Mês: Julho 2021

Tandem

‘Mozambican soldiers are on the streets of Palma, as seen in this picture taken on Monday’ [EPA/BBC]

 

«Toda a lógica instrumental do AO90 é brasileira» [jornal “Opção” (Brasil)]

«A verdade é que a resistência de Portugal é de cunho político. As mudanças para os portugueses, “pátria da língua”, são maiores, visto que a influência brasileira nos demais países lusófonos cresceu muito nos últimos anos. Sendo Portugal a colonizadora, aceitar mudanças impostas pela antiga colônia significa receber um duro golpe na soberania nacional portuguesa.»

«Como a lógica do acordo é brasileira, poucas foram as modificações graves para a língua do Brasil.»

«A grande pergunta é: por que o Brasil, um país que não investe em políticas públicas para difusão de sua língua e de sua literatura, tem interesse em colocar o acordo ortográfico em prática? Tânia Rezende responde: “A língua é, até hoje, uma ferramenta de dominação política e econômica. A África ainda é um campo de dominação. O Brasil quer entrar e o acordo é um meio para isso”.»

 

Se bem que existam outros “posts” anteriores sobre o assunto, nada é mais claro do que a admissão expressa que os próprios brasileiros fizeram a fineza de publicar em 02.07.2016 sobre a sua estratégia expansionista e claramente neo-colonialista: «Toda a lógica instrumental do AO90 é brasileira», titulava naquela data o jornal brasileiro “Opção”. De facto. Ainda que alguns tugas recusem tão flagrante evidência, com uma mescla de fé, crendice e devoção aos “irrmaums” deles, torna-se-lhes assim — preto no branco — impossível negar a lógica férrea dos maiores interessados na propagação da colossal fraude. E ainda para mais porque o arrazoado vai ao ponto de determinar o conteúdo programático da expansão brasileira utilizando o AO90 como cortina de fumo e pretexto para que se sirvam da CPLP, outra invenção brasileira. «A língua é uma ferramenta de dominação política e económica», dizem os zucas, e dizem bem. E «a África ainda é um campo de dominação onde Brasil quer entrar e o acordo é um meio para isso.» Ah, pois é. Ah pois quer. E «o acordo é um meio para isso», concluem… e concluem perfeitissimamente.

Todo o articulado da notícia comprova essa mesma lógica (sem aspas), aliás com o maior desplante, no que não difere em estilo dos diversos apelos já aqui igualmente transcritos a que seja finalmente reconhecida a língua brasileira como a Língua nacional do Brasil.

Ao contrário do que sucede tradicional e sistematicamente naquele exótico país (até em questões de Estado), não há nisto o mais ínfimo vestígio de “candomblé” ou bruxedos em geral. Trata-se de pura estratégia geopolítica, motivada por ambição desmedida, a explanação (com algum descaramento) daquilo em que consiste e para que lhes serve a CPLP, decorrendo e dependendo dos negócios realizados à sua sombra o pretexto político, o disfarce, a inacreditável fantochada — o AO90.

É precisamente nessa linha de actuação que surge o textículo transcrito em baixo. Na sequência do “post” anterior e usando o mesmo tipo de “Inteligência” (transliteração brasileira do termo em Inglês “intelligence”, serviços secretos), a agência Brasilusa despacha mais um pacho de lavagem ao cérebro. Mais do mesmo, como previsto: Portugal, a “terrinha” onde todos os brasileiros que desembarcam no Porto ou em Lisboa têm um tio, uma avó e uma chusma de primos, passará em breve a servir como porta dos fundos para a União Europeia. Outra “novidade” velha e relha é que os tipos já estão a arreganhar a taxa para abocanhar os diamantes e o petróleo angolanos. Tudo à conta da “lusofonia”, é claro, essa foleiríssima fábula ao estilo das telenovelas mexicanas (centenas de episódios emitidos desde 1986), mas agora já sem sequer tentar esconder os negócios (daí “o valor económico da língua“) e a “mobilidade” (fintar o acordo de Schengen, enganar os contribuintes europeus).

É de caras. Montados num tandem sem pedais, a caminho de mais uma Cimeira, mais umas mentiras, mais uns quantos discursos ocos e mais um chorrilho de insultos à inteligência de 10 milhões, os altos dignitários presentes em Luanda — afinal baixos — irão prestar vassalagem aos DDT (Donos Daquilo Tudo), os emissários de Brasília, e oficializar a sua “participação” nas gemas, nos carates, no barril.

