Mês: Setembro 2017

O AO90 é “disrutivo”

«May prefere um ‘Brexit’ ordeiro, suave, sem um “processo disrutivo próximo do abismo”.»
Revista “Visão”, 02.02.17

 


«Este tipo de maltrato de natureza indireta é capaz de provocar na criança sintomas persistentes, disrutivos, patológicos e traumáticos (Costa & Sani, 2007a).»
Universidade do Porto – Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (tese de mestrado, pág. 10, 2012)

 


«Evitam, frequentemente, o contacto social, isolam-se, exibem respostas negativas ou mesmo comportamentos disrutivos.»

Escola Superior de Educação de Lisboa (“projeto” de mestrado, pág. 22, 2015)


«Assim sendo, elas estão menos expostas do que as públicas a fatores externos e internos à escola que potencializam comportamentos disrutivos»
Sociologia vol.30  Porto dez. 2015


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O AOC (acordo ortográfico do Cunene)

Ispissialistas Interinacionais

Redacção F8

A gente da noça sanzala, no Cunene, istá muíto contente i um pouco chatiada. Istamu muíto contente pruquê inda istamu a cilibrar o grande vitória do MPLA nus ileissão. Êssê vitória tivi um grande ajuda do noço guvrenador, o Giniral Arquitecto di Cacimbas do Cunene Kundi paiLama.

Por João Bento Melo Kangamba
(Futuro candidato à Prezidência da Reipública do Cunene)

Us gaju do MPLA di Luanda derem ordem superior para o nosso guvrenador iliger 5 diputadu. O Arquitecto di Cacimbas do Cunene, Kundi paiLama, iligeu êssês cinco diputado que o MPLA di Luanda incomendou.

O nosso guvrenador num tinha qui rispeitar êssês ordem superior do MPLA di Luanda, pruquê aqui nu Cunene êlê é que manda tudo. O Giniral Kundi paiLama pudria ter iligido aí uns cento i cinquenta diputado e inviar êlês numas machimbombo, para Luanda. Lá nu Luanda êlês é qui tinhem ubrigassão di arranjar alojamento i intalassão pra us nóssu 150 diputado do Cunene. Assim o nóço camarada João “Malandro” Lourenso ceria iligido mais facilmente, sem nessecitar da ajuda do Cumição Nacional Eleitural e do Tribunal Constipacional.

U nossu camarada Kundi paiLama num tive muíto esperto nu cabessa. Si êlê dicidia iliger 150 diputado du Cunene, êlês pudria mudificar a Constituissão, mudar u capital di Angola para Ondjiva e o Kundi paiLama é qui çaria o novo Prezidentê di Angola. Agora já é tarde dimais para fazer êssês mudificassão.

Nóz tamém istamu muíto contente pruquê nu TPA, nu RNA i nu Jurnal di Angola acabarem di infrumar qui “a Economia angolana continua a manter um nível espantoso, e até invejável, de consumo e investimento público e privado”. Istão a ver!…

Us ispissialistas interinassionais ção tudo um cambada di ingunurantes quando culoquem Angola nu pozição 141 im cualidade di vida, cumparada cus outro paíz do mundo inteiro.

Êssês ispissialistas interinacionais ção muíto invijozos i ingunurantes. Pru ocazo êlês cunhesse o Cunene i Angola im giral? Onde é qui êlês istudarem pra puderem fazerem êssês instatística? São êssês os ispissialistas qui disserem qui a milhor univrecidade do mundo é em Óqueceford, na Enguelaterra?!… Pru acaso êlês cunhesse o ilivado cualidade cientifrica e pédagógica da Univrecidade Kundi paiLama do Cunene, ispissializada im Arquitectura di Cacimbas i Educassão Patriótica? Não! Num cunhesse!

Nóz, aqui nu Cunene, istá isconfiadu qui êssês ispissialista dévi di cer dus Istadu Unidus, du China, du Enguelaterra, du Fransa ou du Japão e tenhem muíta inveja pruquê agora Angola, dispois da ileissão do camarada João, é a mior putênsia mundial e “a Economia angolana continua a manter um nível espantoso de consumo e investimento público e privado”, cumu diz us órgão di infrumassão do MPLA: o Jornal di Angola, a Tilivizão Púbica di Angola i u Rádio Nassional di Angola.

Aqui nu Cunene us nóssu gente tenhem muíto cualidade di vida, num paça fome. Us qui morri com fómi, sem cumida, é pruquê são muíto inquizito, num quer cumer capim, cumu faz us boi.

Nota: Texto escrito de acordo com o novo acordo ortográfico aprovado no Cunene.

