Mês: Maio 2016

Estética da Língua

esthetiqueAlém de uma ou outra referência vaga ou menção avulsa, não me recordo de alguma ter lido ou ouvido este tipo de abordagem da “questão ortográfica” quanto à Língua Portuguesa. Mas o Francês (povo e Língua) não é o Português (idem aspas), e vice-versa, portanto aqui temos uma pequena amostra da imensa diferença que existe entre o reconhecimento da estética da Língua e a ausência dele ou a indiferença perante ela.

A “reforma ortográfica” do Francês é uma coisa mínima, não tem sequer comparação possível com o massacre total que é o AO90, mas nem por isso os franceses demonstram a menor disposição para engolir as patranhas da “simplificação”, as mentiras da “internacionalização” ou quaisquer outras aldrabices do género — as quais em Portugal são enfiadas pelo Estado goela abaixo do povo.

Neste curtíssimo vídeo temos Bernard Pivot — que não é propriamente um habitué do Piolho ou do Gambrinus — espancando com elegância la réforme de l’orthographe pelo lado mais frágil (porque mais evidente): a estética da Língua, a sua beleza própria, a sua imagem única.

Supprimer cela c’est idiot“.

 

La réforme de l’orthographe s’attaque “à l’esthétique de la langue française”

Bernard Pivot était l’invité de LCI, ce lundi à l’occasion de la sortie de son livre : “Au secours, les mots m’ont mangé”. Le président de l’académie Goncourt est un lecteur assidu qui peut lire jusqu’à dix heures par jour. Pour l’ancien animateur emblématique de l’émission littéraire “Apostrophes, la réforme de l’orthographe s’attaque “à l’esthétique de la langue française, je suis contre la suppression de l’accent circonflexe, c’est idiot”.

Source: La réforme de l’orthographe s’attaque “à l’esthétique de la langue française” – Culture – MYTF1News

Imagem de topo: recorte de busca Google

Pois

Ionline_MocambiqueEste artigo publicado hoje no “site” do hiper-acordista semanário “Sol” apenas aparentemente, à primeira vista ou para os espíritos mais “distraídos” não terá nada a ver com o “acordo ortográfico”. Parece-me evidente que tem tudo, tudo, mas absolutamente tudo a ver com o “acordo ortográfico”. Pois: o “acordo ortográfico” é isto mesmo.

LogoSolLíngua portuguesa pátria de negócios

Luís Lima* | 27/05/2016 12:55

As condições necessárias e suficientes para que a língua portuguesa possa continuar a ser uma pátria para negócios imobiliários estão, mais do que nunca, em vigor. O setor do Imobiliário continua a ser fundamental para o crescimento e para o desenvolvimento de todos os países e alargar mercados que estão ligados por elos comuns, como a língua oficial, é, neste quadro, uma vantagem muito importante.

Isto justifica que tenha aceitado, com o apoio unânime de todas as associações empresariais da CIMLOP reunidas há dias em Maputo, a responsabilidade de mais um mandato à frente desta Confederação que representa entidades associativas e empresariais das atividades da construção e do imobiliário de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe e Timor, pugnando pela respetiva dignificação e desenvolvimento.

A CIMLOP é – recordo – uma confederação de direito privado, sem fins lucrativos, que tem como um dos grandes objetivos contribuir para a captação de investimento, nas áreas da construção e do imobiliário, nos países de origem dos seus membros, fomentando a partilha de negócios, através dos agentes da mediação imobiliária.

O grande desafio desta estrutura empresarial de cúpula é o de poder contribuir para o desenvolvimento dos negócios imobiliários dos países da lusofonia, sem perder de vista a necessidade de que tal desenvolvimento seja sustentável. Como sempre digo, a CIMLOP é um Instrumento de trabalho muito importante para a captação de investimento estrangeiro nos mercados imobiliários dos países de língua oficial portuguesa, tarefa que exige um cruzamento de informação com regras de transparência que só uma estrutura desta envergadura pode oferecer.

Não sendo a primeira vez que uma reunião desta importância teve lugar na cidade de Maputo, tendo como entidade anfitriã a Federação Moçambicana de Empreiteiros, foi para mim, como português, particularmente feliz que este encontro tivesse acontecido, por pura coincidência, poucos dias depois do Presidente da República Portuguesa, Professor Marcelo Rebelo de Sousa, ter sido ali recebido, numa das suas primeiras visitas de Estado, com um calor humano que ultrapassa o mero relacionamento diplomático.

