A minha última grande “gaffe”: hoje comprei o “i”

jornali10051
Mais uma incrível imbecilidade, mais uma jornalista que se acha no direito de dar “lições” (de educação, de diplomacia e de acordês) ao Presidente da República de Portugal. Isto é mesmo inacreditável. Comprei o pasquim por causa das parangonas na capa, meu rico eurito, o acordista “jornali” (será alentejano?) nunca mais.

ionline_logoA primeira grande gafe diplomática de Marcelo

10/05/2016

Ana Sá Lopes

Política
ana.lopes@ionline.pt

Marcelo é irresistível a dançar a marrabenta, a beijar pessoas, a tirar selfies com todos os habitantes do planeta em geral e com os de Moçambique em particular. Mas a viagem a Moçambique foi um marco da Presidência de Marcelo: mostrou a todo o mundo, particularmente ao mundo lusófono, que em funções de Estado Marcelo continua a ser Marcelo.

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Estando o povo português apaixonado pelo seu Presidente da República (afinal, isso já não acontecia há muito tempo e o estado de paixão tem aquela deliciosa sedução irracional), é provável que não tenha dado por isso nem tenha atribuído especial relevância ao assunto.

Mas vista de Cabo Verde – um país com quem Marcelo até tem especiais afinidades -, a declaração de Marcelo de que Portugal estaria disponível para reabrir o acordo ortográfico caiu como uma bomba. Marcelo esqueceu-se de que estava a representar o Estado português e provavelmente falou como “o cidadão Marcelo”, que continua sem saber escrever com o acordo ortográfico, como fez questão de afirmar a partir de Moçambique. O problema é que quando o Presidente da República fala, é o Estado português que está a falar, coisa de que Marcelo não se deu conta – e que era, como toda a gente sabe, um dos maiores riscos apontados pelos opositores da sua candidatura à Presidência.

A visita a Moçambique foi um sucesso em termos de espectáculo televisivo e um fracasso diplomático rotundo. Um Presidente não se pode imiscuir num assunto monstruoso, do ponto de vista da política internacional, como o acordo ortográfico com a ligeireza com que Marcelo o fez – mais a mais, não tendo qualquer competência para a matéria, que pertence ao governo. O ministro dos Negócios Estrangeiros veio delicadamente desmentir o Presidente. Mas na CPLP e num outro governo dos PALOP, Cabo Verde, Marcelo foi ridicularizado. Um Presidente tem de ser um diplomata e não um beijoqueiro-dançarino. Uma coisa pode não excluir as outras, mas desta vez não foi o caso.

[Transcrição de: A primeira grande gafe diplomática de Marcelo, jornal “i”, 10.05.16. Destaques e “links” meus.]

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1 Comment

  1. Marrabenta, diz a Ana Salopes.

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