Barril, não baril. 

CPLP: António Monteiro pede ajuda concreta a Moçambique

“Público”/Lusa, 13.07.21

 

O embaixador António Monteiro, um dos impulsionadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) quando ela foi criada, defende que os chefes de Estado e de Governo da lusofonia devem, na cimeira que começa na sexta-feira em Luanda, manifestar disponibilidade para ajudar Moçambique, mas também aprovar o acordo de mobilidade e repensar o financiamento da organização.

Numa entrevista à Lusa a propósito dos 25 anos da organização e da cimeira de Luanda, na qual Angola assumirá a liderança da organização, António Monteiro disse esperar “cada vez maior envolvimento dos países na CPLP e que estes dêem, cada vez mais, o valor que a CPLP merece”, tendo em conta aquilo que a organização pode ser no futuro.

Moçambique merece, no actual contexto, uma atenção especial. Para o embaixador, os chefes de Estado e de Governo “têm de pronunciar, nem que seja uma palavra de solidariedade, que eles [moçambicanos] precisam, mas também de disponibilidade de todos os meios diplomáticos, militares e de inteligência”, defendeu. Na sua opinião, a situação em Cabo Delgado exige ainda um papel de outras organizações, junto das quais a CPLP pode chamar a atenção, de modo a que haja “uma intervenção que não pareça uma ocupação” e ao mesmo tempo se desenvolvam acções de desenvolvimento, para dar alguma confiança às populações, considerou.“Moçambique precisa de auxílio, se for preciso até militar, mas sobretudo de segurança, em matérias de inteligência, para poder fazer face àquilo que eu acho que é terrorismo, que depois poderá explorar alguns descontentamentos locais e atrasos no desenvolvimento que ali possa haver” frisou. A CPLP, como tem “alguma cooperação no campo militar, que é profícua e tem tido até alguns êxitos na maneira como trabalha, podia e devia debruçar-se sobre esse tema em conjunto”, considerou.

Já sobre a proposta para a mobilidade de pessoas no espaço da CPLP considera-a como um passo positivo. “Aquilo que me parece que é correcto e faz parte deste tempo de CPLP é criar gradualmente espaços de mobilidade, dando a certas categorias mais facilidades do que outras, exactamente para que nenhum de nós, no espaço que integramos, assuste os nossos outros parceiros”, defendeu.

Na sua opinião, com este acordo, já aprovado em Conselho de Ministros, a CPLP “vai agilizar, em certa medida, por categorias, claro, e começando com gradualismo pontos de facilitação de deslocação” de pessoas no espaço da comunidade, referiu. E “isso é importante, porque é mais um sinal de confiança da CPLP”, salientou.

Facilitar o acesso ao crédito

Da Cimeira de Luanda, o actual presidente da Fundação Millennium BCP espera, aliás, “duas grandes medidas”: um acordo sobre mobilidade e, “sobretudo, um apelo muito forte a entrar no campo económico e empresarial”. Mas para se desenvolver o vector económico também “temos de ver como, de um ponto de vista multilateral, podemos criar condições de acessibilidade ao crédito”, defendeu. António Monteiro recordou que “até já se tentou criar um banco” multilateral, da CPLP, mas os sistemas bancários dos Estados-membros eram tão diversos que a ideia não avançou.

Quanto ao financiamento da própria CPLP, António Monteiro realça que a eventual aprovação do novo regulamento dos observadores associados na cimeira será outro avanço importante, num momento em que há 13 novas candidaturas a esta categoria, entre as quais as dos EUA, Canadá, Índia e Espanha. “Penso que neste regulamento ou está previsto o pagamento de quotas ou a participação efectiva [dos observadores associados] em projectos, dos quais uma percentagem caberia à CPLP”, referiu. Assim, “sinto que se pode trabalhar em formas criativas de dotar o orçamento da CPLP de mais valor, de o aumentar”, realçou.

