A agenda de Brasília

Dissolvida a espuma dos (dois) dias e já esquecidos os “planos da pólvora“, aqui está o resultado prático e único da mais recente Cimeira da CPLP: o AO90 será imediatamente imposto aos dois maiores países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP). Para o efeito, e assim como quem dá graxa ao cágado, isto é, à laia de pretexto para mais umas patuscadas, reunir-se-á no Brasil um grupinho de excursionistas que fingirão “melhorar” a coisa.

Tudo para tentar enganar o pagode, é claro, que bem sabemos nós outros não passar o chamado “acordo ortográfico” de uma gigantesca fraude palavrosa destinada a encobrir ainda maiores e mais inconfessáveis ambições neo-imperialistas.

Nesta incrível “notícia” — nem de propósito, debitada por um pasquim com nome de satélite artificial — está exposta, em tom declaradamente oficioso e descaradamente mentiroso, toda a real  “agenda de Brasília”: os negócios do Brasil, os interesses económicos brasileiros, as apostas especulativas, em suma, que entretêm meia dúzia de nababos em plena Avenida Paulista. Tudo isto, mui convenientemente, sob o olhar aquiescente, o beneplácito, a conivência, quando não a bênção de altos dignitários portugueses.

sputnik_brasil_logoPaíses lusófonos começam a afiar a língua

Aberta na segunda-feira, 31, e encerrada nesta terça-feira, 1º, em Brasília, a 11ª Conferência de Chefes de Estado e de Governo de Países de Língua Portuguesa (CPLP) assinou diversos acordos e memorandos para aproximar os nove países membros do bloco, que chega aos 20 anos.
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O Brasil, eleito para comandar a entidade nos próximos dois anos, apresentou uma série de estudos de cooperação com vários países, como Angola (na área energética), Cabo Verde (transporte aéreo), entre outros. Um dos temas principais do encontro foi aperfeiçoar e expandir o Acordo Ortográfico entre países lusófonos. Hoje esse acordo já está vigente no Brasil, em Portugal e em Cabo Verde, e em fase de ratificação em Angola e Moçambique.

De acordo com o subsecretário para África e Orriente Médio do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Fernando Abreu, o acordo vai facilitar a divulgação da língua portuguesa e determinadas tarefas como a publicação de livros, na medida em que haverá uma ortografia única, respeitando-se, porém, as expressões regionais de cada país.

Para Evanildo Bechara, professor, gramático, filólogo, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) e doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra, a unificação ortográfica é muito importante não só para a parte didática do ensino da língua aos seus falantes e escritores, mas também para a difusão da língua portuguesa no mundo.

“A prova disso é que estamos há mais de 100 anos trabalhando nessa unificação. Os primeiros pasos científicos da ortografia começaram em 1911 e daí aos nossos dias. Antigamente só Portugal e Brasil eram os países de língua portuguesa oficial. Com as antigas colônias hoje emancipadas em países independentes, estamos tentando a unificação ortográfica.”

Bechara diz que, após estabelecidas as regras de ortografia, o trabalho se volta agora aos vocabulários ortográficos, que se dividem em dois grandes grupos: os vocabulários ortográficos nacionais e o vocabulário ortográfico comum (VOC), que reúne as particularidades e as pequenas divergências existentes no plano da ortografia.

Estamos esperando a chegando de um grupo de especialistas do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP) que se reunirá com nossos especialistas na ABL, principalmente nossos dicionaristas e lexicógrafos que trabalham na confecção do acordo ortográfico, para discutir alguns pontos para a saída desses vocabulários nacionais e comum para todos os países da lusofonia.”

Source: Países lusófonos começam a afiar a língua

Destaques meus. Inseri “links”.

Fotografia de topo: Marcos Corrêa / PR

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1 Comment

  1. Olga Rodrigues

    A tristeza do costume. E depois sobram uns maluquinhos de serviço a dizer umas coisas que são estranhas a toda a gente e que toda a gente julga vagamente aparentadas com alguma dementada teoria da conspiração e não vão ver o que realmente se está a passar nem tentar perceber quem tem razão e porquê tem razão.
    Eu tento sempre não ser extremista, mas nesta questão do AO eu já percebi há muito, muito tempo que ou se está de um lado ou se está do outro. Um meio termo aqui não tem lugar. Ou se combate o dito cujo nas suas causas mais fundas ou se nos ficarmos apenas na converseta do espetador não vamos a lado nenhum. Combater este AO é o mesmo que combater a tentativa hostil de dominação de um país (o nosso) por uma potência estrangeira que nos quer tratar como sua possessão na Europa.
    Aliás, o AO é apenas um epifenómeno que demonstra de forma mais evidente essa tentativa de dominação. Já não são os espanhóis com os Filipes, isso passou à história. É uma nação “amiga” a abraçar-nos de forma fatal até nos estrangular de vez.
    Com o beneplácito dos vários Miguéis de Vasconcelos que aqui temos.

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