Dia: 7 de Março, 2021

Malhas que o II Império não tece

Este artigo de “The Language Nerds” não é de simples opinião, não contém qualquer palpite e não é — evidentemente — propagandístico. Isto é pura constação de factos — consensuais entre todos os linguistas ou seja quem for que de alguma forma se interesse pelo assunto — e consiste no alinhamento lógico dos elementos exactos que suportam, documentam e explicam o título; título esse que, por mera técnica de escrita para captar a atenção dos potenciais leitores, está em forma de pergunta mas que afinal, pois claro, é uma afirmação: sim, toda a gente no mundo há-de acabar por falar Inglês.

Todo este conteúdo, portanto, é o oposto diametral do discurso anárquico (e sumamente enganador) dos acordistas brasileiros e dos seus obedientes lacaios portugueses. De resto, para uns e para outros a “cassette” é de todo indiferente; para essa espécie de vigaristas profissionais, mentirosos patológicos, basta dizer qualquer coisa, seja o que for, pela simples razão de que adoram ouvir-se a si mesmos e deliram com as bojardas que escrevem. Não é de todo necessário dizer alguma coisa de jeito ou que faça o mínimo sentido, basta babujar as tangas do costume sobre a sua querida cacografia “universáu”.

Não aceitam factos ou dados ou evidências, como sabemos, e por conseguinte odeiam que a realidade, essa abominável chatice, lhes estrague a bela teoriazinha, a “língua universal” brasileira, o “valor económico da língua” brasileira”, o II Império brasileiro, enfim, todas as “políticas oficiais” da treta que os tipos propagandeiam geralmente sem se rir.

Ora, em especial para os imensamente letrados brasileiros que esgalharam ou apoiam o AO90, coisa de 0,000001% em 200 milhões, o anti-inglesismo é um pouco estranho, visto que eles usam substantivos, verbos, adjectivos em Inglês (americano) usando uma “ténica” bizarra: adaptam à matroca (e a martelo) os termos americanos originais ou traduzem-nos literalmente para brasileiro. Daí as sua pérolas de “coltura” como deletar, usuário, subir (upload), baixar (download), etc.

Gostariam imenso de trepar num qualquer “ranking” das línguas mais faladas, ou coisa que o valha, mas não têm sorte nenhuma: a língua brasileira jamais terá a menor hipótese, nunca passará das suas próprias fronteiras; invadiu Portugal, pretende extinguir a nossa Língua, começa já a contaminar as ex-colónias portuguesas, mas nem assim o seu neo-imperialismo linguístico passará de um ridículo, inconsequente e irrelevante linguajar.

Pretendem empurrar o Português para fora da História, para o precipício do esquecimento. A “revisão” do AO90, implícita no próprio texto do “Tratado” desde a primeira versão (de 1986), conduzirá ao mais do que evidente objectivo final (Endlösung) que meia-dúzia de brasileiros e uma mão-cheia de vendidos portugueses desejam com ganância: incluir o Português-padrão no clube das línguas mortas, enterrá-lo na honrosa companhia dos honoráveis cadáveres dos idiomas minoritários extintos.

Will Everyone In The World Eventually Speak English?

thelanguagenerds.com

We can’t predict the future, but we can certainly learn from the past. And the answer to the above question is a resounding NO. Of course, you may have a difference of opinion, but consider the line of reasoning first. While it is true that more than 50% of the 6000-7000 languages in the world are endangered and will be dead in a matter of a century, that still leaves billions of people speaking the rest of the remaining languages, which can be numbered between 600-700. Compared to one, this is a huge number.

Not only that. The concern that is spreading now with the popularity of English and that it could replace other languages is not a new thing. In fact, people throughout history thought the same could happen with other languages. Let’s see some of them below.

1. Greek:

We all know the flourish that Greek enjoyed in the last three centuries BC. Its prestige and practical value, especially to the peoples in the Mediterranean basin, were immense. It was the primary language in which science, commerce, and art were carried out. Important matters such as trade and politics were discussed overwhelmingly in Greek, similar to English today, and with few real competitors than English has. Then rose Rome, and the political situation eventually changed. The popularity of Greek started to shrink. It gradually decreased and now used only in the eastern Mediterranean. Then, after the Muslim conquests, it shrank even more, as it was spoken only in Anatolia and Greece. Then, it shrank even further after the Ottoman conquests. Then, after the population exchanges in the 1920s, Greek met its ultimate semi-demise and was confined to Greece only. Although Greek didn’t completely die out, it didn’t replace other languages and was not even close. It didn’t replace even the languages in the area in which it had been spoken for three millennia.


2. Latin:

The spread of Latin was enormously accelerated with the rise of the Roman empire, which disseminated Latin across a wide area including western Europe, North Africa, and parts of the Balkans. But again, the equation of power changed. The Arabs took over North Africa, the Slavs took over the Balkans, the Germanic tribes took over England, Rhineland, Austria, and Switzerland. This resulted in the total displacement of Latin from these areas, and ultimately the colloquial verities that remained disintegrated into unintelligible varieties that we know today as Spanish, French, Italian, etc, with Classical Latin a completely dead language. (Read about how Latin is not dead and still spoken today [here]).

The distribution of Latin

3. Arabic

Arabic had gained a tremendous status and prestige in the 7th century not just in the Arabian Peninsula, but throughout the whole of the Middle East and far out into North Africa. Muslim conquests played a major role in spreading Arabic in these areas, exploiting the unprecedented weakness of Byzantium and Persian empires. It replaced Greek in the major cities and many Afro-Asiatic languages like Aramaic and Coptic in the countrysides. Briefly after two or three centuries, however, the Muslim Caliphate collapsed, and with it collapsed the status and prestige of Arabic. Now Arabic shrank into a language mostly used for religious purposes.

The distribution of Arabic. From Wikipedia

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