Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Mês: Maio 2018

Cruzadex (3)

ISCSP lança “Afirmação Global das Culturas de Língua Portuguesa”

“A Afirmação Global das Culturas de Língua Portuguesa” é o primeiro volume da Coleção “Estudos sobre a CPLP”, lançado hoje em Lisboa, visando, disse a coordenadora da obra, retratar a organização lusófona no seu todo.

O livro, editado pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa, foi lançado na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e é o resultado da investigação da coordenadora, Sónia Pedro Sebastião, em colaboração com 13 outros docentes universitários.

(…)

“As culturas de expressão portuguesa são riquíssimas. Há várias formas de viver esta cultura. Temos países membros com um património cultural e natural brutal que estão um pouco no anonimato, um pouco escondidos”, referiu, salientando o potencial que existe nos Estados da CPLP — Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste (a Guiné Equatorial ficou fora do estudo).

Na génese do livro, disse a autora da ideia, é o “grande interesse” que tem pelas culturas lusófonas, destacando que só avançou depois de a investigação inicial para tentar perceber o que era a CPLP não lhe ter dado retorno.

“Há coisas escritas de grande valor sobre a Lusofonia, a interculturalidade”, mas são pouco divulgadas, ao contrário das “possibilidades políticas e oportunidades de negócio”, pelo que todos terão de ser “ambiciosos” para projetar as diferentes culturas.

(…)

DN/Lusa, 15.05.18


 

ISCSP apresenta Coleção “Estudos sobre a CPLP”

Nota informativa

O Secretariado Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (SECPLP) acolheu a apresentação da Coleção “Estudos sobre a CPLP”, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), no dia 14 de maio de 2018. Esta apresentação insere-se nas comemorações do 5 de maio, sob o lema “A preservação do legado histórico e cultural dos Estados membros da CPLP”.

A Secretária Executiva da CPLP, Maria do Carmo Silveira, o Representante do Brasil junto à CPLP (Presidência pro tempore da CPLP), Embaixador Gonçalo Mourão, e o Presidente do ISCSP, Professor Catedrático Manuel Meirinho, marcaram o início da sessão, seguindo-se a apresentação da coleção, nomeadamente da obra “Comunidade dos Países de Língua Portuguesa: A Afirmação Global das Culturas de Expressão Portuguesa”, coordenada pela Professora Sónia Sebastião.

O ISCSP detém a categoria de Observador Consultivo atribuída na XIX Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP, durante a X Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, que decorreu no dia 22 de julho de 2014, em Díli.

Notícia CPLP, 11.05.18


 

Coleção Estudos sobre a CPLP
9,20 €
Com IVA
Compreender a CPLP procurando evidenciar a evolução do posicionamento estratégico da comunidade.


 


4.º VALOR DO PRÉMIO
O valor do “Prémio/Master em Estudos sobre a CPLP” será o correspondente ao total da propina
de mestrado. O valor do “Prémio/PhD em Estudos sobre a CPLP” será o correspondente ao total da propina de doutoramento.


Nota: as transcrições mantêm a ortografia brasileira dos respectivos originais.

Cruzadex 1
Cruzadex 2

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Manual de Patranhas

«O que faz um acordo ortográfico entre diferentes países que falam a mesma língua? Simplesmente estabelece regras sobre como grafar as palavras da mesma forma nesses vários países. Ou seja: a língua, suas variantes, suas gramática, seus léxicos, suas prosódias, nada disso se altera. Alteram-se sutilmente pequenas questões de acentuação, hifenização, e, em raros casos, da ortografia de algumas palavras – em Portugal grafava-se “facto”, aqui grafamos “fato”. »

Mais uma espectacular e pública demonstração da forma despudorada como o Brasil se considera já absoluto dono e senhor de um idioma a que funcionários brasileiros chamam, por mera conveniência diplomática, “língua portuguesa”.