[Transcrição integral de http://jornalf8.net/2017/ispissialistas-interinacionais/. Imagem de topo de: Consulado de Angola em Los Angeles (EUA)]

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O AO90 explicado a cegos, surdos e mudos

O acordo ortográfico representa de facto uma revolução por via administrativa. A primeira da História, por sinal. Parafraseando Churchill, e salvaguardando do mesmo passo as devidas distâncias, nunca tantos foram tão roubados por tão poucos.

JPG – O aborto ortográfico: pontas soltas e roubos de catedral – Apdeites, 16.04.08

 

«António Costa defendeu esta quarta-feira a adoção da língua portuguesa c pplomo língua oficial das Nações Unidas. Durante o discurso na Assembleia Geral da ONU, o primeiro-ministro propôs ainda que o Brasil e a Índia passassem a ser membros do Conselho de Segurança.» [SIC Notícias, 20.09.17]

 

Costa vinca que os países lusófonos querem português como língua oficial da ONU

Estas posições foram assumidas pelo líder do executivo português no seu discurso perante a Assembleia Geral das Nações Unidas. António Costa começou por aludir à recente resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre a cooperação entre a ONU e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), “que visa precisamente fortalecer as complementaridades entre as duas organizações”.

“E aproveito para referir a importância da língua portuguesa, que se afirma hoje como um instrumento de comunicação com dimensão global. Em meados deste século, o português deverá contar com quase 400 milhões de falantes, o que tem justificado a sua elevação a língua oficial em diversos organismos internacionais. A adoção do português como língua oficial das Nações Unidas permanece um desígnio comum dos Estados Membros da CPLP”, salientou o primeiro-ministro.

No plano político, António Costa defendeu também a reforma do Conselho de Segurança, “para lhe assegurar uma representatividade acrescida do mundo atual“.

“O continente africano não pode deixar de ter uma presença permanente, e o Brasil e a Índia são dois exemplos incontornáveis. Por outro lado, a complexidade dos problemas globais que hoje enfrentamos impõe a necessidade de cultivar as parcerias, envolvendo não apenas os Estados, mas também as sociedades civis, as instituições financeiras internacionais, as entidades públicas e privadas”, advogou.

Lusa/SIC, 20.09.17

Questionado pela plateia sobre as vantagens do novo Acordo Ortográfico entre países lusófonos, que deverá entrar em vigor em 2014, Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se a favor, defendendo que “há um debate artificial sobre a questão “. O professor disse que as alterações ao acordo “não são substanciais” para a Língua Portuguesa.

Marcelo referiu que o Brasil hoje é a maior potência económica e o maior país lusófono e realçou a ideia que “Portugal precisa mais do Brasil, do que o Brasil de Portugal”. Afirmou que o acordo tem “virtuosidades” e disse que “para Portugal conseguir lutar pela lusofonia no mundo tem de lutar por dar a supremacia ao Brasil.”

 

O mundo da lusofonia tem de assumir que a liderança é do Brasil” – JPN – Jornalismo Porto Net, 1 de Maio de 2008

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As “convições” do AO90

«Um Copo de Cólera é um teatro concentracionário, discussão conjugal entre um homem, maduro e comodista, e a jovem amante, jornalista cheia de convições – apenas isto, uma pedra (preciosa).» [Revista “Visão”, 25.07.16]

 

«Mas nem isso impediu que levasse para Los Angeles as minhas convições, a minha estratégia, pois já tinha um plano bem traçado e tinha que o seguir.» [Revista “Festa”, 24.10.15]

 

«“As convições e a forma de liderança que têm guiado a minha carreira são inconsistentes com o que vi e vivi na Uber”, justifica o especialista em marketing que foi contratado há seis meses para melhorar a imagem da empresa.» [semanário “Sol”, 16.04.17]

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Concurso: Reportagem em Língua Portuguesa

Revista Descla e FNAC Viseu lançam concurso sobre o que é Português

Regulamento:

