O brasileiro será a 7.ª língua oficial da ONU?

radioonu_brasileiro

Parece que já foi há décadas mas na verdade passaram-se apenas alguns meses desde que o Presidente português fingiu que pretendia reabrir o “dossier acordo ortográfico”. Nada de mais ilusório, evidentemente. A coisa não passou de mero arrufo entre Marcelo e Malaca. Os políticos são assim, a política não passa disto mesmo: treta, treta e mais treta. Cada qual finge o mais que pode, o bom povo que lavas no rio engole tudo e mais alguma coisa.

O AO90, essa carroça de loucos furiosos puxada por uma parelha de bois com doutoramento, pode afinal contar com uns empurrões do professor, comentador, recordista mundial de leitura,  gajo simpaticíssimo, beijoqueiro de “populares” e tirador profissional de “selfies”.

A suprema patranha geralmente atrelada ao “acordo”, isto é, que a coisa serviria — entre outras não menores artistices — para elevar a “língua portuguesa” à “dignidade” de “língua oficial da Organização das Nações Unidas”, conta agora com o alto patrocínio do não menos alto magistrado cá da “terrinha”, como ternurentamente chamam os brasileiros a Portugal.

A “variante portuguesa” da língua brasileira foi já totalmente eliminada dos sistemas informáticos em geral e foi em particular exterminada nos motores de busca (Google), em todos os bancos de dados, agregadores de informação ou enciclopédias virtuais (Wikipedia).

Por conseguinte, apenas um perfeito imbecil poderá ter a mais ínfima dúvida sobre qual seria a 7.ª língua oficial da ONU, no improvável caso de americanos, ingleses, russos, espanhóis, franceses, chineses e árabes estarem pelos ajustes: caso vingue o “cambalacho”, será a língua brasileira, pois qual é a dúvida, essa “língua” que Marcelo e outros que tal andam por aí a promover com o rótulo de “portuguesa”.

A rádio ONU “em português” já é 100% brasileira há pelo menos dois anos, “viu, sô”? Só falta tornar a própria ONU também “radioativa”.

Presidente de Portugal diz que promoção da língua é tarefa de todos | Rádio das Nações Unidas

Em entrevista à Rádio ONU, no mês passado, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que os oito Estados irmãos que falam o português devem assumir a tarefa de difundir o idioma no mundo; segundo ele, a língua portuguesa é um ativo político e de cooperação.

Monica Grayley, da Rádio ONU.

 A promoção da língua portuguesa no mundo como língua de herança ou língua estrangeira deve ser uma tarefa de todos os países que têm o português como idioma oficial.

A declaração foi dada pelo presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, numa entrevista à Rádio ONU durante sua participação nos debates da Assembleia Geral, em setembro.

Cooperação

Neste trecho da entrevista, até então inédito, Rebelo de Sousa afirma que a língua é um ativo político e que ao promovê-la em várias partes do mundo, os países lusófonos só têm a ganhar.

O presidente também ressaltou a importância da cooperação com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp. Segundo ele, o tema deve ser discutido no encontro dos Chefes de Estado e Governo do bloco, marcado para começar na próxima segunda-feira, 31 de outubro, em Brasília.

“Portugal faz tudo que pode, no quadro da sua dimensão, beneficiando de ter uma capacidade ecumênica de diálogo, mas espera, deseja e fica feliz quando os outros Estados irmãos que falam a mesma língua fazem o mesmo porque beneficiamos todos. Não é um benefício de Portugal.”

De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa,  é preciso repensar a estratégia de promoção da língua num mundo globalizado e que passa por constantes mudanças. Ele delineou os planos de seu país para aumentar a presença do idioma também como forma de cooperação política e amizade entre os povos.  Uma iniciativa que, segundo ele, deve ocorrer também em países que não falam português.

Diáspora

“Portugal está permanentemente a repensar as suas estruturas no exterior quanto à língua porque as soluções também mudam no tempo. Uma solução dos anos 80 não é uma solução hoje. Por exemplo, Portugal está a pensar na projeção da língua não apenas nas comunidades, nos países onde há comunidades portuguesas de diásporas. Mas onde há comunidades lusófonas  ou que falam português, mesmo que não sejam portuguesas, na diáspora da nossa comunidade. Por exemplo, Portugal está a pensar na língua portuguesa noutros Estados, onde a língua começa por ser optativa e depois está a ser integrada como língua curricular.”

Falada por mais de 260 milhões de pessoas no mundo, a língua portuguesa é considerada uma das cinco mais usadas em redes sociais.  O idioma comum também inspirou a criação da Cplp há 20 anos.

Atualmente, o bloco lusófono, com sede em Lisboa, realiza iniciativas com as Nações Unidas no âmbito da Cooperação Sul-Sul e participa, todos os anos, dos debates da Assembleia Geral como observador no contexto de organizações regionais.

Durante a Cimeira da Cplp, que começa em 31 de outubro, em Brasília, o Timor-Leste entregará a presidência rotativa do bloco ao Brasil.

 

Source: Presidente de Portugal diz que promoção da língua é tarefa de todos | Rádio das Nações Unidas

Print Friendly, PDF & Email
Share