Caso sejam aprovadas em Luanda, e tendo em conta que a CPLP já tem hoje 19 observadores associados, a comunidade passará a contar com um total de 32 países e organizações com aquele estatuto. Porém, para o diplomata, “os tempos e as circunstâncias em que vivemos impõem agora à comunidade avançar em áreas, que até aqui mereceram menos atenção”, como “a parte económica e a parte da mobilidade”.
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‘Para Angola, rapidamente e em força’


«A CPLP tem mantido esta tradição de ser uma organização em que tudo se decide por consenso». A “notícia” despeja assim a frase, a seco, citando as circunspectas declarações de  um tipo qualquer, um tal Téte, acordista como todos os índios da tribo Lusofon; tocou a este Téte chegar-se à frente e bolçar uma das mentiras favoritas dos brasileiros adoptivos; repetem eles, veneradores, atentos e obrigados, o exacto inverso daquilo que foi decidido na cimeira de Chefes de Estado da CPLP, em Brasília (pois claro), no desgraçado ano de 2002.

Ou seja, não a voo de pássaro mas a voo de F16, que é ligeiramente mais rápido, resumamos a golpada que se iniciou precisamente naquela mesma Cimeira de Brasília: a partir de 2002 deixou de ser necessário que todos os oito Estados da CPLP subscrevam seja o que for, bastando o autógrafo de três deles (nem metade!) para que um “tratado”ou  “acordo” entre em vigor… em todos os oito. Foi com base nesse expediente espertalhão (e nojento) que o II Protocolo Modificativo (que vertia em articulado a golpada) foi aprovado, tendo este dado origem em Portugal à RAR 35/2008 (aprovada pelos zombies de São Bento) e tendo esta accionado os mecanismos governamentais (RCM 8/2011) para a entrada em vigor do AO90, de forma “automática” e inerente.

Belíssimo esquema, não? Ah, pois sim, pois sim, o cambalacho (como se diz em brasileiro) é algo à altura de Al Capone, por exemplo, e, não desmerecendo, truque de prestidigitação mental digno de um Alves dos Reis, esse honestíssimo gatuno.

Outra frase lapidar igualmente escarrapachada na notícia é, por engraçada coincidência, do seguinte teor: «o mandato de Angola da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) será marcado pela criação do pilar económico e empresarial

Extraordinária ordinarice.

Disfarçar era dantes; os homens-de-negócios que vão “fazendo pela vidinha”, os garbosos marialvas da língua universáu por aí andam, ataviados de políticos ou carreando lantejoulas de artistas feéricos, cavalgando a trote o jerico da “expansão do idioma” brasileiro, essa fina escumalha exibe-se hoje em dia com cagança. Agora ele é muito mais de caras, imensa lata, nada de fingimentos, que já não carece: pretendem enriquecer estupidamente à conta da lusocoisa e portanto vale mesmo tudo menos tirar olhos (mas nunca fiando).

Evidentemente, a expressão “criação do pilar económico e empresarial” significa literalmente, parafraseando a célebre máxima de Oliveira Salazar, se bem que a propósito de outras guerras, “para Angola, rapidamente e em força”. Garantida a neo-colónia inversa como porta dos fundos para entrar na Europa e garantido o assinar de cruz por parte de dois micro-estados ad-hoc (Cabo Verde 2005, São Tomé 2006), só faltava invadir Angola e saquear as suas riquezas naturais.

O próximo encontro de homens-de-negócios do II Império brasileiro tocou não por acaso àquela ex-colónia portuguesa. A Cimeira de Chefinhos 2021 não surge “ao calhas” em Luanda. Os sinais eram mais do que evidentes e já aqui mesmo, neste modesto apartado de correio, tinham sido assinalados alguns deles, nomeadamente tomando a pista do que se vai passando em Macau — um entreposto para a China e feitoria para Angola. Basta unir as pontas da meada ou ligar os pontos do desenho (sim, porque há muita gente a quem é preciso fazer um desenho para que entendam minimamente o óbvio ululante); poderá suceder que por fim aos mais cépticos se descomponha o sorrisinho cínico e o seu insuportável convencimento nos meandros do paternalismo.

Talvez ajude na não muito complexa desmontagem da tramóia atender ao desfecho de Téte, salvo seja: «relativamente ao Acordo Ortográfico, ainda não ratificado por Angola, Téte António disse que é um trabalho “em progresso”

Em política, isto é, nos negócios (estrangeiros ou domésticos), brandir a espada de Dâmocles — metáfora para a expressão típica da polícia de trânsito “das duas, uma, o xidadão ou paga a multajinha ou então paga a multajinha” — continua com a mesma eficácia que tinha há 2.300 anos: sim, com certeza, mas há aqui estas facturazinhas que é necessário liquidar…

Bem, está claro ou ainda não?

