Dia: 25 de Setembro, 2018

“Dinheiro vivo”

O “despacho” da agência Brasilusa que agora se reproduz tem tudo a ver com o artigo de opinião anterior. Basta ler aquele e depois este, de enfiada, e facílimo se torna concluir que estamos perante uma espécie de jogo de espelhos: o que um constata com amargura (o Brasil está a aniquilar as ancestrais relações culturais e linguísticas entre Portugal e os PALOP) o outro apresenta em triunfo como sendo uma “conquista” da organização brasileira CPLP mai-lo seu “império global”.

Mais uma alegre trupe de maluquinhos, está bem de ver; até metem Donald Trump ao barulho, qual verdadeiro artista que abrilhantará a festa. Tal é o desplante deste grupo excursionista especializado em “turismo linguístico” cujos membros, a expensas de alguns tugas deslumbrados, percorrem as estâncias de veraneio, os casinos e outros tipos de estabelecimentos de acesso VIP (“é favor usar gravata e não usar as mangas para assoar-se, seu labrego“) levando o samba, o fio dental e a aguardente de cana aos confins do mundo.

Uma espécie de Novas Descobertas pós-modernistas, sem caravelas nem padrões mas com imensa batucada e imensos gajos do futchibóu.

Lisboa, 11/7/2018 - Maria do Carmo Silveira posa na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) de que é secretária executiva. Política são-tomense, foi primeira-ministra de São Tomé e Príncipe e chega em breve ao fim do seu mandato de dois anos à frente da CPLP. (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Lisboa, 11/7/2018 – Maria do Carmo Silveira posa na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) de que é secretária executiva. Política são-tomense, foi primeira-ministra de São Tomé e Príncipe e chega em breve ao fim do seu mandato de dois anos à frente da CPLP. (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

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Líderes da CPLP reúnem-se para debater liderança global

Os líderes dos países de língua oficial portuguesa reúnem-se esta terça-feira depois do debate Geral da 73.ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque.
Os líderes de Portugal e dos Países de Língua Portuguesa reúnem-se esta terça-feira em Nova Iorque, depois das intervenções de abertura do Debate Geral da 73.ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O debate vai ser inaugurado esta terça-feira pelas 09:00 em Nova Iorque (14:00 em Lisboa) com a intervenção do Presidente do Brasil, Michel Temer. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também vai fazer uma intervenção na abertura do Debate Geral, seguido pelo Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, da França, Emmanuel Macron e do Irão, Hassan Rouhani, entre outros. À tarde, na continuação dos trabalhos, falará o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, que segundo um comunicado da presidência moçambicana, vai apresentar o compromisso do país com a consolidação da paz e reconciliação nacional. O debate geral deste ano tem como tema: “Tornar a ONU relevante para todos: Liderança global e responsabilidade partilhada para sociedades pacíficas, equitativas e sustentáveis”. A reunião informal dos chefes de Estado e de governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), tem início às 16:00 locais, 21:00 em Lisboa, com uma duração esperada de duas horas e meia. Vão estar presentes o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ao lado dos representantes lusófonos. A reunião é promovida por Cabo Verde, país que assume a presidência temporária da CPLP. Hoje, o Presidente da República português participa também num evento de alto-nível sobre acção para a manutenção de paz. O ministro dos Negócios Estrangeiros participa num evento da ONU sobre a pena de morte e noutro sobre o combate à poluição provocada pelo plástico. O dia termina com o Jantar Transatlântico, promovido pelo Departamento de Estado norte-americano. O Presidente do Brasil participa também numa reunião de chefes de Estado dos países do Mercado Comum do Sul, mais conhecido como Mercosul, às 11:00 horas locais. Também hoje, realiza-se na ONU uma Reunião Ministerial do G4, com representantes da Alemanha, Brasil, Índia e Japão.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também vai fazer uma intervenção na abertura do Debate Geral, seguido pelo Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, da França, Emmanuel Macron e do Irão, Hassan Rouhani, entre outros. À tarde, na continuação dos trabalhos, falará o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, que segundo um comunicado da presidência moçambicana, vai apresentar o compromisso do país com a consolidação da paz e reconciliação nacional. O debate geral deste ano tem como tema: “Tornar a ONU relevante para todos: Liderança global e responsabilidade partilhada para sociedades pacíficas, equitativas e sustentáveis”. A reunião informal dos chefes de Estado e de governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), tem início às 16:00 locais, 21:00 em Lisboa, com uma duração esperada de duas horas e meia. Vão estar presentes o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ao lado dos representantes lusófonos. A reunião é promovida por Cabo Verde, país que assume a presidência temporária da CPLP. Hoje, o Presidente da República português participa também num evento de alto-nível sobre ação para a manutenção de paz. O ministro dos Negócios Estrangeiros participa num evento da ONU sobre a pena de morte e noutro sobre o combate à poluição provocada pelo plástico. O dia termina com o Jantar Transatlântico, promovido pelo Departamento de Estado norte-americano. O Presidente do Brasil participa também numa reunião de chefes de Estado dos países do Mercado Comum do Sul, mais conhecido como Mercosul, às 11:00 horas locais. Também hoje, realiza-se na ONU uma Reunião Ministerial do G4, com representantes da Alemanha, Brasil, Índia e Japão.
[Transcrição parcial de “Líderes da CPLP reúnem-se para debater liderança global ”, publicado no jornal “Dinheiro Vivo” de 25.09.18. Destaques meus. A desortografia  abrasileirada do original  foi automaticamente corrigida pela solução Firefox contra o AO90 através da extensão FoxReplace do “browser”.]
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«Adeus, África» [Eduardo Oliveira E Silva, jornal “i”, 12.09.18]

Este artigo acaba por ter bastante interesse — numa segunda leitura, numa terceira, ou aí por volta da 5.ª vez, vá — se atendermos ao facto de o autor (apesar de provavelmente acordista e dos mais ferozes, a julgar pela voracidade com que estraçalha “consoantes mudas”, qual Lince bípede, mas sendo ainda capaz de enumerar todos os efeitos nefastos (laterais, bilaterais, multilaterais e colaterais) que a peregrina “ideia” de uma putativa “língua comum” (a brasileira, evidentemente) vai já, paulatina mas progressivamente alastrando em Portugal e nos PALOP.

