Mês: Dezembro 2018

‘Eu vi um sapo’

Segundo alegam os que o inventaram, o “acordo ortográfico” seria uma forma de “unificar” a Língua Portuguesa fundindo as duas variantes numa só — uma espécie de “Português universal”. Redonda mentira.
O AO90, que ninguém pediu e que não serve para nada, é uma manobra política, com intuitos não apenas políticos mas também economicistas, impingida sob aparente cobertura técnica de “linguistas”, que consiste basicamente em impor a ortografia brasileira a todos os países da CPLP (outra invenção neo-imperialista brasileira).
[FAQ AO90]

 

O ministro das Relações Exteriores de Angola considerou hoje que a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) não pode ser vista como "uma comunidade de românticos", devendo aprofundar a melhoria da vida dos cidadãos.

“A nossa comunidade deve corresponder aos sinais dos tempos, a CPLP pode deixar de se ocupar muito da língua e de poemas, e partir para coisas mais concretas que correspondam às expectativas dos nossos povos”, vincou o diplomata, acrescentando que “existe um potencial de cooperação económica entre países da CPLP que deve ser explorado nessa dimensão”.

 

O diplomata português Francisco Ribeiro Telles toma hoje posse, em Lisboa, como novo secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), cerimónia em que marcam presença os Presidentes de Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Ribeiro Telles inicia funções em 01 de Janeiro, para o biénio 2018/2019, dia em que assistirá à cerimónia de posse do próximo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.
(nota de JPG: Francisco Ribeiro Telles é (ainda, até 31.12.18) o embaixador de Portugal no Brasil desde Janeiro de 2012. Ver AQUI a dança das cadeiras ocorrida na altura.)

 

O ministro dos Negócios Estrangeiros disse hoje à Lusa que facilitar a livre circulação de pessoas no espaço lusófono não é um objectivo fácil, notando que novo secretário-executivo da CPLP terá que prosseguir os trabalhos durante o seu mandato.

Também hoje, em entrevista à Lusa, Francisco Ribeiro Telles tinha afirmado que a mobilidade académica e cultural deve ser o ponto de partida de um processo “difícil” de facilitação da livre circulação de pessoas no espaço lusófono. O diplomata considerou que o início da livre-circulação de pessoas é “a proposta conjunta de Portugal e Cabo Verde para a criação de um regime de autorizações de residência válido para todos os países da CPLP, fundado no critério da nacionalidade, mas que pressupõe o reconhecimento recíproco de habilitações académicas e qualificações profissionais e a portabilidade dos direitos sociais”.

 

Operação Bilu Bilu Teteia


A pouco e pouco, no rasto das aldrabices propaladas e das vigarices cometidas por dois (ou três) Presidentes brasileiros, começam a descobrir-se alguns podres daquilo a que se convencionou chamar CPLP, uma organização internacional altamente suspeita, a qual, apoiando-se na mais colossal mentira de Estado(s) da História, o AO90, não prossegue quaisquer outros fins além do fulgurantemente obsceno enriquecimento de alguns sobas sanguinários e de outros tantos caciques sem escrúpulos, mai-los restos que tocarão a seus paus-mandados, testas-de-ferro, homens (e mulheres)-de-mão.

Por enquanto ainda estamos numa fase incipiente das investigações, visto apenas haver comprovações de algumas negociatas menores entre um ditador e um presidiário, mas deverá ser, por conseguinte, mera questão de tempo até que seja revelada em toda a sua horrorosa extensão o imenso lodaçal em que chafurdam “lusofónicos” em geral e acordistas em particular, com seus lacaios (em sentido restrito) e mercenários (em sentido lato) fazedores de opinião.

 

Lula da Silva acusado de branqueamento de capitais por negócio na Guiné Equatorial

O antigo Presidente brasileiro, preso por corrupção, foi acusado de branqueamento de capitais, por intermediar negociações entre o Governo de Guiné Equatorial e o grupo brasileiro ARG, que terá pago um milhão de reais (230 mil euros).

