Dia: 28 de Abril, 2016

“Euromundismo” e “afetos” (?)

MRS_CPLP

Nos seus 20 anos – A evolução da CPLP

27.04.2016 às 16h00

Adriano Moreira

“A CPLP é um pacto de amizade entre iguais. A sua actuação está a ganhar crescente visibilidade internacional e o seu reconhecimento tem-se verificado nas actividades desenvolvidas em inúmeras áreas sectoriais. As demonstrações de interesses de alguns países e instituições em integrarem a CPLP comprovam a vitalidade de uma organização que comemorou 15 anos de existência no passado 17 de Julho de 2011”. As palavras são de Domingos Simões Pereira, anterior secretário-executivo da organização. Agora, quase a celebrar 20 anos, Adriano Moreira faz uma análise da evolução da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

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Quando, em 1964 e 1966, se realizaram o primeiro e segundo Congressos das Comunidades de Cultura Portuguesa, por iniciativa da Sociedade de Geografia de Lisboa, à qual então presidia, sabíamos que a estrutura do Império Euromundista da frente atlântica europeia, esperava já pela certidão de óbito na ONU. Nesta data, sobreviventes a essas iniciativas, existe a Academia Internacional da Cultura Portuguesa em actividade, e a União das Comunidades de Cultura Portuguesa suspensa pelo facto de, em moldes diferentes, o tema ter passado para a órbita governamental. O desfazer do Império Euromundista, que tinha sede em vários Estados da frente atlântica (Holanda, Bélgica, França, Inglaterra, Portugal), não omitiu a guerra, que, pelo que respeita a Portugal, não tinha sido necessária quando se desfez o breve Reino Transatlântico de Portugal, Brasil e Algarves, reinando D. João VI, e no rescaldo da Revolução Francesa e das guerras napoleónicas.

Mas se o desfazer daquele breve Reino foi geralmente pacífico, também implicou a sobrevivência de um espírito de solidariedade das sociedades civis e dos governos, que no referido Congresso de 1966, na Ilha de Moçambique, permitiu a um delegado brasileiro proclamar que tinha sido dado um passo para a Pátria Maior, isto à sombra das bandeiras de Portugal e do Brasil, pela primeira vez erguidas a par como alicerce de um futuro. Essa Pátria Maior seria o que tenho chamado uma solidariedade de afectos, permanente e crescente à margem da evolução política, que, no virar do século, incluiu a chamada guerra colonial portuguesa. Todavia, este grave acidente não impediu o sonho da solidariedade de afectos, de que muitos foram apóstolos, ocorrendo-me lembrar Agostinho da Silva como voz sobrevivente em todas as circunstâncias, e ainda hoje ouvida.

De facto, depois de o Presidente da República Portuguesa, António José de Almeida, ter ido ao Brasil agradecer o facto de se ter proclamado independente, foi seguramente tal sentimento que fez com que, entre todos os países europeus do Império Euromundista da frente atlântica, Portugal fosse o único que viu configurar-se o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Embora o facto da comunidade de afectos, sem esquecer os acidentes do trajecto colonial semeado de brutalidades por todos os colonizadores, seja de origem inevitavelmente portuguesa, como demonstração evidente na formação da nacionalidade obtida pela mistura de mais de uma dezena de etnias, é certo que nenhuma de ambas as instituições teve o seu arranque por mão portuguesa, mas antes por iniciativa do Brasil. E por isso não poderei deixar de lembrar sempre o nome do embaixador José Aparecido de Oliveira, que foi o grande realizador das instituições e, por muito que a ideia seja contornada, o papel doutrinário de Gilberto Freyre, e o sonho de Agostinho da Silva de criar uma Biblioteca portuguesa em Brasília, que apoiasse eficazmente o plano universitário, e o projecto que não conseguiu levar a cabo de semear Centros de Estudo Portugueses em pontos cruciais da história portuguesa, designadamente Ceuta, Goa, Malaca, Japão, e assim por diante.

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Mundo brasileiro: um plano quinquenal

china_13planoquiquenalPalavras e expressões-chave: planos quinquenais, China, Macau, Brasil, Português, língua “unificada“, vistos “gold”, globalização, movimento de capitais, investimento, Banca, especulação, Bolsa, jogo, capitalismo, Império, AO90.

Mundoportugues_logoMacau quer ser o centro de formação de Português na Ásia

27/04/16

Macau quer ser um centro de formação de língua portuguesa na região da Ásia-Pacífico. A afirmação é do chefe do Governo do território, Fernando Chui Sai On, e surgiu em resposta a uma pergunta de um parlamentar sobre o objetivo, estabelecido por Pequim, de tornar Macau numa plataforma de cooperação entre a China e os países de língua portuguesa.

Fernando Chui Sai On considera que Macau “tem condições para ser uma base de formação” em língua portuguesa nesta área na zona da Ásia-Pacífico, e assume que este é um dos objetivos estratégicos da região para os próximos anos, porque já há ali “uma certa base” no ensino do português.

O chefe do executivo de Macau diz ainda que é possível ir contratar mais professores em Portugal, sublinhando “o bom relacionamento” com Lisboa. Chui Sai On falava na Assembleia Legislativa, numa sessão de respostas aos deputados, tendo sido questionado sobre o objetivo, estabelecido por Pequim, de tornar Macau numa plataforma de cooperação entre a China e os países de língua portuguesa.

Número cresceu 20%

O apoio de Pequim ao desenvolvimento deste papel de Macau como ponte entre a China e a lusofonia consta do XIII Plano Quinquenal chinês, aprovado recentemente, o que foi lembrado por diversos deputados. Cheang Chi Keong, eleito por sufrágio indireto, lembrou, a este propósito, a falta de quadros bilingues (português e chinês, as duas línguas oficiais de Macau) e quis saber como é que o executivo pretende responder a este problema. Chui Sai On reconheceu que esta é uma questão central e deu como exemplo o próprio Governo, em que faltam neste momento 126 tradutores para responder às necessidades.

Garantindo que o executivo “tem dado toda a atenção” a esta questão e que o número de alunos a estudar português em Macau cresceu 20% no atual ano letivo, vincou que é preciso apostar no ensino da língua portuguesa nas escolas não superiores e apoiar ainda mais as escolas privadas na criação de oferta de ensino do português.

Chui Sai On referiu que o estudo do português é uma opção dos estudantes e encarregados de educação e que “muitos” preferem escolher estudar chinês e inglês. A este propósito, prometeu a adoção de medidas para incentivar mais estudantes a optar pela língua portuguesa, incluindo alargar o âmbito de bolsas de estudo, como as destinadas a estudar em Portugal e noutros países.

Transcrição integral de notícia do jornal “online” «Mundo Português». Mantive, sem qualquer alteração, a ortografia brasileira do original; apenas os destaques a “bold” e sublinhados são meus. Fotografia de topo:  Damir Sagolj – Reuters – RTP

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