“O AO90 facilita a aprendizagem”, dizem eles

«É indiscutível que a supressão deste tipo de consoantes vem facilitar a aprendizagem da grafia das palavras em que elas ocorriam.

De facto como é que uma criança de 6-7 anos pode compreender que em palavras como concepção, excepção, recepção, a consoante não articulada é um p, ao passo que em vocábulos como correcção, direcção, objecção, tal consoante é um c?

Só à custa de um enorme esforço de memorização que poderá ser vantajosamente canalizado para outras áreas da aprendizagem da língua.» (Acordo Ortográfico – Nota Explicativa)

 

Neste momento, não há nenhum aluno do 1.º ano ao 12.º que aprenda e escreva de acordo com a antiga grafia. Todos os manuais escolares estão feitos com as regras do AO. Todos os documentos oficiais foram adaptados. Foram gastos milhares de euros a montar este sistema.

Edviges Ferreira, presidente da Associação de Professores de Português, 2 de Maio 2016

Estudo. Há 541 “escolas do insucesso” em Portugal

Rádio Renascença, 22.05.17

Estudo da EPIS revela que défice de competências de leitura é a primeira causa de repetência no 2.º ano.

Um total de 541 escolas públicas do 1.º ciclo, de um total de 3.886, têm níveis de repetência superiores à média nacional, em todos os anos de escolaridade. É o que conclui o estudo “Aprender a ler e escrever em Portugal”, da associação Empresário pela Inclusão Social (EPIS).

O insucesso escolar no 1.º ciclo do ensino básico atinge cerca de dois terços (61,5%) dos concelhos portugueses e 14% das 3.886 escolas públicas deste nível, revela a investigação desenvolvida por Maria de Lurdes Rodrigues (coordenação), Isabel Alçada, João Mata e Teresa Calçada.

As 541 escolas identificadas com níveis de repetência superiores à média nacional foram classificadas como “escolas do insucesso”.

Mas o insucesso não atinge de forma idêntica todo o país. Seis em cada dez destas escolas estão em 40 concelhos, com maior incidência no Sul e menor no Norte. Um total de 107 concelhos não têm escolas de insucesso e 171 vivem essa realidade.

O problema do insucesso no segundo ano de escolaridade, revela a investigação, assume proporções mais dramáticas em escolas do interior do país e da periferia da cidade de Lisboa, sendo influenciado pelas desigualdades territoriais que as escolas não conseguem contrariar.

As “escolas do insucesso” são, assim, as mais expostas e vulneráveis às desigualdades dos contextos territorial e social em que se inserem.

O fenómeno da repetência não se verifica, por outro lado, em mais de 900 escolas do primeiro ciclo, sendo que cerca de quatro em cada 10 concelhos (38,5%) não têm estabelecimentos de ensino com elevado insucesso escolar.

Dificuldades na leitura no 2.º ano

Segundo o estudo da EPIS, a primeira causa de repetência no 2.º ano é o défice de competências de leitura dos alunos.

Em que medida as dificuldades de aprendizagem da leitura explicam o insucesso escolar nos primeiros anos de escolaridade, que factores explicam, e em que medida, as dificuldades de aprendizagem da leitura foram questões às quais o estudo procurou responder.

A conclusão é que as crianças reprovam no segundo ano por não lerem bem, por não terem atingido os objectivos estabelecidos no programa no que respeita à leitura e à escrita, seja no domínio técnico de identificação e descodificação dos sinais, seja na compreensão da leitura ou do domínio do vocabulário.

As dificuldades com a aprendizagem da leitura são consideradas pelos professores como “normais”, argumentando que as crianças são todas diferentes e a grande maioria dos professores das turmas visitadas considera que não é possível eliminar totalmente o insucesso no primeiro ciclo.

Perante situações concretas em que os alunos não atingem os objectivos estabelecidos no programa para a leitura, os professores consideram que têm apenas uma de duas alternativas: a repetência ou a passagem automática.

E consideram que repetência é a única alternativa e a mais correcta.

O estudo “Aprender a ler e escrever em Portugal” é apresentado esta segunda-feira em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian.

[Transcrição integral de notícia da Rádio Renascença publicada em 22.05.17. Imagem de topo: “DN”- arquivo Global imagens.]

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