“DN”/Lusa, 14 Dezembro 2018

 

A acusação foi feita por membros da operação Lava Jato que trabalham no Ministério Público de São Paulo. O pagamento do alegado suborno terá sido dissimulado em doações do grupo empresarial ARG ao Instituto Lula.

Os procuradores afirmam que o maior accionista do grupo ARG, Rodolfo Giannetti Geo, teria pedido em 2011 a Lula da Silva que influenciasse o Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, para que aquele país mantivesse os contratos firmados com a empresa para obras rodoviárias.

Em troca, o empresário teria oferecido “doações robustas” ao Instituto Lula.

A denúncia apresentou ‘e-mails’ encontrados em computadores no Instituto Lula, apreendidos em Março de 2016 na Operação Aletheia, 24.ª fase da Operação Lava Jato de Curitiba.

Entre as provas apresentadas pelos investigadores para atestar a prática de obtenção de vantagem ilícita estão recibos de pagamento das supostas doações e menções a uma carta do Presidente da Guiné Equatorial em que o governante africano teria pedido a intervenção de Lula da Silva junto da então Presidente Dilma Rousseff no quadro da entrada de seu país na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Há também a inclusão de uma carta do ex-presidente brasileiro para Teodoro Obiang na qual Lula da Silva dizia estar optimista com a inclusão da Guiné Equatorial na CPLP, na qual recomenda os serviços da ARG, escrevendo que a empresa “desde 2007 se familiarizou com a Guiné Equatorial, destacando-se na construção de estradas”.

O advogado de Lula da Silva, Cristiano Zanin Martins, afirmou numa nota emitida no mês de Novembro sobre este caso que a denúncia era “mais um duro golpe no Estado de Direito, porque subverte a lei e os factos para fabricar uma acusação e dar continuidade a uma perseguição política [contra Lula da Silva] sem precedentes pela via judicial”.

[Transcrição integral de “despacho” da agência brasiLusa publicado pelo “Diário de Notícias” online em 14.12.18. Destaques do original, “links” meus.]

Facebook em Português de Portugal

Mais um apelo a que ajudem na tradução do Facebook para Português.

Já sabemos que, por exemplo, a “Wikipêdjia lusôfuna” foi tomada de assalto por meia dúzia de brasileiros “adotivos” e que, portanto, enquanto esses sabujos não forem corridos aquilo é impenetrável, mas no Facebook não se passa nada disso. São neste momento 180 os inscritos no grupo de tradutores Português (Portugal) e, desses, pelo que vejo, poucos serão brasileiros genuínos ou portugueses vendidos a servir de “controleiros”. Portanto, estamos ali muito mais à vontade do que na Wikipêdjia ou nos diversos serviços da Google — até porque são conceitos distintos em plataformas com finalidades radicalmente diferentes.

Traduzir o “interface” do Facebook não é propriamente, como dizem os americanos, rocket science (“engenharia aeroespacial”, digamos). Qualquer pessoa, de vez em quando, no intervalo de qualquer coisa ou simplesmente quando não tiver nada que fazer — na sala-de-espera do consultório, na fila para pagar as compras, numa Repartição à espera de vez — pode ao menos ir votando numas quantas traduções em Português correcto.

Quantos mais formos a ajudar nisto, menos provável será que algum dos acordistas de serviço se atreva a sequer votar contra e, muito menos, a alterar as nossas traduções já aprovadas.

E nem mesmo é preciso ser-se tradutor/a profissional, nem estar inscrito na APT. A coisa é bem mais fácil do que, se calhar, parece. Colaborar nesta “empreitada”, posso afiançar, acaba por se tornar quase viciante. Rapidamente o hábito de abrir a página e desatar a votar nas palavras, frases e expressões-chave em Português correcto torna-se rotineiro.

Contando com uma larga maioria de participantes anti-acordistas (de pouco ou nada adianta só falar), é claro, mais facilmente — e mais depressa — veremos “as nossas palavras” (em duplo sentido literal) servindo a milhões de pessoas biliões de vezes.

