“Depois não venham dizer que não avisámos…”

In the 16th and 17th centuries, sailors on long voyages would get scurvy from lack of vitamin C. According to some accounts, Portuguese sailors who were ill were left at the island now known as Curaçao. When their ship returned, they had recovered, likely cured from scurvy, probably after eating fruit with vitamin C. From then on the Portuguese referred to this as Ilha da Curação (Island of Healing). “Another explanation is that it is derived from the Portuguese word for heart (coração), referring to the island as a centre in trade.” Unstressed o in Continental Portuguese are usually pronounced [u], so the Portuguese word for heart, coração, is actually pronounced [kurɐsãw]. Spanish traders took the name over as Curaçao, which was followed by the Dutch. [Texto: Wikipedia. Imagem: Free Flag Icons]

 

The Cape Verde archipelago was uninhabited until the 15th century, when Portuguese explorers discovered and colonized the islands, establishing the first European settlement in the tropics. Ideally located for the Atlantic slave trade, the islands grew prosperous throughout the 16th and 17th centuries, attracting merchants, privateers, and pirates. The end of slavery in the 19th century led to economic decline and emigration, although Cape Verde gradually recovered as an important commercial center and stopover for shipping routes. Incorporated as an overseas department of Portugal in 1951, the islands continued to agitate for independence, which was peacefully achieved in 1975. [Texto: Wikipedia. Imagem: Free Flag Icons]

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«E DEPOIS NÃO NOS VENHAM DIZER QUE NÃO VOS AVISÁMOS”
[Alguns anos atrás por inspiração demagógica o governo da Ilha Curaçao que é um departamento da Holanda mas com uma grande autonomia e governada pelos autóctones decidiu introduzir o Papiamento como língua oficial nas escolas publicas substituindo assim a língua holandesa considerada como uma língua de colonizadores e portanto menos válida.
Entretanto logo no inicio esses mesmos políticos que tudo fizeram para introduzir o Papiamento como língua oficial retiraram imediatamente os seus filhos das escolas publicas e colocaram os mesmos nas escolas privadas onde o ensino era ministrado em língua holandesa.
Passado 5 anos duma experiência que desde do início estava condenada ao falhanço chegaram à conclusão que a introdução do Papiamento como língua oficial em detrimento da língua holandesa foi um verdadeiro desastre pelo que não havia outra alternativa senão começar de novo com a “língua não amada”.
Nada de novo. Este desastroso resultado como é lógico já era de esperar. Os alunos das escolas públicas sofreram um atraso de 5 anos. O fosso entre os alunos filhos das elites que frequentaram as escolas privadas onde a língua oficial era a língua holandesa e os alunos das classes menos favorecidas que frequentaram as escolas publicas onde a língua oficial era o Papiamento foi enorme e estes últimos sofreram um retrocesso de 5 anos.
Marciano e comparsas que não são tão parvos e que sabem perfeitamente quais as nefastas consequências de oficializar o crioulo deviam ir ate Curaçao e inteirarem-se da sua experiência negativa em substituir a “língua não amada” mas de qualquer forma a mais funcional pelo Papiamento]
Fonte de informação:
ELSEVIER N0. 23 de 7 de Junho de 2008.pagina 34 capitulo KONINKRIIJK / NIET DE GELIEFEDE TAAL
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Andrea Fortes 17-12-2016 [comentário à notícia seguinte]

Ensino do Português: Medida do governo gera polémica

Escrito por 

Sábado, 17 Dezembro 2016 – 06:00

Anunciada que foi a decisão do governo de, a partir do próximo ano lectivo, passar a efectuar o ensino do português como língua segunda, estalou a polémica. Apesar das boas intenções do executivo – que justifica a medida como meio de fortalecer a língua portuguesa no país – não faltaram vozes a sentenciar a degradação da língua e a auto-exclusão dos cabo-verdianos da esfera da lusofonia, com prejuízos avultados para o país. Também não faltou quem, por outro lado, aplaudisse a medida por interpretá-la como valorização do crioulo que, sendo a língua materna, consideram ser marginalizado.

