Dia: 17 de Junho, 2016

Pedro Sacana Lopes

O bacoco e snob Pedro Santana Lopes debita disparates e insanidades (a granel) sobre o AO90, a sua mais patética “obra”. Esta entrevista de PSL é de tal forma asquerosa que nem sei o que dizer sem ter de descer ao nível dele.

Pedro Santana Lopes: ‘ver o Acordo Ortográfico como uma cedência ao Brasil é um disparate’

Na recente visita a Moçambique, Marcelo Rebelo de Sousa admitiu reabrir a questão do Acordo Ortográfico. «Foi o pior momento dele desde que assumiu funções», considera Santana Lopes. O antigo secretário de Estado da Cultura responde aos críticos do Acordo e recorda os meandros de um processo que lhe roubou «muitas horas de sono».

José Cabrita Saraiva

Semanário “Sol”, 15.06.16

Há poucos dias, o provedor da Santa Casa da Misericórdia estava no emblemático Empire State Building, em Nova Iorque, quando viu algo que não lhe agradou. «Lá em baixo havia uma placa a dizer: ‘Vídeo disponível em alemão, inglês, italiano, espanhol, brasileiro’. Com a bandeira do Brasil. Confesso que fiquei transtornado».

Foi precisamente para evitar que a língua portuguesa fosse ‘engolida’ pelo português do Brasil que Pedro Santana Lopes se empenhou pela assinatura do Acordo Ortográfico de 1990. «Perdi muitas horas de sono a pensar se devíamos fazer o Acordo», confessa, mas a partir do momento em que ficou convencido trabalhou afincadamente para conseguir que outros países de língua portuguesa o aceitassem.

Em conversa com o SOL, o antigo secretário de Estado da Cultura, que foi incumbido por Cavaco Silva de conduzir politicamente o processo, recorda os bastidores da assinatura do polémico Acordo e a resistência, «muitas vezes misturada com desprezo», que encontrou no Brasil.

De quem partiu a ideia de fazer este Acordo?

Já tive ocasião de dizer isso publicamente. Quando o professor Cavaco Silva me convidou [para secretário de Estado da Cultura], esta foi uma das três tarefas principais de que me encarregou. E com base nessa ideia: ‘Ou conseguimos mobilizar os nossos parceiros para esta causa ou, lá para meio do século XXI, o português vai ser o latim do século XX’.

O que fazia prever isso?

Muita gente acha que o Prof. Cavaco só tem defeitos, mas tenho de dizer que é um estadista, um homem com visão – e até estou à vontade para falar das qualidades dele, porque, como é sabido, hoje não temos uma relação propriamente próxima. Na altura, ele disse-me: ‘Você vai aos leitorados das universidades em vários países do mundo e tem brasileiros, não tem portugueses. Vai a organizações internacionais e os tradutores são brasileiros, não são portugueses. O Brasil tem 200 milhões de pessoas, portanto cada vez mais o português usado vai ser o português do Brasil. Acho que é uma obrigação patriótica, nacional, lutarmos por um acordo sobre a língua’.

Mas há quem ache que é desnecessário haver um acordo. O Reino Unido, por exemplo, não tem um acordo com os Estados Unidos.

Pois não. Não precisam! Eles têm uma dimensão tal que querem lá saber se os EUA falam com sotaque americano ou escrevem não sei como… Mas Portugal não tem esse estatuto nem esse peso. Por isso é que existe uma necessidade acrescida de um acordo.

Como foi o processo de negociação dos termos do Acordo? Obrigou-o a viajar pelos países da CPLP?

Não. No caso dos parceiros africanos, eles vinham cá. Ao Brasil fui duas vezes, uma vez com o Prof. Cavaco Silva, e outra quando o Dr. Antônio Houaiss era ministro da Cultura. O mais difícil foi a ida ao Senado Brasileiro e à Academia Brasileira.

Porquê? Mandavam-lhe bocas?

Não, não! Por causa dos artigos nos jornais.

Eram violentos?

Alguns muito violentos. Havia uns intelectuais, sobretudo escritores, que escreviam palavras de desconsideração para com Portugal e para com o Acordo. Não foi um ambiente hostil, mas foi uma missão difícil. Na altura era presidente da Academia Brasileira um senhor que se chamava Austregésilo de Athayde, que tinha quase cem anos, uma figura venerada. Nunca se sabia se estava acordado ou a dormir. Enquanto eu discursava, ia olhando para ele, até que percebi que ele estava sempre a ouvir tudo. No final bateram-me umas palmas tímidas. Foram educados, mas foi um processo difícil.

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