Neste risível textículo, a impressionante concentração de mentiras (e de outras tantas asneiras)  é indício seguro de que, ao contrário do que garantem alguns mercenários tugas,  os brasileiros não apenas se julgam os verdadeiros “donos da língua” como também consideram que o “acordo ortográfico de 1990”  é o documento segundo o qual Portugal abdica da sua Língua nacional.

Este concentrado de patranhas está redigido em “puro” brasileiro (com o seu léxico próprio, que não existe em mais parte alguma, e com as suas exclusivas construções frásicas), reflecte apenas a perspectiva neo-imperialista e os interesses geopolíticos do Brasil, refere somente casos (ortográficos, semânticos, prosódicos) brasileiros e destina-se exclusivamente ao público brasileiro (minimamente letrado, claro).

Portugal é mencionado uma única vez e, ainda por cima, para ficar associado a uma calinada de todo o tamanho (fato/facto). Os “outros países” (a CPLP), que não foram vistos nem achados na preparação do caldinho mas que servem na perfeição para fazer número, quando ao Brasil dá jeito, são olimpicamente ignorados pelo autor deste pequeno Manual de Patranhas.

Novas regras, mas a língua é a mesma

O fato de que quase todos os países que têm a língua portuguesa como língua oficial terem aderido ao acordo é extremamente benéfico

Rodrigo Tadeu Gonçalves
“Gazeta do Povo” (Brasil),

 

Um acordo ortográfico em nada influi diretamente no funcionamento de uma língua. Uma língua e seu sistema de escrita são duas entidades diferentes, de naturezas diferentes. O que se costuma afirmar sempre que o tema, polêmico, sem dúvida, aparece entre pessoas de vários graus de instrução, varia levemente em torno do tema da dificuldade de se aprender português. O que é difícil, para as pessoas, é a experiência de aprender regras e listas de exceções gramaticais e ortográficas na escola, ou seja, passar pelo processo de letramento e aprendizagem de diferentes níveis e variedades da própria língua.

Ocorre que a língua escrita, ou a possibilidade de escrever uma língua, é um sistema artificial e normatizado por seus usuários (não apenas pessoas, mas também instituições, formadas, claro, por usuários da língua), mas, antes de tudo, secundário e acidental com relação à existência de uma língua em si. Como seres humanos, usamos a língua naturalmente há muito mais tempo do que somos capazes de usar um sistema de representação escrita para ela. Até hoje, adquirimos naturalmente a faculdade da linguagem (oral ou, no caso dos surdos, gestual – o que dá no mesmo em termos de complexidade e completude como sistema linguístico), mas só aprendemos a escrita através de instrução – escolar ou de outro tipo. Ou seja, a linguagem é de alguma forma, inata, mas a escrita, não. E os primeiros sistemas de escrita, sejam eles alfabéticos, ideográficos ou variações dessas possibilidades, decerto não contavam com instituições externas compostas de pessoas e normas reguladoras para que todos grafassem as mesmas palavras da mesma maneira.

Até muito recentemente os sistemas de escrita sobreviviam relativamente bem sem a necessidade dessas estruturas. Hoje em dia, contudo, e já desde alguns séculos, a ampliação das possibilidades de circulação de documentos escritos tornou cada vez mais importante que instituições e governos dispusessem de mecanismos de normatização dos sistemas ortográficos (os Vocabulários Ortográficos, como o da Academia Brasileira de Letras, são documentos importantes nesse sentido), especialmente através de Acordos Ortográficos, que, em nosso caso, podem ser internacionais.

O que faz um acordo ortográfico entre diferentes países que falam a mesma língua? Simplesmente estabelece regras sobre como grafar as palavras da mesma forma nesses vários países. Ou seja: a língua, suas variantes, suas gramática, seus léxicos, suas prosódias, nada disso se altera. Alteram-se sutilmente pequenas questões de acentuação, hifenização, e, em raros casos, da ortografia de algumas palavras – em Portugal grafava-se “facto”, aqui grafamos “fato”.