O que significa, portanto, que AO90 ou CPLP são na prática uma e a mesma coisa: o processo de demolição em curso do património identitário basilar de 7 dos 8 países cuja alegre agremiação, sob o alto patrocínio do Brasil e à custa, à conta, à pala do erário público de Portugal, persegue o objectivo único de erigir um II Império brasileiro de cariz alucinogénico.

Com alguma timidez, certamente de mãos trémulas, ele escreve este pequeno manifesto não tentando sequer disfarçar que algures no passado também acreditou nas patranhas da seita mas é crível que de repente ter-lhe-á caído um pedregulho em cima. Este homem diz da CPLP o que certo profeta não diria da entremeada assada mas bem poderia trocar os nomes aos bois, chamar AO90 à Comunidade dos Países de Língua Oficial Brasileira (CPLB), que ainda assim os ditos quadrúpedes ruminantes seriam os mesmos: em manada, cabeças para abate.

 

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Adeus, África

Aos poucos mas inexoravelmente, os países africanos de língua portuguesa afastam-se de nós

Eduardo Oliveira E Silva
Jornal “i”, 12.09.18

1. À medida que o tempo passa, verifica-se um inexorável afastamento entre Portugal e os países africanos de língua portuguesa. O fenómeno pode escapar a alguns, mas é real e não se limita a temas como o acordo ortográfico. O problema não tem só a ver com os africanos dos PALOP que vivem em Portugal ou com os portugueses que por lá andam e trabalham. É mais fundo e, portanto, mais preocupante. Há um distanciamento político, económico e cultural que não cessa de crescer. A circunstância de haver emigrantes e imigrantes de um lado e de outro não impede um esfriamento das relações e um distanciamento. Há não muito tempo havia mais atenção e preocupação com o que se passava em cada um dos países. Agora não. Há indiferença e não propriamente afecto, para usar uma palavra da moda. Os Estados passaram a intitular-se parceiros estratégicos. Os donos das empresas têm-nas para fazer dinheiro e não por gosto, orgulho e função social. Esse desapego instalou-se também nos cidadãos, que já pouco se interessam por saber as circunstâncias próprias e os problemas por que passam ou deixam de passar as pessoas em concreto. É uma situação triste porque contraria a proximidade que, apesar da História e do colonialismo, conseguiu manter-se entre muita gente. Hoje, tanto faz para um português que um africano seja daqui ou dali, desde que ele consiga comunicar na mesma língua. Inversamente, o problema deve existir. Há xenofobia anti-portuguesa nos PALOP e anti-angolana por cá. Podem dizer que há a CPLP, que há cooperação e que há um conjunto de acordos, além de haver milhares de estudantes dos PALOP (e do Brasil) em Portugal. Há isso tudo, mas não há compreensão, sentimento e uma partilha de coisas e causas comuns. Aos poucos, ficamos alheios, o que não significa hostis. No mundo do trabalho, estão a reformar-se cá e em África os homens e as mulheres que tinham mais ou menos 20 anos no 25 de Abril. Por muitas diferenças ideológicas que tenham tido, são eles o cimento de relações que se foram mantendo exactamente por causa de laços identitários que agora se vão dissolvendo. Apesar do mérito que têm instituições como a RTP e a sua notável RDP/África, os países lusófonos africanos e Portugal estão a caminhar de costas voltadas. As viagens de Estado e as convenções nada resolverão se as sociedades civis luso-africanas não reverterem a situação. E pode–se apostar que isso se confirmará, passada a espuma das viagens oficiais de António Costa a Angola e de João Lourenço a Portugal. Se não houver um movimento de aproximação genuíno e civil, teremos com os PALOP um panorama semelhante ao que se passa com o Brasil, cujos imigrantes não querem saber nada do que aqui acontece, enquanto as sociedades portuguesa e brasileira só param pontualmente uns minutos para ver nas televisões escândalos, casos pitorescos ou de violência que tenham ocorrido num dos países. Além de turistas que descobriram que Portugal é das nações mais importantes da história dos últimos 500 anos, chegam do Brasil pobres e ricos. Paradoxalmente, vêm pelos mesmos motivos: fugir da pobreza e da violência. Uns vêm para ganhar a vida, outros para gastar o que têm num país onde há calma e onde os entendem. Pode ser importante, mas é pouco. Amanhã, não pode acontecer o mesmo com os PALOP.

(…)

[Transcrição parcial de “Adeus, África”, da autoria de Eduardo Oliveira E Silva, publicado no jornal “i” de 12.09.18. Destaques meus. A desortografia  abrasileirada do original  foi automaticamente corrigida pela solução Firefox contra o AO90 através da extensão FoxReplace do “browser”. Imagem de topo de: VOA (Angola)]

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