Dia: 18 de Julho, 2021

A 13.ª cimeira da CPLP: azar?

CPLP. Marcelo diz que Portugal “sai muito feliz” da cimeira – Renascença

Rádio Renascença, 17.07.21

 

O Presidente da República afirmou este sábado que a cimeira de Luanda da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) ultrapassou todas as expectativas em matéria de resultados e que Portugal “sai muito feliz” com os novos progressos.

Esta posição foi assumida por Marcelo Rebelo de Sousa no final da XIII cimeira da CPLP, numa longa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro, António Costa, e com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

“Esta cimeira ultrapassou as expectativas que eram já positivas pela conclusão do acordo de mobilidade” no espaço lusófono, declarou o chefe de Estado.

No entanto, de acordo com o Presidente da República, a cimeira de Luanda “serviu para reforçar a ideia da cooperação em curso em matéria sanitária neste período pandémico que está a ser vivido em ritmos diferentes pelos países da CPLP”.

A ideia de irmos longe num instrumento financeiro de investimento, assim como outras intenções, tudo isso é muito promissor e um virar de página. Pode dizer-se que Portugal saiu muito feliz desta cimeira, porque correspondeu ao esforço de uma presidência [de Cabo Verde] em tempo difícil”, sustentou Marcelo Rebelo de Sousa.

Perante os jornalistas, o chefe de Estado manifestou-se convicto “num novo ciclo de arranque político-diplomático na CPLP”, também abrangendo os domínios da língua e da cultura e no alargamento da própria comunidade – aqui numa alusão à entrada de Timor-Leste após ter conseguido a sua independência ao libertar-se da ocupação por parte da Indonésia.

“Este segundo ciclo não deixa de cuidar dos valores principais e foi reafirmada várias vezes a questão do Estado de Direito, dos direitos humanos e da democracia ligada a uma questão de desenvolvimento sustentável”, disse.

No entanto, na perspectiva de Marcelo Rebelo de Sousa, esta cimeira de Luanda abre para um caminho de desenvolvimento social, destacando o acordo alcançado em matéria de mobilidade.

Esta cimeira abre ainda para a economia e para a vida empresarial, completou o chefe de Estado, numa alusão à prioridade da nova presidência angolana da CPLP ao longo do próximo biénio.

Ainda segundo Marcelo Rebelo de Sousa, durante a cimeira “houve uma grande sintonia das intervenções todas”.

“Há uma convergência natural que explica a aclamação de todos os documentos submetidos à apreciação da conferência, todos eles, desde os que respeitam ao alargamento [de países observadores], até àqueles que tratam de temáticas específicas”, acrescentou.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são os nove Estados-membros da CPLP, que hoje celebra 25 anos.

[Transcrição integral. Publicação de “Rádio Renascença” de 17.07.21. Destaques, sublinhados e “links” meus. Imagem de topo de: ILCBrasil.]

Lá terminou mais um episódio, o 13.º, da triste saga baptizada como “Cimeiras dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Estados de Língua Oficial” brasileira.

Note-se, para início de conversa, que o facto de aparecer “Português” ou “Portuguesa” no título da Organização, através da sua cobertura política (cuja lógica é brasileira), constitui pura manobra de marketing, com a óbvia finalidade de disfarçar o indisfarçável para que a opinião pública em Portugal não abomine aquilo que é abominável, a raiz da mentira colossal urdida por meia dúzia de brasileiros e alguns traidores portugueses: a substituição da Língua-matriz por um sucedâneo que é língua nacional numa ex-colónia portuguesa.