O fato de que quase todos os países que têm a língua portuguesa como língua oficial terem aderido ao acordo é extremamente benéficolivros podem ser impressos e lidos em vários desses países sem grande necessidade de adaptação, por exemplo.

Ou seja: o acordo ortográfico foi bom para a língua portuguesa? Na medida em que mais pessoas têm acesso a regras claras sobre como grafar sua própria língua (especialmente em documentos oficiais, livros etc.), mais facilidade e possibilidade de circulação a língua possui – mas isso apenas quanto a sua modalidade escrita. De resto, o que a língua ganha ou perde? Nada. Tirando alguns saudosistas que sofrerão por muito tempo com a queda do trema na linguiça, a língua não mudou. O que mudou foi a ortografia, o sistema de representação escrita..  Como vimos, este não se adquire naturalmente. Precisamos da escola para isso. Mas já precisávamos antes. Pouco muda. Aprendemos algumas novas regras sobre como grafar as palavras e a língua que sempre foi nossa e que adquirimos naturalmente desde bebês continua a ser nossa. Nem mais, nem menos.

Rodrigo Tadeu Gonçalves é professor de Letras na UFPR e diretor da Editora UFPR.

[Transcrição integral de “Novas regras, mas a língua é a mesma“, publicação do jornal brasileiro “Gazeta do Povo” de 28.05.18. Inseri “links” com “texto alternativo” que abrem em novo separador. ]

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Ah, então está bem

Guilherme de Oliveira Martins parece ter, como já aqui dei conta, ressurgido de repente da sombra em que felizmente se havia refugiado. Desta vez bota figura, em flagrante contraste com a sombra, numa entrevista ao “Sol”.

De entre o seu emaranhado, confuso e um bocadinho esotérico murmúrio, destaco apenas uma piquena tranche que me pareceu poder interessar a cerca de duas pessoas, e dessa tranche trincho alguns dos nacos mais suculentos (com o devido respeito, é claro, como sempre, uiui).

(…)

Uma parte importantíssima do nosso património é a língua e muitos consideram que o Acordo Ortográfico é um atentado à língua. Uma vez que adere ao acordo, presumo que não o vê como uma desvirtuação do português…

Mais importante do que tudo é a língua viva. A língua portuguesa é hoje falada por 230 milhões, um pouco mais, de pessoas em todos os continentes. No final do século será falada por mais de 400 milhões e as duas línguas ibéricas juntas serão, no final deste século, faladas por mais de mil milhões de pessoas. Dois dos ensaios que tenho neste livro são de homenagem a um grande amigo meu que foi um crítico severo do acordo ortográfico.

Vasco Graça Moura?

Respeitei sempre a sua posição, nunca tivemos qualquer discussão sobre esse tema. Soube sempre o que ele pensava e costumo dizer que ‘sou agnóstico em matéria do Acordo Ortográfico’.

O que significa isso?

Significa que o mais importante não é o Acordo. Em Inglaterra a Reforma deu como consequência que a Bíblia fosse escrita em língua vulgar logo no século XVI. A Bíblia do Rei James é de algum modo o cânone linguístico, por isso não precisam de um acordo ortográfico. Com o português, é preciso perceber que o Acordo Ortográfico de 1990 se sucede a outros acordos ortográficos, não foi uma decisão momentânea. Temos de ter consciência de que a língua portuguesa não é nossa propriedade. Um dos capítulos deste livro é sobre essa questão e sobre a importância de nós cultivarmos a língua. E cito o António Ferreira, d’ACastro, que salienta que o mais importante é preservar a língua viva. Entendermo-nos. A questão da língua não é uma questão de gramáticos, é uma questão de cidadania. Por isso o cultivar a língua é cultivar a sua sintaxe, é cultivar a forma clara e inequívoca de exprimirmos ideias e de comunicarmos uns com os outros. Eu diria que o grande desafio perante o qual nos encontramos é aprender e ensinar a falar bem. A comunicarmos bem.