Esta é uma das páginas do “ambiente de trabalho”, onde podemos ver todo o nosso historial. O quadro mais importante é o da lista das tradução rejeitadas/desaprovadas pela “comunidade”; por aí podemos obter orientações de “consistência” e ver se os acordistas andam a votar contra ou a anular as nossas traduções em PT-PT.

Nesta imagem vemos “Actualizar” (voto) e “esoaço” (em vez de “espaço”; foi erro propositado para testar os “censores” .

Nesta imagem está “interactivos” (tradução) e “eliminar” (votação). Nada de brasileiradas (“interativos”, “deletar”).

Os títulos obtidos (“achievements”) pouco ou nada interessam – são um engodo do Fakebook para captar tradutores e obter traduções inteiramente grátis – mas os números contam (e interessam) muito.

 

“1 T” é “one Trillion” em Inglês, o que corresponde a um bilião, em Português, ou seja, um milhão de milhões.

Missão omissão

Então, sem ruído, subiu ao quarto de Pedro. Havia uma fenda clara, entreabriu a porta. O filho escrevia, à luz de duas velas, com o estojo aberto ao lado. Pareceu espantado de ver o pai: e na face que ergueu, envelhecida e lívida, dois sulcos negros faziam-lhe os olhos mais refulgentes e duros.

– Estou a escrever, disse ele.

Esfregou as mãos, como arrepiado da friagem do quarto, e acrescentou:

– Amanhã cedo é necessário que o Vilaça vá a Arroios… Estão lá os criados, tenho lá dois cavalos meus, enfim uma porção de arranjos. Eu estou-lhe a escrever. É número 32 a casa dele, não é? O Teixeira há de saber. Boas noites, papá, boas noites.

No seu quarto, ao lado da livraria, Afonso não pôde sossegar, numa opressão, uma inquietação que a cada momento o faziam erguer sobre o travesseiro, escutar: agora, no silêncio da casa e do vento que acalmara, ressoavam por cima lentos e contínuos os passos de Pedro.

A madrugada clareava, Afonso ia adormecendo – quando de repente um tiro atroou a casa. Precipitou-se do leito, despido e gritando: um criado acudia também com uma lanterna. Do quarto de Pedro ainda entreaberto vinha um cheiro de pólvora; e aos pés da cama, caído de bruços, numa poça de sangue que se ensopava no tapete, Afonso encontrou seu filho morto, apertando uma pistola na mão.

‘Os Maias’, cap. II, 37/519

 

Não me refiro ao facto de não haver naquele epistolar “apelo” uma única referência, uma só alusão ao “acordo”, ainda que metafórica ou elíptica, se bem que essa espécie de “lapso”, essa tão ruidosa omissão merecesse — sem necessariamente chegar a extremos de palmatoadas mentais — alguma espécie de reparo.

Mas deixemos isso, por enquanto.

O caso agora é que… bálhamedeus!

Vês como respira?“, pergunta ele ao coitado do aluno.

“Não, não vejo”, responderia o pobre catraio, aposto, bocejando, se porventura alguém o fosse chatear lendo a cartinha.

Eh, pst, ó Afonso, pá, olha, este tipo de “abordagem”, escorrendo o visco paternalista e condescendente que tipifica a infantilidade moderninha, decididamente, não funciona com a garotada. Não funciona, aliás, com ninguém, use ou não use calções, tenha já ou ainda não largado os cueiros.

E “calhamaço”, caneco, dizes tu, rapaz, na tua missiva à rapaziada, sobre o livro de teu tetravô Eça. Bálhamedeus, repito. Correr ‘Os Maias’ assim, à matroca, dar-lhe roda de “calhamaço”, bem, essa foi cruel, essa foi demasiadamente muito, irra, essa foi de escachar! Eça não merecia essa, digo eu, sem trocadilhos foleiros, que ninguém merece.

E ainda, dizes, “obras como Os Maias e escritores como o Eça de Queiroz dão-te armas para o futuro“. Ui. Nem me lo digas! Armas? Quais armas, quais cacete, santinho!? Mas que ideia tão desnecessariamente marcial, mas que “imagem” tão fatela! Isso das “armas para o futuro” tresanda a “5.ª emenda”, man, lembra a NRA e cromos como Charlton Heston (iach!) ou, horror dos horrores, Chuck Norris (blherrgh!).