A medida foi anunciada na semana passada pela ministra da Educação, Maritza Rosabal, por ocasião da assinatura um acordo de cooperação com o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua que estabelece as bases do apoio técnico que Portugal irá prestar a Cabo Verde na implementação da nova metodologia de ensino. Um apoio orçamentado em 45 mil euros, assumidos pela instituição portuguesa.

A baixa eficiência do sistema de ensino cabo-verdiano – em que, segundo a governante, apenas 44% dos alunos finalizam o 12º em tempo e em que a capacidade de leitura e interpretação e a proficiência linguística destes é frequentemente apontada – foram indicados como razão para uma intervenção com vista à mudança deste cenário.

“Toda esta duplicidade linguística afecta o processo. Reconhecemos que a nossa língua materna é o crioulo, mas como língua instrumental de trabalho e de comunicação temos que fortalecer a língua portuguesa”, afirmou a ministra sem contar que o entendimento que muitos viriam a fazer da medida é de que ela irá antes fragilizar ainda mais a língua portuguesa.

A partir de um título noticioso, gerou-se uma confusão de terminologias com muitos a começarem a falar em ensino do português como língua estrangeira (LE), o que é diferente de língua segunda (L2). Não faltou à discussão quem trouxesse os termos língua não-materna e língua de recurso.

Ciência vs sensibilidades

Sendo língua oficial do país, para alguns não faz sentido ensinar-se o Português como língua segunda. Outros defendem o mesmo não por razões “de Constituição” mas sim, técnicas. Facto é que há especialistas que afirmam que a língua é de facto L2 em Cabo Verde atendendo que para quase 100% da população ela não é língua materna e só tomam contacto com a mesma de forma regular ao ingressar no ensino primário (normalmente aos 6 anos).

“A metodologia de ensino da L2 [n.r.: português] usada em África tem merecido críticas, ao mesmo tempo que é objecto de estudos, mesas redondas, colóquios, pelo menos nas duas últimas décadas. A importância das línguas maternas ou língua materna, como no caso de Cabo Verde, na aprendizagem de outras línguas, também é muito divulgada na actualidade. Os teóricos defendem que na base da aquisição de outra língua está a necessidade de recorrer à LM [n.r: Língua Materna, crioulo]. A inexistência de uma política de ensino virada para a LM e a situação de diglossia reinante no Arquipélago são dois factores inibidores do processo de aquisição da L2”, aponta por sua vez Maria Goreti Freire na sua tese de mestrado em Língua e Cultura Portuguesa, área de especialização Metodologia do Ensino do Português.

Com a questão da oficialização e do ensino do crioulo [LM] a vir à baila, vale lembrar a opinião de um dos autores cabo-verdianos com maior penetração no espaço lusófono, manifestada aquando do lançamento do seu romance “Do Monte Cara vê-se o Mundo”, em 2014. Germano Almeida, garantido ser defensor da oficialização do crioulo, afirmava que com este “não vamos longe, não saímos das ilhas”, ao mesmo tempo que defendia o português ensinado “como uma língua estrangeira, porque não é a nossa língua nacional”.

Entendimento muito diverso do escritor têm os que entendem que deixar de ensinar o português como língua materna não significará “despromovê-lo” a língua estrangeira mas simplesmente abraçar o bilinguismo e usá-lo da melhor forma.

Afinal, as experiências piloto de ensino bilingue realizadas em Santiago e São Vicente tiveram, segundo o que o Ministério da Educação divulgou no ano passado, bons resultados. Na altura a ministra Fernanda Marques fez questão de frisar que “a experiência surgiu no âmbito de um doutoramento de uma cabo-verdiana que trabalha em Portugal, significando que estão salvaguardadas todas as condições de trabalho científico e metodológico próprio de quem realiza um trabalho de pesquisa científica, neste caso concreto, da elaboração de uma tese de doutoramento”.

Entretanto, enquanto a polémica segue no adro, o Ministério da Educação, juntamento com o seu parceiro, já avança com o trabalho. Afinal o protocolo está já assinado e atendendo que se pretende que no próximo ano lectivo as crianças do pré-escolar e do ensino básico comecem a aprender o Português como língua segunda ou língua não materna, a elaboração dos materiais, de metodologias, programas e o desenvolvimento e alteração de currículos está em curso.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 785 de 14 de Dezembro de 2016.

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