Não? Pronto, haja pachorra, então ficam mais três “djicaiss”: não é gelo mas em bruto parece, diz que nem tudo o que brilha é, usa-se para besuntar batoteiros.

“Não existem fricções” entre estados-membros da CPLP, afirma chefe da diplomacia angolana

expressodasilhas.cv, 10.07.21

 

Entrevistado pela Lusa em vésperas da cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o chefe da diplomacia angolana desvalorizou controvérsias recentes e destacou a aproximação entre os nove países integrantes (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial), que se farão representar ao mais alto nível em Luanda nos dias 16 e 17 de Julho.

Questionado sobre a ausência do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, encarada como um sinal do alegado esfriar das relações entre os dois países por conta da situação da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Angola, Téte António garantiu que “não existe fricções entre os Estados-membros da CPLP”.

“Este é um caso que aconteceu numa Igreja e não tem nada a ver com as relações entre a República de Angola e o Brasil. As agendas dos chefes de Estado não são agendas fáceis e há sempre uma compreensão cada vez que acontece que um ou outro não possa estar presente, mas não existem fricções entre os Estados-membros da CPLP. Pelo contrário, a CPLP tem mantido esta tradição de ser uma organização em que tudo se decide por consenso”, argumentou.

De acordo com Téte António, a aproximação existente entre os Estados-membros da CPLP é algo “raro” de encontrar noutras organizações.

A mesma resposta foi dada em relação à participação da Guiné-Bissau, face a informações recentes sobre um alegado mal-estar diplomático entre os dois países, depois das críticas que o presidente guineense Umaro Sissoco Embaló dirigiu, no ano passado, ao seu homólogo angolano, João Lourenço, que acusou de interferir em assuntos internos da Guiné-Bissau e de perseguir a família do anterior chefe de Estado, José Eduardo dos Santos.

O diplomata destacou, por outro lado, que o mandato de Angola da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) será marcado pela criação do pilar económico e empresarial, para o qual contam com o apoio de todos os Estados-membros.

“A República de Angola gostaria de ver um quarto pilar acrescentado às nossas prioridades actuais, que é o pilar económico e empresarial”, declarou Teté António.

O ministro das Relações Exteriores de Angola frisou que Angola vai continuar a defender os conteúdos e prioridades já existentes na organização, que completa agora 25 anos de existência.

Segundo Téte António, cada presidência é chamada a dar a sua pequena contribuição à vida da organização e à dinâmica que esta vai conhecendo, e, nesse sentido, Angola “conta com o apoio de todos para que se tenha este novo pilar, que constitui, na verdade, parte de um processo de crescimento da organização”.
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Artigo 9.º

Um Povo Resignado e Dois Partidos sem Ideias

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.]
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar. [Guerra Junqueiro, in ‘Pátria (1896)’] [“Citador”]

 

Pelo menos no que diz respeito ao “acordo ortográfico”, os dois partidos políticos do “centrão”, o PS e o PSD, são exactamente a mesma coisa; uma coisa esponjosa, para não dizer viscosa, sem a mais remota diferença, sem absolutamente nada que os distinga; de Cavaco Silva (PSD) a Sócrates (PS), o pai da criança e a sopeira da criança (sopeira essa das especializadas em roubar o patrão), passando pelos mais diversos e sinistros elementos da seita acordista (gente do calibre de um tal Nuno Artur Silva, por exemplo, ou do próprio Presidente da República), todos eles estão enterrados até muito acima do pescoço no atoleiro imundo baptizado como AO90 e na forma enviesada como foram aprovadas e decorreram as cerimónias baptismais do horripilante pimpolho.

"Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia" [epígrafe de Eça de Queirós]Pois é precisamente um desses partidos gémeos, espécie de Dupond e Dupont em versão Bela Lugosi, que aparece agora brandindo uma revisão da Constituição da República, tremenda novidade, mas enxertando nela a seguinte bambochata lapidar: “adaptar o texto ao novo Acordo Ortográfico”. Evidentemente, como de costume, nesta matéria está mais do que garantida a aprovação por esmagadora maioria absoluta: 206 “votos” a favor, contando com o penduricalho BE, num total de 230 “deputados”.  

