Dia: 24 de Maio, 2017

“O AO90 facilita a aprendizagem”, dizem eles (2)

«Porque chumbam os alunos logo no 2.º ano de escolaridade? A principal razão apontada é esta: “por não lerem bem e não terem atingido os objectivos estabelecidos no programa no que respeita à leitura e escrita”. » [“Público”, 22 de Maio de 2017]
Na mesma linha de uma notícia da Rádio Renascença sobre o assunto, surge agora esta peça da jornalista Clara Viana, do “Público”.

Fica assim duplamente demonstrada a flagrante contradição entre a triste realidade e as mentiras descaradas dos acordistas: o AO90 não facilita a aprendizagem coisíssima nenhuma. Muito pelo contrário, como é evidente e como todos os estudos (do próprio Estado) comprovam: desde que o aleijão ortográfico foi imposto nas escolas (2011), as reprovações aumentaram em todos os escalões de Ensino… e em especial no Básico.

Deve ser possível chumbar alunos aos seis anos, dizem professores de escolas com mais insucesso

Legislação impede que se retenha um aluno no 1.º ano de escolaridade, mas nas escolas com mais insucesso muitos docentes discordam desta proibição por considerarem que a retenção tem “vantagens”.

CLARA VIANA, “Público”
22 de Maio de 2017

A maioria dos professores das escolas do 1.º ciclo que têm taxas de insucesso escolar acima da média nacional considera que os chumbos são elevados no 2.º ano de escolaridade porque é proibido chumbar logo no 1.º. “A maioria afirmou discordar desta proibição”, revelam os autores de um estudo sobre a retenção no 1.º ciclo, divulgado nesta segunda-feira, promovido pela associação EPIS – Empresários pela Inclusão Social e coordenado pela ex-ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. A nível nacional a taxa de retenção no 2.º ciclo é de 10%.

Com base nos dados estatísticos do Ministério da Educação foram analisadas 3866 escolas, das quais 541 apresentaram níveis de retenção superiores à média nacional. A partir deste universo foi constituída uma amostra de 127 escolas, tendo sido entrevistados 127 directores ou coordenadores de escola e 245 professores.

Para 87% destes docentes, a retenção tem vantagens, mesmo em idades tão precoces como os sete anos. Esta opinião prevalece apesar de muitos dos inquiridos reconhecerem que a retenção implica riscos como a desmotivação e o desinteresse dos alunos. Feitas as contas acabam por considerar que a repetência é “única alternativa”, porque “dando mais tempo as crianças acabam por aprender e recuperar”, afirmam os autores do estudo da EPIS, intitulado Aprender a Ler e a Escrever em Portugal, entre os quais figura a também ex-ministra da Educação e actual conselheira do Presidente da República, Isabel Alçada.

Segundo os autores do estudo, o problema do insucesso e das dificuldades de aprendizagem está assim “naturalizado” nestas escolas – “nada há a fazer a não ser aceitar isso mesmo e conformar as práticas pedagógicas a essa realidade”.

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