Na penúltima reunião da CIMLOP, realizada em outubro do ano passado em Lisboa, os meus pares incentivaram-me a manifestar disponibilidade para assumir o novo mandato agora confirmado nas eleições realizadas no encontro de Maputo. Assumo pois o desafio de sempre num quadro que – temos de o reconhecer – continua a ser difícil neste universo dos países de Língua Oficial Portuguesa.

Por outra coincidência, o dia das eleições para um novo mandato na CIMLOP recentemente iniciado em Maputo, foi também o dia em que, no Brasil, a vida política registava uma alteração profunda também em nome de possíveis alterações económicas. Cito isto para lembrar que o setor imobiliário, nos padrões ocidentais de vida a que toda a Lusofonia pertence, é sempre um reflexo das sociedades onde se afirma, condicionando-se aos contextos dessas mesmas sociedades.

O imobiliário representa um dos pilares das economias de mercado e dos Estados Sociais. Isto torna este setor tão sensível e importante, como aliás o sabemos na CIMLOP, uma estrutura empresarial que não desiste de projetar a Língua Portuguesa como Pátria de Negócios também no Imobiliário.

 

*Presidente da CIMLOP – Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa

[Transcrição (literal, deliberadamente sem conversão para Português) de artigo publicado no “site” do semanário “Sol” em 27.05.16. Destaques e sublinhados meus. Imagem de topo: Ionline.

«Salva de palmas contra o Acordo Ortográfico» [Maria do Céu Mota, “JN”]

 

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jn_default_imgSalva de palmas contra o Acordo Ortográfico

Dia 14 de Maio, estive na Biblioteca Florbela Espanca, em Matosinhos, na décima edição de Literatura em Viagem/ LeV […]. Ainda cheguei a tempo de ouvir Paulo Moura, Gonçalo Cadilhe e Francisco José Viegas. No lugar de Lídia Jorge, que o programa prometia, esteve a escritora Teolinda Gersão, na mesma mesa que Patrícia Reis, com diferenças bem evidentes para além da idade. A dada altura, o moderador perguntou a Teolinda se escreve segundo o novo ou o antigo Acordo Ortográfico. Teolinda declarou veementemente ser contra o novo AO. Talvez quem lhe fez a pergunta, João Barreto, desconhecesse que a escritora subscreveu a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990. A sala cheia e quente, com gente de pé, saudou a escritora com uma salva de palmas bem convicta! E eu também.

[“Jornal de Notícias“, Cartas, e-mails e posts, 26.05.16. Conteúdo enviado por uma leitora do Apartado 53. Adicionei dois “links”.]

Sábado todos os dias

sabado250516_aComeço com um agradecimento a todos os que nos ajudam a ser melhores. E, em particular, ao leitor e assinante Miguel Picão, que nos alertou para o facto de a SÁBADO não usar o novo Acordo Ortográfico e de isso levar a certos erros – e apontava um –, razão pela qual sugeria que a opção fosse alterada, “pois o carácter formativo da revista é tão importante como o teor informativo, principalmente nesta fase de transição em que tantos portugueses não sabem como escrever bem na nossa bela língua”. Para o caso de a sugestão não ser aceite, propunha “a inclusão permanente de uma pequena nota de rodapé (…), lembrando os leitores da opção assumida”. Depois de nova reflexão interna, a SÁBADO mantém a opção pela antiga ortografia, mas já a partir desta semana assinala, como proposto, esse facto na sua Ficha Técnica (pág. 10).

Revista “Sábado”, Bastidores – Vida, 25 de Maio de 2016

 

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«Os governos portugueses acharam que a melhor estratégia para impor o acordo ortográfico aos críticos era avançar a 200 km/hora, contra todos os obstáculos, contra todas as dúvidas e contra todos os avisos. Agora, quando se olha para trás, percebe-se que ninguém o seguiu.»

Revista Sábado, Editorial do dia 13 de Dezembro de 2012

«Os inventores do indefensável AO» [Teolinda Gersão, “Facebook”]

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Teolinda Gersão

25.05.16

Os inventores do indefensável AO, (feito nas nossas costas, e com pareceres negativos de todos os linguistas, excepto o do seu “pai”, Malaca Casteleiro), defendiam sobretudo que:
-simplificava a grafia, o que o tornaria bem aceite
-uniformizava a língua, em todos as suas variantes e em todos os continentes
-tornava a língua mais acessível a estrangeiros, atraindo cada vez mais falantes
-facilitava os negócios
– aproximava os países, sobretudo Portugal e o Brasil, em que as variantes da língua divergem mais.

