Dia: 7 de Maio, 2016

O Espesso de Balsemão chateia-se, a estrela Edite “solta a franga”

EditeEstrela_PE

expresso-logoAcordo Ortográfico gera tensão entre Marcelo e PS

Expresso – 07.05.2016 às 8h00

Edite Estrela, deputada e antiga professora de Literatura Portuguesa, em declarações ao Expresso, assumiu a crítica, lembrando que Angola e Moçambique ainda não ratificaram o Acordo Ortográfico devido a “razões financeiras”

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As declarações do Presidente da República admitindo reabrir o debate sobre o Acordo Ortográfico (AO) causaram perplexidade entre os socialistas, para mais tratando-se de um tratado internacional. A deputada e antiga professora de Literatura Portuguesa, Edite Estrela, assumiu, em declarações ao Expresso, a crítica.

Edite Estrela sublinha que Angola e Moçambique ainda não ratificaram o Acordo Ortográfico não por razões científicas mas devido a “razões financeiras”. O AO obriga a mudar manuais escolares, adaptar os documentos oficiais e, segundo a ex-eurodeputada, os governos destes dois países nunca consideraram a nova grafia “uma prioridade”. Por outro lado, lembra que as crianças que “frequentam hoje o 2º ciclo de escolaridade nunca escreveram de outra maneira” (apenas conhecem o português do novo Acordo Ortográfico).

“Ouvi com surpresa as declarações do sr. Presidente da República. Há funções onde não é possível fazer a separação entre o detentor do cargo e a condição de cidadão”, afirma acerca do facto de Marcelo Rebelo de Sousa ter adoptado na Presidência o novo Acordo Ortográfico embora pessoalmente tenha dúvidas e alimente a corrente que ainda existe anti-AO.

O Acordo Ortográfico é um tratado internacional assinado em 1990 e que depois foi ratificado pelo Brasil, Portugal ou Cabo Verde. É usado em Portugal desde 1 de Janeiro de 2012.

Antes de partir para Moçambique, país que ainda não ratificou o AO, Marcelo Rebelo de Sousa fez saber que estava disponível para reabrir o debate sobre este tema polémico, aproveitando o facto de haver países da CPLP que ainda não tinham aderido às novas normas. Já em Maputo Marcelo Rebelo de Sousa admitiu: “Nós estamos à espera que Moçambique decida sim ou não ao Acordo Ortográfico. Se decidir que não, mais Angola, é uma oportunidade para repensar essa matéria”.

Questionado pelo Expresso se tinha sido apanhado de surpresa pelas declarações do Presidente, o ministro dos Negócios Estrangeiros recusou responder.

Source: Expresso | Acordo Ortográfico gera tensão entre Marcelo e PS

Foto: Parlamento Europeu

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O pulha dos tracinhos

apagamento_IMBOs antecedentes estão profusamente documentados, com “bonecos” e tudo, na História (Muito) Mal Contada: passaram-se sete anos e meio desde que foi (por mim) sugerido o lançamento de uma ILC pela revogação da entrada em vigor do AO90 e em breve se completará um ano desde que foi lançada (por outros) uma “iniciativa popular de referendo” sobre o acordo ortográfico, tendo o surgimento desta IPR precipitado o “Fim” daquela ILC.

Para além de militantemente sabotarem a ILC-AO, durante 3 anos (de 2012 a 2015), alguns rufias de um pequeno gang de intriguistas passaram todo aquele tempo injuriando, caluniando e difamando os promotores da iniciativa (e em especial o 1.º subscritor da dita), usando para o efeito uma “pergunta” que apenas na aparência era inocente: “quantas assinaturas «temos»?”

IMBmuiiiitoQue tinha já passado “muiiiito tempo”, dizia um dos intriguistas (o pulha dos tracinhos, claro), e insinuava que já devia haver assinaturas “para 5 ou 6 ILC”.

