Língua Gestual Portuguesa (LGP) versus Língua de Sinais Brasileira (LIBRAS)

Alfabeto Manual LGP

O que todos devíamos saber sobre língua gestual (em dez pontos)

Nunca se diz linguagem gestual, mas antes língua gestual. E um surdo é apenas surdo, nunca surdo-mudo. Informações, curiosidades, vídeos e leituras para aumentar o conhecimento sobre esta comunidade

Texto de Mariana Correia Pinto14/11/2017 – 19:45

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1. Língua e nunca linguagem
Não existem linguagens gestuais, mas sim línguas gestuais. Linguagem pode entender-se como um qualquer sistema de símbolos ou objectos constituídos como signos: a linguagem das cores, a linguagem corporal, etc. Uma língua, por seu lado, é um sistema de signos, arbitrário e convencional, neste caso veículo de expressão da comunidade surda e com gramática, estrutura e dinâmica próprias. Os gestos da língua gestual portuguesa (LGP) são constituídos por cinco parâmetros base: configuração de mão, movimento, expressão não-manual, localização e orientação.

2. A origem sueca
A LGP tem como língua mãe a Língua Gestual Sueca e não deriva, como muitos acreditam, do idioma oral de Portugal. No século XIX, o rei D. João VI chamou a Portugal Per Aron Borg, um sueco que tinha fundado no seu país um instituto para educação de surdos. Em 1823 é criada a primeira escola para surdos em Portugal e ainda que o vocabulário da LGP e da LGS seja diferente, o alfabeto das duas línguas revela a sua origem comum.

3. A sintaxe da LGP
A LGP tem uma estrutura bem diferente do português. A ordem básica das frases divide-se em SOV (sujeito-objecto-verbo), OSV (objecto-sujeito-verbo). Em português seria o equivalente a dizer: Eu casa vou/ Casa eu vou. Em LGP, as interrogativas, declarativas ou exclamativas identificam-se com elementos não manuais como o arquear das sobrancelhas e dos ombros.

4. Cada país com a sua língua
Muitos acreditam que a língua gestual é universal. Errado. Cada país tem a sua língua gestual, emergente da comunidade e mutante com o tempo. Em Portugal, como noutros países, nota-se ainda a existência de diversos regionalismos. Há em todo o mundo diversas línguas gestuais: a ASL (American Sign Language), a BSL (British Sign Language), a LIBRAS (Língua de sinais Brasileira), etc. E nenhuma delas nasce da língua oral do seu país, mas antes da história da comunidade surda que a utiliza.

5. Surdo-mudo não existe
É ainda um erro comum chamar-se surdo-mudo a um surdo. Além de ser pejorativo, é errado: uma pessoa surda apresenta uma perda auditiva, mas tem cordas vocais. Muitos surdos, por opção ou por terem tido uma educação que aposta no oralismo, usam as cordas vocais e conseguem falar.

6. Aprender LGP: tão difícil como outra língua
Criada pela Associação de Surdos do Porto, a Escola Virtual de língua gestual portuguesa é um projecto que ajuda a derrubar barreiras na comunicação entre surdos e ouvintes. O registo e utilização são gratuitos e, além de uma aprendizagem teórica sobre o tema (acompanhada de pequenos testes onde se vai verificando o conhecimento adquirido), é possível aprender alguns gestos. Obrigatório para quem quer saber mais sobre esta comunidade e aprender uma nova língua: diz quem sabe que, como qualquer outra língua, é tudo uma questão de prática.

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[Transcrição parcial de: O que todos devíamos saber sobre língua gestual (em dez pontos) | P3. Imagem de topo: Wikipedia]

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