Como sabe qualquer pessoa com algum tino, em política nada é o que parece. Parafraseando Sun Tzu, não é preciso ter os olhos abertos para ver o sol, nem é preciso ter ouvidos afiados para ouvir o trovão; para ser vitorioso é preciso ver o invisível. E daí o horror, o terror, a aversão que sentem alguns políticos quando algo lhes “cheira” à nudez forte da verdade; preferem, é claro, porque nisso são especialistas (se bem que boçais e ignorantes), o manto diáfano da fantasia.

Daí também, por consequência, o seu encarniçamento contra a verdade e contra quem se atrever a sequer abrir a boca para estilhaçar as suas “narrativas”. Pois bem, senhores tribunos da bravata, cavalheiros e convivas de jantaradas de negócios, a verdade não é negociável. Utilizando as sábias palavras de Mohandas Gandhi, mesmo que sejas uma minoria de um, a verdade será sempre a verdade.

Esta “revisão” da Constituição visa deixar Portugal ainda mais sozinho na “adoção” da cacografia brasileira e, por via do estropiamento da nossa lei fundamental, destina-se a amealhar as sobras que o Itamaraty venha a entender por bem dar de esmola aos seus delegados na “terrinha”.

 

“ECO”, 9 Julho 2021

Tiago Varzim

 

[…]

O PSD apresentou esta sexta-feira a sua proposta de revisão constitucional com uma série de alterações. Entre elas está a redução do número de deputados e o aumento do período das legislaturas.

Rui Rio anunciou esta sexta-feira uma proposta de revisão constitucional e as mudanças são muitas, da organização económica à política, aos direitos fundamentais e ao funcionamento da democracia portuguesa. O PSD propõe uma redução de pelo menos 15 deputados e um aumento do período de cada legislatura de quatro para cinco anos.

Esta proposta de revisão constitucional apresentada esta sexta-feira será entregue na mesa da Assembleia da República (AR) no início da próxima sessão legislativa, em Setembro. Na conferência de imprensa, o líder do PSD apelou ao PS para ter uma atitude reformista e deixar de ser um “partido que é ele próprio o sistema”: “Deve haver uma negociação com o Partido Socialista e bem“, disse, explicando que só há alteração à Constituição com dois terços dos votos na AR.

[…]

A proposta dos social-democratas dá uma série de novos poderes ao Presidente da República, além de aumentar os seus mandatos dos actuais cinco para os seis anos (mantendo o limite de dois mandatos). O chefe de Estado passaria a nomear o governador do Banco de Portugal — uma mudança há muito discutida –, assim como os presidentes das entidades reguladoras como a ERC, ERSE, entre outras. O Presidente teria ainda de nomear membros do Conselho Superior do Ministério Público e dois dos membros do Tribunal Constitucional, reduzindo a “partidarização” do TC uma vez que é o Parlamento que os elege, notou Rio.

O PSD pretende também que os referendos possam coincidir com outro acto eleitoral e que se elimine a participação mínima de metade dos eleitores recenseados para que o referendo tenha um efeito vinculativo.

[…]

O PSD pretende também adaptar o texto constitucional para o “modernizar” e “simplificar, relatou Paulo Mota Pinto, também presente na conferência de imprensa, afirmando que esta proposta mostra o carácter “reformista” do partido. O número de artigos da CRP passaria de 296 para 267, uma redução de 10%, e seria eliminada a linguagem constitucional “ainda com marcas ideológicas desactualizadas”.

Além disso, o texto seria adaptado ao novo Acordo Ortográfico e seria utilizada uma terminologia mais inclusiva. Por exemplo, a expressão “direitos do Homem” seria substituída por “direitos humanos”.

[…]

[Extractos (transcrição parcial) de notícia do jornal online “ECO” publicada em 9 Julho 2021. Corrigi a  cacografia brasileira do original. Destaques, sublinhados e “links” meus. Imagem/citação de topo de: “quotefancy“. Imagem/citação de rodapé de: “Thrive Movement” (página Facebook).]