[Semanário “Sol”, 28.05.18 (excerto)]

«agnóstico em matéria do Acordo Ortográfico (…) significa que o mais importante não é o Acordo.»
Ah, então está bem, é assim como a diferença entre um ateu crente e um fundamentalista islâmico alérgico à nitroglicerina ou com horror a sangue. Ou seja, não se percebe nada. Mas pronto, aqui o que interessa ao depoente é mesmo tecer considerações sobre o inverso e o seu contrário ou, como de costume, em conformidade com a imagem de marca da sua circunspecta pessoa, não querendo nunca significar coisa alguma: “o mais importante não é o Acordo”, diz, mas não diz o que seria então o mais importante. Paleio de chacha, em suma. Debitar a receita do verdadeiro coelho à caçador teria iguais relevância discursiva e densidade intelectual, com a notória diferença de que o coelho come-se e o paleio é intragável.

«Em Inglaterra a Reforma deu como consequência que a Bíblia fosse escrita em língua vulgar logo no século XVI. A Bíblia do Rei James é de algum modo o cânone linguístico, por isso não precisam de um acordo ortográfico.»
Ah, então está bem, já se sabe, os ingleses são uns chatos, aquilo é uma pepineira, bolas, quatro séculos sem uma única “reforma ortográfica”, mas que chatice,  estes bretões são tontinhos, toc toc toc, como diria Obélix. E “por isso não precisam de um acordo ortográfico”, convenhamos, é uma expressão muitíssimo bem esgalhada, caramba, de um rigor científico esmagador: não fosse o Rei James, não fosse a Bíblia, raios, e lá se ia o “cânone linguístico” pelo cano abaixo, os “bifes” nesse caso iriam mesmo precisar de “reformas” e de “acordos” à portuguesa, ou seja, uma a cada 20 anos. Assim, nada feito, a Bíblia do tal James (outro cromo que tal) é que, “de algum modo”, irra, fixou “o cânone linguístico”, pronto, acabou-se, os ingleses nem sabem o que perderam com a sua maldita fixação por coisas fixas, cambada de nabos.

«Com o português, é preciso perceber que o Acordo Ortográfico de 1990 se sucede a outros acordos ortográficos, não foi uma decisão momentânea.»
Ah, então está bem. Fica por conseguinte explicada a lógica (por exemplo) dos “serial killers”: assim que se lhes descobre mais uma vítima salta logo um defensor oficioso do género, rebrilhante de sapiência, garantindo que o assassino em série, váláver, até já tem um longo e recheado currículo, coitadinho, haja compreensão, o último morto “não foi uma decisão momentânea”, este último “sucede a outros”, portanto compreende-se. E acrescenta, reforçando a sua “ideia” que “é preciso perceber” a coisa, a lógica inatacável que vale tanto para assassinar pessoas consecutivamente como para assassinar a Língua periodicamente, são dois vícios aborrecidos, vá, é como fumar ou andar a meter pó nas ventas, abater quando em vez uns tipos é o mesmo que abater de vez em quando umas “consoantes mudas”, uns acentos, uns hífenes e assim.

«Temos de ter consciência de que a língua portuguesa não é nossa propriedade.»
Ah, então está bem. Porém, dear William, se não é nossa, nesse caso é propriedade de quem? Da Guiné Equatorial? De Timor-Leste? Da CPLP? Do Montepio? Da Santa Casa da Misericórdia? Ou… Não! Pode lá ser! Com certeza não quer dizer que a língua portuguesa é propriedade do Bras… Não, repito! Não, não e não! É impossível que aquela observação sobre os “230 milhões” (dos quais 210 são brasileiros, por acaso) tenha algo a ver com direitos de propriedade patrimonial, histórica e identitária, enfim, repito, é impossível que estivesse sequer a insinuar semelhante coisa. Que diabo, sejamos sérios, ninguém em Portugal — exceptuando os vendidos, mercenários e agentes do putativo II Império brasileiro — sequer admite, nem nos seus mais horríveis pesadelos, que andem nossos governantes agora, sendo o AO90 o contrato de comodato, a entregar a propriedade da Língua Portuguesa a uma nação estrangeira!