Quase 30 anos depois, verifica-se que:
– O AO levantou e continua a levantar ondas de rejeição de protesto, a maioria da população recusa-o e continua ilegalmente imposto.
– a grafia tornou-se confusa, incongruente e absurda
– as raízes latinas foram rasuradas, o que é inaceitável no caso do português europeu
-nada se uniformizou nas variantes dos vários continentes, porque são impossíveis de uniformizar
-a língua franca dos negócios continua e continuará a ser o inglês.
– Portugal e Brasil continuam, como já estavam, de costas voltadas e é sobretudo o Brasil que levanta obstáculos. Os livros portugueses chegam ao Brasil a preços exorbitantes por causa das barreiras alfandegárias ( que nós não temos), enquanto as nossas livrarias acolhem os autores brasileiros a preços normais.
-a literatura brasileira é estudada nas nossas escolas e universidades, mas o Brasil retirou ou pretende retirar a literatura portuguesa dos currículos escolares.

Então este “acordo” falhado serve para quê? Já se discutiu tudo, só falta rasgá-lo.

E não nos venham dizer que Portugal depende dos outros países lusófonos para existir, e que desaparecemos como língua sem o oxigénio do acordo! Não precisamos de acordos nem de autorização para existirmos e sermos como somos, uma língua de raiz latina. As ex-colónias são países independentes, usarão a língua como entenderem, são tão donas da língua como nós – mas dentro do seu território. Não somos mais do que elas, mas também não somos menos. No nosso país mandamos nós, e é a língua que temos que vamos escrever e falar.

[Transcrição de “post” público (de 25.05.16) na rede social Facebook: Teolinda Gersão – Os inventores do indefensável AO. Destaque meu. Conteúdo apontado por Olga Rodrigues. Imagem de topo: recorte da página da autora na Wook.]

“Palheta”

tshirt1Em Maio de 2013 a Comunidade Portuguesa de WordPress anuncia que o WordPress em português continuará a estar disponível em… Português.

Três anos depois dessa decisão, tomada por votação e por larguíssima maioria, o facto parece continuar a “incomodar” os acordistas.

Transcrevo seguidamente 3 excertos do interessantíssimo “diálogo” (público) relançado sobre o assunto, há poucos dias, no fórum que serve para o efeito e que tem, nem de propósito, uma  designação muito adequada: “palheta”.

No primeiro texto, vemos a manifestação de “indignação” de um acordista: “a comunidade não pode ser a favor nem contra” o AO90, diz ele, o que significa — já que estamos a falar de traduções, traduzamos — que “evidentemente” a dita comunidade deveria “adotar” o AO90.

Na segunda transcrição, um membro da comunidade explica tintin-por-tintin o historial do assunto, terminando com uma frase lapidar que arruma de uma vez por todas quaisquer objecções “técnicas” que possam alegar acordistas: «Em termos operativos, a verdade é que existem procedimentos quase automáticos que permitem converter a ortografia antiga, mas não o inverso. pelo que é mais simples manter a variante AO90 a partir da pré-AO90 do que o oposto.»

Por fim, transcrevo ainda uma outra (excelente) resposta — que é, em si mesma, um verdadeiro manifesto anti-acordista: além da incontornável vertente técnica, o autor (que patentemente sabe escrever e, por conseguinte, não quer saber do AO para nada) aborda também a questão sobre várias perspectivas, da histórica à linguística passando pela… filosófica. Como não seria prático citar todo o texto, destaco apenas isto como ilustração: «Não «concordo» que tenha de haver «neutralidade»; aprendi, mais pela experiência do que pela filosofia, de que não existem pessoas «neutrais»: todos temos a nossa agenda própria. A melhor forma de exprimir neutralidade não é «exigir» que as pessoas sejam «neutras» (o que é impossível; e mesmo a noção de «mais neutro» ou «menos neutro» indica que existe uma gradação da neutralidade, o que para mim é absurdo: ou há neutralidade, ou não há — não existe «neutralidade relativa») — mas sim garantir que se possa expressar uma pluralidade de opiniões. Em média, pois, o resultado será neutral…»

Bom, se calhar vou passar a frequentar mais aquele “sítio”. A julgar pelas amostras juntas, há ali palheta, de facto, mas é palheta da boa.

