Dia: 7 de Junho, 2018

Activismo cívico é isto mesmo…

A APEL anunciou ontem que vai acabar com o "voluntariado" na Feira do Livro de Lisboa. MUITO OBRIGADA às centenas de…

Publicado por Alexandra Lucas Coelho em Quarta-feira, 6 de Junho de 2018

quero agradecer às centenas de pessoas que aderiram ao abaixo-assinado lançado pela Alexandra Lucas Coelho e por mim,…

Publicado por Helena Ales Pereira em Quarta-feira, 6 de Junho de 2018

Feira do Livro de Lisboa diz não ao voluntariado a partir do próximo ano

APEL não vai recrutar voluntários para a Feira do Livro de Lisboa em 2019 depois de um abaixo-assinado promovido no Facebook pela escritora Alexandra Lucas Coelho.

 

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) vai deixar de ter voluntários a trabalhar na Feira do Livro, a partir do próximo ano, uma decisão tomada na sequência de um abaixo-assinado que recebeu contra “o abuso de voluntários”.

“Foi hoje recebido na APEL um extenso abaixo-assinado contra a existência de voluntários na Feira do Livro de Lisboa. Correspondendo ao pedido que lhe é dirigido, a APEL decidiu não voltar a admitir a participação de voluntários na Feira”, lê-se na página de Facebook da Feira do Livro de Lisboa.

No dia 25 de Maio, foi lançado um abaixo-assinado nas páginas de Facebook da escritora Alexandra Lucas Coelho e da directora de Comunicação da Penguin Random House/Companhia das Letras, Helena Ales Pereira, intitulado “Não ao abuso de ‘voluntários’ na Feira do Livro de Lisboa”.

“A APEL tem dinheiro, ou devia ter, para remunerar quem recruta durante a feira”

O abaixo-assinado, em forma de carta dirigida à APEL, que organiza a Feira do Livro em parceira com a autarquia, reuniu centenas de assinaturas de pessoas “contra o recrutamento de voluntários” pela APEL, que “recebe das editoras muitos milhares de euros pela presença na feira, além das quotas e de outras subvenções”. “A APEL tem dinheiro, ou devia ter, para remunerar quem recruta durante a feira. Para aliciar estes ‘voluntários’, a APEL invoca o contacto com livros e autores. Estar em contacto com livros e autores não é remuneração de ninguém. Aqueles de entre nós que contribuem para que os livros sejam feitos e circulem recusam-se a ser usados como isco”, acrescenta.

Inicialmente, a APEL alegou estar a cumprir a lei e argumentou ser uma “instituição sem fins lucrativos”, razão pela qual o apoio financeiro da autarquia “é indispensável” à realização da feira.

Não ao voluntariado depois de uma polémica

A questão do voluntariado na Feira do Livro de Lisboa ganhou contornos ainda mais polémicos, quando, no dia 2 de Junho, durante um debate sobre activismo, promovido pela Tinta-da-China, a propósito do livro Racismo no País dos brancos Costumes, foi abruptamente interrompido, devido aos comentários alegadamente racistas de uma voluntária da APEL.

De acordo com o relato feito pela editora da Tinta-da-China, Bárbara Bulhosa, na sua página do Facebook, a referida colaboradora passou o tempo todo a dizer que não concordava com o que estava a ser dito, e a referir-se aos convidados como “esta gente”, numa “performance racista, num debate contra o racismo”, chegando mesmo a interpelar um dos convidados, Mamadou Ba, quando este falava, quase no final do debate, para lhe dizer: “Vê lá se te despachas!”.

A APEL reagiu, na altura, ao sucedido, lamentando “profundamente os incidentes ocorridos”, e garantindo que “não se revê de nenhum modo na atitude assumida pela sua colaboradora, que dava apoio logístico à sessão de apresentação”.

A decisão da Feira do Livro de Lisboa de cancelar o voluntariado a partir da próxima edição é inédita. O recrutamento de voluntários por parte de grandes eventos é há muito criticada, sendo os casos do Rock In Rio Lisboa e do Web Summit dos mais badalados.

Texto de Lusa e Shifter

[Revista “Shifter”, 07.06.18. Transcrição integral (sem imagens).]

Antecedentes:
  1. Lançamento do abaixo-assinado
  2. Notícia da entrega da carta à APEL

Afinal nAO!

Mesmo com a misteriosa ausência de Malaca Casteleiro, esta previsível cilada de todos contra um (tipo “moche” de pancadaria, ou “arreia nesse gajo, caia, caia”) acabou, afinal, por não correr nada mal ao único anti-acordista do painel e, portanto, saiu a ganhar a Causa anti-AO90.

Afinal, milagrosamente, mesmo fumegando já o caldeirão para cozer a vítima em fogo lento, desenvencilhou-se muitíssimo bem o suposto pitéu e chegou até, ele próprio, a chamuscar os salivantes canibais. Não aconteceu felizmente mais uma fantochada, enganei-me no vaticínio e ainda bem, o que resultou foi uma excelente acção de agitprop contra o “acordo”.

Afinal, apesar de em esmagadora maioria (4 para 1), mesmo tendo sido escolhidos a dedo, os acordistas levaram um verdadeiro baile de bola e ficaram a falar sozinhos, ou, melhor formulando, limitaram-se a recitar a ladainha do costume perante uma plateia que fazia um tremendo esforço para não rebentar a rir com as baboseiras.

Contra.o.Acordo Ortográfico
Published on Jun 6, 2018
No âmbito do ciclo de debates “Ensino Superior, Ciência e Sociedade”, a Universidade da Beira Interior (UBI) promoveu o debate “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa” com a presença de Nuno Pacheco (Redactor principal do jornal “Público”), Fernando Paulouro Neves (escritor e jornalista), Henrique Manso (Departamento de Letras da Faculdade de Artes e Letras da UBI) e Eduarda Maria Andrade (professora). Vídeo gentilmente cedido pela Universidade da Beira Interior.