Não é nada disso, pois, não, hem?!

Ah, então está bem.

 

[Imagem de topo, medalha da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul,
de: Banco Central do Brasil]

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As variações da mentira – III

E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará“.
João, 8:32

Isto é de facto extremamente cansativo. O que aliás faz parte, desde o início, da estratégia acordista: vencer-nos pela exaustão, derrotar-nos pela descrença, paralisar-nos pelo silenciamento.

Já pudemos constatar, na primeira série de patranhas e na segunda, que toda esta gigantesca mentira é uma espécie de “vira o disco e toca o mesmo”: o tema é monótono, as variações monocórdicas.

O que implica, para que semelhante quantidade de patranhas, a granel e a seco, possa ser minimamente deglutida, salvo seja, necessitar um cristão de não despiciente dose de humildade, quando não de puro masoquismo. Trata-se de um cruel exercício de auto-flagelação, quase a raiar a santidade, digamos, se bem que não exista alternativa ao sacrifício para enfrentar a peçonha da mentira.

E pronto, haja coragem, aguentemos estoicamente mais um pouco, para a vintena final já só ficam a faltar outras cinco além das anteriores 10 e de mais estas.

 

11. O AO90  abriu um mercado único de edições (livros, imprensa, etc.). Intrujice.
«Juca Ferreira não acredita que, com o Acordo Ortográfico, o Brasil possa “engolir” o mercado editorial português. “Acho difícil. Acredito mais na possibilidade de cooperação, não só entre Brasil e Portugal, mas de todos os países de Língua Portuguesa, para criarmos um espaço para a literatura dos nossos países neste mundo editorial”» [“Expresso”, 08.2008] Intrujice.

a) «O Acordo Ortográfico não facilitou o intercâmbio cultural e não teve qualquer papel positivo nas exportações.» [Francisco Vale (editor), “Jornal de Leiria”, 02.2018]
b) «A Porto Editora fez uma queixa-crime contra o ex-candidato à Presidência da República, Paulo de Morais, alegando “prejuízo ao bom nome e reputação da empresa” ao associar a editora a corrupção e cartelização do mercado de manuais escolares. Por seu lado, o ex-vice-presidente da autarquia do Porto já reagiu, declarando que considera “inadmissível” o sistema de “cartelização de venda de livros escolares” em Portugal e que irá continuar a denunciar esta situação “enquanto não for efectivamente resolvida”.» [“Público”, 03.2016]
c) «De resto, não vejo qualquer problema em que o português escrito possa ter grafias um pouco diferentes conforme seja de origem portuguesa ou brasileira. Antes pelo contrário, ajuda a mostrar a diversidade das expressões e acentua os factores de diferenciação que nos distinguem realmente e que reforçam a nossa identidade. Aliás, considero míope a visão de que o mercado brasileiro de cultura passará a estar aberto aos autores portugueses em razão da homogeneidade da grafia, pois que o interesse desse mercado pela nossa produção só pode depender do real interesse pelas nossas especificidades e aí a suposta barreira do grafismo não chega a ser uma barreira, pode ser um factor de distinção que acentua o interesse pela diferença.» [Pedro Passos Coelho, 05.2008]

12. O AO90 no ensino facilita e poupa tempo para outras tarefas. Invencionice.
«É indiscutível que a supressão deste tipo de consoantes vem facilitar a aprendizagem da grafia das palavras em que elas ocorriam. De facto como é que uma criança de 6-7 anos pode compreender que em palavras como concepção, excepção, recepção, a consoante não articulada é um p, ao passo que em vocábulos como correcção, direcção, objecção, tal consoante é um c? Só à custa de um enorme esforço de memorização que poderá ser vantajosamente canalizado para outras áreas da aprendizagem da língua.» [Acordo Ortográfico – Nota ExplicativaInvencionice.

