Dia: 17 de Julho, 2021

Moçambique maningue mahala

Nos próximos quatro anos, Moçambique vai investir 50 mil milhões de dólares no desenvolvimento de um projeto de gás natural que visa tornar o país um dos cinco maiores produtores mundiais. Paranyu Pithayarungsarit ["Expresso"]

«Nos próximos quatro anos, Moçambique vai investir 50 mil milhões de dólares no desenvolvimento de um projecto de gás natural que visa tornar o país um dos cinco maiores produtores mundiais.» Paranyu Pithayarungsarit [“Expresso”]

«Mozambique has commercially important deposits of coal (high quality coking coal and thermal coal), graphite, iron ore, titanium, apatite, marble, bentonite, bauxite, kaolin, copper, gold, rubies, and tantalum.»
«Mozambique holds some of the world’s largest untapped coal deposits.  Vale of Brazil has made major investments in their coking coal mine.  Their first coking coal shipments were in 2011. Vale, through its participation in the Northern Corridor Development (CDN) consortium, has refurbished the Nacala rail line, which runs through parts of Malawi to the deep-water Port of Nacala.» «Opportunities for the provision of coal mining equipment and railway logistics and equipment exist.  Given the expectation that mining costs in South Africa will rise considerably over the coming years, Mozambique could gain a regional competitive advantage.»
«Two large investment projects focused on the mining and processing of heavy sands deposits are moving forward.  The Moma Heavy Sands (Kenmare Resources) and Corridor Sands (BHP Billiton) projects together will require more than USD1 billion in investment.»
«Mozambique’s mineral potential is largely untapped.  Gold deposits in Niassa, Tete, and Manica Provinces have attracted domestic and international investor interest in recent years.  Gold mining has been slow to develop as most of its activities are done by informal artisanal miners.  However, increasing regulation of gold mining may lead to larger scale production, as the Government begins to require miners to formalize their legal status.  Xtract Resources recently acquired a gold mining concession with estimated reserves of 2.97mnoz.  Gold industry production is forecasted to grow 1.1% annually from 2016 to 2020 [“Privacy Shield”]

 

Do repasto não constam “apenas” os diamantes e o petróleo de Angola; outro petisco será montar um entreposto comercial em Macau para assaltar o gigantesco mercado chinês; e por sobremesa, para acamar, pretendem inaugurar em Portugal uma porta dos fundos para acesso livre à União Europeia e para penetrar no mercado europeu como parceiro comunitário. Os objectivos geoestratégicos brasileiros, cavalgando uma farsa (a CPLP) e sob o disfarce da “difusão e expansão da língua” brasileira (o AO90), visam também as riquezas e recursos naturais de Moçambique.

No caso desta última “frente”, o assalto ao gás natural, ao ouro, ao cobre e a outros minérios está já em marcha. 

Tanto Moçambique como Angola não ratificaram o expediente (RAR 35/2008) que determinou serem suficientes três assinaturas dos oito Estados-membros da CPLP para tornar automaticamente obrigatória a entrada em vigor do AO90 em todos os oito. Assim, a partir do momento em que o Brasil (pois claro) assinou, em 2004, e conseguiu — sabe-se lá por que bulas — forçar Cabo Verde, em 2005, e São Tomé, em 2006, a assinar também, então a partir desse momento o dito AO90 entrou em vigor — “legalmente”, obrigatoriamente, compulsivamente — também em Angola, em Moçambique, em Timor e na Guiné-Bissau. Nem mesmo os próprios governantes moçambicanos, angolanos, timorenses e guineenses fazem a menor ideia de que nos seus países entrou em vigor uma imposição do Estado brasileiro e de meia dúzia de gulosos tugas. Foi para amaciar esta violência, aliás, que Portugal juntou-se ao Brasil e às ilhas africanas, em 2008, e assinou também; eis, em suma, a acepção definidora daquilo em que consiste o conceito de “cobertura política”…

Portanto, é natural que agora, quando se reúnem o Presidente e o Primeiro-Ministro portugueses com um suplente do Governo brasileiro, os moçambicanos sofram repentinos ataques de estupefacção: “mas o que diabo vem a ser isto?”, interrogam-se; “mas o que nos querem estes madala?”

 

CPLP: Analistas moçambicanos consideram que organização não tem impacto na sociedade

 

www.voaportugues.com, JWilliam Mapote

 

MAPUTO — Vinte e cinco anos depois da criação da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, com nove Estados membros distribuídos por quatro continentes e unidos língua portuguesa. Analistas moçambicanos olham para os propósitos iniciais e não vêem impacto da sua acção na sociedade.

Dário Camal, especialista em assuntos internacionais, diz haver “uma crise de subjectividade e legitimidade da CPLP, por isso o seu impacto, neste momento, não é sentido”.

Na opinião dele os Estados membros focam-se mais nas suas organizações regionais.

“Se olharmos para Moçambique e Angola, focam-se mais na SADC, porque é aqui que nos afecta, é com os nossos parceiros de fronteira que fazemos negócio e vivemos o dia-a-dia”, sinaliza.

A concertação político-diplomática entre os membros, para reforçar a significância no cenário internacional, é um dos principais objectivos.

Mas mesmo aí, a radiografia não é muito positiva quanto podia.

Do lado da sociedade civil, a avaliação não foge à regra.

A CPLP está aquém do que podia ser, em termos de potencialidades, na leitura do investigador e activista social Borge Nhamirre, para quem o nó de estrangulamento está nas lideranças.
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