Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Endlösung

800px-auschwitz_bannerTemos por conseguinte resultados que, repita-se, em qualquer dos casos serão os opostos aos interesses da Causa anti-acordista em geral e, por inerência, aos da ILC AO que essa Causa corporiza e representa. Ao fim e ao cabo, não será certamente assim que se conseguirá atalhar o passo ao monstro ortográfico. Bem pelo contrário, aliás, visto que a tese da “revisão“, a vingar, representará (representaria) a consumação de uma espécie de “solução final” (Endlösung) para a liquidação sumária da ortografia da Língua Portuguesa.
1 de Janeiro de 2014

Apontar “erros e contradições mais flagrantes” e aceitar as respectivas “correcções” equivaleria, na prática, a termos de saber como se pronunciam as palavras num país estrangeiro para podermos escrever na nossa própria Língua: “corrigir” os casos de novas duplas grafias, por exemplo, implicaria que tivéssemos todos de perguntar a nós mesmos coisas como “no Brasil pronuncia-se o P em «receção»?” Ah, então escreve-se «recePção». “Os brasileiros dizem «perspetiva» ou «perspeCtiva»”? Ah, então é como era dantes cá. Será que eles ‘lêem’ o C em «seCção»? Ah, não lêem? Então como diabo se escreve? Ah, ok, é «seção». E assim por diante. Este horror.
29 de Setembro de 2015

Concluída a versão “revista”, os portugueses passarão a ser o único povo do mundo cuja ortografia será determinada pela forma como se fala num país estrangeiro.
15 de Março de 2016

 

economico_logo_300pxAcordo Ortográfico pode vir a ser aperfeiçoado

Jornal Económico – 13:58 (26.11.16)

A Academia das Ciências de Lisboa (ACL) irá apresentar, até ao final do ano, um estudo para aperfeiçoar o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90). Vai sugerir o regresso da utilização de algumas consoantes mudas.

O presidente da ACL, Artur Anselmo, em declarações à Lusa, sublinhou que a instituição não tem qualquer tendência política e que o Acordo Ortográfico de 1990 é “um problema científico”, que deve ser resolvido definitivamente.

Ana Salgado, coordenadora do novo dicionário da Academia, que prevêem estar pronto dentro de dois anos, acrescentou que o acordo não estabelece uma ortografia única e inequívoca, permitindo diversas interpretações, causando instabilidade. O foco da Academia é pôr um fim a essa instabilidade.

A coordenadora frisou que a ACL não defende a revogação do AO90, mas o seu aperfeiçoamento. O que se quer propor são ajustes.

De acordo com Ana Salgado, a Academia vai recomendar o uso do hífen em algumas palavras, mas o não emprego do hífen “não quer dizer que seja um erro”.

Já em relação às consoantes que não se pronunciam, a Academia irá defender que não sejam usadas em casos de grafia única em Portugal e no Brasil (como, por exemplo, a palavra ‘ação’). Mas em casos como a palavra ‘recepção’ a leitura da ACL é que a escrita com o ‘p’ é “legítima no espaço lusófono”. Assim como na palavra ‘óptica’,

A responsável relembrou que o AO90 entrou em vigor no ensino desde 2011 e que muitas crianças poderiam não entender a reposição de consoantes, pelo que o trabalho da Academia é abrir essa possibilidade, e deixar que depois a língua evolua. A ACL adianta, ainda à Lusa, que não quer impor nada, mas defende a reposição do acento na forma verbal “para” (“pára”) e em todas as propostas vai justificar cientificamente as opções.

Artur Anselmo diz que não faz sentido “abrasileirar” a ortografia do português, assim como não faz sentido moldá-lo à ortografia de qualquer outro país lusófono.

O Brasil tem autonomia cultural e tem todo o direito de divergir na maneira de falar. A língua é um corpo vivo, assassinar a língua é mudar a maneira tradicional como as pessoas a usam. A ortografia é uma convenção que tem de se aproximar da maneira de falar, é um não assunto e deve ser deixada em paz”, referiu o presidente da Academia.O Acordo Ortográfico 1990 sempre gerou polémica em Portugal e até o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, admitiu que o Acordo podia ser repensado em Portugal, se países como Angola e Moçambique também o fizessem.

logo_ACL

SUBSÍDIOS PARA UM APERFEIÇOAMENTO DO ACORDO
ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA
por Ana Salgado

Tendo em consideração que:

1.º  «A Academia é o órgão consultivo do Governo português em matéria linguística.» (Decreto-Lei n.º 157/2015, de 10/08, art. 5.º) e tem o dever de «propor ao Governo ou a quaisquer instituições científicas e serviços culturais as medidas que considerar convenientes para assegurar e promover a unidade e expansão do idioma português» (Decreto-Lei n.º 157/2015, de 10/08, art. 6.º).

2.º  A elaboração e publicação do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa é uma competência da Academia das Ciências de Lisboa, que decorre do seu compromisso estatutário.

3.º  A Academia, por intermédio do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa (ILLLP),está empenhada na elaboração de um novo Dicionário, na revisão do Vocabulário Ortográfico digital, e na edição de Glossários especializados, o que torna premente a fixação ortográfica das nomenclaturas.

4.º  O texto legal do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa(1990) é, por vezes,ambíguo,omisso e lacunar, não estabelecendo uma ortografia única e inequívoca, deixando várias possibilidades de interpretação em muitos casos, o que tem provocado alguma instabilidade ortográfica.

5.º  As instituições, e concretamente as equipas responsáveis pelos vocabulários oficiais,têm vindo,esporadicamente, a tomar decisões que não são convergentes no que respeita às opções gráficas de diversas palavras.

6.º Apesar de o Vocabulário Ortográfico Comum (VOC), sob a coordenação do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), se encontrar disponível em linha (http://voc.cplp.org/), até ao momento não há conhecimento dos critérios seguidos pelas equipas responsáveis, nem um histórico das alterações que possam ter ocorrido, e não existe uma publicação em suporte físico. Além do mais, o VOC apresenta versões específicas para cada país, isto é, nada apresenta de “comum”, o que contraria, apesar de utópico, o espírito e o propósito de unificação ortográfica do texto legal. Previa-se a elaboração de um vocabulário, não de vários, que reunisse as grafias comuns e que desse conte de particularidades geográficas ou sociais.

7.º  Qualquer tentativa de uniformização ortográfica nos diversos países que usam a língua portuguesa com o língua oficial é utópica, e na definição de novas disposições o bom senso terá de imperar, a tradição lexicográfica de longa existência terá de ser considerada e alguns pontos reequacionados.

Source: 3970770_ao_subsidios.pdf

Imagem de topo: de WIkitravel

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