Dia: 24 de Novembro, 2016

«Circo absurdo das línguas em competição» [Nuno Pacheco, “Público”]

francofonia

logo_shareAs invasões ao contrário – ou o Francês atirado ao lixo

Lê-se o Novo Atlas da Língua Portuguesa e o Francês, onde está? No mesmo sítio onde está o Wally. Só que este é mais visível, mesmo que dê trabalho a procurar.

Nuno Pacheco

“Público”, 24 Novembro 2016

A Terra é redonda, certo? Mas há quem persista em achatá-la, moldando a história conforme as respectivas conveniências. Voltando ao Novo Atlas da Língua Portuguesa, de que aqui se falou na semana passada, há um ponto que não passa despercebido: o quase apagamento da língua francesa. É verdade que houve Napoleão, a soberba imperial das invasões, e que entre Hollande e Le Pen ainda há muito descontentamento a gerir. Mas isso não é razão para atirar a língua francesa para o caixote dos dialectos minoritários. Nas contas feitas para o Atlas, e exibidas em vistosos gráficos, a lista das dez línguas maternas mais faladas no mundo, inclui o Mandarim (à cabeça, com 848 milhões de falantes), seguido do Espanhol (414), do Inglês (335), do Português (261), do Hindi (260), do Bengali (Bangladesh, 193), do Russo (167), do Japonês (122), do Javanês (84) e do Alemão (78). A fonte, escreve-se, é o Observatório da Língua Portuguesa, consultado em 26.7.2016. Já o site Ethnologue – Languages of the World (consultado na mesma data, e também para o Atlas) dá os seguintes resultados: em primeiro lugar o Chinês (1302 milhões), seguido do Espanhol (427), do Inglês (339), do Árabe (267), do Hindi (260), do Português (202), do Bengali (Bangladesh, 189), do Russo (171), do Japonês (128) e do Lahanda (Paquistão (117). Aqui, até o Alemão foi corrido do último lugar. Como vêem, os números não coincidem, o que diz muito da fiabilidade destas “observações”. Mas o Francês, onde está? No mesmo sítio onde está o Wally. Só que este é mais visível, mesmo que dê trabalho a procurar.

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