Bem sei tratar-se o armamento de simples metáfora (ah, metonímia? Ok, atão vá, metonímia), mas sucede com a Literatura  precisamente o inverso, Afonso, e por maioria de razões é a escrita de Eça, em geral, coisa de paz, e em particular ‘Os Maias’ — paz celestial, oh, doce remanso do sonho vigil, em recato impúdico a pura delícia do sossego absoluto!

Era teu tetravô José Maria (tetravô, notarás, não tretavô) então o mesmo jovem que ainda hoje, aos 130 anos, desmonta elegantemente do seu dog cart, entra em tua casa estugando o passo e assesta em ti o seu monóculo, já rebrilhante, mordaz, faiscando de curiosidade. A escrita desse eterno jovem, jovem, é pura magia, colhe e prende e arrebata — precisamente — pelo fascínio do conforto, o engodo da “verve” escorreita que acolhe numa atmosfera repousante o mais irrequieto dos espíritos. Ou seja, dos velhos de todas as idades entre os 13 e os 130.

Mas que chorrilho de vulgaridades, raios, quero dizer, até um puto sabe disto.

Está, por conseguinte, muito mal formulada a questão, essa bipartida pergunta fraquinha, fraquinha: “Vês como respira? Como precisa de ti para sobreviver?

Pois sim, pois respira. Mas não, não precisa de garoto algum para sobreviver. Não cabe pedir aos ganapos  seja o que for. Se querem ler, lêem. Se não querem, não lêem.

E se não quiserem, eles é que ficam a perder. Nisso estás tu, jovem, carregadinho de razão; menos mal, salva-se o final.

Carta ao aluno que não lê “Os Maias”

Sílvia Souto Cunha
visao.sapo.pt, 06.12.18

O escritor Afonso Reis Cabral, trineto de Eça de Queirós, escreveu para a VISÃO uma carta aos estudantes sobre o “calhamaço” publicado há 130 anos e ensinado nas nossas escolas. “Vês como respira? Como precisa de ti para sobreviver?”

O calhamaço que te obrigam a ler na escola está velho. Foi escrito há 130 anos (imagina a tua vida multiplicada por oito), é pois natural que te pareça demasiado pesado, um cadáver de papel do qual queres livrar-te o mais rapidamente possível. Mas atenção, tem calma. Pega-lhe com cuidado, sopesa-o na palma da mão como o telemóvel do qual dependes.

Vês como respira? Como precisa de ti para sobreviver?

Eu sei: a obrigação pesa. Só o facto de te meterem o livro à frente, de o analisarem contigo; pior, de o limitarem àquele tipo de estudo muito vazio que visa o exame, só isso já te estraga a vontade. A mim também estragou. Mas repara: o Eça não tem culpa de o submeterem à burocracia do ensino, de o terem posto nessa camisa de forças, e de te obrigarem a ti, que tens mais que fazer, a acatar ordens. Pensa que ele não escreveu para ti. Quer dizer, para te estragar a vida. Muito pelo contrário.

Talvez por te sentires encurralado, preferes trocar apontamentos nos corredores, pedir os esquemas ao idiota útil que até conseguiu ler a obra toda, ou, mais simples, talvez te decidas pelos primeiros cinco resultados no Google. Estes falam das características físicas e psicológicas das personagens, dão-te tabelas com datas, citações, resumos de cada capítulo, expõem a biografia do Eça – esse escanzelado de monóculo –, explicam a analepse inicial, sempre gigantesca, mostram laivos da vida no século XIX, e descrevem o virar do Romantismo para o Realismo. Mas que te interessa a ti como viviam as pessoas daquela época? De facto, concluis tu, só um parvo pode achar que este livro tem qualquer interesse.