a) Não há “maior facilidade” na aprendizagem coisa nenhuma: no Ensino oficial em Portugal a confusão é total e o cAOs instalado afecta gravemente as crianças e jovens, confundindo-as estúpida e desnecessariamente. Não sendo imbecis ou retardados, os alunos portugueses estão mergulhados num caldo de instabilidade ortográfica no qual não só eles mas principalmente eles já não sabem ao certo como se escreve (ou lê). Por isto mesmo os resultados são cada vez piores desde que o AO90 passou a ser obrigatório nos exames. [Apartado 53, FAQ]
b) «Que avaliação rigorosa foi feita por parte do Governo dos impactos que, do ponto de vista do sistema educativo, teve a entrada em vigor do Acordo Ortográfico? Que avaliação foi feita das consequências que, do ponto de vista científico e pedagógico, nos programas de Português, teve a entrada em vigor do Acordo Ortográfico?» [PCP, Projecto de Resolução, 02.2018]
c) «Estou de acordo com o que disse o Malaca Casteleiro neste aspecto: o ensino é que fracassa completamente. Nós deveríamos ensinar os alunos a dicção correcta do português e devíamos combater esse “engolir” das vogais; os brasileiros fazem o contrário e é essa a grande razão que faz com que muitos estrangeiros prefiram aprender a variante brasileira.» [Teolinda Gersão, Antena 1, 05.2015]

13. O AO90 é simplificação da língua. Tanga.
«Questionado, entretanto, sobre as resistências que existem em Portugal em relação ao Acordo Ortográfico, o ministro disse que este movimento não é tão forte. (…) O Acordo é uma simplificação da Língua.» [José António Pinto Ribeiro, ex-Ministro da Cultura, “Expresso“, 08.2008] Tanga.

a) «(…) é impossível unificar ortograficamente um idioma a partir das suas variantes linguísticas e ignorar por completo a origem comum das palavras; consequentemente, as muitas excepções à regra, por falta de referências estandardizadas, em vez de facilitarem a ortografia, acabam por dificultá-la ainda mais.» [Filipe Zau, “Jornal de Angola”, 05.2016]
b) «O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (AO), assinado em 1990, possibilita diferentes interpretações das novas regras dado que não estabelece uma ortografia única e inequívoca: a interpretação do vocabulário oficializado em Portugal, a interpretação da Academia das Ciências de Lisboa e a interpretação do vocabulário oficializado no Brasil que, logo após a publicação da sua 5.ª edição, disponibilizou ‘online’ um Encarte de Correções e Aditamentos à 5.ª Edição, além de outras possíveis interpretações do texto propriamente dito.» [Vasco Teixeira (Porto Editora), 01.2013]
c) «Afinal, ainda é preciso ir atrás da pronúncia da moda para saber escrever. Há quem chame a isto “simplificação”. Eu chamo-lhe “pesadelo”.» [Manuel Matos Monteiro,“Público”, 04.2018]

 14. Sem o AO90, o Português-padrão caminharia para a extinção. Fantasia.
«Estará o “português de Portugal” condenado a desaparecer? Será o fechamento das vogais, que aparentemente fará que muitos dos nossos parceiros dos países de língua portuguesa não nos percebam, a sua sentença de morte? A questão foi levantada pelo próprio ministro dos Negócios Estrangeiros [“DN”, 11.2016] Fantasia.