Não é de forma alguma surpreendente, por conseguinte, considerando todos os antecedentes, que surja agora, apenas agora, depois de metodicamente inutilizadas todas as alternativas (a ILC-AO e as inviáveis), uma petição destinada a diminuir o número de assinaturas necessárias, bem como a anulação das formalidades burocráticas exigidas, tanto para as ILC como para as IPR.FBIMBMHC3

Está bom de ver. Afinal a tal “iniciativa popular” para levar o “acordo” a referendo (como se isso  fosse possível) não conseguiu as assinaturas necessárias, afinal a “queixa” ao Provedor de Justiça (2012) não obteve qualquer resposta, afinal a petição pela “desvinculação” (2013) deu em absolutamente nada, afinal a “Acção Popular” (2014) resultou em coisíssima nenhuma.

Portanto, o cabecilha de um gang de intriguistas e promotor de todos os falhanços (o pulha dos tracinhos) teve de esgalhar um último recurso para se manter “visível”: mudam-se as regras antes de ele próprio fazer o extraordinário favor ao povo ignaro de ele mesmo encabeçar a “sua” própria iniciativa, mas apenas se ou quando for impossível (também) isso falhar.

A mentalidade tuga em todo o seu “esplendor”.

 

logo_shareEsquerda concorda em facilitar acesso dos cidadãos à iniciativa legislativa, mas sem banalizar

Maria Lopes

06/05/2016 – 08:34

Propostas para reduzir assinaturas necessárias para as iniciativas legislativas de cidadãos são discutidas esta sexta-feira, mas baixam à comissão para acertos.

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Há pelo menos um ponto em que os partidos concordam: é preciso facilitar o acesso dos cidadãos à iniciativa legislativa, flexibilizando as regras. Mas é também necessário “não banalizar”. Por isso, as sete propostas que estão no Parlamento para mudar algumas regras burocráticas e reduzir o número de assinaturas necessárias para entregar iniciativas legislativas de cidadão e iniciativas populares de referendo são discutidas esta sexta-feira, em plenário, mas baixam à comissão sem votação, no mínimo por 30 dias, para se fazerem acertos, confirmaram ao PÚBLICO os partidos de esquerda.

Os sete projectos de lei e um de deliberação apresentados por todos os partidos e que são discutidos esta sexta-feira foram suscitados por uma petição que pede precisamente a simplificação dos requisitos legais para a apresentação destes dois tipos de iniciativas. — —— ——-, um dos peticionários a par do ex-deputado centrista José Ribeiro e Castro e do cineasta António-Pedro Vasconcelos, congratula-se com as iniciativas dos partidos porque respondem à generalidade dos pedidos da petição. Mas lamenta que o enfoque tenha sido sobre a iniciativa legislativa de cidadãos e que a iniciativa popular de referendo seja menosprezada. Para esta última, apenas o PSD apresentou uma proposta.

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Anda, Pacheco! (mas não te estiques)

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logo_shareA reversão mais valiosa para o futuro: acabar com o Acordo Ortográfico

José Pacheco Pereira

07/05/2016 – 00:05

Limbo por limbo, mais vale corrigir o mais depressa possível aquele que é de centenas de milhares, em vez de forçar o de milhões.