(mais…)

“Políticas linguísticas”…

Sempre batendo na única tecla que sabe tocar (pim pim pim pim), ou seja, o “colonialismo” mai-las respectivas maroteiras, e sistematicamente culpando com efeitos retroactivos — à boa maneira brasileira — o “tuga” pelas desgraças que assolam o seu país, o angolano Zau (nascido em Lisboa, músico da banda “Maravilha”) vem agora esclarecer, se bem que não se perceba nada, que existirá porventura em Angola uma coisa a que chama “políticas linguísticas no ensino primário”. Coisa essa que eu cá, devo dizer, do alto da minha ignorância sobre Angola em geral e sobre maravilhas em particular, acho fantástico.

Convém esclarecer, para que se entenda alguma coisinha deste texto quase integralmente incompreensível (bem, pelo menos para a paupérrima inteligência da minha chatérrima pessoa), que este senhor Zau ostenta, além do título académico que faz questão de amostrar (citemos, com a devida vénia, “Ph. D em Ciências da Educação e Mestre em Relações Interculturais”, ena, soergamos nossos glúteos em sinal de respeito), o não tão honroso sub-título de co-signatário do AO90. Ou “cocossignatário”, como “manda” grafar o AO90 quando há mais do que um “co” a “cocoisar”.

Se bem que uns anos após tal fatalidade (a cocossignatura) o senhor pareça ter mudado de opinião, a mim me parece não haver nessa hipotética mudança um átomo de sinceridade ou sequer um módico de convicção. Talvez o cambalacho tenha tomado um rumo que porventura não antecipou (afinal, raios, não há “acordo” nenhum, isto é só impor o “brasileiro” aos indígenas e nada mais) e portanto o homem foi ligeiramente aos arames com a brincadeira. Compreende-se, vá. Delegado angolano com Ph. D e tudo, um gajo que até tocou na banda “Maravilha” e acompanhou (nas congas?) o “Duo Ouro Negro”, bem, isto não se faz, já não há respeito, no fim de contas foi tudo uma grande aldrabice, aiaiaiaiaiai, não brinquemos, eles nem sabem com quem se meteram.

Vai, Filipe, dá-les! Dá-les!

Contribuições para a implementação de políticas linguísticas no ensino primário

“Jornal de Angola”, 9 de Dezembro, 2018
Filipe Zau |*

Através da análise das experiências educativas em países africanos, alguns deles vizinhos de Angola, pudemos, em artigos anteriores, verificar a importância das políticas linguísticas, quer do ponto de vista da aprendizagem, quer patrimonial.

De um modo geral, as administrações coloniais impuseram às populações africanas estratégias de aculturação, que, através do assimilacionismo, levaram as gerações mais jovens de africanos, sobretudo das áreas urbanas e sub-urbanas, a perderem valores e hábitos culturais para aquisição de atitudes e comportamentos característicos da sociedade dominante. Tal ocorreu, em grande parte, com as administrações coloniais francesa e portuguesa. De acordo com uma fonte da UNESCO sobre “Políticas de Educação e Formação na África Sub-Saariana”, em 1987, a França chegou a fazer 4 experiências de utilização de línguas africanas no ensino, contra 11 de utilização exclusiva da língua metropolitana, enquanto Portugal não realizou nenhuma experiência nas suas cinco colónias em África. Contrariamente, a Grã-Bretanha fez 13 experiências de utilização de línguas africanas no ensino oficial contra 2 de utilização exclusiva na língua inglesa. Já a Bélgica, apenas no ex-Congo Belga (actual Congo Democrático), fez duas experiências de línguas africanas e apenas uma, em regime de exclusividade, em língua francesa.

Porém, existe também a escola da vida, pelo que não há uma única forma de educação nem um único modelo de ensino. A escola não é evidentemente o único lugar onde as pessoas aprendem, o ensino escolar não é a única prática educativa, nem o professor o seu único praticante. “Em casa, na rua, na igreja ou na escola, aprende-se e ensina-se para saber, para saber-fazer; para saber-ser e para saber-conviver”, diz-nos também o sociólogo brasileiro Carlos Rodrigues Brandão.

(mais…)

Última hora: português será língua de trabalho da CPLP!

Este artigo, todo ele, de fio a pavio, é uma anedota pegada. Comecei a sublinhar frases e expressões-chave mas tive de recuar um pouco, desfazer alguns dos destaques — quando não, arriscava ficar com o texto quase todo a “bold”.