a) Mas o camartelo acordês teve outro tipo de repercussões a nível mundial, nomeadamente na Internet, a primeira das quais foi a quase extinção da bandeira portuguesa (e respectivos “interfaces”) nos mais diversos “sites” internacionais, incluindo os institucionais. [Apartado 53, FAQ]
b) «Ao contrário do que diz, a escrita é um repositório de enxames de significações ancoradas em redes etimológicas e um tesouro da memória. Na medida do possível, a ortografia deveria evitar o seu apagamento.» [Maria Filomena Molder, “Público”, 05.2015]
c)
«Que se saiba, isso nunca impediu Portugal ou o Brasil de marcarem presença nas conferências das Nações Unidas e das suas agências especializadas. Ora, se até agora as divergências terminológicas não comprometeram e, aparentemente, não ameaçam vir a comprometer os contributos que os dois países têm a dar em tais fóruns, ilustrando com as suas divergências uma riqueza cultural fundada na diversidade geográfica da Língua Portuguesa, porque virá a ortografia a determinar o seu desaparecimento da cena internacional? Esta questão já foi colocada demasiadas vezes para que os defensores do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 continuem a ignorar que têm de vir a terreiro expor, decentemente, as verdadeiras razões subjacentes à teimosia em impor um acordo que nada resolve, mas tem gerado antagonismos que anteriormente não existiam.» [Isabel Coutinho Monteiro, ILCAO, 05.2014]

15. “Portugal tem de lutar por dar a supremacia ao Brasil“. Burla.
«Marcelo referiu que o Brasil hoje é a maior potência económica e o maior país lusófono e realçou a ideia que “Portugal precisa mais do Brasil, do que o Brasil de Portugal”. Afirmou que o acordo tem “virtuosidades” e disse que “para Portugal conseguir lutar pela lusofonia no mundo tem de lutar por dar a supremacia ao Brasil.”» [JPN, 05.2008] Burla.

a) «Então por que motivo se tenta em Portugal, impor tais mudanças? Para ficarmos iguais ao Brasil, claro. Parece a velha anedota: então porque não ficamos? Simples: porque se trata de uma mirabolante utopia sem possibilidade de concretização prática.» [Nuno Pacheco, “Público”, 02.2017]
b) «
Países lusófonos apresentam resistência em introduzir as novas normas de modo efetivo. Por quê? O argumento principal é de que se trata de um acordo brasileiro. (…) O Brasil ratificou a norma e deu início à implantação. Porém, o país parece estar só na viabilização dessas políticas públicas. Por quê? A questão é muito simples: toda a lógica instrumental do acordo é brasileira.» [Jornal “Opção” (Brasil), 07.2016]
c)«There are 200 million of us, and not even 11 million of them [in Portugal],” says Tania de Souza Bastos, a Portuguese teacher and linguaphile in Rio. “It only makes sense that ours will be the world’s Portuguese. They have no choice.This bit of realpolitik is understood, if not relished, in Lisbon. “In Portugal, it’s obvious that people don’t feel very good that they are adopting the Brazilian norm, in most cases,” says João Vincente Faustino, a scholar with Portugal’s Instituto Camões (which promotes Portuguese globally) who is now a visiting lecturer on Portuguese at the University of Toronto. “In the background, you have the issue of, Are we being dominated by Brazil?”» [Jornal ‘The Globe and Mail (Canadá), 10.2013’]

 

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APEL…O

Abaixo-assinado para entregar à APEL: NÃO AO ABUSO DE "VOLUNTÁRIOS" NA FEIRA DO LIVRO DE LISBOA Na sequência do post…

Publicado por Alexandra Lucas Coelho em Sexta-feira, 25 de Maio de 2018

 

NÃO AO ABUSO DE “VOLUNTÁRIOS” NA FEIRA DO LIVRO DE LISBOA

Nós, os abaixo-assinados, estamos contra o recrutamento de “voluntários” para trabalhar na Feira do Livro de Lisboa, feito pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL).
A APEL recebe das editoras muitos milhares de euros pela presença na feira, além das quotas e de outras subvenções. A APEL tem dinheiro, ou devia ter, para remunerar quem recruta durante a feira.

Para aliciar estes “voluntários”, a APEL invoca o contacto com livros e autores. Estar em contacto com livros e autores não é remuneração de ninguém. Aqueles de entre nós que contribuem para que os livros sejam feitos e circulem recusam-se a ser usados como isco.

É bom poder dar tempo e trabalho a quem entendermos, e deles precisa. Não é o caso da APEL.

Este abuso sistemático tem de acabar já na feira de 2018. Quem foi recrutado deve ser remunerado.

Alexandra Lucas Coelho

 

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