Dia: 4 de Junho, 2018

Quarta-feira, 6 de Junho 2018, às 22 horas, na RTP3

Para Fernando Pessoa a língua portuguesa era a “pátria”, para Mia Couto “a língua da moçambicanidade” e um “instrumento de contacto com o mundo” para o escritor cabo-verdiano Germano Almeida.

Do Brasil, a África, passando pela Índia, Timor-Leste ou Macau serão mais de 260 milhões aqueles que falam português, apontam os dados oficiais. O idioma é língua oficial de nove países e deixou vestígios em mais de uma centena de línguas e dialectos, dizem os especialistas.

Ainda divididos pela ortografia, segundo as previsões, o número de falantes do português continuará a crescer, acompanhando a explosão demográfica no hemisfério Sul: atingirá os 395 milhões em 2050, revelam as estimativas das Nações Unidas.

Se é em português que nos entendemos, que estratégia existe para a língua e a sua afirmação no futuro?  Que património cultural arrasta? Que poder tem e quanto vale hoje falar português?

Para responder a estas e outras questões estarão no programa o escritor cabo-verdiano e Prémio Camões 2018 Germano Almeida, o músico e compositor brasileiro Ivan Lins e o poeta e cronista português Pedro Mexia.

O programa contará também com um vídeo original do actor, humorista e escritor brasileiro, Gregório Duvivier, um dos criadores da série Portas dos Fundos.

A moderação é do jornalista da RTP Carlos Daniel. Não perca o próximo Fronteiras XXI, no dia 6 de Junho, às 22h, na RTP3.

FFMS

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U currétô du máicrósófitchi uôrdji

O Presidente da República, Cavaco Silva, acompanhado pela presidente da Assembleia da República, Assunção Cristas, e pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, no momento do hastear da bandeira, que ficou ao contrário, durante as comemorações do 5 de Outubro, em Lisboa, 05 Outubro 2012. MIGUEL A. LOPES/LUSA

 

Isto é de tal forma nojento, porque estrondosamente óbvio, que nem vou dar-me à maçada de acrescentar destaques, sublinhados, links, notas ou comentários. Quem quiser, isto é, o bando de esvoaçantes anjinhos que fingem não perceber nada do se está a passar, que leiam, caso queiram ou saibam, e que lhes faça bom proveito. Hoje em dia a Microsoft já não reconhece qualquer “variante” do crioulo cuja designação oficial é “português”, capisce?

Os cientistas brasileiros que inventaram a ferramenta de correção ortográfica do Word

Evanildo da Silveira De São Paulo para a BBC Brasil
3 junho 2018

Quem já escreveu no Word, o processador de textos da Microsoft, com certeza usou o corretor ortográfico do programa – aquele que sublinha palavras erradas e sugere suas versões corretas. Diante da palavra “coreta”, por exemplo, ele vai indicar, por meio de uma linha vermelha embaixo dela que está errada, e quando o corretor for acionado para corrigir todo o texto, ele vai sugerir, para essa palavra, pela ordem: “correta”, “corveta”, “corta”, “coreto”, “corretas” e “careta”.

O que poucos sabem é que esta tecnologia de correção de texto para o português tem sotaque caipira – no bom sentido, é claro. Ela foi desenvolvida no interior paulista, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da Universidade de São Paulo, em São Carlos, a 241 quilômetros da capital.

É uma longa história, que começou em 1993, quando a Itautec, uma fábrica brasileira de computadores hoje extinta, procurou o ICMC, por causa de seus pesquisadores com formação em computação com alguma ligação com linguagem natural, para que desenvolvessem um sistema de correção ortográfica – que depois evoluiu para gramatical e estilística.

Na época, a internet ainda era novidade. “A ideia era vender o sistema na forma de um CD, principalmente para uso em escritórios, no auxílio à redação de cartas e memorandos, ou seja, para usuários com ensino fundamental ou médio”, lembra a cientista da Maria das Graças Volpe Nunes, do ICMC, coordenadora do projeto. “Aceitamos o desafio e, em pouco mais de um ano, já tínhamos a primeira versão do revisor, que, como projeto científico, ficou conhecido como ReGra.”

Maria das Graças conta que, para desenvolver a tecnologia do corretor, foi formada uma grande equipe de pesquisadores, estudantes de computação e linguística. O projeto teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), durante um certo período, num programa de parceria com a Itautec. Essa empresa, por sua vez, financiou a equipe durante 15 anos seguidos.

Em 2000, a Microsoft adquiriu uma licença da Itautec para incluir o revisor desenvolvido no ICMC nos seus programas do pacote Office. Mas a equipe continuou a dar assessoria para a Microsoft: novas regras de correção eram implementadas, adaptações eram feitas, como à nova ortografia do português, entre outras coisas. “Em 2008, a Itautec vendeu definitivamente os direitos do produto à Microsoft, e portanto o projeto chegou ao final, com bastante sucesso, por sinal”, diz Maria das Graças.