Inacreditável, realmente, a profusão de baboseiras (enormidades, imbecilidades) que este homem consegue debitar a uma velocidade incrível, bolçando-as em tal quantidade que mais parece estarmos perante o papaguear errático de um ébrio e não o palavreado — geralmente grave e circunspecto — de um político. Mas é possível, ainda assim, retirar algumas engraçadíssimas, hilariantes, alucinadas novidades desta espécie de discurso com que o senhor resolveu presentear o respeitável público.

Das quais deve assinalar-se esta coisa espantosa, extraordinária, supimpa “inovação”: «que a língua portuguesa possa ser língua de trabalho no espaço lusófono.»

Caramba! Maravilha. Estou aqui que nem posso.

Mas diz mais, o senhor Intumbo, para cabal esclarecimento da humanidade sobre aquilo que será o seu (dele) mandato à frente dos destinos da CPLP, essa simpática agremiação excursionista: diz que «vai tentar “influenciar os países e as comunidades” que fazem parte da CPLP para “adotarem o português como língua de trabalho”.»

Ena, ena, ena! Pára tudo! Isto sim, isto é que é o verdadeiro “português universal”, a real “influência da língua portuguesa no mundo”. Notem bem, nada de confusões. Julgaríeis vossemecês que o “português” já era “língua de trabalho” na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa? Pois julgáveis mal, seus tristes, julgáveis pessimamente, seus totós.

Só agora, só a partir de agora, com este senhor Intumbo ao leme da nave “lusófona”, agora sim, agora é que o “português” vai passar a ser língua de trabalho na CPLP! Não é uma novidade do caraças, hem, bacanos?!

Eu cá não sabia disto, confesso, pobre ignorante, queiram vocelências perdoar. Estava convencidíssimo, na minha santa inocência, de que a língua de trabalho na CPLP era o Português mas, porém, contudo, macacos me mordam, afinal não era.

Bom, do mal, o menos: está por fim esclarecida a dúvida, afinal a ideia (dos gajos que fundaram a CPLP) não era “elevar” o Português (ou, para ser exacto, a língua brasileira) a “língua de trabalho da ONU”. Não, não era da ONU, era da própria CPLP.

Tratou-se apenas de um lamentável lapsus linguae (em sentidos literal e figurado); aqui fica, portanto, à laia de lamparina mental, a devida iluminação para as cabecinhas pensadoras. Um(a) lampadinha.

Director-executivo do Instituto da Língua defende uniformização do português escrito

 

O novo director-executivo do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), Incanha Intumbo, ressalvou a importância do Acordo Ortográfico Comum de 1990, ainda por adoptar por alguns países lusófonos, e defendeu a uniformização do português escrito.

Agência Lusa /Lisboa /06 Dez 2018

Intumbo, que foi hoje empossado em Lisboa, referiu que o Acordo Ortográfico ainda conhece “resistências” e revelou que o IILP desenvolverá uma tarefa de “sensibilização” junto dos países-membros da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) que ainda não adoptaram a convenção.

O linguista e investigador assinalou a importância de “uniformizar a escrita” e do “vocabulário comum”.

“É importante estarmos na mesma linha de entendimento”, acrescentou, referindo que “há comunidades com tendências conservadoras, mas a língua é como um ser vivo: evolui”.

Dos nove países da CPLP, apenas quatro Estados ratificaram o acordo: Cabo Verde, Brasil, São Tomé e Príncipe e Portugal.

O novo director-executivo do IILP, natural da Guiné-Bissau e formado em Coimbra, lembrou que o português é a língua mais falada no hemisfério sul.

Por essa razão, Intumbo preconiza que a língua portuguesa possa ser língua de trabalho no espaço lusófono, uma tarefa a que se vai propor no mandato de dois anos como director-executivo do ILLP.

Como acentuou, o ILLP vai tentar “influenciar os países e as comunidades” que fazem parte da CPLP para “adotarem o português como língua de trabalho”.

(mais…)