Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Outra academia vandalizada por um bando de “hooligans”

«É que isto não é uma questão linguística, é uma questão política.»

Malaca Casteleiro
Jornal Expresso, 20.02.08

1. «Dizer que o Brasil cedeu alguma coisa é de uma hipocrisia total» [Artur Anselmo, “Público”, 12.11.16]
Artur Anselmo defende que o respeito pelas normas de cada país é essencial para um bom entendimento em matéria ortográfica: um mesmo sistema, o da Língua Portuguesa, e várias normas, consoante os países a que digam respeito. E isto dispensaria um acordo.

2. «Academia e bom senso» [Nuno Pacheco, “Público”, 15.11.15]
Do presidente da Academia, Artur Anselmo, ouvimos esta declaração: “A Academia não foi consultada no momento em que um ministro da Cultura decidiu pôr em vigor o que ainda estava em discussão” (o acordo ortográfico de 1990, AO90). (…) Ah, e o Vocabulário Ortográfico Comum, essa coisa essencial ao acordo que devia estar pronta logo, logo?

3. Artur Anselmo: «situações que ferem a nossa inteligência (12.12.16)»
“Nós consideramos que o normal é o respeito pelas ortografias nacionais”
O presidente da Academia das Ciências de Lisboa, Artur Anselmo, anuncia para Janeiro um documento chamado ‘Subsídios para o Aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico’. É o retomar da polémica pelo lado científico, num campo em que “a política é incompetente”.

4. “Lobbies”? Cartéis? Qual quê! Nada disso existe em Portugal!
As “Sugestões para o Aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa” (AO), nesta semana levadas à Assembleia da República pela Academia de Ciências, dificilmente passarão do plano das ideias. (…) A alternativa, no caso dos manuais, seria esperar que os títulos actualmente no mercado chegassem ao fim do seu período de vigência. Mas em muitos casos essa opção implicaria uma espera de seis anos, até 2023, para que os livros adoptados no presente ano lectivo chegassem ao final do seu ciclo natural de vida.

5. (…) uma vez que o acordo entrou em vigor por indicação do Ministério e que os manuais escolares e os dicionários começaram a escrever-se com o acordo, se agora quisermos voltar para trás, e queremos, a maior parte das pessoas querem, o que é que acontece? Acontece aquilo que eu não sabia e que provavelmente a maior parte das pessoas não sabe: é que o Ministério não pode, porque os editores assinaram um protocolo com o Ministério, segundo o qual — e isto é feito nas costas da população e a população não sabe — o Ministério tem que indemnizar regiamente os editores da despesa que já foi feita. [Maria Alzira Seixo, Março 2013]

Acordo Ortográfico. Academia das Ciências de Lisboa disponibiliza vocabulário ortográfico “online”

A Academia das Ciências de Lisboa (ACL) vai disponibilizar, no domingo, um novo vocabulário ortográfico online, em www.volp-acl.pt, que permitirá “a pesquisa de mais de 215.000 entradas”.

No comunicado enviado nesta sexta-feira, a ACL afirma que “este recurso contempla a variedade portuguesa da língua e segue a nova ortografia, podendo ser acedido gratuitamente”, e inclui “informações sobre a classificação gramatical, indicação de pronúncia, e muitos outros elementos úteis”.

A colocação online do novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), no domingo, celebra o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e contou com o apoio do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa (ILLLP).

Esta é a primeira vez que a ACL apresenta uma página na Internet, inteiramente dedicada à língua portuguesa, “dando garantias de uma actualização diária dos dados lexicais”, assinala a mesma fonte, acrescentando que, “do ‘corpus’ reunido no Vocabulário, cem mil vocábulos irão constituir a nomenclatura do novo Dicionário da Academia”.

Os mais de 215.000 vocábulos que constituem o VOLP, além de informação sobre a classificação gramatical e indicação de pronúncia, refere as formas irregulares femininas e plurais de compostos.

A lista vocabular inclui nomes próprios, designadamente, antropónimos e topónimos entre outros.

“Apesar de a lista de entradas ter sido actualizada ortograficamente, as grafias, segundo a norma de [19]45 são pesquisáveis e remetem para as formas segundo o Acordo de 1990”, refere a ACL, acrescentando que o VOLP “integra as formas não adaptadas ao português, ou seja, vocábulos de origem estrangeira que não se encaixam na matriz ortográfica portuguesa”.

Relativamente aos estrangeirismos, a ACL adianta que “foram alvo de uma rigorosa selecção e são devidamente assinalados como tal”.

Telmo Verdelho, presidente do ILLLP, citado pela ACL, afirma que o novo vocabulário “responde à necessidade de promover a unidade, a defesa e a abundância da língua, actualizando os vocabulários anteriores e promovendo o registo do fluxo inovador resultante do convívio interlinguístico e da criatividade lexical dos falantes e dos escritores”.

A ACL assinala o “empreendimento demorado e trabalhoso” que sustenta o novo VOLP, pois, apesar de dar sequência às anteriores edições académicas, “foi elaborado inteiramente de novo”.
A recolha lexical foi Ana de Castro Salgado, do Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa, coordenadora do projecto, e contou “com a colaboração de vários membros da ACL, especialmente no que concerne a termos pertencentes a diferentes áreas de especialidade”.

No mesmo documento a ACL afirma-se “consciente de que há ainda muito trabalho pela frente”, e “reconhece que este é um passo muito importante”.

Para a ACL, “vivendo na era digital, este é um recurso que se impunha necessariamente à instituição”.

https://www.publico.pt/2018/06/08/sociedade/noticia/academia-das-ciencias-de-lisboa-disponibiliza-vocabulario-ortografico-online-1833793

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