  • Este concurso consiste na criação de uma reportagem nas temáticas de desporto, cultura, lazer, turismo e património. Podem ser de âmbito nacional ou internacional, mas todas as reportagens têm de focar algo que seja português.
  • Todas as reportagens têm de estar escritas em língua portuguesa.
  • Podem ser escritas no antigo ou no novo acordo ortográfico, mas na data de publicação todas elas serão adaptadas à grafia do antigo acordo ortográfico.
  • Todas as reportagens seleccionadas serão publicadas na revista Descla com o nome do seu autor e passam a ser propriedade da revista Descla e da Fnac Viseu.
  • Qualquer reportagem que já tenha sido publicada em qualquer outro local (órgão de comunicação, blog, site…) será automaticamente excluída do concurso.
  • Cada reportagem tem de ter no mínimo duas fotografias e no máximo seis.
  • O número mínimo de participantes é 10, sem o qual o concurso é cancelado.
  • Os menores de 18 anos precisam de autorização do encarregado de educação para participar no concurso.
  • Não podem participar no concurso familiares directos dos funcionários da revista Descla, da Fnac Viseu e da Pousada de Viseu.
  • As reportagens devem ser enviadas para cultura@descla.pt até dia 30 de Setembro pelas 23:59.
  • O 1º prémio é uma estadia de duas noites para duas pessoas numa das Pousadas de Portugal, o 2º prémio um jantar para duas pessoas na Pousada de Viseu e o 3º prémio um pack odisseias.
  • A data de entrega dos prémios será a 21 de Outubro, pelas 21:00 horas, na Fnac Viseu.

[Transcrição de regulamento de concurso lançado hoje mesmo, 8 de Setembro de 2017, pela Revista Descla e pela Fnac – Viseu. Imagem importada da publicação original.]

 

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“O idioma faz a nossa identidade”

Mais uma reversão ortográfica, salvo seja. Mesmo após todos estes anos desde que nos caiu em cima a malaquenha maldição, as pessoas continuam a acordar para a realidade — ou seja, vão desacordando.

Este é outro caso flagrante: oito anos depois, um “blogger” que apoiara entusiasticamente o AO90 declara agora que o rejeita categoricamente e rebate, um por um, todos os argumentos que ele próprio tinha enumerado para sustentar esse apoio.

É natural. Esmoreceu no entusiasmo, primeiro, faliram os argumentos, depois, e volatilizou-se-lhe o apoio, por fim, porque a realidade é mais sólida do que uma parede; mas, felizmente, não partiu a cabeça quando bateu com estrondo na dita parede. Pelo contrário, a pancada, digo, o embate, terá sido com certeza absolutamente indolor, uma espécie de despertar súbito e clarividente.

Como por definição acontece quando um chorrilho de mentiras esbarra e espatifa-se contra factos concretos, dúvidas feitas em cacos transformam-se — suave milagre — em sólidas convicções.

Em 2009 o Mark dizia “sim”, em 2017 o Mark diz — definitivamente — Acordo Ortográfico: Não!

E diz muito bem. É esta a nossa identidade.

Ainda o Acordo Ortográfico.

Mark às 16:20

O assunto está praticamente dado por encerrado entre todos, não obstante ainda proliferarem movimentos que se lhe opõem. Entre os organismos estatais, foi adoptado; órgãos de Comunicação Social e demais imprensa, de igual modo, gradualmente o implantaram, com uns quantos que se recusam. Há individualidades que lhe fazem frente, e eu, um fiel apoiante, vejo-me do outro lado. Não farei militância anti-AO, se bem que lhe retirei todo o apoio. Torna-se oportuno contextualizar.

Quando o AO entrou em vigor em Portugal, adoptei-o na minha escrita, inclusive no blogue. Por pouco tempo, porque cedo me dei conta da minha impossibilidade em adaptar-me às novas regras, ainda que as tenha, por conta própria, estudado. Esteticamente, foi-me impossível. Mantive, entretanto, o meu apoio ao Acordo. Perfilhei da maioria das razões invocadas pelos seus defensores, as quais expus aqui no blogue – tenho textos escritos, antigos, sobre esta matéria; por 2011, inclusive, lerão textos meus com a ortografia reformada. O principal argumento prende-se à disparidade entre as normas portuguesa e brasileira. Consoantes mudas, acentuação gráfica, sobretudo, o que levava, numa primeira análise, a que os leitores se apercebessem das divergências quase incomportáveis num mesmo idioma, divergências essas que o enfraqueciam no plano internacional, designadamente na hora de um aluno escolher entre qual norma aprender. Anos depois, continuo a considerar este argumento como aceitável e pertinente. A Língua Portuguesa queda enfraquecida com tamanhas, embora não abismais, diferenças, que existem nalguns idiomas, como no inglês, mas que não existem noutros, como no castelhano, sendo que o português goza de bastante menos prestígio do que ambos.

O que terá mudado? Sucintamente, o modo como encaro o Acordo. Continuo a ser partidário de uma uniformização, opondo-me veementemente ao processo em curso de simplificação. O Acordo Ortográfico de 1990 descaracteriza o idioma. A raiz etimológica, em detrimento do critério meramente fonético, sofreu um duro golpe. O primeiro foi-lhe dado justamente por Portugal, em 1911. Não sou um purista; todavia, não posso compactuar com este atentado ao idioma. Uniformização ortográfica, sim; AO de 1990, não.

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