Neste 13.º banquete não houve qualquer novidade, já que o plano está traçado e em execução desde 2008 (via RAR 35/2008), à excepção da oficialização da manobra de perversão do Acordo de Schengen, do qual Portugal é signatário enquanto membro da União Europeia. Marcelo declara, arrogando-se o direito de falar em nome do país, que “sai muito feliz” do repasto e, em especial, devido à parte da galhofa em que ficou combinado — preto no branco — que Portugal passa a ser a porta dos fundos para que milhões de brasileiros entrem na Europa legalmente e não a salto. Evidentemente, não é possível comparar o incomparável, ou seja, a dimensão (a população) do “gigante brasileiro” com os contingentes de emigração de qualquer dos PALOP; e também não tem nada a ver com a relação familiar entre os moçambicanos, angolanos, cabo-verdianos, guineenses ou santomenses com os portugueses, com Portugal. “Revendo” o estatuto e o mecanismo de atribuição da dupla nacionalidade, ou mesmo sem essa “revisão”, a porta dos fundos fica desde já mais do que aberta, fica escancarada.

No que diz respeito à Língua propriamente dita, aquela que é comum a Portugal e PALOP, a patuscada luandense revelou extremo cuidado em fingir que não existe o mínimo engulho na “adoção” do brasileiro como “língua universáu“. Nas contas “oficiais”, utilizando diversas ferramentas de contra-informação, de propaganda, de intoxicação e de lavagem ao cérebro, os acordistas agitam por sistema o “tremendo” argumento (avassaladora patacoada) dos “mais de 210 milhões de brasileiros”; depois, para “agigantar” os falantes da sua língua, somam àquele ror de indígenas os habitantes de Portugal (10 milhões), Moçambique (35 milhões), Angola (30 milhões) e mais uns pouco milhões dos membros restantes. Assim, com esta continha de somar à maneira dos merceeiros, chegam a um número (absolutamente falso) cheio de zeros, coisa suficiente para que alguns labregos fiquem embasbacados, esmagados pelos milhões a granel, o que supostamente “comprova” a “difusão” da língua deles no mundo. O Brasil nacionaliza assim, de uma penada, a língua a que o Palácio do Planalto chama “portuguesa” — depois de impor a sua cacografia aos demais países — e é com base nessa engenharia comercial que se acha no direito de se apossar do conceito de “lusofonia”, abstracção que usa para esconder as suas ambições ultra-capitalistas.

Não interessa para nada que em Moçambique, por exemplo, apenas 17.º da população fale (e muito menos escreva) em Português ou que sejam 71% os angolanos que utilizam o idioma lusitano; para Timor-Leste nem há números, a coisa deve rondar os 0,5% ou, no máximo, 1% de falantes.

As estatísticas variam enormemente consoante as fontes mas, em todo o caso, a referida soma algébrica não passa de (mais uma) redonda mentira.

No entanto, apesar de pelo menos as pessoas informadas saberem perfeitamente a dimensão do logro, quais são as verdadeiras intenções do Brasil e de que estratégias se servem os acordistas portugueses para promover os interesses geoestratégicos e económicos brasileiros, ainda assim a comunicação social portuguesa reproduz em massa e até à exaustão “notícias” sobre a CPLP (e sobre o seu disfarce “linguístico”) que não passam de propaganda, pura propaganda.

Paga, é claro.

Brasil tem feito “esforço muito amplo” para promover o português no mundo

www.rtp.pt, 15.07.21

 

No âmbito dos 25 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o diplomata destacou o trabalho que o Brasil tem desenvolvido na projecção do português, com foco na Rede Brasil Cultural, hoje denominada Rede de Ensino do Itamaraty, cuja “vocação é a promoção e difusão da língua portuguesa e da cultura brasileira no exterior“.De acordo com Costa Filho, essa tem sido uma das principais ferramentas usadas pelo Brasil na promoção do português, estando presente em mais de 40 países, em cinco continentes.

“Através dessa rede, são oferecidos cursos de língua portuguesa em todas as suas vertentes. O português pode ser ensinado como uma língua estrangeira, língua de herança ou como uma língua não materna. Então, todos esses focos estão presentes nesse esforço. A rede conta também com leitores, ou seja, professores que actuam em universidades no exterior nessa promoção“, explicou.

Paralelamente a esta rede de ensino, o Itamaraty – nome como é conhecido o Ministério das Relações Exteriores do Brasil -, tem, anualmente, um programa de actividades de língua portuguesa conduzido no exterior pelas embaixadas, consulados e missões por todo o mundo.
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