Dia: 16 de Janeiro, 2018

Patuá Sâm Assi

Patuá, a língua que Macau deixou ‘morrer’ a troco de “dinheiro fácil”

Joana Almeida
14 Jan 2018

O crescimento de Macau, alicerçado na indústria do jogo, veio pôr em xeque a cultura local. O patuá macaense, língua crioula baseada no português, está a em risco de se extinguir e os cidadãos locais apontam o dedo “ao dinheiro fácil”.

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O negócio dos casinos em Macau fez da região administrativa a ‘Las Vegas do Leste’ e, embora tenha ajudado financeiramente, este crescimento veio reflectir muito pouco da cultura local macaense. O patuá macaense, língua crioula baseada no português, está a em risco de se extinguir e os cidadãos locais apontam o dedo “ao dinheiro fácil”.

“Hoje em dia, ninguém fala muito patuá. Apenas as pessoas com mais idade”, afirma Aida de Jesus, de 102 anos, ao jornal britânico ‘The Guardian’. Esta é uma das guardiãs mais antigas do idioma, que se originou para ser a língua da comunidade indígena eurasiática de Macau, depois do intercâmbio entre colonizadores portugueses e o povo chinês.

Elisabela Larrea, uma das habitantes da região que ainda conserva a língua, conta que o progressivo desaparecimento do patuá macaense se deveu, numa primeira fase, à forte presença portuguesa na região. As crianças eram obrigadas nas escolas a falar português e, aos poucos, com o aumento da escolarização, o patuá macaense foi-se perdendo.

“Na escola, fui ensinada a falar em português e pediram-me que não falasse em patuá”, conta Aida de Jesus. “Se falasse Patuá na escola, eles não entenderiam. Por isso, precisávamos de falar em português”.

A situação tornou-se ainda mais crítica quando, em 1999, a administração da região de Macau foi devolvida à China, depois de quase cinco séculos sobre domínio português. A entrada no capitalismo de mercado chinês trouxe consigo novas empresas e negócios e fez da indústria do jogo o principal motor da economia. Com isso vieram também novos hábitos e tendências, os velhos costumes estão a perder-se (ainda mais).

“A minha mãe disse-me que os nossos antepassados desistiram do que era nosso para passarem a ter uma língua que não faz parte da nossa identidade”, conta Elisabela Larrea, que tem um blog, onde divulga palavras em patuá macaense e as traduz para mandarim, cantonês e inglês para não deixar morrer a língua. “Resta-nos agora recuperar o que realmente representa a nossa cultura e o nosso espírito”, considera.

Em 2009, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) classificou o patuá como uma língua “criticamente ameaçada”, depois de na viragem do milénio se ter estimado a população total de falantes em apenas 50.

[“Jornal Económico”, 14.01.18. O texto em acordês no original foi corrigido automaticamente para Português-padrão pela solução Firefox contra o AO90.]

‘Faz-de-conta’

Entrevista a Francisco Miguel Valada

January 14, 2018

Pedro Marques

Entrevista a Francisco Miguel Valada, intérprete de conferência nas instituições comunitárias, mestre em Linguística e Estudos Literários pela Universidade Livre de Bruxelas (VUB) e activista contra o novo acordo ortográfico

Como intérprete de conferência e como linguista, o que sente ao ver a língua portuguesa levar o caminho sinuoso de desastre total através do novo acordo ortográfico e das suas múltiplas interpretações?

Em primeiro lugar, peço desculpa pela demora em aceitar dar-lhe esta entrevista. O ano de 2017 foi um ano extremamente ocupado, como será, aliás, 2018. Por isso, eis-me já aqui. Não quis que esta minha dívida fosse saldada depois de Janeiro.

Quanto ao desastre – total ou parcial – está previsto há imenso tempo. No entanto, como vemos pela sua pergunta, as múltiplas interpretações estão aí, são uma realidade perceptível, o quadro teórico não é sólido, as formações foram uma anedota. Já escrevi acerca das opiniões de uma formadora, ainda por cima com responsabilidades associativas, que diz que a palavra Egipto pode ser objecto de dupla grafia, o que vai completamente contra a letra do texto do acordo ortográfico de 1990. Nem é preciso ir ao espírito, basta ir à letra. Se uma formadora desta dimensão comete calinadas destas, é muito natural que outros, contratados ad hoc e formados à pressa, as cometam. Além de o texto ser ambíguo, mas essas são contas de outro rosário. O que sinto? Sinto pena: pena da situação, pena de quem ainda não percebeu a gravidade da situação, pena de quem encolhe os ombros perante o problema.

