“A escola do vazio”

 

Educação, a prova e a contraprova

Guilherme Valente

Os promotores da “escola” do vazio e da demissão educativa vivem num mundo da ideologia cega, de ódio ao conhecimento, à ciência, à cultura e à razão.

21 de Fevereiro de 2017, 6:48

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Os quatro anos de governo Nuno Crato/Passos Coelho foram marcantes na Educação, nacional e também internacionalmente. E voltarão a sê-lo daqui a quatro anos, quando os testes do TIIMS voltarem a realizar-se.

Foram Importantes internacionalmente, porque vieram provar como mesmo nos países de grande pressão educativa da sociedade e empenho das famílias na vida escolar dos filhos, os resultados pioram rapidamente quando diminui a exigência e se reduz a avaliação, como aconteceu na Finlândia.

Contrariando a ideia pouco atenta à realidade societal dos nossos dias, marcada pela generalizada demissão dos pais na educação dos filhos, mesmo daqueles pais que estariam em condições de a realizar, ideia de que com o aumento da escolarização dos pais a educação dos filhos melhorará inevitavelmente seja qual for a escola que tenham, é caso para se inverter o provérbio, passando a dizer-se que o objectivo e a esperança são hoje o contrário, “Escola de filhos, casa de pais”.

Essa breve experiência conduzida por Nuno Crato irá ser importante de novo também internacionalmente, quando, daqui a quatro anos, com o próximo TIIMS, se verificar que os resultados dos alunos portugueses voltaram a baixar, como consequência do regresso, em curso, da “escola” do vazio educativo deliberado, permissiva, facilitadora e idiotisadora. Com o fim, agora perpetrado, do exame vital do quarto ano de escolaridade, sobretudo, mais de 30% das crianças voltarão, assim, a terminar o Básico sem terem aprendido… o básico: ler, escrever e contar.

Refiro duas confirmações destas evidências.Também a confirmada persistência dos maus resultados dos alunos franceses reflecte o domínio continuado naquele país das mesmas teorias e práticas assassinas da escola, que os nossos “especialistas” da educação importaram para Portugal.

A escola portuguesa de Macau tem uma longuíssima tradição de exigência e excelência. Ora, segundo me vão referindo vários dos seus professores, tem-se verificado uma significativa dificuldade de integração nela de muitos dos alunos portugueses chegam com os pais ao território. Nalguns casos essa dificuldade tem-se revelado mesmo dificilmente ultrapassável.

Quando, há cerca de 20 anos, um jovem se candidatou a fazer os dois últimos anos do Secundário num colégio inglês muito reputado, foi-lhe respondido que teria de se inscrever no 9º ano, pois conheciam as deficiências do ensino em Portugal.

Percebe-se, pois, a repercussão internacional, particularmente na Inglaterra, como o Financial Times reflectiu o sucesso da experiência breve do ministério de Nuno Crato. Esperemos agora por aquilo que, dentro de quatro anos, não tenho dúvida, será uma contraprova.

Embora para os promotores da “escola” do vazio e da demissão educativa (veja-se a indiferença ou a satisfação com que aceitaram o monstruoso AO) não haja prova de realidade que os convença. Vivem num mundo da ideologia cega, de ódio ao conhecimento, à ciência, à cultura e à razão. Um mundo onde não existem factos nem verdade para ser procurada. A sua “realidade”, essa, é, de facto, uma construção ideológica e social.

“Público”, 21.02.17

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