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As declarações do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa sobre o Acordo Ortográfico são uma das últimas janelas de oportunidade para que se feche em Portugal toda uma história de medíocre engenharia da língua, sem nenhuma vantagem nem mérito, cuja manutenção, por inércia e quase só por inércia, tornará Portugal e a cultura portuguesa mais débeis, menos influentes e mais isolados. Se há “reversão” que se exige do governo é a do Acordo Ortográfico, obra de políticas de facilidade, destinadas a resolver problemas complexos com um truque de engenharia política imposto por governantes cuja relação com a língua e a cultura portuguesa é, para não dizer outra coisa, de bastante indiferença. As divergências de ortografia com o Brasil, o grande argumento para o Acordo, têm a ver com coisas muito diferentes de uma norma. Têm a ver com a pujança do português do Brasil, empurrado por uma sociedade dinâmica e aberta a muitas outras línguas e influências, que nunca conseguiremos domar com um Acordo deste tipo. Bem pelo contrário, é bom para o português como língua que ele tenha como locomotiva o Brasil, que nos enriquece pela sua diferença, enquanto que o português de Portugal pode permanecer o cânone cultural da língua, fiel às suas origens latinas, e transportando uma história que vale muito mais para a cultura brasileira do que uma variante mortiça da ortografia abrasileirada, escrita a contragosto e sem chama. O português é o português e é uma enorme vantagem cultural, mesmo no mercado competitivo da cultura, que ele permaneça na sua ortografia fiel às suas origens latinas. O Acordo é mais um dos aspectos do desprezo pela cultura das humanidades que caracterizou estes últimos anos. De Santana Lopes e Sócrates a Passos Coelho e, se não fizer nada, a Costa.

O Acordo Ortográfico é um monumento de ambiguidade às relações entre Portugal e os países onde se fala a língua portuguesa, que ninguém desejou nem pediu e que acabou por servir para gerar enormes efeitos perversos, que se arriscam a cair apenas sobre Portugal, visto que no Brasil, em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Timor, o caminho seguido é deixar o Acordo apenas na sua condição de papel. Para fazer esta “reversão” basta apenas tornar a sua aplicação facultativa, e logo a seguir a força colectiva da recusa ao Acordo isolará a minoria que o defende. O Acordo só existe em Portugal pelo absurdo de termos governos que o têm querido impor isoladamente a nível nacional, o que é o melhor exemplo do seu falhanço como acordo internacional, que não obriga ninguém visto que vários signatários resolveram não o aplicar, o que o torna caduco.

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«O ministro é sereno» [Nuno Pacheco, “Público”]

«Este Governo veio para ficar. E ficará enquanto o povo português quiser. Não tem perigo, não tem perigo, o povo é sereno! O povo é sereno. O povo é sereno. O povo é sereno. O povo é sereno, não tem perigo. É apenas fumaça. Não acabem… Tenham calma! Não quero terminar. Não quero…»

logo_shareO ministro é sereno

Nuno Pacheco

06/05/2016 – 07:30

O que importa que milhares de crianças estejam, há uns bons quatro anos, a aprender disparates na escola?

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“Este Governo veio para ficar. E ficará enquanto o povo português quiser!” Não, a frase não é recente nem pertence a António Costa (depois de empossado) ou a Passos Coelho (antes de ser apeado). Foi dita a 8 de Novembro de 1975 pelo primeiro-ministro, almirante Pinheiro de Azevedo, durante o célebre comício no Terreiro do Paço onde teve de apelar à calma à vista de uns cartazes a arder junto à estátua: “O povo é sereno, não tem perigo, é apenas fumaça!”

Hoje, porém, a serenidade mudou de dono. Perante as dúvidas de um Presidente frenético, o calmíssimo ministro dos Negócios Estrangeiros (coisa também calma, como se sabe) veio dizer que Portugal “aguarda serenamente” a conclusão da ratificação do acordo ortográfico pelos membros da CPLP. Mais não disse, nem precisava, que a serenidade aconselha recato. O ministro da Cultura, também serenamente, aquiesceu. Costa, sem falar (já falara), idem. Se pensarmos bem, faz sentido. Um governo que tão calma e serenamente agiu nos casos da PACC dos professores, dos exames do básico, dos testes de Cambridge, da privatização da TAP, dos salários, da sobretaxa no IRS, da actualização das pensões, RSI, CSI ou abono de família, tão serenamente quanto bombeiros correm para um incêndio, só podia falar em serenidade no caso, nada urgente, do acordo ortográfico.

