Ezequiel, 25:17

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Em Março de 2011, já vão mais de cinco anos, uma voluntária da ILC enviou a todos os Bispos (dioceses) de Portugal uma carta que terminava assim:
«Acreditando que esta luta contra a imposição do poder económico poderá redefinir-nos como povo digno desse nome e poderá ser, eventualmente, a pedra-de-toque que desencadeará uma nova consciência do nosso lugar do mundo e das nossas responsabilidades – porque um povo pode mais do que julgam vendilhões do que não lhes pertence -, deposito nas mãos, na consciência e nas palavras de Vossa Eminência Reverendíssima este resquício de Nação que se leva da palavra primeira até à hora da partida nas derradeiras palavras ditas: por amor da Palavra escrita, em nome de todos os que falaram em púlpitos, fale agora a Igreja e antes que seja tarde, em nome do Padre António Vieira, homem íntegro, que nunca desistiu, salve a nossa alma, a nossa única matriz, a nossa ‘Lingua mater’!»

Dos 19 destinatários deste apelo responderam quatro, através dos respectivos secretariados, limitando-se a agradecer a carta, sem mais; sobre a questão ortográfica… nada, nem chus nem mus.

Em Setembro de 2015 a Igreja Católica anuncia a “tradução” (!!!) da Bíblia de Português para acordês: «O bispo de Bragança-Miranda recordou que “está em curso” também a tradução da Bíblia oficial em português da Conferencia Episcopal Portuguesa e do Missal Romano, tendo em conta o novo acordo ortográfico.»

Parece tratar-se mesmo da “tradução” (!!!) da Bíblia, já que não apenas uma autoridade eclesiástica o diz como também o repete por diversas vezes o senhor de cabeção e batina neste vídeo.

E agora, ontem mesmo, 3 de Junho de 2016, a agência Ecclesia (não está ali um C “mudo”, senhores padres, não seria de cortar aquilo, hem?) noticia já não uma “tradução” de Português para acordês (parabéns, senhores padres, deram conta da argolada em apenas 9 meses) mas a “atualização” (sic) da “linguagem do documento” (really sic), referindo-se ao “Catecismo”.

Publicações: Catecismo da Igreja Católica tem nova edição em português

Livro foi publicado pela Fundação Secretariado Nacional da Educação Cristã

 

Lisboa, 03 jun 2016 (Ecclesia) – A Fundação Secretariado Nacional da Educação Cristã publicou uma nova edição em português do ‘Catecismo da Igreja Católica’.

Promulgado pelo Papa João Paulo II em 1992, o Catecismo da Igreja Católica começou a ser elaborado em 1985 por ocasião do vigésimo aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II e por sugestão da Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos desse ano.

O catecismo da Igreja Católica aborda todas as “matérias de fé” e “de moral” e tem o objetivo de servir de “referência para os catecismos ou compêndios que venham a ser preparados nas diversas regiões”, refere o relatório da Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos de 1985.

A nova edição em português do Catecismo da Igreja Católica atualiza a linguagem do documento segundo o Acordo Ortográfico em vigor atualmente.

Dividido em quatro partes, o documento começa por se ocupar de artigos da fé, como estão inseridos no Credo; a segunda parte refere-se aos sacramentos, a terceira aos dez mandamentos e a quarta parte à oração.

A capa da nova edição em português do Catecismo da Igreja Católica tem representado ‘Cristo, Bom Pastor’, um vitral da autoria de Almada Negreiros, patente na Igreja de Santo Condestável, em Campo de Ourique, Lisboa.

SN/PR

http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/nacional/publicacoes-catecismo-da-igreja-catolica-tem-nova-edicao/

Trata-se, por conseguinte, caso ainda subsistissem quaisquer dúvidas, de uma reafirmação: a hierarquia de topo da Igreja Católica portuguesa rendeu-se incondicionalmente ao “gigante brasileiro”.

Não se trata, porém, de uma rendição de toda a hierarquia de topo. Aliás, há nessa hierarquia quem não se tenha rendido de todo, como, por exemplo, o Reitor do Pontifício Colégio Português de Roma, Dom José Fernando Caldas Esteves.

Não estando todos os prelados em saldo, como vemos e sabemos, são porém bastantes e detêm desgraçadamente um poder desmesurado, o suficiente para impor a sua traição a todos os rebanhos que pastoreiam com — assim sendo — soberba e arrogância, para já não falar na sua mais do que óbvia ganância.

Deus me livre de cair em tentações, literalmente, e desatar aqui a perorar sobre este  chorudo negócio de mitra; não irei sequer, até porque não tenho conhecimentos a respeito de negociatas bentinhas, laborar sobre quaisquer terríveis (porque sobejamente evidentes) teorias da conspiração.

Atendendo a que foram há muito tempo extintos os tribunais do Santo Ofício e portanto já não arrisco fogueira ou tratos de polé (e que arriscasse), permito-me apenas emitir uma opinião sobre esta ditatorial manobra das sotainas luxuosas: cometestes  um horroroso pecado, senhores Bispos.

Que Deus vos perdoe, primeiro, e que depois vos salve e guarde de haver, no meio dos rebanhos que presumis vossos, muitas reses que não apreciam fazer parte da manada.

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