  Artigo 9.º
(Tarefas fundamentais do Estado)
São tarefas fundamentais do Estado:
a) Garantir a independência nacional e criar as condições políticas, económicas, sociais e culturais que a promovam;
b) Garantir os direitos e liberdades fundamentais e o respeito pelos princípios do Estado de direito democrático;
c) Defender a democracia política, assegurar e incentivar a participação democrática dos cidadãos na resolução dos problemas nacionais;
d) Promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, mediante a transformação e modernização das estruturas económicas e sociais;
e) Proteger e valorizar o património cultural do povo português, defender a natureza e o ambiente, preservar os recursos naturais e assegurar um correcto ordenamento do território;
f) Assegurar o ensino e a valorização permanente, defender o uso e promover a difusão internacional da língua portuguesa;
g) Promover o desenvolvimento harmonioso de todo o território nacional, tendo em conta, designadamente, o carácter ultraperiférico dos arquipélagos dos Açores e da Madeira;
h) Promover a igualdade entre homens e mulheres.

Quanto mais a sociedade se afasta da verdade mais odeia aqueles que a dizem.

Spelling Bee

 

«A spelling bee is a competition in which contestants are asked to spell a broad selection of words, usually with a varying degree of difficulty. To compete, contestants must memorize the spellings of words as written in dictionaries, and recite them accordingly.»

«The concept is thought to have originated in the United States, and spelling bee events, along with variants, are now also held in some other countries around the world. Spelling bees are common only in countries where English is spoken, because other languages have a more predictable spelling system[Wikipedia]

The 91st Scripps National Spelling Bee was held at the Gaylord National Resort and Convention Center in National Harbor, Md., in 2018. Credit…Scripps National Spelling Bee
July 8, 2021, 3:00 p.m.

By Alan Yuhas

The Scripps National Spelling Bee finals have returned.

 

W-e-l-c-o-m-e to our live coverage of the 93rd Scripps National Spelling Bee finals, where 11 students will face the clock, the cameras and a horde of the dictionary’s orthographic terrors, which are now all that stand between them and the title of national spelling champion.

The finalists, ages 11 to 14, have made it where nearly 200 other contestants could not — defeated by rhonchus, revetment, groupuscule, welkin and motmot, among others. Adding to their challenge, this year the students also face an on-camera vocabulary element to the competition. (A rhonchus is a kind of snoring sound, a revetment is an embankment, a groupuscule is a small group of activists, welkin is the heavens, and a motmot is a type of tropical bird.)

The contest’s organizers have also added another potential challenge since the last Scripps Bee, in 2019, when eight students shared the championship in a tie. In the event of a tie this year, the finalists will face a lightning round spell-off. The champion — or co-champions, if the spell-off itself ends in a tie — will receive a $50,000 cash prize.

[…]

[Transcrição parcial.

É uma actividade pedagógica, séria e consequente, adoptada como parte integrante e fundamental da política educativa em inúmeros países e territórios: Austrália, Bangladesh, CanadáÍndia, Kuwait, Nigéria, Nepal, Holanda, Bélgica, Paquistão, Emiratos Árabes Unidos, Arábia Saudita, Reino Unido, Estados Unidos da América, Vanuatu. Apesar de incidir sobre o Inglês, na actualidade a língua-franca mundial, este tipo de jogo didáctico é um factor estruturante do sistema educativo, principalmente nos USA (50 estados, 50 “países”), constituindo uma base sólida, a partir dos níveis básicos de escolaridade, do processo de ensino/aprendizagem de todas as crianças e jovens (e também de adultos!). Evidentemente, apesar de existir o exemplo contrastante dos concursos de caracteres chineses, estamos num campo até agora reservado a uma Língua cuja ortografia permanece intocada há séculos; também por isso mesmo os concursos de “spelling bee” ultrapassam largamente as fronteiras dos países em que o Inglês é Língua oficial, como, por exemplo, o Japão ou países diversos da América do Sul, através de instituições anglófonas de e para todos os níveis académicos, idades e estratos sociais.

São factos e evidências deste género aquilo que mais irrita os acordistas; irritação muito compreensível, portanto, visto que a realidade colide frontalmente com as suas teorias estapafúrdias, a sua militante imbecilidade na promoção de negociatas disfarçando-a com teorias “pedagógicas” horrivelmente sinistras. A “maior facilidade na aprendizagem” não resulta da “simplificação“, ou seja, não é exterminando a ortografia, substituindo-a por uma espécie de transcrição fonética do(s) falar(es) brasileiro(s), que se consegue maior “proficiência”, eficácia ou aproveitamento na aprendizagem da Língua, seja ela materna ou estrangeira. Essas e outras patranhas, qual delas a mais evidente, sustentaram a adopção do AO90 no sistema de Ensino português… por mais provas que se apresentem e por mais que se demonstre o contrário.
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