Escreveu o livro Demanda, Deriva, Desastre – os Três Dês do Acordo Ortográfico. O que o levou a aprofundar o acordo ortográfico e escrever um livro para levar os leitores a debruçar-se sobre o que este novo acordo permitiu? O que tem aprendido desde então?

Tenho aprendido imenso. O livro cumpriu o seu papel em 2009. O debate andava demasiado circunscrito à retórica política e decidi dar o meu modesto contributo para que as questões linguísticas viessem ao de cima. Começou por ser um pequeno ensaio, mas depois acabei por escrever o livro. Infelizmente, desde então, muito tem acontecido neste dossier. Por exemplo, nos últimos anos, tenho aprendido que, independentemente dos factos, independentemente dos pareceres, independentemente da vontade de agentes políticos antes de serem eleitos para cargos, depois da eleição e da nomeação tudo continua exactamente na mesma.

Através do seu livro, das várias publicações no jornal Público e no Aventar onde publica frequentemente e do grupo Acordo Ortográfico Não, de que forma tem conseguido levar a que conheçam melhor o acordo, que o discutam e que reflictam nos prós e contras?

Apresentando os factos e mostrando que há agentes que se estão nas tintas para os factos. É verdade que há petições e audições. Contudo, aceite o pedido e ouvidas as partes, não há mais nada. E depois o processo repete-se. Mais uma petição, mais uma audição. E andamos neste rame-rame, neste faz-de-conta. Cumpro a minha parte de cidadão, mas do lado do poder a resposta é sempre vaga e ambígua. O enquadramento teórico e a perspectiva técnica são aspectos – peço desculpa por usar esta palavra neste contexto –facultativos. Mas é importante que se saliente esta área, para mim, a mais relevante.

Em 2012 disse em entrevista que o AO90 era um desastre e nas suas publicações apresenta imensos textos sublinhando as inúmeras palavras escritas de diversas formas consoante o jornal, a televisão ou outro. Desde então como vê os resultados da aplicação do acordo ortográfico em cada vez mais canais, jornais, e pessoas que têm aderido?

Com tristeza, porque já se previa que isto ia acontecer, mas ninguém com responsabilidades na matéria ligou aos avisos. Como agora a confusão está instalada, os responsáveis continuam a não ligar nenhuma, não vá alguém descobrir que a culpa é deles. Como é público, nem os principais responsáveis pela aplicação do acordo ortográfico de 1990 dominam a matéria. Vá a um motor de busca na internet e procure “agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa)”. Não se retractam (não se esqueça do cê, quando passar isto a limpo, se não ainda julgam que estou a falar de selfies) e andam por aí a espalhar a confusão.

(mais…)

Em Português – 43

Fundação Lusíada

A Fundação Lusíada foi criada a 6 de Março de 1986, tendo sido seu fundador o Dr. Abel A. M. de Lacerda Botelho. É uma…

Publicado por Fundação Lusíada em Domingo, 8 de Fevereiro de 2015

É uma Instituição Cultural sem fins lucrativos, tendo-lhe sido atribuída a qualidade de Pessoa Colectiva de Utilidade Pública em 30 de Abril de 1992, tendo como objectivo prioritário estatutário:
“Defesa e divulgação da língua e da cultura portuguesa nos países de língua portuguesa, nos países onde existem comunidades lusas e em qualquer outro país onde tal se torne útil ou necessário”

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Jornal “O País” (Moçambique)

Restrições na extracção que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e outros produtores acordaram contribuíram para avanço do preço

Publicado por O País em Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2018

Restrições na extracção que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e outros produtores acordaram contribuíram para avanço do preço

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Clube Espacial Português

Desde 2007 que a Ilha de Santa Maria, nos Açores, colocou Portugal no mapa dos grandes países europeus no contexto…

Publicado por Clube Espacial Português em Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2018

Desde 2007 que a Ilha de Santa Maria, nos Açores, colocou Portugal no mapa dos grandes países europeus no contexto espacial. Hoje existe já uma importantíssima infraestrutura operada pela Edisoft que actua não só na monitorização de toda a área marítima do Atlântico Norte, bem como no crucial rastreio dos lançamentos dos foguetões da Agência Espacial Europeia (ESA). A convite da Casa dos Açores em Lisboa, o Engenheiro Ricardo Conde da Edisoft apresentou o panorama actual dos Açores no sector espacial, bem como as grandes perspectivas futuras que poderão catapultar os Açores como o futuro porto europeu de acesso económico ao espaço.

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