Wordpress_logo

Palheta | Blog de discussão da Comunidade Portuguesa de WordPress

Vitor Madeira22 Mai 2016, às 11:14

Acordo ortográfico de 1990 – A comunidade não pode ser nem a favor nem contra!

A questão do Acordo Ortográfico de 1990 não deveria tratada por parte dos membros com responsabilidades aqui na comunidade como uma questão de “acho bem” ou “acho mal”. Não deveriam existir fações que representem os que defendem ou os que criticam.

Dou um exemplo: Sou totalmente a favor da liberdade, respeito e direitos de todas as minorias de pessoas na nossa sociedade. Contribuo bastante para a tradução (principalmente de Plugins porque o Núcleo está todo traduzido) No entanto, sei que boa parte do meu trabalho também poderá ser utilizado por grupos de utilizadores de WordPress que defendam pontos de vista contrários ao meu (os religiosos evangélicos que levam os “santos” domingos a afirmar que os gays merecem o inferno, os neo-nazis que levam os “santos” dias úteis a afirmar que os negros, os ciganos e tantos outros são cidadãos de segunda, entre tantos outros tristes exemplos…)

Mas a comunidade de tradutores (e de todos os que ajudam a gerir o WordPress em língua portuguesa), traduzem (e trabalham) quer para os que, como eu, defendem os direitos da minorias, quer dos que são de opinião contrária, porque esses também podem fazer download do WordPress e das traduções disponibilizadas pela comunidade e passar a utiliza-las.

Se existe tecnologia que nos pode ajudar a tornar as coisas o mais neutras possíveis, essa tecnologia deve ser colocada ao serviço da comunidade (e não de quem está a favor ou contra o argumento central)

Querem ver ao ponto absurdo em que se está a chegar neste tema de batalhar contra o acordo ortográfico nas traduções do WordPress? Eu faço ver o meu ponto de vista:

Por imperativo profissional, necessito de ter todos os conteúdos dos projetos em que estou a trabalhar com a ortografia segundo a norma de 1990. Venho pedir auxilio aqui porque me dizem que é aqui que se deve pedir auxilio, mas o que recebo é… Enfim, negas e mais negas e argumentos contra o acordo.

Por favor, reparem que eu não quero debater se o acordo é bom ou se é mau. Eu necessito de trabalhar. Não quero estar à mercê quer dos que defendem, quer dos que criticam. Necessito de estar ao lado de quem quer trabalhar e encontra no WordPress uma ferramenta fenomenal para o efeito.

AGORA A CONTRADIÇÃO

Sabiam que existem duas versões da língua portuguesa para traduzir o WordPress? (“Português” e “Português Informal”)

Ora, sucede que o “Português” é aquele onde as coisas têm vindo a ser trabalhadas por todos, quer os que necessitam de ortografia de 1990, quer dos que preferem a anterior.

E então o “Português Informal”?

Não sei! Mas pelo que vejo, ajuizando pelo nível de strings não traduzidas na maior parte dos plugins, bem como a cópia/cola entre muitos casos de “Português” para “Português Informal”, parece que também ninguém faz ideia para que servirá aquilo… (nem os ‘necessitados’, nem os críticos do acordo…)

Mas já pensaram bem que poderia ser útil tornar esse “Português Informal” numa ferramenta ao serviço de quem se vê a braços de necessitar da norma de 1990 e verificar que não tem nada que lhe sirva de ajuda?

Críticos do acordo: Vão ‘bater’ em quem faz as leis e não em quem necessita de trabalhar segundo o que as leis ditam.

Eu não sou legislador, sou cidadão de uma república que aprova leis e me obriga a segui-las, inclusivamente para poder manter o meu posto de trabalho e assim receber o meu vencimento ao fim do mês. Quanto mais não seja, considerem isso. Obrigado.


Álvaro Góis23 Mai 2016, às 11:38

@miguelcortereal e @vitormadeira: de certeza que a Comunidade concordará comigo que este não é local para discussões nos termos em que a estão a fazer. Aliás, pessoalmente tenho muitas dúvidas de que ESSA discussão que estão fazer seja sequer para esta Comunidade. Não nos cabe, creio, discutir os méritos ou deméritos do AO90. Excepto no que diga respeito às traduções e à vontade expressa da própria comunidade.

Este assunto é demasiado polémico para abrirmos excepções de discussão. (Lembro-me que a primeira vez que o levantei até idiota me chamaram, e não quero que isso aconteça de novo, em quaisquer termos e seja com quem for.)

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