à celle de 2008, aux rectifications de l’orthographe proposées par le Conseil supérieur de la langue française.»

«Étonnement renforcé par le fait que ces rectifications sont intégrées dans la neuvième édition du Dictionnaire de l’Académie française et que l’Académie, pourtant contactée par le Conseil supérieur des programmes cet été, n’a pas fait de remarque quant à la présence de cette référence», ajoute-t-elle.

Dans une interview accordée au Figaro, Hélène Carrère d’Encausse s’était dit surprise que l’on exhume une réforme élaborée il y a un quart de siècle et s’insurgeait de la responsabilité prêtée à l’institution sur cet épineux dossier . «Je suis stupéfaite d’entendre dire que l’Académie française aurait inventé cette réforme de l’orthographe, ou l’aurait soutenue. Or la position de l’Académie n’a jamais varié sur ce point: une opposition à toute réforme de l’orthographe, mais un accord conditionnel sur un nombre réduit de simplifications, qui ne soient pas imposées par voie autoritaire et qui soient soumises à l’épreuve du temps. Cette position est clairement exprimée dans la déclaration de l’Académie votée à l’unanimité dans la séance du 16 novembre 1989 et dont elle ne s’est jamais écartée», avait-elle déclaré.

Avant d’ajouter: «Je rappelle qu’à l’époque on réfléchissait à l’idée de simplifier l’apprentissage de l’orthographe par les élèves. Mais en 2016, nous sommes devant une situation radicalement différente: notre système éducatif s’est écroulé, et toutes les enquêtes internationales montrent que le savoir acquis par les élèves est en régression par rapport à d’autres pays, au point qu’un élève sur cinq quitte l’école sans savoir lire.»

Cette polémique autour d’une réforme prévoyant notamment la simplification de l’orthographe de certains mots, et qui doit se généraliser dans les manuels scolaires à la rentrée prochaine, était partie d’une mise au point du ministre de l’Éducation nationale qui soulignait, le 5 février dernier, que cette réforme avait bien été approuvée par l’Académie. «Il ne revient pas au ministère de l’Éducation nationale de déterminer les règles en vigueur dans la langue française. Ce travail revient à l’Académie française depuis Richelieu, qui assigna pour principale fonction à cette instance de donner des règles certaines à notre langue», indiquait le ministère.

Dans sa lettre de lundi, Najat Vallaud-Belkacem enfonce le clou et demande à l’Académie de prendre ses responsabilités: «Eu égard à la mission de défense et d’illustration de la langue française assignée à l’Académie, je vous serais reconnaissante de bien vouloir me faire part de toute évolution de la position de votre institution quant aux rectifications orthographiques, afin que les acteurs concernés puissent en tenir compte à l’avenir», souligne-t-elle.

[“Le Figaro” (France), 16.02.16. Os destaques e sublinhados são meus.]

 Imagens de Wikipedia: By Source (WP:NFCC#4), Fair use, https://en.wikipedia.org/w/index.php?curid=39220641

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Acordo ortográfico em França? Non, pas du tout.

DN_logo“Simplificações ortográficas não têm qualquer carácter vinculativo em França”

Para Jean-François Blarel, embaixador de França em Portugal, o desaparecimento do circunflexo no “i” e “u” foi o que mais polémica causou por criar ambiguidade em certas palavras.

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Porquê esta polémica agora em França sobre umas reformas ortográficas que datam de 1990?

A simplificação ortográfica do francês foi proposta pelo Conselho Superior da língua francesa no final dos anos 1980 e depois validada pela Academia Francesa e publicada no Jornal Oficial da República em 1990. Começou a ser aplicada em 2008 por ocasião da reformulação dos manuais escolares, apesar de não ter qualquer valor obrigatório. Cada um, inclusive os professores, continuava livre de usar ou não a nova ortografia. É por isso que, segundo a Academia Francesa, não se pode falar numa reforma, mas sim de uma revisão ou rectificação ortográfica, devido ao seu carácter facultativo. Apesar de não ter despertado o interesse de ninguém em 2008, as medidas de simplificação levantam hoje uma certa polémica devido à confusão feita por alguns, não sem segundas intenções, com as reformas do secundário e dos programas escolares (ambas muito contestadas) no início do próximo ano escolar. Estas reformas obrigam à alteração dos manuais escolares, aproveitada pelos editores para aplicar em pleno a revisão ortográfica.

Em Portugal também tivemos muitas críticas ao novo acordo ortográfico, mas em França as mudanças não são obrigatórias. As duas situações são comparáveis?

As simplificações ortográficas propostas não têm qualquer carácter vinculativo em França. A antiga ortografia continua a ser aceite. No entanto, a nova ortografia revista é a norma oficial desde 1990 e por isso todos os programas escolares devem respeitá-la. Espera-se que, com o tempo, esta venha a substituir a ortografia tradicional.

O desaparecimento do circunflexo dos “i” e “u” sobretudo mobilizou os internautas (a hashtag #JeSuisCirconflexe chegou a ser o mais popular no Twitter em França). Porquê?

O foco dos internautas no desaparecimento (parcial) do acento circunflexo, excepto no caso de alguns puristas nostálgicos, prende-se sobretudo, parece-me, com a ambiguidade que o seu desaparecimento – total – causaria em certas palavras. Por exemplo: jêune (jejum) e jeune (jovem); sûr (seguro) e sur (em cima de). Outras alterações, ligadas a uma harmonização léxica (por exemplo chariot passa a ter dois “r” para ser semelhante a charrette) ou o desaparecimento do hífen em algumas palavras compostas (portemonnaie em vez de porte-monnaie) são também introduzidos com uma preocupação de simplificação ou de coerência.

Estas alterações aplicam-se apenas em França ou em todos os países francófonos?

O Conselho Internacional da Língua Francesa (CILF), onde todos os países francófonos estão representados, tendo dado parecer favorável à nova ortografia, estes podem aplicá-la se assim o entenderem. Estudos realizados nos anos 2000 concluíram que quanto mais próximo o país for da França (por exemplo, Bélgica ou Suíça), mais facilmente as recomendações ortográficas recomendadas pelas instâncias francesas tendem a ser adoptadas.

Esta polémica gerou críticas contra a ministra Najat Vallaud–Belkacem, mas o Ministério da Educação garante não ter nada que ver com a decisão da Academia Francesa. Quem é responsável?

Por razões que já expliquei, a simplificação ortográfica foi apresentada pelos seus opositores como uma novidade imposta pelo Ministério da Educação. Mas não é o caso. A medida data de 1990 e são os editores de manuais escolares que decidiram aplicá-la nos livros para o próximo ano escolar.

[Diário de Notícias”, 16.02.16]

Os destaques e sublinhados são meus. Corrigi a ortografia do original.

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