Seu colega no projeto, o físico Osvaldo Novais de Oliveira Junior, do Instituto de Física da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), diz que o ReGra foi o primeiro revisor gramatical desenvolvido para o português.

“No nosso caso, com o léxico da versão brasileira da nossa língua”, explica. “Quase na mesma época, uma empresa em Portugal, ativa até hoje, desenvolveu um revisor para a versão do idioma como é falado lá. O lançamento do deles deve ter ocorrido pouco depois do nosso.”

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As variações da mentira – IV

 

Os homens são tão ingénuos e tão conformados com as necessidades do momento,
que quem engana encontrará sempre quem se deixe enganar.

Nicolau Maquiavel

E pronto, finalmente — ou felizmente — aqui termina a excruciante empreitada. São só mais estas cinco inverdades, apelemos a que não nos falhe agora o caparro para aguentá-las, cumpramos a função até ao fim com o sentimento de uma espécie de dever cumprido (e comprido).

Todas as inverdades aqui arroladas têm apenas três “respostas”, em jeito de A-B-C da desmontagem, mas bem poderiam ter pelo menos mais três, o C-D-E do contra, e na maioria dos casos até poderíamos chegar à alínea Z, tal é a quantidade e a variedade das observações factuais que esplendidamente rebentam com qualquer das tangas acordistas.

Das quais coleccionámos assim uma série de 20, tantas quantas as fracções de um bilhete de lotaria, mas também estas poderiam ser bastante mais, já que são virtualmente infinitas as variações do tema, essa colossal mentira de Estado que políticos e mercenários tentam enfiar-nos meninges adentro.

Aqui ficam, portanto, as variações da mentira, 20 fracções a sortear da “Pseudologia Fantastica“, uma estranha patologia mental com que alguns afectados tentam pôr-nos a cabeça a andar à roda. Só que esta lotaria não dá prémio, dá castigo.

Mas sai sempre.

 

16. O AO90 não é uma imposição do Brasil. Impostura.
«Há uma minoria ruidosa que ainda contesta o Acordo. Seu argumento principal é de que se tratou de uma imposição do Brasil. Obviamente, esse argumento é falso e, por isso mesmo, todas as instâncias decisórias do Estado português vêm negando sistematicamente acolher qualquer das diversas tentativas dessa minoria no sentido de desvincular Portugal do Acordo. Lá como aqui a implantação é irreversível.»  [Carlos Alberto Faraco, “Parábola Editorial” (Brasil), 06.2014] Impostura.

a) «O Acordo é importante para afirmar o óbvio: os destinos da língua portuguesa, daqui para a frente, serão ditados pelo Brasil, como potência econômica emergente e como ator destacado na geopolítica mundial.» [Marcos Bagno, revista “Êxito na Educação” (Brasil), 04.2013]
b) «Como a lógica do acordo é brasileira, poucas foram as modificações graves para a língua do Brasil. A retirada das consoantes mudas, por exemplo, foram uma alteração pequena para os brasileiros, mas muito grande para os portugueses.» [Marcos Nunes Carreiro, “Jornal Opção” (Brasil), 07.2016]
c) «O Brasil, digo-o da minha experiência, não é um país que possa ser analisado com visões de tipo europeísta. O Brasil não vai cumprir seja o que for que não lhe interesse. Dizer que o Brasil cedeu alguma coisa é de uma hipocrisia total.» [Artur Anselmo Soares, “Público”, 12.2016]

17. Com o AO90 os estrangeiros têm maior facilidade em aprender “português”. Trapaça.
«Ademais, a uniformização das normas ortográficas contribui para a internacionalização do português ao reduzir os custos de sua transformação para língua de trabalho ou oficial em organismos internacionais. Ademais, propicia sua disseminação em sistemas de comunicação globais, como a Internet; possibilita a circulação de bens culturais entre os países de língua portuguesa, num espaço ampliado, com mais de 250 milhões de pessoas; e favorece o seu ensino como língua estrangeira ao reduzir a discrepância entre suas variantes.
» [Embaixador do Brasil, “Público”, 02.2016] Trapaça.

a) «Os criadores e propagadores do AO, como qualquer bom vendedor de banha da cobra, juram e ‘trejuram’ que o dito cujo é bom para tudo; vai ser decisivo para a maior divulgação dos autores portugueses no mundo; vai facilitar a aprendizagem da leitura e da escrita; vai projectar a língua portuguesa no plano internacional.» [Olga Rodrigues, 09.2016]
b) «O Acordo é “um erro crasso” que está “a prejudicar fortemente os alunos, portugueses e estrangeiros, que aprendem mal a sua língua materna ou língua segunda, respectivamente“.» [Maria do Carmo Vieira, “Fronteiras XXI”, 05.2018]
c)«O que se pressupunha que iria unir a grafia em português, nunca se irá concretizar, tal como a maior difusão internacional da Língua Portuguesa e uma maior facilidade da aprendizagem para o próprio idioma. Para que serviu afinal o Acordo Ortográfico?» [Wa Zani, “Jornal de Angola”, 08.2014]
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