Na verdade, o que importa que milhares de crianças estejam, há uns bons quatro anos, a aprender disparates na escola? É algo que perturbe a serenidade do ministro? Ou do Governo? Absolutamente nada. Outra personagem sereníssima, Malaca Casteleiro, veio juntar-se à calmaria, dizendo aceitar (sim, porque em matéria de AO é ele quem manda) que se venha a proceder a “correcções de conteúdo”, mas só quando os países em falta o ratificarem. Tomem nota: as incongruências e deficiências que o AO tem e todos lhe reconhecem, até os seus apoiantes, vão continuar a ser ministradas às criancinhas e ao povo por enquanto houver um governo sereno e um senhor que até tem o desplante de querer mandar no Presidente da República. Isto é fogo, não é só fumaça.

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Malaca versus Marcelo: isto é fantástico!

«É espantoso, inacreditável, como o Malaca Casteleiro se permite «avisar» o presidente da república de que «tem de cumprir a lei» (que não o é)! Mas quem é que este gajo pensa que é? O que é que ele tem, ou faz, ou por onde anda, ou com quem se dá, que lhe autoriza tal pesporrência?»
Octávio dos Santos, comentário, 10.04.16

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Como muito bem aqui realçou o jornalista Octávio dos Santos, Malaca Casteleiro provocou — pública e arrogantemente — o Presidente da República de Portugal. Evidentemente, Marcelo Rebelo de Sousa não apreciou, não terá ficado lá muito contente com a arrogância e ainda menos se terá alegrado com a provocação do ortográfico fulaninho, pelo que reagiu de imediato a ambas as coisas: Ah, tenho de cumprir a lei? Ah, sim? Cê acha, cara? Pois então veremos!

Claro. Lá diz o ditado, quem não se sente não é filho de boa gente. Malaca, na sua ânsia canina de fazer avançar a “revisão” do AO90 e assim torná-lo irreversível, precipitou-se nitidamente na forma e exorbitou estupidamente no conteúdo das palavras que dirigiu ao mais alto magistrado da Nação (portuguesa). O qual, com toda a naturalidade, respondeu — ignorando as palavras mas não o insulto.

No que toca à Causa anti-AO, isto é fantástico! Obrigado, Malaca! Insulte lá vossemecê mais um bocadinho o Presidente, vá, se é homem.

E que o dito siga chateado com a provocação, ora bem, isso é que importa. O AO90 pouco (ou nada) se lhe dava, pode ser que sua presidencial irritação deixe de ser uma simples questão pessoal e passe a ser um desígnio nacional.

Tratemos de assegurar que assim seja.

logoRRBlueAcordo Ortográfico. Marcelo foi “inoportuno e precipitado” ou “corajoso e prudente”?

04 Mai, 2016 – 13:32

Declarações do Presidente renovaram as esperanças dos opositores do AO. Marcelo diz que é “prematuro” falar em mudanças, mas o tema está de novo no debate público. Malaca Casteleiro diz que o PR “está a pôr o carro à frente dos bois”.

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O “cidadão Marcelo Rebelo de Sousa” é contra o novo Acordo Ortográfico (AO) e o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa vê na hipótese de Moçambique e Angola não ratificarem a nova grafia “uma oportunidade para repensar essa matéria”.

Esta quarta-feira, Marcelo foi mais cauteloso. Disse ser “prematuro” falar de eventuais mudanças nesta matéria “no quadro português”, sem que haja “elementos precisos” sobre o AO vindos de Angola e Moçambique.

Mas a polémica voltou. Comentando as declarações de terça-feira, o linguista Malaca Casteleiro, favorável ao novo AO, considera que o Presidente “está a pôr o carro à frente dos bois” na questão, enquanto o escritor Mário Cláudio saúda uma declaração “acertadíssima e prudente”.

Malaca Casteleiro acusa Marcelo de ter tido “uma declaração prematura e inoportuna”. “Com todo o respeito, acho que o senhor Presidente da República, usando uma expressão dele, está a pôr o carro a frente dos bois, porque o governo de Moçambique já aprovou o acordo, que está para ratificação no parlamento”, declara o professor de Letras, em entrevista à Renascença.

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