Hau nia lian, hau nia rain


Língua portuguesa motiva confrontos em Timor-Leste

actualizado 17 Junho 2020, 07:41
por Lusa

 

A discussão começou quando Olinda Guterres, do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO), criticou a deputada do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) Fernanda Lay por falar em português numa interpelação durante o debate, na presença da vice-ministra da Solidariedade Social e Inclusão, Signi Chandrawati Verdeal, entre outros.

A senhora Fernanda Lay fez a sua intervenção em português e eu fiz um ponto de ordem porque as pessoas não compreendem português e a pedir para falar em tétum“, disse Olinda Guterres à Lusa.

Pedi para falar em tétum porque o orçamento é importante e as pessoas têm que perceber“, afirmou a deputada do KHUNTO.

Fernanda Lay criticou os comentários de Olinda Guterres, que acusou de ter feito “comentários racistas” e de a ter chamado “china pirata”.

Eu falei em português e ela disse para não falar porque ela não entende. E eu mostrei-lhe a Constituição. Mas ela começou aos berros e chamou-me china pirata. Onde é que já se viu comentários racistas no parlamento“, questionou Lay.

“Se ela não compreende, nós temos aulas gratuitas aqui no Parlamento”, acrescentou.

As deputadas acabaram por se envolver em agressões físicas, tendo que ser separadas por outros deputados.

A presidente da comissão C, Maria Angélica dos Reis, acabou por interromper a audição, que decorria no plenário, tendo sido retomada pouco tempo depois com apelos à calma.

Os incidentes ocorreram durante um debate das comissões especializadas C, D e F sobre um pedido do Governo para um levantamento adicional do Fundo Petrolífero (FP) e de alterações à lei do Fundo Covid-19, para dar mais amplitude às despesas que pode abranger.

A tensão já se tinha sentido na terça-feira com Olinda Guterres — que fez várias intervenções aos gritos – a ter de ser agarrada por colegas da bancada, para impedir que agredisse uma outra deputada do CNRT Vírgina Ana Belo, de acordo com testemunhas ouvidas pela Lusa.

Duas deputadas desentenderam-se em plena sessão plenária devido ao uso da língua portuguesa Lírio da Fonseca – Reuters

RTP/LUSA

(destaques no original)

Discussão sobre uso de português acaba em agressões no parlamento timorense

Deputados envolveram-se em agressões físicas e tiveram de ser separadas no Parlamento.

Duas deputadas timorenses envolveram-se, esta quarta-feira, em confrontos físicos e verbais durante uma discussão sobre o uso do português num debate na comissão de Finanças Públicas, na sala do plenário do Parlamento Nacional.

A discussão começou quando Olinda Guterres, do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO), criticou a deputada do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) Fernanda Lay por falar em português numa interpelação durante o debate, na presença da vice-ministra da Solidariedade Social e Inclusão, Signi Chandrawati Verdeal, entre outros.

A senhora Fernanda Lay fez a sua intervenção em português e eu fiz um ponto de ordem porque as pessoas não compreendem português e a pedir para falar em tétum”, disse Olinda Guterres à Lusa.

“Pedi para falar em tétum porque o orçamento é importante e as pessoas têm que perceber”, afirmou a deputada do KHUNTO.

Fernanda Lay criticou os comentários de Olinda Guterres, que acusou de ter feito “comentários racistas” e de a ter chamado “china pirata”.

“Eu falei em português e ela disse para não falar porque ela não entende. E eu mostrei-lhe a Constituição. Mas ela começou aos berros e chamou-me china pirata. Onde é que já se viu comentários racistas no parlamento”, questionou Lay.

“Se ela não compreende, nós temos aulas gratuitas aqui no Parlamento”, acrescentou.

As deputadas acabaram por se envolver em agressões físicas, tendo que ser separadas por outros deputados.

A presidente da comissão C, Maria Angélica dos Reis, acabou por interromper a audição, que decorria no plenário, tendo sido retomada pouco tempo depois com apelos à calma.

Os incidentes ocorreram durante um debate das comissões especializadas C, D e F sobre um pedido do Governo para um levantamento adicional do Fundo Petrolífero (FP) e de alterações à lei do Fundo Covid-19, para dar mais amplitude às despesas que pode abranger.

A tensão já se tinha sentido na terça-feira com Olinda Guterres — que fez várias intervenções aos gritos – a ter de ser agarrada por colegas da bancada, para impedir que agredisse uma outra deputada do CNRT Vírgina Ana Belo, de acordo com testemunhas ouvidas pela Lusa.

TSF/LUSA

(destaques meus)


No ano 2000 palmilhei, escoltado por fuzileiros portugueses, as aldeias mais recônditas das montanhas de Timor-Leste. Distribuímos toneladas de livros escolares (que no dia seguinte desapareciam).
Hoje, mais de 20 anos e largos milhões de dólares depois, é isto: pancadaria no Parlamento timorense por causa da língua brasileira “unificada”.

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